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setembro, 2016

O BEBÊ DE BRIDGET JONES – Bridget Jones’s Baby
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia Romântica, Comédia - 29/09/2016

Renée Zelleweger apareceu bem estranha há uns dois anos – nem parecia ela nas fotos, de tanta interferência estética. Muito menos parecia a Bridget Jones dos dois filmes anteriores – o primeiro bem melhor que o segundo. O bom é que, agora, tudo parece normal: Renée está de volta à antiga fisionomia, a diretora Sharon Maguire, responsável por O Diário de Bridget Jones, volta pilotando também este terceiro filme e temos, novamente, um filme gostoso de ver – como manda o gênero comédia-romântica.

Atrapalhada e confusa, Bridget continua solteira. Aos 40 e tantos, já não sonha em ser mãe, investe na carreira e parece que está tudo resolvido e seguindo o curso natural depois de relacionamentos frustrados. Até que ela engravida e não sabe de quem é o bebê: de seu antigo amor Mark (Colin Firth, também de O Discurso do Rei) ou do charmoso Jack (Patrick Dempsey), que ela acaba de conhecer.

Divertido e com personagens leves e carismáticos, O Bebê de Bridget Jones tem o tom certo do filme que pretende divertir, sem apelar, reconciliando a quarentona com o amor e dando um toque de romantismo sem melodrama. Boa dica pra ver bem acompanhado e dar boas risadas.

 

DIREÇÃO: Sharon Maguire ROTEIRO: Helen Fielding, Dan Mazer ELENCO: Renée Zellweger, Colin Firth, Patrick Dempsey, Emma Thompson, Gemma Jones, Jim Broadbent | 2016 (123 min)

 

 

 

 

 

 

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O SILÊNCIO DO CÉU – Era El Cielo
CLASSIFICAÇÃO: Uruguai, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 29/09/2016

A pergunta que não quer calar é sobre o silêncio. A princípio, o filme tem dois protagonistas: Diana, uma mulher misteriosa, assustada e com olhar distante; e Mario, um homem inseguro, cheio de medos, mas que demonstra uma vontade de compreender o que acontece. A princípio – e de maneira rasa – é isso. Um casal em crise, um casal que já não se vê no casamento.

A questão maior de todas é que o filme tem mais um protagonista – que, talvez, seja o mais importante. Sem ele, não teria história. “Meu personagem busca, o tempo todo, entender aquilo que não pode ser dito”, diz Leonardo Sbaraglia, ator também do episódio do motorista num dia de fúria em Relatos Selvagens, na entrevista coletiva. “O filme fala daquele silêncio que, muitas vezes, sepulta a relação do casal.” Essa é a essência do filme: personificar o silêncio, que impera nas relações já desgastadas, e funciona como causador do afastamento, do estranhamento e, depois, da indiferença.

Isso dito, vale a pena prestar atenção na ausência de trilha. Há um momento do filme em que Diana e Mario cantam Corcovado – o único em que a história remete ao passado, à sinergia entre eles, à relação que um dia existiu. Agora, Diana (Carolina Dieckmann, também em Entre Nós) e Mario passam pela crise, ela é estuprada (não é spoiler, está no trailer) e não fala nada para o marido. Só isso já é instigante – o que levaria uma mulher a fazer isso? O enredo segue com Mario destrinchando esse mistério e deixando claro quem é quem nessa história.

É um thriller, tem suspense, tem tensão. Constante. Nada é leve. E, confesso, que ainda me faço algumas perguntas. A certeza fica por conta do silêncio. É o protagonista.

 

DIREÇÃO: Marco Dutra ROTEIRO: Sergio Bizzio, Caetano Gotardo, Lucía Puenzo ELENCO: Carolina Dieckmann, Leonardo Sbaraglia, Chino Darín | 2016 (102 min)

 

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MEU REI – Mon Roi
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 28/09/2016

Emmanuelle Bercot é a diretora do ótimo De Cabeça Erguida, com Catherine Deneuve. É intenso, com personagens femininas fortes e fundamentais na condução do futuro de um adolescente cheio de conflitos. Pra fazer o papel que Bercot faz em Meu Rei – uma mulher que se apaixona, oscila entre a extrema felicidade e o desespero e bate no fundo do poço do relacionamento – é como se ela continuasse nessa vibração feminina da intensidade do amor maternal, conjugal e, por fim e finalmente, pessoal. É preciso se amar pra recuperar-se de tanto desbalanço.

Bercot é Tony, uma mulher resolvida e solteira, que se apaixona por um homem sedutor, cheio de vida e de atitudes bipolares. Ora amável, ora agressivo, leva o relacionamento àquele extremo impossível de suportar. Lembra Amor Em 5 Tempos, de François Ozon. Quando não há mais nada o que fazer.

A outra ponta de Meu Rei é feita pelo ator Vincet Cassel (também em Cisne Negro, À Deriva). Georgio se sente o rei, o dono do pedaço, acima de tudo e de todos. E sabe que é sedutor, claro. Sabe do seu poder, usa e abusa, passa do limite da sanidade. E da possibilidade de manter o casamento.
Impactante. Até incomoda. Retrato de muitos que têm por aí.

DIREÇÃO: Maïwenn  ROTEIRO: Etienne Comar, Maïwenn ELENCO: Vincent Cassel, Emmanuelle Bercot, Louis Garrel | 2015 (124 min)

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A PASSAGEIRA – MAGALLANES
CLASSIFICAÇÃO: Peru, Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama - 28/09/2016

 

Interessante, já pelo título. No original, Magallanes, quem é o centro é o motorista; na versão brasileira, a passageira. Ou ainda: um foca no homem; o outro, na mulher. Um no poder dominador; outro, na dominada. Tudo tem dois lados nesta vida.

Um lado: Celina (Magaly Soler, ganhou Urso de Ouro em Berlim por A Teta Assustada) é uma moça simples e trabalhadora, com olhar triste e acuado. Está atolada em dívidas, pega um táxi, vai até sua credora tentar fazer um acordo. Humilhada, tenta se fortalecer numa espécie de grupo de autoajuda motivacional. O outro: Magallanes (Damián Alcazar) leva uma vida monótona como taxista e acompanhante de um idoso, até que entra em seu táxi uma moça com jeito tímido. Ele se esconde para não ser reconhecido, fica transtornado e passa a vigiar seus passos.

Há um ponto em comum no passado dos dois que vai se desvendando no decorrer do filme. São duas visões diferentes de um mesmo fato, mas que dão o tom da vida de cada um deles no presente. Tenso e intenso, A Passageira revela muito da postura latino-americana da repressão, da lei do mais forte, do abuso de poder militar e da inferior condição feminina, mais ainda agravada pela desigualdade social. Assim como em A Teta Assustada, A Passageira tem esses dois poderes que se chocam e se mostram interdependentes: a guerrilha (no caso peruano, o Sendeiro Luminoso) e o poder político oficial; o masculino e o feminino; o poder financeiro e a miséria social. A cara do nosso continente.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Salvador del Solar ELENCO: Damián Alcázar, Magaly Solier, Federico Luppi, Christian Meier | 2015 (109 min)

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CEGONHAS – Storks
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Animação - 28/09/2016

Mais uma animação para o circuito infantil, mas desta vez nada de muito original. Cegonhas não levam mais bebês, aposentaram-se nessa função. A fábrica parou, as aves agora entregam pacotes e já não há mais a fantasia de que as cartas enviadas pelas famílias são lidas e seus pedidos, atendidos.

Até que um bebê ficou sem dono, foi criado nesta fábrica e tornou-se uma garota atrapalhada e de bom coração. Com uma missão superespecial: entregar um único bebê, que foi produzido por acaso.

Bem feita, mas não chega a emocionar. Tem o fator fofo (por causa dos bebês a bordo), mas não tem nada de muito diferente do que uma animação high-tech pode oferecer.

DIREÇÃO: Nicholas Stoller, Doug Sweetland ROTEIRO: Nicholas Stoller | 2016 (87 min)

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SETE HOMENS E UM DESTINO – The Magnificente Seven
CLASSIFICAÇÃO: Western, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Ação - 27/09/2016

Três westerns modernos são muito bons: Django Livre e Os 8 Odiados, ambos do Tarantino, e Bravura Indômita, dos irmãos Ethan e Joel Coen. Só diretor fera – mesmo pra quem não é fã pelo gênero, o apelo é bem forte.

Eu me incluo no time dos não-fanáticos, mas me rendo e coloco mais um na prateleira dos faroestes bacanas: Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven), um remake do original de 1960 que, por sua vez, foi baseado em Os Sete Samurais, do japonês Akira Kurosawa, de 1954. O filme abriu o Festival de Toronto e garante um ritmo bom, embora não tenha a riqueza do texto e do contexto dos três citados acima.

O enredo clássico do caçador de recompensas se repete, mas aqui o líder precisa de ajuda e convoca mais seis forasteiros para defender uma cidade dominada pelo sujeito mais rico e inescrupuloso da região. Já dá pra imaginar que mocinhos e bandidos se enfrentam, como tem que ser um western.

Um dos pontos fortes é o elenco — além de Denzel Washigton, temos Chris Pratt, e Ethan Hawke, pra citar os mais famosos. Outro é a diversidade: quem contrata os forasteiros é uma mulher e o grupo inclui um negro, um chinês, um latino, um branco emocionalmente instável, outro bonitão, outro solitário e, por último, um religioso. Verdade que essa composição politicamente correta não pertence ao final dos anos 1800, mas o filme é bem feito, o combate final prende a atenção e tem muita ação pra quem curte o gênero.

 

DIREÇÃO: Antoine Fuqua ROTEIRO: Richard Wenk, Nic Pizzolatto ELENCO: Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Byung-hun Lee, Manuel Garcia-Rulfo, Marton Sensmeier, Haley Bennett, Peter Sarsgaard| 2016 (1328 min)

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O HOMEM QUE VIU O INFINITO – The Man Who Knew Infinity
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama, Biografia - 23/09/2016

Esta é daquelas histórias que, se não fosse o cinema, a gente não ficaria sabendo. Quem não se lembra do filme Mente Brilhante? Fico imaginando quantos gênios improváveis têm escondidos por aí, fazendo a diferença nas várias áreas do conhecimento. Srinivasa Ramanuja é um deles.

É verdade que a matemática complexa que Ramanuja domina não faz parte do repertório fora dos meios acadêmicos, mas os teoremas do jovem, que era atendente alfandegário em uma pequena cidade da Índia colonial em 1913, são analisados até hoje. Obcecado pelo estudo, Ramanuja entra em contato com a elegante e conceituada Universidade de Cambridge, na Inglaterra, consegue chamar a atenção de um importante professor e arrisca tudo para provar suas teorias. Além de ser um filme sobre as diferenças culturais e o preconceito, O Homem Que Viu O Infinito é sobre a amizade que nasce entre o indiano e o inglês.

Dev Patel (também em Quem Quer Ser Um Milionário) e Jeremy Irons (também em Beleza Roubada) formam uma boa dupla, principalmente na caracterização dessa disparidade cultural – o que, no fim das contas, não deveria fazer diferença alguma.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Matt Brown ELENCO: Dev Patel, Jeremy Irons, Malcolm Sinclair | 2015 (108 min)

 

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DE ONDE EU TE VEJO
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Comédia Romântica, Brasil - 15/09/2016

Escrevo no dia em que Domingos Montagner se despediu. Assisti já há algum tempo, fiquei com o filme na lembrança. Casados há vinte anos, Ana Lúcia e Fabio resolvem se separar. Ela resolve. Ele não quer. Ela diz que tem mania de querer novidade, que o fim é sempre o começo de algo, que não dá pra querer sempre a mesma coisa. Ele diz que não, que mudou muito durante o tempo, mas que continua igual. Que funciona, que a vida segue em mudança contínua e que é preciso olhar para o que foi construído.

Os personagens de Denise Fraga e Montagner se separam, mas continuam a viver perto: se veem da janela do apartamento, enquanto pensam como mudaram e como continuam iguais. Na essência. O resto, é bom que mude mesmo, alimenta o casamento. Singelo e verdadeiro, fala da crise das fases que pedem transformação. Depois de refletir, Ana Lúcia percebe que “as histórias infelizes é que são todas iguais; as felizes não, são felizes cada uma à sua maneira”. E é aí que mora a beleza do relacionamento.

Grande perda. Além de De Onde Eu Te Vejo, Montagner filmou também Um Namorado para Minha Mulher, com Ingrid Guimarães e Caco Ciocler, ainda em cartaz, Vidas Partidas e Gonzaga, De Pai pra Filho.

 

DIREÇÃO: Luiz Villaça ROTEIRO: Rafael Gomes, Leonardo Moreira ELENCO: Denise Fraga, Domingos Montagner, Manoela Aliperti, Marisa Orth | 2016

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