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A CONQUISTA DA HONRA – Flags of our Fathers
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 19/03/2010

a-conquista-da-honra2DIRETOR: Clint Eastwood1 icone_DVD

ROTEIRO: William Broyles Jr. e Paul Haggis (baseado em livro de Ron Powers e James Bradley)

ELENCO: Ryan Phillippe, Jesse Bradford, Adam Beach, John Benjamin Hickey, John Slattery, Barry Pepper, Jamie Bell, Paul Walker, Robert Patrick, Neal McDonough, Melanie Lynskey, Thomas McCarthy, Chris Bauer

Estados Unidos, 2006 (131 min)

 

A Conquista da Honra seria só mais um filme de guerra se não fosse a sua cara-metade, Cartas de Iwo Jima, já no CINE GARIMPO. Tudo na vida tem pelo menos dois pontos de vista. O que a direção de Clint Eastwood e produção de Spielberg fizeram foram dois filmes absolutamente sobrepostos, complementares e caricatos da dualidade do ser humano e da sua capacidade de enxergar aquilo que lhe convém, de contar um conto e aumentar um ponto. Principalmente quando desse conto dependem milhares de vidas e o destino de diversas nações.

Diferente de Cartas de Iwo Jima, que enfoca a guerra vista pelos japoneses, entrincheirados e escondidos na imensa rede de túneis cavados nas montanhas à espera do ataque americano à ilha no Pacífico em 1945, A Conquista da Honra é o olhar americano. Mostra a sua imensa frota e o poderoso contingente sofrendo baixas pelos quase 40 dias de batalha, num momento crucial da Segunda Guerra em que os Estados Unidos precisavam de uma vitória rápida e certeira. Foi daí que a foto dos seis soldados hasteando a bandeira americana no topo do monte Suribachi ficou famosa. Foi da necessidade da construção de heróis de guerra que a foto de Joe Rosenthal (abaixo), da Associated Press, rodou o mundo e fabricou verdadeiros salvadores da pátria para sensibilizar a população da necessidade de mais fundos para vencer a guerra.

a conquista da honra - foto

O filme tem dois momentos, e começo por aquele que realmente impressiona pela sua dramaticidade, seu jogo de luz e sombra. As cenas de batalha, principalmente o desembarque americano na ilha, são incríveis – mesmo para quem não gosta de guerra. A aridez da ilha ajuda a constituir o cenário de penúria, falta de humanismo, terror. O outro momento é a turnê dos supostos protagonistas da façanha da bandeira pelos Estados Unidos, necessária para a construção do mito do herói. Aqui tem um pouco de melodrama, de trauma de guerra e até de racismo contra a população indígena. Não é o ponto forte. Vale a pena assistir ao trailer abaixo – dá uma noção do que são esses dois momentos opostos do filme.

O importante aqui é que uma produção não acontece sem a outra. São inteligentemente ligadas. Recomendo as duas. Nelas, a diferença entre as culturas americana e japonesa salta aos olhos. Interessante pensar que a primeira usa de artimanhas para manipular emocionalmente o povo em prol de mais recursos financeiros – tudo pela vitória, mesmo que isso signifique mentir; já a segunda, luta até o final, não abandona seu posto e prefere se matar a ser capturada pelo inimigo – tudo pela honra, tão presente na cultura oriental.

Acho que é por isso que o nome em português soa falso. O que os americanos conquistaram não foi a honra, foi o dinheiro e a vitória militar. Em inglês, o título fala da “bandeira dos nossos pais”, já que o filme é narrado pelo filho de um dos soldados. Nada mais. Parece que na nossa língua mãe, o título também está tentando construir heróis, não sendo nada imparcial. Nossa sorte é que temos os dois pontos de vista disponíveis para que nós mesmos tiremos a conclusão de quem é quem nessa história toda.

 

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