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maio, 2015

O HOMEM QUE ELAS AMAVAM DEMAIS – L’Homme Qu’on Aimait Trop
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 31/05/2015

Catherine Deneuve esteve em Cannes na semana passada para apresentar seu novo filme, que foi inclusive exibido na abertura do festival, La Tête Haute. Sempre uma presença forte, inclusive na entrevista coletiva. Veremos quando esse filme desembarca por aqui. Se for no mesmo ritmo de O Homem que Elas Amavam Demais, que foi apresentado em Cannes no ano passado, só em 2016. Agora em cartaz, é um bom drama com uma história que seria inacreditável, se não soubéssemos que realmente aconteceu.

Tudo parece sob controle, até o momento em que a realidade desmorona, sem que se possa fazer nada. Herdeira de um cassino deixado por seu pai e administrado por sua mãe Renée (Deneuve, também em Bem Amadas, Potiche – Esposa Troféu), Agnes (Adèle Haenel) volta para a França depois de separar-se do marido. Em Nice, reencontra a mãe, se dá conta da confusão financeira em que está metida e se apaixona pelo homem errado. Maurice Agnelet (Guillaume Canet, também em Apenas Uma Noite) é advogado e braço direito de Renée, mas tem interesses próprios e uma postura dúbia e duvidosa – para dizer o mínimo. O desenlace da história parece mentira, tamanho revertério que sofrem as vidas envolvidas.

Aconteceu realmente em 1976, na Riviera Francesa. Catherine Deneuve é o centro da história toda – e nem poderia ser diferente – dá o tom do glamour e da queda, da força e da solidão que se instala. Os textos por aí andam dizendo o que acontece. Se eu fosse você, não lia. O filme se desenrola numa direção inimaginável e saber antes o que acontece é tirar de você o fator surpresa. Definitivamente, isso não é justo.

DIREÇÃO:  André Téchiné ROTEIRO: André Téchiné, Cédric Anger, Jean-Charles le Roux ELENCO: Catherine Deneuve, Adèle Haenel, Guillaume Canet | 2014 (116 min)

 

 

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PROMESSAS DE GUERRA – The Water Diviner
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Austrália, Ação - 29/05/2015

Apesar de estarmos superacostumados a ver Russell Crowe no cinema, este filme é seu primeiro por trás das câmeras. Além de dirigi-lo, ele é o protagonista e, embora seja também um filme que se passa em outra época (assim como O Gladiador, Robin Hood, Noé, Os Miseráveis), Crowe agora está com uma cara, digamos, mais contemporânea. E também mais natural.

Acho até que é por isso que o filme cai bem. Conta uma história real, mas ganha ares de romance e de emoção familiar, que acabam sendo mais importantes do que as imagens da guerra em si. Tudo se passa em 1915, quando Connor (Crowe) vai até a Turquia para encontrar os corpos dos três filhos mortos durante a Batalha de Galípoli, em que tropas da Nova Zelândia e Austrália lutaram para defender os interesses ingleses na região.

Connor é australiano, os três filhos se alistam e morrem no front de batalha e o pai, desolado, vai em busca dos corpos. Encontra outras coisas pelo caminho – mas isso você vai ver no filme. O título do filme, The Water Diviner (que remete ao fato de Connor cavar poços à procura de água na região seca da Austrália), é melhor do que o batido Promessas de Guerra. Mesmo porque remete à busca que ele faz pelos filhos e ao fato de a água ser a metáfora da vida e da esperança. Sem dúvida, bem mais interessante.

 

DIREÇÃO: Russell Crowe ROTEIRO: Andrew Knight, Andrew Anastasios ELENCO: Russell Crowe, Olga Kurylenko, Jai Courtney, Yilmaz Erdogan, Cem Yilmaz| 2014 (111 min)

 

 

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O VENDEDOR DE PASSADOS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 25/05/2015

O Vendedor de Passados começa bem – considerando inclusive o trailer. É instigante, sugere que haverá um mistério interessante na figura da enigmática personagem de Alinne Moraes e prende a atenção. O que acontece com o filme depois que a trama se desenrola, você é que vai julgar. Não vou ser estraga-prazer. Mas ficou uma pontinha de…

Seja lá o que for, ficou uma pontinha. E isso tem lá seu lado bom. Por mais que se tenha uma expectativa xis de um filme e ela não se realize, pelo menos essa “pontinha” sugere algo a mais. O Vendedor de Passados, baseado na obra literária homônima do angolano José Eduardo Agualusa, tem, logo de saída, uma boa proposta: Vicente, vivido por Lázaro Ramos (também em Sorria, Você Está Sendo Filmado) é um sujeito habilidoso e criativo, um verdadeiro contador de histórias. Seus clientes são pessoas que querem mudar seu passado. Ele recebe o briefing e inventa uma nova trajetória passada para aquela pessoa, manipulando fotos e vídeos. Tudo sob controle até que surge a misteriosa Clara (Alinne Moraes, também em Tim Maia, Heleno). Ela também quer um passado novo, mas faz um pedido inusitado: precisa ser uma história em que ela cometeu um crime.

Sem saber absolutamente nada da moça, Vicente trabalha para criar uma história com antecedentes, parentes, viagens, fotografias da infância e tudo mais o que permeia e recheia a nossa memória. Segundo Lázaro na entrevista coletiva, ele mesmo é um sujeito apegado a peças antigas. “Eu tenho uma relação com a passagem do tempo muito grande, ainda reclamo da reforma do Maracanã. Ainda tenho coleção de moeda e selo e a aproximação afetuosa com objetos antigos eu busquei em mim mesmo”, alega. Essa parte parece ter sido fácil, criar o que é palpável. “O difícil foi criar um passado que não se vê no filme, aquele que fica em suspense, que o espectador não conhece e nem nós conhecemos sobre Clara”, diz o diretor Lula Buarque de Hollanda.

E é desse passado que surge a relação entre Vicente e Clara. Do passado invisível, “aquele que não está no filme, que alimenta os olhares, os movimentos. Para um filme que brinca com gêneros e tem valor simbólico muito forte”, revela Lula. “Cada imagem documental traz uma sensação e pode trazer ao público outros sentimentos. O passado é aberto, o presente é aberto. O público pode construir como quiser.” E é desse passado que ficou aquela pontinha… de curiosidade? Ou frustração?

Fiquei curiosa para ler a obra do escritor angolano. Do jeito que falaram na entrevista, deve ser interessante do ponto de vista da criação de passados em Angola, após a guerra civil, naquela caos social. Fico imaginando a quantidade de gente que queria ser outra pessoa. E esse é o tema que mais me interessou no filme, depois que o assunto veio à tona na entrevista. Quando falamos de mudança de identidade, penso logo nessa nova era em que vivemos, em que é possível criar um perfil falso e ser quem você não é; em que as pessoas se expões a torto e a direito nas redes socias – também para parecer ser e ter o que não são, nem têm (como se isso importasse…); em que as pessoas mergulham sem parar em procedimentos e cirurgias plásticas, tão infelizes que estão com seus corpos e mentes; em que a crise de identidade é geral.

Agora, o que mais me choca: ainda tem gente que vê um ator negro na mesa da coletiva de imprensa e pergunta como foi, pra ele, fazer o papel, como ele se preparou; ainda tem jornalista que vai entrevistar um ator que fez papel homossexual e ainda pergunta o que ele fez para se encarar o personagem. Ter um negro no elenco ou um homossexual no roteiro não quer dizer que esse é o tema do filme! Caramba! Será que ainda não passamos dessa fase. Isso também foi dito em Cannes por  Emmanuelle Bercot, diretora do filme de abertura, quando lhe perguntaram como ela se sentia em ser mulher e ter seu filme escolhido para abrir o festival. O olhar dela diz tudo. “O fato de ele ter sido escolhido não tem nada a ver com o fato de eu ser mulher.”

Ponto.

 

DIREÇÃO: Lula Buarque de Holanda ROTEIRO: Isabel Muniz ELENCO: Alinne Moraes, Lázaro Ramos, Odilon Wagner, Mayana Neiva, Anderson Muller | 2015

 

 

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PALMA DE OURO EM CANNES 2015
FERRUGEM E OSSO é do mesmo diretor que venceu a Palma de Ouro por Dheepan, o francês Jacques Audiard. Enquanto o novo vencedor não chega por aqui, vale a pena conferir!
CLASSIFICAÇÃO: França, Festivais - 25/05/2015

Difícil falar de filmes que ainda não vimos. Pra entender um pouco quem saiu ganhando neste Festival de Cannes que terminou ontem, vamos relembrar os trabalhos anteriores dos diretores e atores premiados. Assim, dá pra ter uma ideia do tempero do filme, o estado de espírito em torno do qual gira a produção

Antes de mais nada é preciso dizer que é um prazer assistir à cerimônia de encerramento. Sem enrolação e de bom tom (e gosto), teve como mestre de cerimônia o charmoso ator francês Lambert Wilson, do fabuloso Homens e Deuses e Medos Privados em Lugares Públicos.

PALMA DE OURODheepan, do francês Jacques Audiard, também dos ótimos O Profeta (que levou o Prêmio do Júri em 2009 e Ferrugem e Osso, que concorreu à Palma de Ouro em 2002. Ninguém sai imune a esses dois filmes. São fortes e intensos; obras-primas. Dizem que Dheepan lembra O Profeta, pelo fato de se tratar da história de um imigrante, mas desta vez do Sri Lanka, que vai tentar a vida em Paris.

GRANDE PRÊMIO DO JÚRISaul Fia, do húngaro Lászió Nemes. Fala da Segunda Guerra, do processo de cremação dos corpos dos judeus nos campos de concentração e da relação de um dos prisioneiros (obrigado a fazer tal trabalho) com um dos corpos que ele julga ser de seu filho. É o primeiro longa do diretor!

MELHOR DIRETORHou Hsiao-Hsien, pelo chinês The Assassin. Preciso ver os filmes do diretor. O que eu posso dizer é que os chineses estão com tudo no festival, inclusive com mais um filme de Kore-Eda, Notre Petite Soeur, também dos ótimos Pais e Filhos e O Que Eu Mais Desejo.

MELHOR ATORVicent Lindon, por La Loi du Marché. Adoro o trabalho de Lindon em Bem-Vindo, Mademoiselle Chambon (do mesmo diretor), A Criança da Meia-Noite, Tudo o que Desejamos, Augustine.

MELHOR ATRIZEmmanuelle Bercot (por Mon Roi, também  diretora de La Tête Haute, que abriu o Festival); e Rooney Mara (por Carol, também atriz em A Rede Social, Terapia de Risco, Millenium).

MELHOR ROTEIROChronic, de Michel Franco. Mexicano, ele é responsável pelo perturbador Despois de Lúcia, sobre o bullying, que levou o prêmio Un Certain Regard em 2012.

PRÊMIO DO JÚRIThe Lobster, dirigido pelo grego Yorgos Lanthimos, que ganhou o prêmio Un Certain Regard por Dente Canino.

PRÊMIO CAMERA D’ORLa Tierra y la Sombra, do diretor colombiano César Augusto Acevedo.

PALMA DE OURO DE CURTA-METRAGEMWaves 98, sobre a vida nos subúrbio de Beirute.

 

 

 

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UM FIM DE SEMANA EM PARIS – Le Week-End
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama, Comédia Romântica - 22/05/2015

Aposto que há quem diga que o tom é nostálgico, que tem clima de fim de festa, de lamentação de um tempo que não volta mais, de escolhas que foram feitas e já não podem ser trocadas. Também sei que há aqueles que vão dizer que o tom é de arrependimento, de privação, de falta de planejamento e de coragem de mudar enquanto ainda fosse tempo.

E há ainda outras mil teorias que não apostam as relações duradouras, simplesmente pelo fato de elas serem raras. Claro, é mais fácil e muito mais lógico acreditar que o substancial e preponderante num casamento de 30 anos (ou 20, ou 10) é a privação ou o cansaço. Afinal, eles existem, não há como negar. O que é possível negar, sem medo de errar, é que estejamos falando de algo que envolva a lógica. Pelo contrário. Lógica nenhuma seria capaz de explicar por que duas pessoas diferentes (às vezes opostas) se unem por livre e espontânea vontade, intuitivamente formam uma família, dividem o mesmo espaço físico e emocional com todas as suas ondulações, montanhas-russas, tropeços e caldos, e ainda insistem em fazer a coisa funcionar. Insistem em dizer que vale a pena. Não há nenhuma lógica.

Um Fim de Semana em Paris é a prova da falta de lógica no que se refere à proposta de lutar pelo outro. Com todas as turbulências da vida, se Meg e Nick ainda apostassem na razão, já teriam tomado rumos opostos há muito tempo. Não foi por falta de oportunidade. São casados há 30 anos, administram o envelhecimento, as dores, os problemas com o filho, com a conta bancária, com as frustrações e planos não realizados, e ainda querem comemorar o aniversário de casamento. Em Paris. É justamente no fim de semana, em que têm o tempo todo um para o outro, que lavam roupa suja, que as mazelas da relação e da passagem do tempo vêm à tona.

Mas é também ali que surgem as oportunidades de perceber que só o amor é capaz de mantêm-los juntos diante de tantas adversidades. E ainda querem comemorar. Isso é o primeiro bom sinal. Cheio de bons momentos e com interpretação impecável, Lindsay Duncan (também de Questão de Tempo e na série The Honorable Woman) e Jim Broadbent (também em A Dama de Ferro) honram o amor da relação duradoura. Apesar de tudo e por causa de tudo. Quem tem um pouco dessa experiência, vai se identificar com as implicâncias, com as manias do outro, com as questões que, aparentemente, só mudam de endereço. Mas também vão se emocionar com a cumplicidade e a escolha definitiva que o casal faz para seguir adiante junto. Sim, porque é preciso escolher. Meg e Rick escolhem esse que é o caminho mais trabalhoso. E o mais bacana é que não se esquecem de festejar!

 

DIREÇÃO: Roger Michell ROTEIRO: Hanif Kureishi ELENCO: Jim Broadbent, Lindsay Duncan, Jeff Goldblum, Olly Alexander, Judith Davis | 2014 (93 min)

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A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE – The Age of Adaline
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 21/05/2015

Quem não se lembra de O Curioso Caso de Benjamim Button, em que o ele (Brad Pitt) rejuvenesce com o passar do tempo, volta a ser um bebê e tem que conviver com sua família envelhecendo e sofrendo as consequência da passagem do tempo como todos nós. É curioso mesmo. Essa coisa de viver de outra forma no tempo presente, ter outra idade que não a nossa, olhar com outro enfoque a realidade, faz parte do nosso imaginário. É a clássica frase: “ah, se eu fosse mais jovem…”. Devaneios assim são possíveis no cinema – matam, pelo menos parte, da nossa vontade de brincar com o tempo.

Enquanto o caso de Benjamim é curioso, o de Adaline é incrível – aliás, o único detalhe desnecessário era essa tradução. O título original The Age of Adaline poderia muito bem ter sido usado literalmente em português e resgataria, já na entrada, essa ideia do tempo que é tão cheia de entrelinhas.

Mas o fato é incrível mesmo – e, por ter um roteiro muito bom e uma atriz talentosa, passa até a ser crível – dentro do possível, claro – e coloca você dentro do filme. Adaline Bowman (Blake Lively, também em Selvagens), nasceu no início do século 20, sofreu um grave acidente aos 29 anos e sobreviveu por milagre. Depois disso, não envelhece mais. Fica com essa idade para sempre, até os dias de hoje. Parece um sonho passar pelo século inteiro – e jovem! Como nem tudo são flores, Adaline tem que conviver com a realidade dos outros ao seu redor que ficam velhos, morrem, sofrem com doenças e tudo mais que é inerente à passagem do tempo. E mais: tem que enfrentar as todas as mazelas da história do século, que não são poucas.

O diretor Lee Toland Krieger (também do interessante Celeste e Jesse Para Sempre) conta com um elenco impecável, o que é fundamental para que o filme se desenrole com classe e sem qualquer breguice. Pelo contrário: tem uma fotografia elegante, uma luz linda e atores com muito charme na tela. Michael Huisman (também em Livre, Game of Thrones) faz a diferença, assim como Harrison Ford, que dispensa apresentações e será para sempre o Indiana Jones. A Incrível História de Adaline é uma fábula sobre o tempo, sobre a magia que ele exerce sobre nós, sobre a relação entre passado e presente, o velho e o novo e as particularidades dos relacionamentos. Eu me emocionei. Depois você me conta se te pegou também.

 

DIREÇÃO: Lee Toland Krieger ROTEIRO: J.Mills Goodloe, Salvador Paskowitz ELENCO: Blake Lively, Michiel Huisman, Harrison Ford, Kathy Baker, Ellen Burstyn | 2015 (112 min)

 

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POLTERGEIST – O FENÔMENO – Poltergeist
CLASSIFICAÇÃO: Terror, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 20/05/2015

A história é mesma de 1982, escrita por Steven Spielberg: uma família de três filhos se muda para uma casa nova e  a caçula se comunica com espíritos do mal, os poltergeists. Não basta ser fantasma, tem que ser do mal. E são muitos, tantos que têm o poder de raptar Maddy para dentro da televisão, ou seja, outra dimensão.

Fiquei com vontade de rever o original. Minha lembrança para na menina com as mãos na tela da televisão, quando ela se comunica com os seres sobrenaturais. Trinta anos depois, é claro que os efeitos são outros e são bem feitos. Acho que vai fazer sucesso – dentro do gênero terror-remake. E mais: é a chance de apresentar pra nova geração uma história que foi top no nosso tempo, pra que depois, talvez, eles se interessarem por ver terror menos tecnológico. Já imaginou um remake de O Iluminado? Nunca, jamais! Deveria ser proibido. Não há quem fique imune à Jack Nicholson e não há quem possa substitui-lo.

Com Poltergeist, tudo bem refazer. Soube que as atrizes, que fizeram as meninas no primeiro filme, morreram precocemente (com 12 e 22 anos!), assim como o ator que era o irmão – foi assassinado. Que coincidência estranha. Para os saudosistas, melhor não ver. Para os curiosos, que querem acompanhar seus filhos adolescentes naquela época em que assistir filmes de terror – mesmo os piores – é o programa, pode ser “divertido”. Os sustos são previsíveis, mas pra quem gosta do gênero vai ser melhor que Atividade Paranormal. Menos mal.

 

DIREÇÃO: Gil Kenan ROTEIRO: David Lindsay-Abaire, Steven Spielberg ELENCO: Sam Rockwell, Rosemarie DeWitt, Kennedi Clements, Saxon Sharbino, Kyle Catlett, Jared Harris | 2015 (93 min)

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MISS JULIE
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Noruega, Garimpo na Locadora, Drama - 20/05/2015

Vou menos ao teatro do que gostaria. E quando me vejo programando o que assistir, tenho que pensar duas vezes antes de propor o programa. Não é todo mundo que curte de teatro – ou melhor, eu diria que a maioria das pessoas tem preguiça, já parte do pressuposto que é algo monótono, ou não se sente à vontade com o atores assim, tão perto. Tem gente que simplesmente diz que não gosta e pronto. (Vai ver nunca foram assistir nada que preste.)

Por isso, tomo cuidado ao recomendar um filme-teatral. Assim como fiz com o brasileiro Sorria, Você Está Sendo Filmado. É teatro: um só cenário, um só ponto de vista, a câmera que não muda de posição. Um filme não tem absolutamente nada a ver com o outro, mas o gênero sim. Mais do que o tema de Miss Julie, é importante dizer que essa produção praticamente só tem tomadas internas, dentro de um palacete, com os personagens em conflito. As poucas tomadas externas são rápidas e sem importância. Dão um pequeno alento, mas não o suficiente para que você se sinta fora do “teatro”.

Dito isso, vamos ao filme em si. Jessica Chastain (também em O Ano Mais Violento, Dois Lados do Amor) é Miss Julie, a filha mimada de um aristocrata anglo-irlandês, que dá em cima descaradamente do empregado de seu pai (Colin Farrell, também em Caminho da Liberdade e Walt nos Bastidores de Mary Poppins) e os dois passam o filme se desafiando. Tudo no verão de 1890, no Condado de Fermanagh. A única personagem que é o contraponto da história é Kathleen (Samantha Morton), namorada de John, mas que se enfraquece diante da intensidade das discussões. Bem cena de teatro mesmo. Parece que eles estavam cara a cara comigo. Acho um filme corajoso – não claustrofóbico, como disseram alguns. Ainda mais com Chastain no elenco – definitivamente ela vem ocupando um lugar de destaque na telona que é de tirar o chapéu.

 

DIREÇÃO: Liv Ullmann ROTEIRO: August Strindberg, Liv Ullmann ELENCO: Jessica Chastain, Colin Farrell, Samantha Morton | 2014 (129 min)

 

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CIRANDA DE FILMES 2015
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Festival, Festivais, Brasil - 20/05/2015

Amanhã a programação já é para o público. Dirigido a educadores, pedagogos, artistas, cinéfilos, gestores, cineastas, estudantes, pais e todos aqueles que querem olhar para a infância e a aprendizagem através da lente do cinema. Aliás, esse sempre foi o fio condutor do Cine Garimpo: garimpar filmes diversos, dos mais variados gêneros, nacionalidades, tons e cores, para aumentar o repertório e ampliar a visão de mundo. Quando pensamos em infância, na experiência da criança, na sua vivência familiar e escolar, na formação formal e informal, o cinema se encaixa como uma luva. Coloca-nos em contato com realidades distantes, ricas e preciosas, que nos fazem crescer no conhecimento e na emoção.

Palavras minhas, mas é assim que senti a vibração da primeira Ciranda de Filmes no ano passado. Agora o evento segue, e cresce. São 51 filmes, vindos dos quatro cantos do mundo, para trazer à tona discussões sob três pilares: famílias, criança e natureza, e protagonismo infantil. Sempre apostando no poder transformador (e ele é real, acredite!) do cinema na vida das pessoas, este evento é precioso. Além dos títulos escolhidos, haverá rodas de conversa, vivências lúdicas, corporais e musicais e oficinas. A programação está toda lá no site do evento.

Vários dos filmes selecionados já estão aqui no blog. É só clicar no nome do filme (abaixo) e conferir o comentário. Bom garimpo e boa ciranda!

quando: de 21 a 24 de mail | É de graça! 

onde: Cinesesc e Cine Livraria Cultura


Filmes comentados aqui no Cine Garimpo! 

O QUE EU MAIS DESEJO, de Hirokazu Kore-Eda | Japão, 2011 – O diretor tem uma sensibilidade ímpar, também em Pais e Filhos. Acabou de apresentar seu novo filme em Cannes, Notre Petite Soeur, que também tem o viés humano e o alicerce familiar bem fincados.

A CULPA É DO FIDEL, de Julie Gavras | França, 2006 –  Delicioso de ver, também está na lista de filmes do Cine Garimpo, em que “a criança dá o tom”.

TOMBOY, de Céline Sciamma | França, 2011 – Trata do tema do tema delicado do Transtorno da Identidade de Gênero; atualmente a diretora tem um outro filme em cartaz, também muito bom sobre adolescentes, chamado Garotas.

INDOMÁVEL SONHADORA, de Benh Zeitlin | EUA, 2013 – Triste e humano, é daqueles que faz parar para pensar.

 O SONHO DE WADJDA, de Haifaa Al Mansour | Arábia Saudita, 2012 – Primeiro filme feito por uma mulher cineasta no país. Uma preciosidade e oportunidade única de conhecer a realidade as meninas que não podem andar de bicicleta.

MINHAS MÃES E MEU PAI, de Lisa Cholodenko |  EUA, 2010 – Sobre o formato das novas famílias, com muita graça, humor e emoção.

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