cinegarimpo

maio, 2016

JOGO DO DINHEIRO – Money Monster
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Ação - 25/05/2016

Julia Roberts, George Clooney e Jodie Foster passaram por Cannes semana passada para apresentar Jogo do Dinheiro. Na entrevista coletiva, a diretora Jodie Foster diz que o filme fala de dinheiro, o assunto preferido em Cannes(!), da mídia e da tecnologia. Embora ele tenha todos esses aspectos fortes da vida moderna, ela confessa: “De tudo no filme, meus preferidos são os personagens e a dinâmica entre eles”.

É verdade. George e Julia têm química e embalam o espectador na história do debochado (e até patético) apresentador do programa de televisão Money Monster, que pilota um quadro popular sobre finanças, sente-se o dono do mundo, até que um maluco invade o estúdio e o faz refém enquanto o programa está no ar. Ao vivo, a produtora Patty (Julia Roberts, também em Álbum de Família e Closer – Perto Demais) tem que dirigir o drama de Lee Gates (Clooney, também em Gravidade e Os Descendentes), que fica sob tensão até o desfecho.

“O sequestrador Kyle nada mais é do que um representante da população, que fica à mercê do sistema financeiro criado pelo mercado, com a conivência de todos nós”, diz Judie Foster. E tem também o questionamento sobre a tecnologia, que inunda nossa vida de facilidades, mas abusa desse poder todo. Jodie Foster (também diretora em Um Novo Despertar) faz um filme sobre mídia e celebridades, e com isso atinge um grande público. Mas deixa nas entrelinhas, pra quem quiser ler, ironias e sutilezas sobre exposição pessoal, fama, dinheiro e relacionamento. Acaba humanizando as relações, em tempos de vidas pilotadas por comandos eletrônicos.

 

DIREÇÃO: Judie Foster ROTEIRO: Jamie Linden ELENCO: Julia Roberts, George Clooney, Jack O’Connell| 2016 (98 min)

 

 

Sem Comentários » TAGS:  
OS ANARQUISTAS – Les Anarchistes
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 24/05/2016

Ponto forte de Os Anarquistas, sem sombra de dúvida, é a direção de arte. Impecável na reconstituição do final do século 19, o filme tem figurino, cenários e luz desbundantes. Pra quem quer emoção, talvez fique devendo. Os Anarquistas, como o próprio nome diz, deveria mostrar, nem que fosse um pouco, da instransigência e transgressão do grupo que quer derrubar o status quo da Paris da época. Mas fica morno.

Poderia ter mais energia. Mas o ritmo condiz com o olhar dos próprios personagens e com a intenção – pelo menos à primeira vista – do diretor Elie Wajeman: focar no ambiente de época, retratar a existência do grupo de amigos-anarquistas, ressaltar a beleza da montagem toda e deixar a cereja para o final. Apesar de não ser um filme de grandes entusiasmos – nem mesmo dos personagens-título ou do casal proibido formado por Tahar Rahim (também em O Profeta) e Adèle Exarchipoulos (também de Azul é a Cor Mais Quente) – gosto do desfecho. Tem equilíbrio e consistência, sem que para isso tenha que ser um grande filme.

 

DIREÇÃO: Elie Wajeman ROTEIRO: Elie Wajeman, Gaëlle Macé ELENCO: Tahar Rahim, Adèle Exarchopoulos, Swann Arlaud | 2015 (101 min)

Sem Comentários » TAGS:  
CANNES 2016 – Dos premiados, quem é quem?
Xavier Dolan, diretor canadense, premiado com o Gran Prix pelo filme Juste a la Fin du Monde
CLASSIFICAÇÃO: Festival, Festivais - 22/05/2016

Cannes terminou e deixou lição de casa pra quem quiser ficar com o cinema atualizado pra quando os premiados deste ano chegarem por aqui. Selecionei os filmes que são bacanas, dos diretores que saíram consagrados no festival. Garimpa e aproveita – porque tem de várias nacionalidades e gostos, comentados aqui no Cine Garimpo!

REINO UNIDO | INGLATERRA: KEN LOACH levou o prêmio máximo, a Palma de Ouro, por I, Daniel Blake. Já temos pra ver:

 

IRÃ: O filme The Salesman, de ASGHAR FARHADI, ganhou melhor ator e roteiro. Do diretor, já temos pra ver:

 

CANADÁ: o jovem cineasta XAVIER DOLAN, foi premiado com o Grand Prix por Juste à la Fin du MondeDo diretor, vale ver:

  • MOMMY (2014)
  • LAURENCE ANYWAYS (2012)
  • I KILLED MY MOTHER (2009)

 

FILIPINAS: a atriz Jaclyn Jose foi a melhor por Ma’Rosa, do diretor Brillante Mendoza. Dele, vale ver:

 

ROMÊNIA: CRISTIAN MUNGIU foi o  melhor diretor por Graduation. Também dele:

 

FRANÇA: também na direção, Olivier Assayas dividiu com Mungiu o prêmio por Personal Shopper. Também vale:

Sem Comentários » TAGS:  
PAIS E FILHAS – Fathers and Daughters
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 20/05/2016

Sem apresentar nada de muito novo, Pais e Filhas toca em questões universais que podem sim levar você às lágrimas durante o filme. Relacionamentos, claro! O ponto aqui não é nem analisar se o filme é meloso, se a atuação de Russell Crowe é arrastada, se o enredo convence. A questão aqui é a seguinte: está a fim de ver um filme sobre um pai que perde a esposa num acidente e tem que cuidar sozinho da filha? Sobre essa filha que cresce, carrega os traumas para a vida adulta e sofre pra finalmente amadurecer? Falei que não tinha novidade, mas o tema recorrente acaba emocionando e muita gente vai se identificar com a trama.

Dito isso – e você ciente de que não está diante de um filmaço – deixe a emoção rolar. Crowe é um escritor que fica viúvo, não consegue produzir um novo e bom livro, precisa cuidar da filha pequena e dar conta de controlar seus surtos psicóticos. Paralelamente vem a história dessa menina já adulta (Amanda Seyfried, também em Enquanto Somos Jovens), que estuda psicologia, envolve-se sexualmente com qualquer homem, mas tem medo em aprofundar as relações. Até que conhece Cameron (Aaron Paul, também em Decisão de Risco), por quem, finalmente, se apaixona.

Pais e Filhas atinge aquele ponto obscuro – mesmo que superficialmente – onde ficam guardados os sentimentos mal cuidados do passado. E esse lugar, todo mundo sabe qual é. Não? É aí que mora a emoção do filme.

 

DIREÇÃO: Gabriele Muccino ROTEIRO: Brad Desch ELENCO: Russell Crowe, Amanda Seyfried, Aaron Paul, Diane Kruger | 2015 (116 min)

Sem Comentários » TAGS:  
FILMES QUE JÁ PASSARAM POR CANNES no LOOKE
CLASSIFICAÇÃO: Lista - 13/05/2016

A plataforma brasileira de streaming LOOKE tem uma ótima oferta de filmes que já passaram pelo Festival de Cannes. Aproveitando que a França respira cinema até dia 22, na 69a edição do festival de cinema mais chique do planeta, veja o que você pode curtir em casa.

O legal da plataforma é que além de poder fazer a assinatura mensal, você pode alugar filmes, sem precisar ser assinante. Ou até comprar, se quiser ir montando seu acervo. Dá uma olhada em looke.com.br.

COMENTE » 1 comentário TAGS:  
MEMÓRIAS SECRETAS – Remember
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Canadá - 13/05/2016

Inesgotável fonte de histórias, o holocausto nazista continua rendendo narrativas de tirar o fôlego e tem, no cinema, um registro importante do que foi esse horror. Memórias Secretas tem dois trunfos que você não pode perder. O mais evidente é a atuação de Christopher Plummer, o eterno capitão Von Trapp de A Noviça Rebelde, que no auge dos seus 86 anos, não dá sinal de quem vai parar de trabalhar tão cedo. O segundo é o desfecho, que vai deixar bem clara a qualidade do roteiro.

Plummer, também em Não Olhe Pra Trás, é Zev Guttman, um sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, que mora numa casa de repouso, sofre com a perda da mulher e da memória e, embora idoso, ainda tem uma missão a cumprir. Sob comando de Max, um amigo judeu também sobrevivente, Zev tem que encontrar o nazista que matou suas famílias e acertar as contas. Ele segue à risca as instruções escritas por Max numa carta e não descansa até o último minuto do filme.

Memórias Secretas tem um bom ritmo de road movie de suspense. Aton Egoyan, também diretor de À Procura, é bom em envolver o espectador no drama. Vai te deixar preso na cadeira até o último minuto, pode acreditar.

 

DIREÇÃO: Aton Egoyan ROTEIRO: Benjamin August ELENCO: Christopher Plummer, Dean Norris, Martin Landau | 2015 (94 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
A GAROTA DE FOGO | Magical Girl
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Espanha, Drama - 10/05/2016

Tenho dito com todas as letras – e torcido muito – para que A Garota de Fogo continue em cartaz. Nessas duas últimas semanas, quando me pedem dicas de filmes que valem seu ingresso, incluo este na lista, sem medo de errar. Se eu me arrisco, pergunto se a pessoa gosta de Almodóvar e a resposta é “sim”, então a chance de acertar o programa é 100%. A Garota de Fogo é do diretor Carlos Vermut, também espanhol, e tem um toque almodovariano inegável: personagens enigmáticos e enredo que se entrelaça na lógica do absurdo. Genial!

Foi o grande vencedor no Festival de San Sebastián em 2014 e é filme pra se ver duas vezes – pelo menos. Vermut é também roteirista e traça o fio condutor cruzando três histórias. Uma é a história título, da “magical girl” Alicia – uma adolescente que está com câncer, mora com o pai desempregado e quer um vestido de uma personagem de uma série japonesa que custa caríssimo. Para comprá-lo, seu pai resolve ultrapassar o limite do bom senso. A outra é a “garota de fogo” da canção-tema, Bárbara, que é um moça meio esquisita, que parece ser bipolar ou ter algum outro tipo de distúrbio mental, passa por problemas conjugais e também chega às últimas consequências para tentar se safar. Algumas cenas pinceladas aqui e acolá, vão juntando as duas narrativas numa terceira, do presidiário Damián, que tem medo de sair da cadeia. Mergulhamos numa teia de detalhes, de personagens complexos e muito bem construídos, chantagens e dependências sombrias.

O drama humano é forte, mas o mais impressionante é a frieza dos personagens – e, claro, como Vermut consegue fazer a gente acreditar nessa história de gente dissimulada e bem real – apesar da contraditória lógica do absurdo. Quando você vir, vai entender. Funciona como a razão da loucura ou o argumento do insano. Com a capa do cinema, fica tudo bem mais interessante.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Carlos Vermut ELENCO: José Sacristán, Marina Andruix, Raimundo de los Reyes, Bárbara Lennie, Lucía Pollán, Luis Bermejo | 2014 (127 min)

 

Sem Comentários »
A ASSASSINA – Nie Yinniang
CLASSIFICAÇÃO: Taiwan, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama - 06/05/2016

Vale a pena começar pelos pontos positivo do taiwanês A Assassina, já que é são  fatores realmente impressionantes. É esteticamente lindo, tem um figurino impecável e os personagens, roupas, gestos e costumes parecem flutuar. E o filme está cheio de tudo isso, já que se passa nos palácios da dinastia chinesa do século 9, transita no campo das artes marciais e tem mais movimento que palavras.

Mas é aqui que a coisa pega. O ritmo dos movimentos e palavras é lento, quase parando. Aquele timing do cinema oriental mais tradicional que custa a passar. Hou Hsiao-Hsien foi considerado o melhor diretor em Cannes com este filme e me pergunto até agora por quê. Mais justo teria sido o prêmio de direção de arte e figurino. A assassina do título é uma reencontra a família, depois de ter sido afastada para treinamento. Sua missão era matar o ex-noivo e ela acaba confundindo sua função política com seus sentimentos.

 

DIREÇÃO: Hou Hsiao-Hsien ELENCO: Shu Qi, Cheng Chang, Tsumabuki Satoshi | 2015 (105 min)

Sem Comentários »
O DONO DO JOGO – Pawn Sacrifice
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Biografia - 03/05/2016

O título original é Pawn Sacrifice, numa referência ao peão do jogo de xadrez – peça com menos autonomia no jogo, com movimentos mais limitados e menos poder. Assim são os dois geniais jogadores do filme: tanto o americano, quanto o russo são peões, marionetes nas mãos de seus respectivos governos que, em plena Guerra Fria, lutam pela hegemonia mundial do capitalismo e do socialismo, respectivamente, manipulando seus cidadãos como for melhor para a imagem e influência do país. Já dá pra ver que a versão em português não carrega essa nuance, o que é uma pena.

Isso não prejudica, é só uma curiosidade que faz todo o sentido. É verdade que O Dono do Jogo foca é biográfico. Conta a história de vida do gênio do xadrez, os americano Bobby Fischer, que se torna o mais jovem campeão americano nos anos 1960, considera-se o melhor do mundo e cisma em enfrentar o campeão mundial Boris Spassky. Mente brilhante, enfrenta o desafio até o final no campeonato mundial na Islândia em 1972, mas sua genialidade acaba engolida pelos transtornos psíquicos e sua vida fica bem dura no final.

Além da história real muito boa e do ótimo elenco, o retrato do momento histórico é o ponto forte. Como bem disse um dos personagens, outros ícones da história também se perderam na sua genialidade, que transcende o entendimento das pessoas normais. Mozart, por exemplo. Rever o jogo de poder, as nações espionando tudo e todos, a desconfiança instalada em todos os campos do conhecimento e a propaganda política é sempre uma boa aula da nossa história mundial bem recente, que o diretor Edward Zwick, também de Diamante de Sangue, faz muito bem.

DIREÇÃO: Edward Zwick ROTEIRO: Steven Knight, Stephen J. Rivele ELENCO: Tobey Maguire, Liev Schreiber, Peter Sarsgaard, Michael Stuhlbarg, Lily Rabe, Robin Weigert | 2014 (115 min)

Sem Comentários » TAGS:  

CATEGORIAS

INSCREVA-SE PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Você também pode assinar listas específicas: