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junho, 2016

PARATODOS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Documentário, Brasil, Biografia - 23/06/2016

“Como é que eu não conheço a história desses atletas, se eu consumo as matérias esportivas, se acompanho o que acontece?” Foi essa pergunta que Marcelo Mesquita se fez nas Paralimpíadas de Londres de 2012, instigado com tanta superação nas pistas, nas quadras e nas piscinas. Se ele não conhecia, imagina o grande público. Daí surgiu a ideia de acompanhar os atletas, fazer o filme e lançá-lo  antes dos Jogos Paralímpicos de 2016, aqui no Brasil.

A questão da inclusão não é só esportiva. Vai pra educação, cultura, locomoção e tudo mais que qualquer cidadão tem direito. “A ideia é que o filme transcendesse o esporte e que, ao assistir você não ficasse pensando na deficiência, mas na capacidade daquela pessoa de realizar o que ela se propunha”, arremata. E é isso mesmo. Depois de conhecer um pouco mais da história desses atletas, tive certeza de que deficientes são aqueles que têm olhar limitado, porque a capacidade de se reinventar dessas pessoas é gigante. Inimaginável.

Precisa assistir a Paratodos pra ver a dimensão. Mas dá pra pensar o seguinte: o Brasil ficou em sétimo lugar no quadro de medalhas na Paralimpíada de Londres. Se é sétimo com essa estrutura precária que temos e com a falta de respeito do poder público com aqueles que têm alguma deficiência física, imagina o que seríamos se o país fosse um pouco mais competente. Aqui dá pra dar um grande suspiro – de pesar e de alívio. Ainda tem luz no fim do túnel, porque tem gente com muita raça nessa vida.

As histórias são inacreditáveis. Quando der preguiça de alguma coisa ou vontade de reclamar de bobagem, lembra da Terezinha, que a velocista mais rápida do mundo – e também psicóloga, que já planeja, quando encerrar a carreira de atleta, ser terapeuta esportiva; lembra do Daniel, que nasceu com má formação nos braços e pernas e já tem 15 medalhas paralímpicas; do Alan, bi-amputado que venceu o sulafricano Pistorius em 2012 e levou o ouro nos 200m rasos; do remador paraplégico, que era modelo, sofreu um acidente, ficou paraplégico e hoje é tetracampeão mundial de paracanoagem; lembra da Susana, triatleta que fazia Ironman, foi diagnosticada com uma doença degenerativa, luta contra o avanço cruel desse mal, que consome seus movimentos a cada dia. E aí, tá reclamando de quê, mesmo?

 

DIREÇÃO: Marcelo Mesquita  ROTEIRO: Peppe Siffredi ELENCO: Alan Fonteles, Daniel Dias, Fernando Fernandes, Ricardinho, Terezinha Guilhermina, Fernando Cowboy Rufino, Susana Schanarndorf, Yohansson do Nascimento | 2016 (110 min)

 

 

 

 

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RAÇA – Race
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Biografia - 23/06/2016

Quando o título é certeiro, ele transcende o filme. Raça tem dois sentidos e ambos têm tudo a ver com o filme. Raça negra, porque se trata da história do atleta americano Jesse Owens, que desafiou a lógica nazista racista nas Olimpíadas de 1936, na Alemanha; e é fato que ele teve muita raça pra enfrentar o comitê olímpico dos Estados Unidos e para entrar na pista e competir.

A gente bem que está precisando de histórias de superação. Raça é emocionante porque desafia. A história de Jesse Owens não é muito diferente das outras que a gente vê por aí: improváveis campeões, que tiveram que lugar contra situações adversas, falta de dinheiro, de oportunidade e de estrutura pra treinar, na América da Grande Depressão. Mas não falta de coragem. Owens era pobre, lutou para estudar, entrou na universidade, conseguiu um bom emprego – o que já era um feito e tanto – mas largou tudo para seguir o sonho de ser um atleta olímpico. Caiu em boas mãos e agarrou com todas as forças a oportunidade.

Raça lida com a questão da luta por um ideal e por um sonho. Parece utópico, mas quem não acredita não anda. É luta contra tudo e todos – inclusive contra os nazistas, que fizeram daquela Olimpíada o cartão de visitas do regime da supremacia ariana e tiveram que engolir um negro como campeão de atletismo. Cara raçudo!

 

DIREÇÃO: Stephen Hopkins ROTEIRO: Joe Shrapnel, Anna Waterhouse ELENCO: Stephan James, Jason Sudeikis, Eli Gorre, Jeremy Irons, William Hurt, Shanice Banton | 2016 (136 min)

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COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ – Me Before You
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia Romântica - 16/06/2016

Jojo Moyes roteiriza seu próprio livro e acerta no tom. Lembrei logo de A Culpa é das Estrelas – também uma adaptação para os cinemas de um livro de sucesso, também um conjunto de emoções. Moyes é autora de mais de uma dezena de livros que falam de amor e relacionamento. Lembrei porque os dois roteiros são construídos com base no equilíbrio entre três pilares: romance, drama e humor. Imbatível, não?

E é mesmo. Teve muita gente que saiu do cinema disfarçando as lágrimas. Quem acompanha a série Game of Thrones vai reconhecer a protagonista Emilia Clarke, uma jovem garçonete inglesa, que vê a vida sempre pelo lado positivo, segura a onda financeira da família e tem um estilo próprio de se vestir – com cores e combinações bem originais. Perde o emprego e vai trabalhar como acompanhante de um belo e rico rapaz (Sam Clafin, também em Simplesmente Acontece), que ficou tetraplégico e perdeu a vontade de viver.

Claro que vem à mente o belo filme francês Intocáveis, em que o ator Omar Sy toma conta de um deficiente e devolve a ele a vontade de rir e sorrir. O drama é inevitável, mas, nos três filmes, o que fica mesmo é a emoção das relações que se constroem no improvável, se firmam na incerteza e transformam todos ao redor. Como Eu Era Antes de Você tem tudo pra fazer você rir e chorar. Pode se preparar!

 

DIREÇÃO: Thea Sharrock ROTEIRO: Jojo Moyes ELENCO: Emilia Clarke, Sam Claflin, Janet McTeer, Charles Dance | 2016 (110 min)

 

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ANOMALISA
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Animação - 16/06/2016

Fiz uma lista aqui no blog sobre animações que fogem do traço de HollywoodAnomalisa vai pra essa prateleira. Em destaque. É daqueles filmes que terminam e você ainda fica parado, tentando captar e entender todas as nuances, detalhes, conotações, significados. São muitos, já digo de antemão. Não dá pra passar impune.

Porque todos nós temos um pouco de Michael Stone, um executivo especializado em telemarketing, que está em crise existencial, não sabe o que quer da vida, tem mulher e filho, mas se sente infeliz. Viaja a trabalho para dar uma palestra, resolve ligar para uma ex-namorada, encontrar-se com ela, viver no passado e do passado. O presente não preenche. Até que conhece uma moça, Lisa, que é sua admiradora, e com ela tem uma relação fulgaz – como se isso fosse preencher o vazio.

Tudo com bonecos, através da técnica stop motion, ou quadro por quadro – minuciosamente criado e sincronizado, para transmitir sensações, sentimentos. Dizer muito de Anomalisa tira grande parte do brilho do filme, que parece realidade. No sentido verdadeiro. É retrato da vida real, das complexas relações humanas, das ingratas expectativas da sociedade, do inesgotável trabalho que dá conviver consigo próprio. Considerando todas as nossas limitações e problemáticas, entender o que passa dentro da gente a cada momento da vida e manter toda a engrenagem da família, amigos, vida profissional e pessoal funcionamento bem é uma proeza. Trabalho para uma vida toda.

Anomalisa é assim. Faz parar pra pensar no teor humano dessa comunicação através dos bonecos. Foram três anos pra criar e rodar o filme; todos os detalhes pensados e executados para que a gente se identificasse com Michael e Lisa e os outros personagens. Acontece logo de início, no táxi. Porque são situações cotidianas, déjà-vu pra todos nós; hábitos humanos, conversas mundanas, fraquezas recorrentes. O mais curioso – e que causa muito incômodo – é a voz dos personagens. Repare: só Michael e Lisa têm voz própria; o resto tem uma voz única, sem personalidade. Metáfora de muitas coisas, mas, só pra começar a reflexão, pensei na indiferença que muitas vezes imprimimos no nosso dia a dia e nas pessoas que nos rodeiam; no olho voltado para nosso próprio umbigo; na falta do olhar altruísta, da compaixão, da doação; na vida pautada pela ausência e pela falta de algo. Afinal, a vida é feita da (com)vivência. Só Michael – e outros milhões – não sabem como dar conta disso.

 

DIREÇÃO: Charkie Kaufman ELENCO: David Thewlis, Jennifer Jason Leigh, Tom Norrena | 2015 (90 min)

 

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FESTIVAL DE CURTAS DE DIREITOS HUMANOS – ENTRETODOS 9
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Notícias, Drama, Documentário, Brasil - 15/06/2016

Em tempos difíceis – aliás, quando é que foi fácil? – na questão dos direitos humanos, reunir material cinematográfico sobre o assunto é sempre interessante. O Festival de Curtas de Direitos Humanos, ENTRETODOS 9 vai ter mais de 80 exibições em diversas regiões de São Paulo, de graça!

Em números, o festival apresenta 25 filmes, sendo 19 nacionais e 6 estrangeiros, de países como Itália, Argentina, Turquia e Índia. Veja a programação no link do festival e aproveite!

Meu destaque é o ótimo documentário “Uma Família Ilustre‘, de Beth Formaggini. O psicólogo militante dos direitos humanos Eduardo Passos entrevista o ex-delegado de polícia Claudio Guerra, hoje bispo evangélico. Com a maior cara de pau (inacreditável), reconhece os desaparecidos, conta como deram fim nos corpos e detalhes de como foram incinerados. Estava cumprindo ordens. Simples assim.

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PROGRAME-SE:
Curadoria: Manuela Sobral e Jorge Grinspum
Quando: de 16/06 a 22/06
Onde: vários espaços, Spcineo Centro Cultural São Paulo, Cine Olido, Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, além de 19 CEUs
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O VALOR DE UM HOMEM – La Loi du Marché
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 10/06/2016

Adoro o cinema engajado. Não o panfletário. O cinema da vida real, aquele sem firulas, a vida como ela é. Que é boa, mas dura. Aquela em que é preciso manter os olhos abertos para enxergar o que se tem, sem deixar que a ausência seja mais fundamental que a presença. Um exercício – duro, mas necessário para (sobre)viver.

Quem faz isso essencialmente é o Ken Loach. Equilibra o humor inglês com as questões humanas, sem que pra isso seja cruel. É o que é e este ano foi justamente homenageado com a Palma de Ouro em Cannes pelo filme I, Daniel Blake – uma crítica social, mas com atores desconhecidos, humoristas de carreira. Dizem que parece vida real mesmo. Como ela é. E como fazem os belgas irmãos Dardenne, essencialmente. Mas aqui falta humor – porque, muitas vezes, falta mesmo na vida. O Garoto da Bicicleta, A Criança, O Silêncio de Lorna, O Filho, Dois Dias, Uma Noite. Tudo realidade, dureza, luta, desafio.

É nessa prateleira que se encaixa O Valor de um Homem. Seu outro filme, Mademoiselle Chambon, é maravilhoso, mas é romance. Aqui, o diretor Stéphane Brizé traz a realidade da regra de mercado: enquanto interessa pra empresa, o funcionário é mantido; acabou a conveniência financeira, desemprego. Recolocação depois de uma certa idade é cada vez mais difícil e cruel. Linguagem universal, funciona assim em todas as sociedades. Vincent Lindon foi, merecidamente, honrado com o prêmio de melhor ator em Cannes pelo papel do protagonista que deu duro a vida toda, perde o emprego – mas não a dignidade – precisa vender parte do patrimônio pra pagar as dívidas e as contas, aceita um salário e cargo inferiores e encontra alegria no convívio com a mulher e o filho, que precisa de cuidados especiais. Não é pouca coisa.

A propósito de Vincent Lindon, vale dizer que o prêmio se extende à toda a sua filmografia. Vários filmes comentados aqui no blog, que merecem ser vistos. Comece por Bem-Vindo (atual, sobre refugiados, cinema engajado), depois Mademoiselle Chambon (lindo romance), A Criança da Meia-Noite (solidário), Tudo O Que Desejamos, Augustine, O Diário de Uma Camareira. Tudo vale a pena.

 

DIREÇÃO: Stéphane Brizé ROTEIRO: Stéphane Brizé, Olivier Gorce ELENCO: Vincent Lindon, Karine de Mirbeck, Matthieu Schaller | 2015 (93 min)

 

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CINE VISTA – CINEMA AO AR LIVRE NO JK
CLASSIFICAÇÃO: Especiais - 08/06/2016

Já faz quatro anos que tem cinema ao ar livre no JK e a programação é sempre um sucesso. O mix tem filmes inéditos, produções premiadas no Oscar deste ano e infantis para curtir com a família.

Mas programe-se, porque cada filmes terá só uma sessão e os ingressos já estão disponíveis. Você pode ver a programação completa na página do JK do Mundo Iguatemi, mas fique de olho nas seguintes dicas pra aproveitar bem o programa.

Se for para levar as crianças, Zootopia é o mundo em que animais perderam a sua condição de selvagens; Snoopy, dispensa apresentações e encanta adultos e crianças; Kung Fu Panda 3, é uma aventura; e No Mundo da Lua é pra sair do comum e apreciar o traço da animação espanhola.

 

Quem não conseguiu ainda ver – ou quer rever um bom filme – prepare-se para a aventura em O Regresso e para a emoção em O Quarto de Jack, A Garota Dinarquesa e Carol. Se for para se divertir, aposte em Perdido em Marte; para pensar – se gosta de mercado financeiro – em A Grande Aposta; e para entender o nosso mundo, em Spotlight. Muitos estão comentados aqui na coluna – é só clicar no nome do filme pra saber mais.

 

Mas especial ainda é a seleção de filmes inéditos. Logo mais estreiam nos cinemas, mas o Cine Vista exibe antes exclusivamente pra você. Tom Hanks vem com Negócio das Arábias; Meryl Streep com a biografia da cantora Florence Foster Jenkins em Florence: quem é essa mulher? (foto); e Ryan Goslin e Russell Crowe, com o filme de ação policial Dois Caras Legais. Quem gosta de inovar e curte cinema argentino – e Ricardo Darín – vai adorar o drama político Koblic; e para os amantes da comédia romântica francesa, nada como o delicioso Um Amor à Altura, com Jean Dujardin, pra fechar com chave de ouro.

 

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FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 2016
CLASSIFICAÇÃO: Festivais - 06/06/2016

O Festival Varilux em números é assim: são 16 filmes, 52 cidades no Brasil, 95 salas de cinema, mais de 4 mil sessões de cinema, expectativa de 150 mil expectadores, em 2 semanas de puro cinema. Como disse o diretor do evento, Christian Boudier, na coletiva de imprensa, apesar da crise a programação saiu, os parceiros toparam e o público só tem a ganhar.

E é delicioso mesmo. Dos 15 filmes, vi alguns e garanto que todos valem seu ingresso. Aí vai a relação – basta clicar no nome do filme e ir para o comentário. Entre no site do festival pra ver a programação – legal saber que há salas em vários bairros das cidades e que dá sim pra aproveitar.

Além disso, tem o lindo e atemporal filme Um Homem e Uma Mulher, de Claude Lelouch, de 1966. Maravilhoso – inclusive a trilha compõe a vinheta do festival. Imperdível!

FLÓRIDA, de Philippe Le Guay, com Sandrine Kiberlain e Jean Rochefort: uma história de amor entre pai e filha, com as amarguras da vida bloqueado o afeto, o passar do tempo bloqueando as lembranças, mas um bonito retrato do amor incondicional.

CHOCOLATE, de Roschdy Zem, com Omar Sy e James Thiérrée: sobre o primeiro artista circense negro da França na Belle Époque, mas sobretudo sobre preconceito e injustiça. Com Omar Sy, o expoente ator de Intocáveis.

UM AMOR À ALTURA, de Laurent Tirard, com Virginie Efira e Jean Dujardin: comédia romântica deliciosa sobre uma bela – e alta – advogada, que se encanta por um homem de apenas 1,36m.

A CORTE, de Christian Vincent, com Fabrice Luchini e Sidse Babett Knudsen: outra deliciosa comédia romântica, agora sobre um juiz solitário e carrancudo, que se reencontra com um antigo encanto.

OS COWBOYS, de Thomas Bidegain: sobre a luta de uma família, que tem que lidar com o sumiço da filha e tem que lidar com as questões multirraciais e religiosas da Europa atual.

MEU REI, de Maïwenn: uma tumultuada história de amor, com Vincent Cassel, Emmanuelle Bercot e Louis Garrel. Tem amor, mas tem muita, muita dor.

AGNUS DEI, de Anne Fontaine, com Lou de Laâge: freiras estupradas na Segunda Guerra; menos sobre o terror da violência, mais sobre a superação do trauma e a solidariedade.

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