cinegarimpo

março, 2015

FILMES BACANAS PARA O FERIADO DA PÁSCOA
CLASSIFICAÇÃO: Lista - 31/03/2015

Independente do programa que você vá fazer na Páscoa, sempre dá pra encaixar um bom filme. O CINE GARIMPO selecionou uma lista com 10 opções bacanas: os cinco primeiros são para você ver nos cinemas (como O Ano Mais Violento, na foto); os outros cinco, para assistir em casa.

Como sempre, a premissa está mantida: filmes de temas variados, de nacionalidades diversas, com diferentes olhares. Pra você sair do comum e se acostumar também a garimpar!

 

 

Sem Comentários » TAGS:  
MAPA PARA AS ESTRELAS – Maps to the Stars
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 30/03/2015

Não sou fã de David Cronenberg. Lembro bem quando assisti a Gêmeos – Mórbida Semelhança – e do mal estar que o filme me causou. Pensando hoje – e sabendo de quem se trata – se ainda me lembro dessa sensação, o filme deve ser realmente bom. Preciso rever. Na época (1989), não fazia a menor diferença quem era o diretor. Lembro que fui atraída pelo ator Jeremy Irons. Cronenberg é conhecido por filmes de ficção científica que carregam um viés muito marcante da perturbação humana. Isso é muito mais forte do que qualquer efeito especial futurístico da ficção científica aventureira. Não é esse o seu perfil. Acho que agora sei por que os gêmeos de Irons me impressionaram tanto. O diretor não dá ponto sem nó.

O que não me faz gostar mais ou menos de seus filmes. Mas que eles são marcantes, isso são. É dele também o ótimo Um Método Perigoso, que mostra o quanto as mentes são capciosas e manipuladoras, e Cosmópolis – tão adorado pela crítica, mas que para mim ainda é uma incógnita. Não consigo superar a chatice do ator Robert Pattinson e a esquisitice do filme. Cosmópolis discute o poder e a fama, mas de uma maneira que não me cai bem. Acho chato. Pronto, falei.

No entanto, também tenho que confessar que, apesar de ter ido assistir a Mapa para as Estrelas ressabiada e desconfiada da maluquice que viria desta vez, saí do cinema afirmando que, desta vez, gostei de Cronenberg. Continua indigesto, sem dúvida – e acho que sempre será. Mas acerta no tom para criar um ambiente que incomoda, que gera estranheza e transpira solidão. Tem personagens emblemáticos, criaturas estranhas deste mundo cão das celebridades do cinema e tem Julianne Moore – que, em muitos momentos, basta.

Mapa Para as Estrelas discute o mundo de Hollywood naquilo que ele tem de mais emblemático: fama, dinheiro, poder, influência, favorecimento, interesse. Mas poderia ser qualquer mundo, conforme ele mesmo disse quando o filme foi exibido em Cannes no ano passado. Claro, o mundo do mercado financeiro, por exemplo. Quer melhor exemplo que reúne tudo isso? Através de Havana Segrand (Julianne Moore, também em Para Sempre Alice), uma atriz decadente que tenta recuperar seu prestígio entre os diretores, reconquistar papéis importantes no cinema e livrar-se dos traumas do passado, o diretor tece uma rede de interesses explícitos e implícitos, de desejos de vingança e traição, de mentiras e insanidades veladas. O filme todo tem um tom meio macabro. Predominam personagens ansiosos, inseguros, prepotentes e loucos, numa antítese à fortaleza e poderio de todo o glamour que rodeia a indústria das grandes produções.

O mais interessante de tudo isso é que está na moda fazer filmes que falam de atores decadentes. O cerne do premiado Birdman é justamente esse e em abril estreiam dois filmes com Al Pacino (O Último Ato e Não Olhe Para Trás), também sobre essa difícil celeuma de como lidar com a passagem do tempo e com o fator fama-dinheiro-poder que escapa pelas mãos. O tema é muito bom e sempre me faz parar para pensar que mundo é esse.

 

DIREÇÃO: David Cronenberg ROTEIRO: Bruce Wagner ELENCO: Julianne Moore, Mia Wasikowska, Robert Pattinson, John Cusak, Evan Bird, Olivia Williams | 2014 (111 min)

Sem Comentários » TAGS:  
O SAL DA TERRA – Le Sel de la Terre
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, França, Documentário, Brasil, Biografia - 26/03/2015

Minha sincera – e emocionada – opinião sobre O Sal da Terra: quem tem um de seus livros ou já parou pra olhar o que Sebastião Salgado fotografa, certamente já se perguntou como é que ele chega nesses lugares. O que a gente esquece de se perguntar é quanto tempo ele levou pra fazer as fotos e o quanto esse processo foi transformador.

É essa a grande magia do filme: além de impecável, é transformador. A fotografia transformou Salgado como pessoa, um projeto deu origem ao outro pela evolução natural dos seus sentimentos e do convívio com a natureza e com as pessoas fotografadas, e transforma quem as vê.

Salgado é aquilo que ele fotografa. Dá pra sentir isso genuinamente no filme. Minha adolescente perguntou (sim, leve seu adolescente!) se todas as suas fotos eram em preto e branco. São. E por isso fazem ainda mais mágica.

Por Suzana Vidigal

________________________________________________

O Sal da Terra foi o filme de abertura da 4a edição da Mostra Ecofalante Ambiental e agora entra em cartaz. Considerando a temática de cidades, lugares, natureza, povos, nada mais propício do começar com um filme que retrata, literalmente, tudo isso: como pessoas se relacionam com o ambiente em que vivem. Através das lentes do fotógrafo Sebastião Salgado, O Sal da Terra, que concorreu ao Oscar de melhor documentário, transcende o modelo de documentário biográfico, levando o espectador a uma viagem íntima e pessoal pelo monumental trabalho do artista.

Admirador do artista brasileiro, Wim Wenders volta ao registro documental, depois dos bem-sucedidos Buena Vista Social Club e Pina, dividindo a direção do longa-metragem com Juliano Ribeiro Salgado. Filho de Sebastião, Juliano confidenciou à imprensa que o projeto ajudou a reaproximá-lo do pai, com quem vivia uma relação distante. A fim de manter um distanciamento crítico, o jovem documentarista deixou a Wenders a tarefa de entrevistar o fotógrafo e narrar sua epopeia, desde os anos de formação, no interior de Minas Gerais, até o exílio político em Paris, a partir de 1969. 

A nova vida na França levou Sebastião a largar a profissão de economista e a se reinventar – com o inestimável apoio da esposa Lélia – como um dos maiores fotojornalistas do mundo. O resto é história: mais de 40 anos dedicados a capturar a vida humana sob condições extremas, em diferentes continentes.

Com tanta história para contar, O Sal da Terra, vencedor do prêmio do júri da seção Um Certo Olhar na última edição do Festival de Cannes, consegue a proeza de dar uma geral na obra de seu biografado (principalmente para quem não a conhece), e ao mesmo tempo lançar uma luz sobre o indivíduo por trás do artista, sem apelar para o excesso de depoimentos de terceiros. Projetos que consumiram anos – como “Trabalhadores”, “Serra Pelada”, “Êxodos” ou o recente “Gênesis” – ganham vida com a projeção de imagens na tela. Ampliadas, as fotografias impressionam. Provocam emoção. E evocam uma série de reminiscências, como anedotas e histórias comoventes vividas por Sebastião ao lado de seus fotografados.

A fisionomia serena e os olhos brilhantes do fotógrafo, refletidos no projetor enquanto vê seu trabalho, dizem tudo. Expressam a relação íntima que mantinha com seus objetos de estudo, seu respeito à cultura do “outro” e sua incansável busca pela dignidade humana, mesmo nas piores circunstâncias. Com O Sal da Terra, compartilhamos um pouco de sua humanidade.

Por Eduardo Lucena

DIREÇÃO: Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado ROTEIRO: Wim Wenders, Juliano Ribeiro Salgado e David Rosier ELENCO: Sebastião Salgado, Lélia Wanick Salgado | 2014 (110 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
CINDERELA – Cinderella
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Fantasia, fantasia, Estados Unidos - 26/03/2015

Não pense que o novo Cinderela não tem nada de novo; que o tema princesa-madrasta-príncipe-final-feliz se esgotou nele mesmo, para sempre; que o é filme só para meninas; que você já tem sua madrasta preferida e nada vai fazê-lo mudar de ideia; e que Cinderela não passa de uma garota tola e chorona, que não reage aos maus tratos e é feliz para sempre porque estava escrito nas estrelas.

Se esse foi seu raciocínio ao saber desta nova versão do conto de fadas, pode apagar tudo. O Cinderela dirigido pelo britânico Kenneth Branagh é novo sim. Em muita coisa. A história já conhecemos, mas a alma dos personagens ganhou ares bem mais contemporâneos.

Fato é que o tema princesa nunca se esgota. Basta pensar na nova musa-princesa-plebeia Kate Middleton, que move montanhas com sua simplicidade, simpatia e atitude. É isso: a nova Cinderela tem atitude: diz o que pensa, opta por fazer o que é certo e tem como lema ser gentil e corajosa. Deixa isso claro, sem precisar chorar pelos cantos e sem que Lily James tenha que ter uma ingenuidade que beire a tolice.

Pelo contrário: tem personalidade. Sua personagem é a antítese da madrasta – e que madrasta! Cate Blanchett está ótima e já concorre ao posto de “a má mais bacana dos contos de fadas”. E tem o príncipe, que na pele de Richard Madden se encanta com a beleza da jovem camponesa sem lenço nem documento, mas se apaixona principalmente por seus princípios e pela tal “atitude”.

Falando assim, até parece ironia. Mas não é. Realmente gostei da nova Cinderela da Disney. Mostra equilíbrio entre as premissas da história e os novos elementos. A fada madrinha, por exemplo, é divertida, tem boas tiradas e está mais para “amiga-que-sabe-das-coisas” do que para um ser fantástico. O que também é bem interessante.

Apesar de conhecidos, os personagens ganham bons diálogos e uma roupagem nova em folha. Provavelmente de olho no retorno comercial que isso vai gerar – porque a Disney não dá ponto sem nó – o figurino é realmente a cereja do bolo. Do vestido azul de borboletas de Ella (seu nome de batismo), aos incríveis looks da madrasta. Aproveite! Se achar que tudo é déjà vu, aprecie o visual. Já vai valer o seu ingresso.

DIREÇÃO: Kenneth Branagh ROTEIRO: Chris Weitz ELENCO: Lily James, Cate Blanchett, Richard Madden, Helena Bonham Carter | 2015 (105 min)

Sem Comentários » TAGS:  
JESSICA LANGE: Fotógrafa
CLASSIFICAÇÃO: Notícias - 25/03/2015
ONDE: MIS – MUSEU DA IMAGEM E DO SOM
Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo – SP, Brasil. CEP 01449-000.

Telefone: 11 2117 4777

Sem Comentários » TAGS:  
EDEN
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 25/03/2015

Eden tem uma pegada parecida com o outro filme de Mia Hansen-Love, Adeus, Primeiro Amor. Faz um recorte, fala de uma fase da vida de alguém. Não tem a intenção de chegar em lugar nenhum, de provar uma tese ou de mostrar um conflito específico. Os protagonistas são pessoas comuns: no primeiro é uma adolescente que enfrenta as dúvidas e questões do primeiro amor; em Eden, é um rapaz como outro qualquer, que não sabe o que quer fazer da vida, só sabe que gosta de música, balada e farra. Alia uma coisa à outra e começa a fazer bicos como DJ. Isso nos anos 1990, quando a música eletrônica bomba na França e Paul (Félix de Givry) decide que seu grande desejo é pilotar uma mesa de som em que o “french touch“, o house francês, imperaria.

Para quem gosta de gênero eletrônico, conhece os famosos Daft Punk e outras bandas e DJs que fizeram nome nessa época, pode ser bacana relembrar. Mas para mim o foco não é a evolução do gênero em si, nem a sua influência entre os jovens. Todas as gerações têm suas tendências, suas baladas, seus excessos, as bandas que são modinha e as que se mantêm com o passar do tempo. Com o house francês não é diferente.

O foco aqui é a vida do adolescente Paul, com seu sonho de ficar famoso, ganhar dinheiro, ser independente, fazer turnês mundo afora e tudo mais. Sonho comum da juventude. Eden mostra a sua trajetória, ascenção e queda, ganhos e frustrações amorosas, sua frágil relação familiar e o difícil ofício de se manter estável nesse meio artístico.

O problema de Eden é que o ritmo não colabora. Lento e sem um conflito específico a ser trabalhado, me vi diante de um personagem morno, sem nenhum brilho especial. Se fosse para ser assim, que o roteiro trouxesse algo a mais para prender a atenção e levar o espectador para dentro da pista de dança. Eu não dancei. Talvez se você curtir o ritmo e as batidas, possa se identificar. Outra boa opção talvez seja assistir em casa quando sair em home video. Acho que dessa forma agrada mais.

 

DIREÇÃO: Mia Hansen-Løve ROTEIRO: Hansen-Løve, Sven Hansen-Løve ELENCO: Greta Gerwig, Golshifteh Farahani, Félix de Givry, Hugo Conzelmann, Roman Kolinka, Pauline Etienne | 2014 (131 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
DOIS LADOS DO AMOR – The Disappearence of Eleanor Rigbt: Them
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 19/03/2015

O título em português, Dois Lados do Amor, estraga um dos pontos fortes do filme: o fato de ele ser diferente. Dizer que “o amor tem dois pontos de vista” é um clichê e tanto, o que contradiz com a proposta e o olhar desta produção. Não se trata de um filme romântico convencional. Aliás, é um filme duro, daqueles de desencontros constantes, de luto, de busca, de frustrações e de belos diálogos. Eu teria aproveitado essa deixa do título original, chamando-o de O Desaparecimento de Eleanor Rigby. Assim você já saberia de cara que não se trata de uma simples e corriqueira história de amor.

Aliás é um dramalhão e tanto, superbem interpretado pelo casal Jessica Chastain (A Hora Mais Escura, Interestelar, A Árvore da Vida) e James McAvoy (X-Men, O Último Rei da Escócia). Eles se separam, a mágoa e o sofrimento são imensos e profundos. Senti algo parecido com essa tristeza no filme de Sarah Polley, Entre o Amor e a Paixão. Percebe-se que há amor, mas a vida tomou rumos inesperados e eles já não sabem mais como tocar o barco juntos.

Recheado de bons atores, como o sábio casal formado por William Hurt e Isabelle Hupert, preste atenção à personagem de Viola Davis e aos seus diálogos com Eleanor. Inteligência com um toque sutil de desesperança; um jogo de palavras perspicaz e cheio de meias verdades e possíveis interpretações. Dois Lados do Amor pode ter título básico, mas não diria o mesmo de seu conteúdo.

O interessante é que Ned Benson fez dois filmes antes deste, com o mesmo título, só mudando o final “Them”. Um deles era “He”, o outro, “She”, mostrando o ponto de vista dele e dela sobre o relacionamento. Deve ser interessante, porque da maneira com Eleanor e Conor se comportam e se sentem, há de fato muita relação para ser discutida.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Ned Benson ELENCO: James McAvoy, Jessica Chastain, Viola Davis, Isabelle Huppert, William Hurt | 2014 (123 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
4a MOSTRA ECOFALANTE DE CINEMA AMBIENTAL
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Itália, França, Festival, Festivais, Documentário, Biografia - 19/03/2015

Hoje começa a 4a. Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental. Interessante o título “Ecofalante”- fala por si só. Até dia 29 de março, serão exibidos filmes sobre energia, recursos naturais, biodiversidade, consumo, cidades e povos. Dos diversos filmes selecionados de 23 nacionalidades, seis foram escolhidos para ser o ponto de partida dos debates após a exibição. O que é muito bacana – o cinema enquanto ferramenta de discussão e conscientização.

Considerando essa temática de cidades, lugares, natureza, povos, nada mais propício do que começar com um filme que retrata, literalmente, tudo isso: como pessoas se relacionam com o ambiente em que vivem. Através das lentes do fotógrafo Sebastião Salgado, O Sal da Terra transcende o modelo de documentário biográfico, levando o espectador a uma viagem íntima e pessoal pelo monumental trabalho do artista (foto).

Para mais informações e programação, acesse o link da Mostra (acima).

Sem Comentários » TAGS:  

Próxima página »

CATEGORIAS

INSCREVA-SE PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Você também pode assinar listas específicas: