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agosto, 2016

MÃE SÓ HÁ UMA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 26/08/2016

Mãe só há uma, mas aqui tem duas. Inclusive, a mesma atriz para as mães biológica e adotiva. Adotiva não – sequestradora. Pedrinho foi roubado na maternidade por uma moça, que ainda roubou outra menina anos mais tarde, criou os dois como irmãos e fingiu, a vida toda, que a família era normal, como qualquer outra. Os pais biológicos não sossegaram, procuraram os filhos a vida toda, desmascaram a moça-mãe-sequestradora, que vai presa e tem que entregar os filhos para os pais verdadeiros.

Então, mãe aqui tem duas e a atriz é uma só. Curioso e quase imperceptível, tamanho é o envolvimento com o drama do adolescente que está em plena experimentação sexual, vive os conflitos da idade à flor da pele e diz ter sido roubado duas vezes.

Depois do ótimo Que Horas Ela Volta?, Anna Muylaert lança esse drama baseado em história real, que traça um contorno do convívio familiar (assim como no filme com Regina Casé, com maestria), faz uma cartilha dos padrões de comportamento esperados pela sociedade e pela classe média, das difíceis escolhas da adolescência e da construção do afeto. Em se tratando de afetividade, menos discurso é mais atitude. Não dá pra sair ileso, o melhor de seus filmes, sem dúvida.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Anna Muylaert ELENCO: Naomi Nero, Daniel Botelho, Daniela Nefussi | 2016 (82 min)

 

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LOLO – O FILHO DA MINHA NAMORADA – Lolo
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, França, Comédia Romântica - 26/08/2016

Adoro o trabalho de Julie Delpy, ainda mais quando é multiplicado por três. Em Lolo: O Filho da Minha Namorada, é ela que escreve o roteiro, atua como protagonista e dirige. Multitarefa, mega competente.

Seus filmes têm uma pegada de realidade superinteressante do ponto de vista da mulher e dos relacionamentos. Melhor de todos é a trilogia Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite. Sempre tenho a impressão de que ela faz o papel dela mesmo, de que é autobiográfico, de que fala a língua (afiada!) das mulheres comuns, de que todo mundo se identifica com seus questionamentos (que são muitos)! E o mais legal 3 é que tem humor e a gente se diverte – praticamente, rindo de nós mesmas.

Lolo é quase uma caricatura do garoto-mimado-que-pertuba-o-namorado-da-mãe. Aqui, Julie é Violette, uma executiva do mundo da moda, divorciada e sem namorado, que não consegue engatar em nenhum relacionamento duradouro. Engraçada e espirituosa, tem uma melhor amiga também divertida, feita pela ótima Karin Viard (também em Lulu, Nua e Crua, A Família Bélier), que a acompanha nesse novo caso amoroso complexo.

Mas quem faz ser complexo é Lolo, filho de Violette. Jovem arrogante e dissimulado, apronta tudo que pode pra destruir o novo namorado da mãe e continuar sendo o único homem da sua vida. Bem divertido, bem gostoso de ver. Cinema de qualidade e inteligente, sem que para isso precise ser chato.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Julie Delpy ELENCO: Julie Delpy, Dany Boon, Vincent Lacoste, Karin Viard | 2015 (99 min)

 

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NERVE
CLASSIFICAÇÃO: Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Aventura - 25/08/2016

Em tempos em que as pessoas ficam na rua à procura de Pokémons, fazendo da realidade virtual uma realidade de fato, Nerve é mais do que palpável. Vai na linha desse envolvimento maluco – e desmesurado – que as pessoas têm com as redes sociais, na busca por aprovação e pertencimento a algum tipo de grupo. Antiquada ou não, me causa estranheza o comportamento ditado pelas regras de uma não-realidade, ditada pela aparência. Mas assim é que é e Nerve toca nesse ponto profundo e discutível da construção da imagem.

Emma Roberts (também em Família do Bagulho) é Vee, uma garota insegura e reservada, que não se expõe como suas amigas, nem corre riscos. Mora com a mãe, que ainda superprotege a filha, traumatizada pela perda do filho em um acidente. Cansada de ser a boa moça, rende-se aos apelos da melhor amiga e entra no jogo da moda, Nerve. Funciona assim: você pode se cadastrar como observador ou jogador. Os observadores formam uma comunidade enorme de pessoas anônimas, que observam online todos os passos dos jogadores, que precisam superar desafios cada vez mais ousados e perigosos. Quanto mais bem sucedidos forem, mais seguidores ganham, mais dinheiro entra na conta. O par de Vee é Ian (Dave Franco, também em Vizinhos) e o difícil é saber a hora de parar.

Vee e Ian são protagonistas de uma história (baseada no livro homônimo) que conversa diretamente com o jovem, claro. É a praia deles, nasceram digitais, entendem esse universo paralelo, comunicam-se através dele e molda, daí, comportamentos. Mas é bem envolvente e dinâmico, faz parar pra pensar sobre esse limite tênue entre a vida aqui e agora e o infinito que pode ser criado do outro lado da tela. Nem sempre confiável. Aí é que mora o perigo – e a tentação.

 

DIREÇÃO: Henry Joost, Ariel Schulman ROTEIRO: Jeanne Ryan, Jessica Sharzer ELENCO: Emma Roberts, Dave Franco, Emily Meade, Juliette Lewis | 2016 (96 min)

 

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CAFÉ SOCIETY
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 25/08/2016

Café Society é um filme de amor. Fico impressionada cada vez que assisto aos filmes de Woody Allen: ele tem 80 anos, produz sem parar – e sem dar qualquer indicação de que vai se aposentar – e consegue tratar as questões de relacionamento como ninguém. Aqui, acho até que ele abandona o fatalismo das relações, as dificuldades inerentes das diferenças e interdependências masculinas e femininas e lança mão de uma visão mais otimista sobre o amor. De que não dá pra deixá-lo guardado pra sempre debaixo do tapete. Amor de verdade, acaba vindo à tona.

O que parece é que Jesse Eisenberg faz o papel de Allen – até os trejeitos são parecidos. Mas o diretor diz que não é um filme autobiográfico, que não foi pra Hollywood tentar a vida, que não tinha parente influente na indústria do cinema. Mesmo assim, a semelhança é impressionante. Jesse é Bobby, um rapaz que vai pra Los Angeles, pede emprego para o tio influente e rico (Steve Carell, também em Foxcatcher), apaixona-se por uma garota (Kristen Stewart, também em Para Sempre Alice) e investe todas as suas fichas nesse relacionamento.

Apresentado em Cannes neste ano, Café Society ficou fora da seleção oficial. Quando perguntado, na entrevista coletiva, por que seus filmes não entravam na competição, Allen respondeu: “Não acredito em competição. Isso serve pra esporte. O filme que pode ser bom para um crítico, pode ser chato para outro. É tudo muito subjetivo. Não dá pra dizer que um Matisse é melhor que um Picasso. Pode dizer qual o seu favorito e isso é razoável, mas você pode ter 10 opiniões diferentes sobre o mesmo filme. Mas julgar o filme de outro? Eu nunca faria. Eu não acredito nisso. Estar na competição é ir contra meu bom senso”. E faz sentido. Ainda mais em se tratando de um filme seu: tem sua marca registrada na trilha sonora do jazz, nos créditos no letreiro inicial à moda antiga, na narração com sua própria voz, na temática das relações humanas. É autêntico demais pra ser comparado.

E acredite: não é chato como alguns tendem a rotular. Este Woody Allen com 80 anos (nem ele acredita!) está mais antenado do que nunca. Registra a vida como uma comédia de costumes, indo direto ao ponto, sem dourar a pílula. Parafraseando seu personagem, “a vida é uma comédia escrita por um comediante sádico”. É isso, tem humor, romantismo e realidade. Não adianta, não tem mundo cor de rosa.

 

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Woody Allen ELENCO: Kristen Stewart, Jesse Eisenberg, Steve Carell, Blake Lively, Corey Stoll | 2016 (96 min)

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O QUE TEM DE BOM NO CINEMA ESCANDINAVO
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para Rever, Noruega, Lista, Dinamarca - 24/08/2016

Cinema escandinavo está cada vez mais em alta! Aqui vai uma lista com dicas boas, intensas e preciosas. Escolha pelo estado de espírito, porque não são filmes suaves. São dramas fortes, focados no relacionamento humano. Para ler sobre cada um dos filmes, é só clicar no seu nome.

Dos cineastas citados, adoro o trabalho de Susanne Bier – todos imperdíveis (foto acima: Depois do Casamento). Sobre Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, vale dizer que são parceiros num projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme teria que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deveria ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir.

 

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ÁGUAS RASAS – The Shallows
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 23/08/2016

Quando o suspense deixa você grudado na poltrona de tanta aflição e vontade de salvar o personagem, é porque o filme cumpre o seu papel. Se alguma hora achar que tem algum exagero, pouco importa. O que conta aqui é que o filme pretende ser um thriller: a surfista que é atacada por um tubarão, refugia-se em um coral sem poder voltar para a praia e luta pra sobreviver até o último momento. É filme de tubarão – simples assim.

Águas Rasas até que tem um enredo por trás, que pretende justificar todo o drama de Nancy (Blake Lively, também em Café Society e A Incrível História de Adaline): ela acaba de perder o irmão, está passando por um momento de vida difícil, não sabe se continua a faculdade de medicina e precisa se reconciliar consigo mesma. A tragédia na praia mexicana passa a ser uma provação e, logicamente, a hora da virada. Nem precisava – porque o que pega mesmo é o seu momento com o tubarão, o medo do desconhecido, o clima de tensão durante praticamente todo o filme.

Eu torci pela Nancy e mente quem diz que não vai torcer para que tudo dê certo. Filmes assim movem esse tipo de sentimento: sobrevivência na telona e na poltrona, com direito à trilha sonora de suspense – que, claro, lembra a sensação inesquecível do clássico Tubarão de 1975, de Steven Spielberg, que ainda mora no nosso imaginário.

 

DIREÇÃO: Jaume Collet-Serra ROTEIRO: Anthony Jaswinski ELENCO: Blake Lively, Óscar Jaenada, Angelo Jose | 2016 (86 min)

 

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FOME
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 23/08/2016

Sábia quem me disse que Fome não seria um filme fácil. Que era preciso assistir descansada, em tela grande. Tinha razão. É preciso. O que eu não sabia era que este filme em branco e preto, com jeito de documentário, árduo e cruel na lida humana, seria um deleite das palavras.

Um velho homem velho – não só de idade, mas de espírito – abandona a vida acadêmica para viver na rua. Não se vitimizar, apenas escolhe, liberta-se. Não aceita ser tratado como coitado. Alfineta quem tem pena; peita quem o desafia. Mas canta, em francês, com a estudante que vai entrevistá-lo. Cheio de fome de liberdade, critica quem vê a fome como algo só físico. A sociedade rasa. A hipocrisia fantasiada de misericórdia.

Enquanto ele perambula pelo centro de São Paulo, lembrei-me de Estamira, a senhora que foi protagonista do documentário homônimo (2004), de Marcos Prado. É como se o velho homem velho e cansado também existisse. Aliás, ele é a personificação dessa grande população sem identidade. Estamira, catadora de lixo e poeta, disse que “às vezes é só resto [o que ela encontra no lixão]; às vezes vem também descuido”. É desse discutido que o velho homem quer se libertar. Do descuido próprio da natureza humana – consigo mesma e com o outro. No fim, ater-se à miséria nos dois filmes é estreitar muito a visão; proponho pensar na bonança e na riqueza do verbo, das palavras, da poesia. E da inteligência, por que não?

 

DIREÇÃO: Cristiano Burlan ROTEIRO: Cristiano Burlan, Henrique Zanoni ELENCO: Jean-Claude Bernardet, Ana Carolina Marinho, Henrique Zanoni, Juão NiN | (90 MIN)

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NISE: O CORAÇÃO DA LOUCURA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil, Biografia - 19/08/2016

Logo de cara, Nise me faz lembrar de Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky. Rodrigo Santoro é internado em um hospital psiquiátrico, na época em que o tratamento era à base de eletrochoques, lobotomia e sedação. É com esse tipo de paciente – que passam a ser chamados de “clientes”- que a médica Nise da Silveira começa o trabalho de Terapia Ocupacional e revoluciona a forma de lidar com pessoas que sofrem transtornos mentais como a esquizofrenia.

Nise não é um grande filme – mas tem um tom poético, bonito – mas é uma grande história. Registra a vida e coragem da psiquiatra que volta para trabalhar num hospital para doentes mentais depois de ter sido afastada, contesta as técnicas invasivas e ineficientes da medicina tradicional e é isolada na área de terapia ocupacional. Sem qualquer recurso ou importância, esse departamento não tem crédito. Mas é nele que Nise (Glória Pires, também em Flores Raras) aposta suas fichas, enfrenta o corpo médico, coloca sua carreira em perigo e aplica um tratamento fundamentado na expressão artística e no afeto. Os resultados são transformadores.

Vale a pena assistir (ainda em cartaz, mas já no digital pra ver em casa) por pelo menos dois motivos: primeiro porque Nise é fonte de inspiração – graças a pessoas ousadas e sensíveis como ela que os doentes passam a ser vistos sob um prisma humano e generoso, podem ser curados e ter uma vida digna; segundo porque o filme traz depoimentos da verdadeira Nise, uma pequena grande senhora, que esbanja alegria e disposição. E muita, muita coragem.

 

DIREÇÃO: Roberto Berliner ROTEIRO: Flavia Castro, Maurício Lissovsky ELENCO: Glória Pires, José Carlos Machado, Simone Mazzer, Julio Adrião, Fabrício Boliveira, Roney Villela, Flavio Bauraqui

 

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BEN-HUR
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Aventura, Ação - 18/08/2016

Pra embarcar nessa nova versão do livro de Lew Wallace, esqueça o Ben-Hur de 1959. A versão atual é um filme de ação, focado, principalmente, no momento religioso daquele ano fatídico: 33 d.C. Na pele de Jesus, Rodrigo Santoro marca sua presença e dá um tom de misericórdia à traição entre os irmãos e à crueldade dos romanos contra o povo judeu.

O enredo é o mesmo: o romano Messala (Toby Kebbell) é adotado ainda criança pela família real e criado como irmão de Judah Ben-Hur (Jack Huston). Entre eles, reina o amor fraterno mas, por ironia do destino, Messala junta-se ao exército romano, tem que cumprir a ordem de Pilatos e massacrar os judeus – isso inclui destruir a família que o criou.

O ponto alto é a corrida das bigas (esporte olímpico na Grécia Antiga!), que culmina no desfecho com o viés que se encaixa com a importância dada à figura de Jesus no filme. Tem um ritmo acelerado – às vezes novelesco demais – retrata um momento histórico e dá o recado de essa coisa da intolerância religiosa é obra humana mesmo, desde que o mundo é mundo.

 

DIREÇÃO: Timur Bekmambetov ROTEIRO: Lew Wallace, Keith R. Clarke ELENCO: Jack Huston, Toby Kebbell, Rodrigo Santoro | 2016 (124 min)

 

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