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janeiro, 2017

JACKIE
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Biografia - 31/01/2017

Havia várias maneiras de falar do momento em que John Kennedy foi assassinado durante a carreata em Dallas, no dia 22 de novembro de 1963. Pelo diretor Pablo Larraín, o enfoque é dúbio. O momento após o tiro é contato através da entrevista que Jackie dá a um jornalista. Sua dor evidente se contrapõe à postura cuidadosa de viúva dos Estados Unidos, de moradora da Casa Branca, de mulher do homem cobiçado por todas, de alguém que quer – e precisa – deixar seu legado. De frágil e good wife, Natalie Portman (também em Cisne Negro, Um Beijo Roubado), indicada ao Globo de Ouro e Oscar pelo papel, consegue plantar a imagem da mulher astuta, consciente e política. Era preciso mostrar o que tinham feito com o presidente.

Diretor também de No, que mostra o momento do político importante no Chile, Larraín aqui também se preocupa em construir uma Jackie consciente de sua posição política, o que faz um contraponto importante com esse ícone da elegância, daquele que ditou as regras da moda nos anos 60, daquela que era a cara da América. Não é à toa que o filme concorre ao Oscar de melhor figurino. O diretor fez questão de fazer esse lado estético impecável, assim como era Jackie. Sempre elegante. Até suja de sangue, até quando precisou pontuar que seu marido entraria, sim, para a história. De fato, falou e disse.

 

DIREÇÃO:  Pablo Larraín ROTEIRO: Noah Oppenheim ELENCO: Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Greta Gerwig | 2016 (100 min)

 

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AMANHÃ – Demain
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, França, Documentário - 28/01/2017

Em vez da gente ficar reclamando que o mundo está poluído demais, aquecido demais, destruído demais, ruim demais, que tal ir atrás de soluções? Por menores que sejam, as mudanças transformam, são capazes de fazer as pessoas replicarem as ideais e causam efeitos multiplicadores. Se gentileza causa gentileza, uma melhor qualidade de vida acaba, naturalmente, atraindo quem se identifica com ela. Aí, é só continuar no caminho.

Com isso em mente, a atriz e diretora francesa Mélaine Laurent (também em Bastardos Inglórios, O Concerto) e o marido, Cyril Dion, saíram pelo mundo em busca de cidades e comunidades que já adoram um estilo diferente de vida. A gente acha que, para que isso aconteça é preciso mudanças muito bruscas, abandonar tudo e mudar de cidade. Saiba você que não. Mesmo porque, o ótimo é inimigo do bom. Não dá pra começar pelo ideal.

Comece pelo possível e você verá que mudanças no dia a dia já fazem a diferença e elas vão, aos poucos criando outras possibilidades. Economia criativa, bairro autossustentáveis, hortas comunitárias e urbanas são algumas das soluções que já estão mudando o mundo por aí e este documentário mostra realidades que a gente nunca imaginou existirem. Gente que está realmente fazendo a diferente. Faz uma hortinha em casa, em vaso mesmo, e você já vai ver que algo de diferente brotou bem perto de você.

 

DIREÇÃO: Cyril Dion, Mélaine Laurent | 2015 (118 min)

 

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O ÍDOLO – The Idol
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Palestina, Em cartaz, Drama, Biografia - 26/01/2017

O mais bacana desses filmes que falam do Oriente Médio é que eles falam do Oriente Médio por meio de algo com que a gente, do lado de cá do mundo, também se identifica. Falar da juventude em qualquer cultura aproximar os povos, como em Uma Garrafa no Mar de Gaza, por exemplo. Só mais universal do que o jovem, acho que é a música – coisas que caminham juntos, não por acaso. Dá aquela sensação de compreender um pouco de uma realidade bem distinta, o que é uma oportunidade de realmente olhar para o diferente com outros olhos.

Falando em olhar, O Ídolo traz essa perspectiva da superação de dificuldades. Não tem lá muito novidade, segue uma linha cronológica desde a infância e Mohammed Assaf e doura a pílula um pouco no quesito destruição e miséria por que passa o povo palestino. Mas, tirando isso, conta a verdadeira a história do menino de Gaza que sonhava em ser cantor profissional e se apresentar na Ópera do Cairo. Tanto ele faz – e tanto conta com a determinação da família – que consegue inscrever-se no concurso musical Arab Idol, “fugir”de Gaza para se apresentar na audição no Egito e finalmente vencer a competição.

O diretor do filme, Hany Abu-Assad, também de Paradise Now, que foi nomeado para o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006 e tem uma pegada bem diferente e realista –, também é palestino, nasceu em Nazaré. Consegue trazer emoção para o drama, mesmo que tenha, sim, alguns clichês – que além de ser humano, universal enquanto luta por um lugar ao sol, pela liberdade de ir e vir, pelo sonho, pela justiça, traz pra perto uma realidade que a gente, aqui do outro lado, mal consegue dimensionar e que o cinema é capaz de traduzir.

 

DIREÇÃO: Hany Abu- Assad ROTEIRO: Hany Abu-Assad, Sameh Zoabi  ELENCO: Tawfeek Barhom, Kais Attalah, Hiba Attalah | 2015 (100 min)

 

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MANCHESTER À BEIRA-MAR – Manchester by the Sea
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para se Divertir, Estados Unidos, Drama - 24/01/2017

Normalmente as trajetórias que mais emocionam são aquelas que lidam com histórias de vida comuns. Gente como a gente, com suas encrencas pra resolver, com a vida virada de cabeça pra baixo e com relacionamentos complexos, com dor e ternura. Ou seja, vidas de verdade. Por isso é que Manchester À Beira-Mar é tão impactante. Não tem um só personagem herói; nem modelo. A gente mergulha no filme e veste a carapuça.

Lee Chandler (Casey Affleck, vencedor do Globo de Ouro pelo papel) é zelador de um prédio, faz seu trabalho sem fazer questão de ser simpático; é objetivo e frio, faz o mínimo necessário. Sujeito amargo. E triste. Até que recebe um telefonema dizendo que seu irmão faleceu. Tem que ir à Manchester se despedir e cuidar do que o irmão deixou – inclusive de seu sobrinho, que fica sob sua guarda. No decorrer da narrativa, vamos descobrindo quem é Lee, sabemos sobre seu passado e seu casamento com Randi (Michelle Williams, também em Entre o Amor e a Paixão, Namorados Para Sempre), de que fontes bebeu para ser tão duro consigo mesmo.

Não espere reviravoltas ou acontecimentos mirabolantes. A narrativa é sobre uma vida simples, sobre erros e acertos, sobre relacionamentos que não se esgotam, que precisam de tempo para serem digeridos e perdoados. Profundo e verdadeiro, principalmente a cena em que Michelle Williams revisita o passado. Que cena! O ano começa muito bem.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Kenneth Lonergan ELENCO: Michelle Williams, Casey Affleck, Kyle Chandler, Lucas Hedges | 2016 (137 min)

 

 

 

 

 

 

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LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES – La La Land
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para Ver Bem Acompanhado, Para se Emocionar, Para se Divertir, Musical, Estados Unidos, Comédia Romântica - 13/01/2017

Emma Stone disse bem quando foi receber seu Globo de Ouro pela atuação perfeita na pele da linda Mia: La La Land: Cantando Estações é para sonhadores. Mereceu ganhar os sete Globos de Ouro, vai emplacar vários prêmios das 11 indicações ao Bafta, o Oscar inglês, e vamos já nos preparando para o Oscar, que também vai bombar.

Mais do que uma linda história de amor, o filme do jovem Damien Chazelle, também do ótimo Whiplash – Em Busca da Perfeição, é sobre as escolhas da vida. Sobre escolher, relacionar-se com o outro e lidar com as expectativas. E com as escolhas que mudam, claro. Estamos em constante transformação e saber disso e escolher de novo é um presente. Mesmo que seja escolher a mesma coisa. Não importa. O que conta é caminhar.

E cantar. Com a linda, romântica e singela canção City of Stars – que você sairá cantarolando do cinema, como todos fazem – encanta, embala e nos convida a sonhar, junto com Mia e Sebastian, Emma Stone (também em O Homem Irracional, Magia ao Luar) e Ryan Gosling (Amor a Toda Prova, Drive). Juntos também no filme Amor a Toda Prova, agora eles são o casal mais simpático que possa ser existir no cinema.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Damein Chazelle ELENCO: Emma Stone, Ryan Gosling, J.K. Simmons | 2017 (128 min)

 

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A CRIADA – Ah-ga-ssi
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Coreia do Sul - 13/01/2017

Cinema da Coreia do Sul chegou mostrando a que veio. O suspense Invasão Zumbi veio de lá também – o trem que sai de Seul cheio de zumbis e histórias de vida – e morte. A Criada é completamente diferente e isso é que mostra que tem gente fazendo cinema de qualidade, pra todos os gostos. Não poderia ser melhor.

Ainda mais com o trio deste filme – aliás, trio em dois sentidos. Primeiro: roteiro, direção de arte e narrativa; o segundo, o trio de atores em si. Narrativa: uma jovem sul-coreana, trambiqueira profissional, é contratada para ser a criada de uma japonesa rica, sob o comando de um interesseiro que só quer ficar com a fortuna da pobre-menina rica. Isso tudo durante a ocupação japonesa na Coreia do Sul. Dividido em três momentos, o filme mostra a evolução da trama montada para enganar a jovem moça – e, prepare-se, porque as reviravoltas são muitas e o desfecho é incrível.

Filme bom e eclético: tem arte e beleza, suspense e sensualidade, ótima história e surpresas. Único defeito: poderia ter 15 minutos a menos. Mas, está perdoado, Chan-Wook Park.

 

DIREÇÃO: Chan-Wook Park ROTEIRO: Sarah Waters, Seo-kyeong Jeong ELENCO: Min-hee Kim, Jung-woo Ha, Jin-woong Jo | 2016 (146 min)

 

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INVASÃO ZUMBI – Busanhaeng
CLASSIFICAÇÃO: Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Ficção Científica, Drama, Coreia do Sul - 08/01/2017

Tem que gostar de filme de ficção. Se tiver zumbi, ainda melhor. Mas se você for do tipo que não é muito fã, mas curte um suspense, embarque no trem de Seul pra Busan cheio de gente estranha – porque a viagem é bem boa!

Invasão Zumbi não tem lá uma narrativa muito consistente – não espere descobrir como os zumbis começaram a aparecer, que experiência científica deu origem ao problema, muito menos com vai ser resolvido. A questão aqui é mais complexa, quase humanitária: diante de uma situação limite, de salve-se-quem-puder, quem será solidário, quem será egoísta, quem é que se salva nessa vida, afinal de contas? Lembra Guerra Mundial Z, com Brad Pitt – torci o nariz pro filme no começo, mas depois confesso que tem um suspense bem interessante.

Só pra ilustrar: o executivo frio e calculista precisa levar a filha para a casa da ex-mulher. Contrariado, porque mantém uma relação distante da filha, não é afetivo e a garota só quer saber de ser notada pelo pai, ele embarca no trem tomado pelos zumbis. No meio do caos – e de muito susto – as máscaras caem e as pessoas mostram suas verdadeiras facetas. Além de ótimos efeitos especiais, tem esse viés interessante do olhar para o outro. Desde que não seja zumbi, é claro!

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Sang-ho Yeon ELENCO: Yoo Gong, Soo-an Kim, Yu-mi Jung, Dong-seok Ma | 2016 (118 min)

 

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EU, DANIEL BLAKE – I, Daniel Blake
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para se Emocionar, Para Pensar, Inglaterra, Drama - 07/01/2017

Se fosse pra resumir em uma palavra, ela seria solidariedade. Se pudesse colocar mais uma, seria dignidade. Mais uma? Crueldade. Pois é, aí é que está a riqueza do filme de Ken Loach: traz opostos na sua mais genuína forma. A solidariedade bem nua, crua, genuína, sem moeda de troca; simplesmente acontece, com tem que ser com as pessoas de bem. A dignidade é mantida, mesmo que o universo conspire contra. E a crueldade… ahh, a crueldade vem arquitetada, montada de forma a dificultar, judiar, humilhar e nutrir uma sociedade mais injusta. Em uma semana em que a Finlândia anunciou que vai pagar um salário mínimo de 560 euros a desempregados, sem que eles tenham que provar que estão procurando emprego, este filme, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, cai como uma luva.

Daniel Blake é um marcineiro, que tem um problema no coração, ainda não pode voltar a trabalhar e recorre ao sistema de previdência social para receber seu seguro desemprego. Poderia ser no Brasil – dá até vontade de rir (aliás, este é um dos bônus do filme, que coloca como protagonista um ator de standup comedy – capaz de rir da própria trajédia). Rir pra não chorar: ele fica plantado no telefone tentando ser atendido, preencher os pré-requisitos, conseguir o benefício, ter o mínimo de atenção e ser tratado com o mínimo de respeito. Até que descobre que tem que fazer tudo isso online. Como, se não sabe com o esse mundo virtual funciona? Soa familiar?

As dificuldades são inúmeras e Daniel não desiste. Segue digno. Lutando. Conhece uma moça em situação crítica, com dois filhos pra cuidar, sem dinheiro, sem trabalho, sem esperança. Aqui entra a solidariedade. Genuinamente, porque assim é que deveria ser sempre.

Ken Loach, também diretor de Rota Irlandesa, A Parte dos Anjos, À Procura de Eric, consegue ser preciso: mostra o desvio de conduta da nossa sociedade que deveria acolher, ajudar o cidadão a viver e não a passar a vida correndo atrás do rabo. Ao mesmo tempo, consegue construir um Daniel e uma Katie íntegros, esperançosos, dignos e orgulhosos de quem são. Apesar dos pesares. Triste, claro, mas fica uma mensagem de esperança. Os finlandeses que o digam.

 

DIREÇÃO: Ken Loach ROTEIRO: Paul Laverty ELENCO: Dave Johns, Hayley Squires, Sharon Percy, Briana Shann | 2016 (100 min)

 

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O QUE ESTÁ POR VIR – L’Avenir
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 07/01/2017

De novo, ela. Quando comentei sobre Mais Forte Que Bombas, também deste ano, já falei que ela produz incansavelmente. A Religiosa, Dois Lados do Amor, A Bela que Dorme, Amor, Em Nome de Deus, Copacabana, Minha Terra, África, Elle – este, um dos melhores filmes de 2016. Mas diferente da mulher independente e poderosa executiva do filme de Paul Verhoeven, a mulher de O Que Está por Vir é mais doce, maternal, afetiva, familiar. E mais real – recorte da história universal e inspiração pra mulheres que precisam se reinventar com o que a vida apresenta.

Nathalie Chazeaux é um professora de filosofia conceituada, assim como seu marido de longa data. Juntos, criaram os filhos, cuidam de suas carreiras, têm uma vida em comum, interesses que se cruzam, uma terceira idade programada pra ser vivida juntos. Até que ela descobre que são três. Existe uma amante, Nathalie se vê sozinha, suas publicações não vão bem e é hora de sair da zona de conforto. Linda cena em que ela vê o ex-marido com a namorada na rua – não lhe pertence, essa opção. Segue a vida, se reinventa, sofre, mas descobre um lugar dentro dela que a faz renascer.

O Que Está Por Vir, que levou Urso de Prata pela direção em Berlim, é poesia da vida. Descoberta de o que fazer com o que a vida apresenta, viver a vida que nos cabe da melhor forma, dar as cartas do jogo. Nathalie experimenta essa liberdade. Sem drama extra, sem felicidade irreal, sem lustrar a pílula. Simplesmente ser feliz com o que se tem e poder tomar as rédeas do que se apresenta.

 

DIRECÃO e ROTEIRO: Mia Hansen-Love ELENCO: Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka, Edith Scob | 2016 (102 min)

 

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ANIMAIS NOTURNOS – Nocturnal Animals
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Suspense, Para se Emocionar, Para Pensar, Estados Unidos, Drama - 06/01/2017

Vale lembrar quem é Tom Ford: antes de cineasta, é estilista e responsável pela revitalização da Gucci. Portanto, olho bem aberto para a estética impecável de tudo que Ford faz – inclusive seu filme anterior, Direito de AmarAnimais Noturnos é de uma intensidade absurda – chega a rasgar o coração. Despeja, sem dó, o espectador dentro da tela, usando a estratégia de trazer uma história pra dentro da própria narrativa – tão bem amarrado que a gente até se esquece do que é a realidade da personagem, o que é ficção.

Vale dizer também que a Ford constrói dois mundos, bem distintos. Complementares, talvez. O claro, a sombra; o frio e impessoal, o confuso e caótico; o racional, o visceral. Susan, personagem da maravilhosa Amy Adams (também em A Chegada) – quanto talento em tanta frieza e insegurança! – e Tony, Jake Gyllenhaal (também em Evereste, O Abutre), vivem dois dramas. Na vida real, Susan e Tony foram casados, algo acontece e eles se separam. Susan se casa com um sujeito lindo e rico, que já a engana com outra. Vidas à parte. Susan lida com arte, é galerista – convive entre a perfeição da estética minimalista e contemporânea da arte, e o grotesco da vida real na pele das modelos que pousam na exposição da cena inicial. Sozinha e solitária, Susan recebe de Tony um livro escrito por ele, dedicado a ela. A história é de barbárie: a mãe e as duas filhas são violentadas e assassinadas por marginais na estrada, enquanto o pai fica refém dos assassinos. Chocante – e Susan devora o livro, assim como a gente devora a sua história pessoal.

Curioso Tom Ford, que é estilista da elite da moda, entrar a fundo nesse panorama do poder da imagem, da futilidade, da vaidade, da burguesia, do consumo. Faz uma reflexão importante. O que é, afinal, ficção e realidade? O terror de Susan era virar um espelho da sua mãe – conservadora e preconceituosa – e acaba repetindo o padrão, assim como previsto. Quantos de nós não repetimos e perdemos a essência, aquilo que somos. Animais Noturnos traz tudo isso, além da tensão de acompanhar relações humanas tão complexas na tela. E traz uma história de desamor – o que sempre é carregado de uma pitada de realidade.

 

DIREÇÃO: Tom Ford ROTEIRO: Tom Ford, Austin Wright ELENCO: Amy Adams, Jake Gyllenhall,  Michael Shannon, Aaron Taylor-Johson, Isla Fischer | 2016 (116  min)

 

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