ELENCO: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt, Jennifer Ulrich, Christiane Paul, Elvas M’Barek, Cristina Do Rego, Jacob Matschenz
LOCAL, ANO: Alemanha, 2008
Embora tenha como base uma história real ocorrida na Califórnia em 1967, o filme é uma ficção, vale dizer. Mas nem por isso menos verossímil. Reiner Wegner é professor do ensino médio e naquela semana é designado para dar um módulo sobre autocracia. Embora preferisse falar sobre anarquia, Wegner se vê diante do desafio de envolver os adolescentes inquietos com um assunto de que a Alemanha já teve o suficiente.
Isso diziam os alunos, não eu. Disseram que já estavam fartos de ouvir falar de Hitler, que isso era página virada da história. Mas seguindo a linha interativa, Wegner propõe aos alunos uma simulação, para provar que, se bobearem, a semente voltaria a geminar. Imaginaram que para se tornar homogênea, a classe deveria adotar algumas regras básicas dos sistemas autoritários, que massificam seus membros para exercer o controle. Para tanto, designaram um líder, um lema, um símbolo, uma saudação, um vestuário, uma postura. Agora eram todos iguais. Com exceção de alguns, que foram discriminados e ameaçados. A proposta era vivenciar aquela situação durante cinco dias.
Denominado pelos alunos A Onda, o movimento toma dimensões extraordinárias e ultrapassa os limites do que era para ser somente uma aula experimental.
Não vou contar mais, porque realmente vale a pena conferir. A Onda nos faz pensar em, pelo menos, dois pontos. Primeiro, o poder das palavras. Tudo começa com um discurso, com a persuasão, a apresentação de uma proposta bem calcada – risco a que estamos expostos todos os dias. O segundo, a extrema vulnerabilidade do ser humano, daquele que preenche seu vazio ideológico e afetivo com uma promessa de poder, sucesso, superioridade e possibilidade de pertencer a algum grupo, ser aceito.
Minha sorte é que tive que sair correndo do cinema com medo do trânsito. Senão, teria ficado ali paralisada, pensando sobre os rumos da nossa sociedade, sobre a intolerância ao que é diferente, sobre as sementes do autoritarismo que estão plantadas entre nós nos gestos mais sutis, sobre o poder de cada palavra que emitimos. Fui embora rápido, mas não escapei da paralisia.
3 Comentários to “A ONDA – Die Welle”
Envie uma Opinião
© Copyright 2009-2013, Cine Garimpo






Podcasts
sending...
Eu me lembro de ter visto este filme na tv quando eu tinha uns 12 ou 13 anos e na época fiquei muito impressionada. O filme era ótimo (para uma menina de 13 anos). Tenho muita vontade de assistir de novo!
Tóia, A Onda publicada no Cine Garimpo, é uma releitura de um filme homônimo, feito para televisão, baseado em um incidente ocorrido em uma escola secundária dos Estados Unidos em 1967. Não assisti a essa primeira versão, mas confesso que estou curiosa. Parece que, antes de virar filme, a história foi romanceada em livro. Vou tentar encontrar a cópia da primeira onda!
Ontem assisti ao filme na tv. E mais uma vez gostei muito.
SPOILER – O que me lembro do filme americano é que na reunião do auditório, na cena final, no meio do discurso do professor ele diz que na realidade os alunos tinham um outro líder, que não ele e projeta na tela a foto de Hitler!
um beijo