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julho, 2016

AGNUS DEI – Les Innocentes
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 20/07/2016

Gosto mais do titulo do filme no original, As Inocentes. Por que esse é o enfoque do filme: contar como freiras inocentes, que viviam tranquilas no convento na Polônia antes da Segunda Guerra, enfrentam o trauma e as consequências do estupro coletivo praticado pelos soldados russos. Muitas deles estão grávidas e não têm qualquer culpa no cartório. São inocentes – em relação à violência, em relação à vida. Anne Fontaine, a diretora, faz questão de lidar com isso de maneira singela e forte: trata não do trauma, nem da revolta, mas da solidariedade e da solução de problemas. E aqui, a palavra inocência ganha ainda mais importância: a ingenuidade da vida religiosa isolada e protegida, transforma-se em presença, atitude e coragem.

Agnus Dei me remete mais à sacrifício, afinal, é o que chamamos de “cordeiro de Deus”. Claro que há perdas, inerente a qualquer ato de violência. Mas o filme caminha para um sentido fraterno da vida e das opções pelos caminhos mais difíceis, porém bem mais significativos. Na Polônia do pós-guerra, as freiras sofrem no convento sem assistência médica, temem represália do governo socialista e preferem calar-se. Muitas freiras morrem no parto, assim como seus bebês. Até que uma delas recorre à médica francesa da Cruz Vermelha, que descumpre as regras e atende, escondido, às jovens assustadas e angustiadas com tanta dor.

Além de lindo esteticamente, Agnus Dei tem uma nobreza de espírito. Lida com a solidariedade e a recuperação da alma, com a valorização da ajuda mútua e com o poder de transformação que tem uma decisão importante de doação e altruísmo. Mesmo que, para isso, sacrifícios sejam feitos. O que sempre acontece. Não há ganhos sem perdas – mas, muitas vezes, os benefícios são tão mais preciosos, que a noção do sacrifício se dilui. Fica só gratidão – como vemos estampado no rosto de todas elas e na foto final do filme.

 

 

DIREÇÃO: Anne Fontaine ROTEIRO: Pascal Bonitzer ELENCO: Lou de Laâge, Agata Buzek, Agata Kulesza | 2016 (115 min)

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AS MONTANHAS SE SEPARAM – Mountains May Depart
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, China - 13/07/2016

Falou em transformação na China, o nome referência é Zhangke Jia. É dele o filme Em Busca da Vida, que conta a história da hidrelétrica de Três Gargantas, a maior do mundo, e de como a população da região foi profundamente afetada. Também é dele o documentário Memórias de Xangai, sobre modernidade e tradição. E suas contradições. Sem ser óbvio, entrelaçando progresso e relacionamentos, expectativas e realidades de quem vive a transformação da era digital, o diretor faz sempre um recorte preciso – na pintura dos ganhos e perdas da China atual.

Ao som de Go West, da banda Pet Shop Boys, o filme sai do óbvio da trajetória da vida. Repleto de transformações – aliás, pautado por elas em três épocas diferentes – As Montanhas Se Separam vai mostrando o que aconteceu com o país gigante, que é o fiel da balança da economia mundial e que, culturalmente, já é um caldeirão de expectativas. A protagonista é Shen Tao, uma moça linda que tem que escolher entre dois pretendentes na virada do milênio, opta pelo mais promissor, tem uma vida cheia de vazios emocionais, é privada do convívio com o filho, mas incorpora, na sua trajetória, as transformações por que passa o país. Sofre, mas opta pela poesia e pela aceitação da vida com ela é.

Pela primeira e últimas cenas, a poesia já é uma só e o filme forma um todo. De 1999 a 2025, a vida de Shen Tao tem mais desencontros do que encontros – sem que isso precise minar sua alegria de viver.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Zhangke Jia ELENCO: Tao Zhao, Yi Zhang, Jing Dong Liang | 2015 (131 min)

 

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JULIETA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Espanha, Drama - 07/07/2016

Dos filmes de Pedro Almodóvar, a trilogia Tudo Sobre Minha Mãe, Fale com Ela e Volver estão na prateleira dos indispensáveis. Narrativas femininas, coloridas, pungentes, instigantes. Sem igual. Depois vem A Pele que Habito, o melhor dos desfechos. Drama humano, personagens profundos – sempre elementos suspensos, aguardando a hora de encaixar, perfeitamente.

Depois de Kika, Julieta é seu segundo filme com nome de mulher. Tudo a ver, encaixe perfeito. Almodóvar é célebre por seus personagens femininos marcantes, pela força da matriarca, pela fio condutor feminino familiar, pelas mazelas e maravilhas de ser mulher. Julieta sugere sempre algo não resolvido e não revelado. Sem suspense, só um leve mistério. Isso porque a personagem título já de cara mostra que lida com sentimentos mal resolvidos, que o passado a perturba e que não consegue encarar a realidade. Os flashbacks vão contar a sua história, na pele de duas atrizes.

Drama humano, relacionamentos truncados, palavras não ditas. Parece déjà-vu. Sim e não – quem é que nunca sentiu culpa, raiva, solidão, amor, mas o diretor tem uma maneira toda particular de contar uma história. Sem que esta seja a sua mais pungente narrativa, vale seu ingresso sim, Julieta.

 

DIREÇÃO: Pedro Almodóvar ROTEIRO: Pedro Almodóvar, Alice Munro ELENCO: Adriana Ugarte, Emma Suárez, Inma Cuesta, Rossy de Palma, Daniel Grao | 2016 (99 min)

 

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FLORENCE – QUEM É ESSA MULHER? – Florence Foster Jenkins
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Comédia, Biografia - 07/07/2016

Meryl Streep acaba de fazer 67 anos e até cantar mal ela sabe fazer bem. Só pra lembrar alguns de seus personagens mais frescos na memória, ela já foi a bruxa na fábula Caminhos da Floresta, a mãe amarga em Álbum de Família, Margaret Thatcher em A Dama de Ferro, a cozinheira de mão cheia Julia Child em Julie & Julia, a freira sisuda em Dúvida, a chefe implacável em O Diabo Veste Prada, uma guitarrista em Ricki and the Flash e tantas outras mulheres em Pontes de Madison, As Horas, Kramer X Kramer.

Genuína camaleoa. Agora ela é uma cantora lírica norte-americana Florence Foster Jenkins, que herdou uma fortuna do pai, sonhava em ser cantora, mas era muito desafinada. Com ajuda do seu marido e empresário (Hugh Grant), consegue encontrar um lugar ao sol no show bizz dos anos 40, organiza audiências em sua casa e até contrata um professor para se aprimorar e apresentar-se no Carnegie Hall. A história é real e Florence se tornou um fenômeno – literalmente.

Além de um figurino lindo e do elenco afinado – este sim! – Florence faz um retrato do comportamento da sociedade da época, mas que é, na realidade, atemporal. O público acolhe Florence, mesmo sabendo que ela cantava mal; o professor aceita seu generoso dinheiro, mesmo sabendo que a aluna não vai pra frente; o marido se beneficia dos luxos e mantém uma vida paralela. Cada um dança conforme a música e se nutre de ilusões para se encaixar na sociedade a qual deseja pertencer. Assim é. E Florence é, também, divertido – o que faz, sem dúvida, o programa valer o seu ingresso.

 

DIREÇÃO: Stephen Frears ROTEIRO: Nicholas Martin ELENCO: Meryl Streep, Hogh Grant, Rebecca Ferguson, Simon Helberg| 2016 (110 min)

 

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PROCURANDO DORY – Dory
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Animação - 07/07/2016

Quem já mergulhou em mares de águas claras sabe qual é a sensação de estar debaixo d’água e sentir-se peixe por uns instantes. Se isso não for possível, um bom simulador é visitar um aquário, daqueles gigantes em que as paredes dos tanques são tão largas e tão altas que dá pra ver tudo e todos nadando – e a gente se sente lá dentro também. Adoro aquários, o movimento silencioso dos animais, a imensidão dos mares.

Deu pra sentir? Então, é assim que a gente se sente quando assiste a Procurando Dory – novo filme da Disney-Pixar, sobre o sumiço da amiga azul do Nemo – aquela que é gente boa e atrapalhada, que sofre de “perda de memória recente”. E esse ponto também é bacana com o público infantil – da aceitação das limitações. Ou seja, programa bom garantido nas férias.

 

DIREÇÃO: Andrew Stanton, Angus MacLane ROTEIRO: Andrew Stanton | 2016 (97 min)

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