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EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Drama, Brasil - 04/05/2012

DIREÇÃO: Beto Brant e Renato Ciasca

ROTEIRO: Marçal Aquino (livro), Beto Brant e Renato Ciasca

ELENCO: Camila Pitanga, Gustavo Machado, Zé Carlos Machado, Gero Camilo, Adriano Barroso, Antonio Pitanga

Brasil, 2011 (100 min)

 

Assumo a culpa – deveria ter chamado atenção para este filme, antes de ele minguar nos cinemas brasileiros. Uma pena. Cinema de qualidade, história boa, roteiro amarrado e interessante, elenco, lindo e competente. Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, baseado no romance homônimo de Marçal Aquino, não vai durar muito em cartaz – nem o belo Xingu parece ter despertado o interesse das pessoas por algo diferente do enlatado campeão de bilheteria. Portanto, duas ótimas propostas para o fim de semana. Brasileiríssimas.

Li o livro há algum tempo e me lembro bem da sensação da intensa paixão entre Lavínia (Camila Pitanga) e Cauby (Gustavo Machado) e do calor intenso da região norte do Brasil, onde se passa a história. Ele é fotógrafo, forasteiro, de passagem na região para fotografar e registrar pessoas, cenas e denúncias de desmatamento e garimpo ilegal no Pará. Ela ex-prostituta resgatada das ruas pelo pastor Ernani (Zé Carlos Machado, também em Estamos Juntos), também ex-viciado e alcoólatra, que se ancora na recuperação de Lavínia e na salvação da sua própria alma através da palavra. Lavínia e Cauby vivem uma relação carnal, perigosa, em uma terra extremamente machista, em que a justiça é feita com as próprias mãos, ou através de matadores de aluguel.

Já foi bastante comentada a nudez de Camila Pitanga e as cenas de sexo do filme. Eu diria que o que chama mais atenção é a química entre os atores, a entrega e o real desespero diante dos fatos que o roteiro bem estruturado apresenta ao espectador. O filme é belo nesse sentido, o da entrega. Não é tarefa fácil conseguir tirar isso dos atores. Gostei demais. Tem um final doce, um sorriso de quem indica que valeu o sacrifício, a perda, a renúncia. Mas não é filme que atrai público, é sutil demais. Lavínia se divide entre a gratidão e a paixão pelo fotógrafo, entre a palavra e o corpo, entre a razão e a emoção de uma maneira forte e muito bem trabalhada. Gostei, cinema de qualidade.

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