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janeiro, 2016

O MENINO E O MUNDO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Brasil, Animação - 30/01/2016

Há algum tempo, publiquei uma lista de animações que fogem do tradicional. Entre eles estão o espanhol Chico e Rita, o francês Persépolis e o israelense Valsa com Bashir. Estamos acostumados com o traço da animação dos grandes estúdios americanos – que nem nos surpreende tanto assim, tamanha é a tecnologia. E, que fique bem claro, isso não é demérito, é só uma característica e as produções são incríveis. Mas estão dentro da zona de conforto e sair dela é sempre um convite tentador.

O Menino e o Mundo pertence a essa safra, que inova, traz um colorido diferenciado, um traço com personalidade e uma história que fala com todos nós. Adultos ou crianças, todo mundo entende que o menino, que parece um esboço bem simples e infantil à primeira vista, vai se tornando mais complexo à medida que caminha pelo mundo em busca de seu pai e encontra uma nova realidade e um planeta sendo destruído. Dá para falar de família, da migração do campo para a cidade, do crescimento desordenado das metrópoles, da mecanização do trabalho humano, do desemprego, da solidão, da vida como ela é.

Visualmente, O Menino e o Mundo é um encanto, assim como é o jardim da sua imaginação e como são as cores e formas da … Mas não deixe de prestar atenção na trilha sonora, que conta com a participação do rapper Emicida, do percussionista Naná Vasconcellos e do grupo musical Barbatuques, que tira som de qualquer objeto possível. O resultado é poético e tão integrado, que parece uma coisa só. Fortalece a experiência que o filme proporciona. Ou melhor, possibilita que este filme seja realmente uma experiência. No mínimo, diferente. Mas garanto que você vai viajar muito além do mínimo.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Alê Abreu | 2014 (80 min)

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BODY – Cialo
CLASSIFICAÇÃO: Polônia, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama - 29/01/2016

Body tem uma particularidade interessante: usa as questões do corpo, da imagem que temos de nosso forma física, de como ela se apresenta para a sociedade, para falar do nosso espírito. Interessante esse prisma. Não dá pra separar as duas coisas, uma adoece a outra, uma cura a outra. Tem uma poesia nessa descoberta – um pouco cruel e irônica, é verdade; uma mensagem de que é preciso cuidar, olhar para o todo, não desistir.

A diretora polonesa Malgorzata Szumowska recebeu o Urso de Prata em Berlim pelo trabalho e tem mesmo muito mérito. Consegue equilibrar o desequilíbrio. Explico: Janusz é um médico legista, cujo ofício é inspecionar corpos mortos brutalmente, esquartejados, enforcados, violentados – portanto, o corpo aqui é matéria. Olga, sua filha, é uma jovem anoréxica e apática, que não se conforma com a morte da mãe, odeia o pai e não demonstra qualquer vontade de reagir física e emocionalmente – portanto, o corpo enquanto vítima. E Anna é uma terapeuta alegre e solícita, que lida com jovens com distúrbio alimentar, tenta conscientizá-las de que o corpo é ferramenta de expressão da mente e da alma, capaz de libertá-las desse autoflagelo que é a anorexia – portanto, corpo como alma e espírito.

Aparentemente sem possibilidade de conexão entre eles – e muito menos de conciliação – Body mostra que há sim uma possibilidade de enxergar além das distorções e interferências externas que a vida nos impõe. A jovem anoréxica pode ver sua imagem de outra forma, seu pai pode enxergá-la com mais cuidado e amorosidade, e Anna é simbologia de que há ferramentas de intermediação que emanam uma luz sobre o problema. Basta deixar iluminar. Lindo filme.

 

DIREÇÃO: Malgorzata Szumowska ROTEIRO: Malgorzata Szumowska e Michal Englert ELENCO: Janusz Gajos, Maja Ostaszewska, Justyna Suwala, Ewa Dalkowska, Ryszard Dolinski | 2015 (90 min)

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TRUMBO – LISTA NEGRA – Trumbo
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Biografia - 29/01/2016

Para driblar a absurda caça aos comunistas que se instalou nos Estados Unidos após a Segunda Guerra, só sendo realmente artista. Literalmente. A história do escritor e roteirista Dalton Trumbo, responsável por filmes tão famosos quanto A Princesa e o Plebeu e Spartacus, mostra bem que coerência, aliada à criatividade, acabam vencendo a luta.

Talentoso e requisitado pelos mais famosos estúdios de Hollywood como Columbia, Paramount, 20th Century-Fox, M.G.M., Trumbo passa a ser perseguido pelo Comitê de Atividades Antiamericanas por não colaborar com as investigações e não delatar aqueles que o governo considerava comunistas. Não cede às pressões, fica preso por um ano, perde dinheiro, prestígio e o emprego, e dá a volta por cima escrevendo (sem parar!) com pseudônimos. De tão boas, as histórias são compradas pelos estúdios de cinema, os filmes são feitos e premiados, sem que Trumbo leve as glórias.

Eu não conhecia a história deste personagem, incrivelmente interpretado por Bryan Cranston (o inesquecível Walter White da série Breaking Bad, indicado agora ao Oscar). Por isso, aproveite cada detalhe, que são gratas surpresas: a sua postura enquanto personagem e ator, as relações familiares, a decisão dos estúdios, a reconstituição da época, a ousadia dos amigos e colegas de trabalho que sabiam que a arte poderia derrubar o argumento frágil daquela lista negra.

Trumbo é um filmaço, forte e impactante. Um personagem inspirador para quem escreve e acredita na força que têm as palavras.

 

DIREÇÃO: Jay Roach ROTEIRO: John McNamara, Bruce Cook ELENCO: Bryan Cranston, Daine Lane, Helen Mirren, John Goodman, Elle Fanning, Michael Stuhlbarg| 2015 (124 min)

 

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REZA A LENDA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil, Aventura, Ação - 20/01/2016

Reza a Lenda é diferente. E corajoso. Foge do padrão do cinema nacional e tem um recorte bem bacana da brasilidade do sertão nordestino, “algo moderno e fantasioso”, como bem disse o diretor Homero Olivetto. Tem cara de terra de ninguém, de briga pelo poder, de coronéis contra marginais e é inevitável pensar na visão de um “Mad Max” brasileiro.

Filmado na região de Petrolina, conta a história da disputa pela posse de uma determinada santa, que faria chover no sertão. Tem aquela pegada da luta religiosa, da violência justificada porque é em nome do divino. “Escrevi um conto há 20 anos e depois trabalhei no roteiro para fazer o longa”, conta Homero. “É ficção, mas tudo que está na tela foi construído com base na realidade: a seca, as estradas, a energia eólica, as motos no lugar de cavalos, o figurino baseado nas roupas dos boias-frias, mas com a lente da cultura pop que a gente conhece.”

Bem econômico nas palavras, o forte de Reza a Lenda são os olhares e pistas deixadas pelo caminho, que constroem as relações. Ara (Cauã Reymond) é o líder do bando de motoqueiros, namora Severina (Sophie Carlotte), que se sente ameaçada pela entrada da jovem Laura (Luisa Arraes) na trama. Esse bando sem lenço nem documento atiça a ira do coronel Tenório (Humberto Martins) e só se salva quem pode.

O diretor Homero resume bem quando diz que o filme trata basicamente da opressão, que vem de diversas formas: na natureza, na seca, na religião. Mas não se trata de uma obra de crítica social ou coisa parecida. É entretenimento, um conto sobre o sertão, com estilo, beleza estética e boas interpretações. Grata surpresa.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Homero Olivetto ELENCO: Cauã Reymond, Sophie Charlotte, Luisa Arraes, Humberto Martins, Jesuíta Barbosa | 2015

 

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JOY – O NOME DO SUCESSO – Joy
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 20/01/2016

Jennifer Lawrence pode ser a queridinha de Hollywood no momento, mas isso é uma bobagem. Quem sou eu pra dizer que é fácil fazer um papel no cinema, mas assistindo ao filme dá pra ver que interpretar a personagem Joy não é lá muito complicado. Cercar a atriz de indicações e prêmios desse jeito, com apenas 25 anos ganhar três Globos de Ouro e um Oscar, é demais da conta. Ainda mais se considerarmos outras escolhas bem suspeitas feitas pelo diretor David O. Russell.

É dele também o filme O Lado Bom da Vida, com o mesmo grupo de atores – Robert De Niro e Bradley Cooper. Parece piada, porque Joy tem uma cara bem parecida, mas piorada. Parece um rearranjo de atores que rendeu uma história bacana, como se isso fosse garantia de sucesso futuro. Russell também é diretor de Trapaça, outro filme premiadíssimo – com as mesmas carinhas de costume, mas tem seu lado interessante. O único que realmente inova é O Vencedor, com Christian Bale.

Dá pra perceber que não sobra muita coisa original e complexa em Joy. A personagem de Jennifer é uma moça criada pela avó para ser a matriarca e empresária rica e bem sucedida. Mas não passa de uma dona de casa com casamento fracassado, família confusa (e chata) e sem dinheiro. Até que tem a brilhante ideia de criar um produto inédito, patenteá-lo e lançá-lo no mercado. Seria a tábua de salvação da família toda.

Joy: O Nome do Sucesso é filme sem brilho, sem personalidade. Dá pra perceber que não sobrou muito o que dizer. Pode ser que eu seja exceção e que Jennifer esteja brilhando por aí com sua atuação – aliás, justiça seja feita, porque o seu melhor filme é Inverno da Alma, em que ela faz um papel realmente difícil. Mas essa história da Joy, essa eu não compro. E de comédia, como classificou o Globo de Ouro, não tem nada.

 

DIREÇÃO: David O. Russell ROTEIRO: David O. Russell, Annie Mumolo ELENCO: Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Bradley Cooper, Édgar Ramírez, Dianne Ladd, Isabella Rossellini | 2015 (124 min)

 

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WHAT HAPPENED, MISS SIMONE?
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Musical, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Documentário, Biografia - 19/01/2016

Claro que quem circula pelo mundo do jazz, do blues, do piano, do canto, do gospel, da música clássica, do R&B, do soul, da irreverência já está cansado de saber. E, mesmo assim, certamente vai se encantar com tanta força e tanta beleza. Pra quem não tem familiaridade com a área, para quem apenas diria ter ouvido a voz de Nina Simone, sem ao menos conseguir identificar quando, onde e o quê, entrar em contato com a vida da cantora, compositora e pianista neste documentário é um verdadeiro presente.

Eu sou uma delas. Sem qualquer repertório do gênero, me deixei envolver pelo som, pela entonação, pelas palavras, pelo olhar, pela luta de Nina Simone. Fez o maior sucesso nos anos 1960 no mundo todo, compôs canções maravilhosas, ganhou mundos e fundos, perdeu tudo, teve relações conturbadas, deixou uma filha de um casamento complexo, teve de lidar com a fama, o dinheiro, a falta dele, a bipolaridade, o câncer de mama, os maltratos. Foi ativista pelos direitos civis dos negros, amiga de Martin Luther King, lutou pela causa negra, contra a guerra do Vietnã, nem que isso tudo lhe causasse danos à carreira.

Essa vida intensa e cheia de altos e baixos é tratada com sinceridade, com imagens incríveis de shows, declarações emocionantes da cantora, depoimentos de sua filha Lisa e muitas outras passagens, lindas e fortes. What Happened, Miss Simone? foi indicado ao Oscar de melhor documentário, concorrendo com Amy, sobre a também talentosíssima artista Amy Winehouse. Páreo duro e a gente é que sai ganhando. Imperdíveis!

DIREÇÃO: Liz Garbus ELENCO: Lisa Simone Kelly, James Baldwin, Stokely Carmichael, Walter Cronkite | 2015 (101 min)

 

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CAROL
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 19/01/2016

O mais impressionante de Carol é a direção de arte. Impecáveis os figurinos dos anos 50, toda a ambientação por onde circulam Therese, a jovem balconista, e Carol, a elegante aristocrata. Claro que sem uma forte atuação de Cate Blanchet (também em Blue Jasmine, Babel) e Rooney Mara (também em Terapia de Risco, Os Homens que Não Amavam as Mulheres), essa beleza plástica não teria tanto brilho assim. O problema é que falta realismo – e isso faz com que o filme seja um “quase”.

O romance é proibido: Carol está se separando do marido, precisa garantir a guarda da filha, mas não resiste aos encantos da moça que conhece numa loja de departamentos. Therese é uma jovem simpática e prestativa, que mantém um relacionamento acomodado, vai na lábia da chiquérrima Carol e é incapaz de dizer não aos seus convites. Tudo parece uma pintura, os diálogos são frios e falta aquele toque de impulsividade que seria natural numa relação como esta: nos anos 50, pensar no relacionamento entre duas mulheres de classes sociais e idades diferentes, era um verdadeiro escândalo. Seria preciso muita química pra fazer o romance realmente rolar.

E se for pela química, não é o forte de Carol – adaptado do romance de Patricia Highsmith, publicado na década de 50. O trunfo, que rende indicação às duas atrizes para o Oscar, é a atuação delas na construção destes personagens calculistas, que medem as palavras e gestos – como se para não ofender o espectador. Poderia ser mais natural – ou talvez seja uma maneira de tratar o assunto proibido com a discrição necessária para aquele tempo. O que equilibra é o seu papel como mãe, que finalmente deixa o afeto extravasar, as máscaras caírem e o lado humano ser mais forte do que a embalagem – quem se lembra da expressiva Cate Blanchett em Blue Jasmine, pode imaginar algo do lado oposto, o que não deixa de ser uma atuação e tanto. De qualquer forma, Carol é um lindo filme, indicado ao Oscar de melhor figurino, fotografia, trilha sonora e roteiro adaptado, que vale o seu ingresso de cinema – ver na telona faz toda a diferença.

 

DIREÇÃO: Todd Haynes ROTEIRO: Phyllis Nagy, Patricia Highsmith ELENCO: Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah Paulson, Kyle Chandler | 2015 (118 min)

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SNOOPY & CHARLIE BROWN: PEANUTS, O FILME – THE PEANUTS MOVIE
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Animação - 18/01/2016

Snoopy & Charlie Brown faz parte do nosso imaginário coletivo e ponto. Muito bem feito, se der pra ver em 3D, é uma boa, mas duvido que esse detalhe tire a emoção. E também dispensa muitas explicações – afinal, quem conhece o temperamento da turma do Charlie Brown, sabe do que eu estou falando. Quem não conhece, vai se encantar.

Assista ao trailer abaixo. Quem não se lembra, Peanuts (ou Minduim, no Brasil) é o nome da tirinha em que era publicada a história do Snoopy, em milhares jornais e revistas no mundo todo, entre 1950 e 2000. Terminou quando seu  criador, Charles Schulz, faleceu, mas ainda são reproduzidas por aqui. Gostoso programa pra levar as novas gerações.

 

DIREÇÃO: Steve Martino ROTEIRO: Bryan Schulz, Craig Schulz, Charles M. Schulz | 2015 (88 min)

 

 

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STEVE JOBS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Biografia - 18/01/2016

Por Suzana Vidigal

O efeito dos feitos de Steve Jobs a gente sente na pele. E nos dedos. O sujeito revolucionou a maneira com a gente se comunica, interage, pensa, ouve música, tralha, vive. Acho que chega a isso tudo sim. Basta olhar ao redor.

O bacana deste Steve Jobs do diretor Danny Boyle (também de Quem Quer Ser Um Milionário, 127 Horas) é que, diante de tantos feitos, o foco escolhido não foi a história linear da criação da Apple, seus aparelhos únicos e incompatíveis, seu fracasso, a criação da Next e sua recontratação para, enfim, mudar o mundo como ele mesmo disse que seria capaz. Ele conta tudo isso, mas a energia é colocada no Steve Jobs dos bastidores, sua relação com os colaboradores, com a filha, seu ego, obstinação, determinação e genial visão de futuro.

Não tem nada a ver com o outro filme Jobs, de 2013, com Ashton Kutcher – que é sofrível. Aliás, Kutcher não tem nada a ver com Michael Fassbender, que ao lado da fiel assistente representada por Kate Winslet (levou o Globo de Ouro pelo papel), dão ao filme a intensidade e veracidade das relações nos bastidores dos lançamentos dos produtos. Mostra a dualidade das decisões, visões de mundo e das relações entre as pessoas. Retratar os caras geniais não é fácil e Boyle é muito feliz na sua escolha.

 

DIREÇÃO: Danny Boyle ROTEIRO: Aaron Sorkin, Walter Isaacson (livro) ELENCO: Michael Fassbender, Kate Winslet, Seth Rogen, Jeff Daniels, Michael Stuhlbarg, Katherine Waterston| 2015 (122 min)

 

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