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fevereiro, 2015

HOUSE OF CARDS – 3a temporada
CLASSIFICAÇÃO: Série, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Especiais - 27/02/2015

Nunca se viu, na história daquele país, um casal tão afinado e afiado quanto Francis and Claire Underwood. Eu pelo menos não vi. Personagens genialmente compostos pela dupla Kevin Spacey e Robin Wright já pertencem ao imaginário de qualquer pessoa que relacione as seguintes palavras-chave: política, série de televisão, sujeira, malandragem, desonestidade, manipulação, mentira, assassinato e genialidade. Porque tudo isso seria déjà vu se não estivesse na pele do casal de atores premiadíssimo – do SAGs Awards a Emmy e Globo de Ouro. Claro que em nós, brasileiros, tudo isso acenderia uma faísca de identificação com a nossa política brasileira, tamanha a falta de caráter. Mas confesso que, representado por eles, Francis e Claire têm mais classe do que qualquer bom moço que você possa imaginar.

Mas como é possível? Deputado líder da bancada no Congresso, Underwood está crente que será indicado para o poderoso cargo de Secretário de Estado. Mas outro toma o seu lugar e, a partir desse momento, só pensa em vingança. Apoiado por sua bela e implacável esposa Claire, Francis trama um plano diabólico, em que tudo é possível para ganhar a cadeira de presidente dos Estados Unidos e puxar o tapete de quem o enganou.

House of Cards é eletrizante, tipo de série feito para ser devorada. Nesse castelo de cartas que é o jogo de poder, Francis começa a terceira temporada hoje, dia 27, no Netflix, como presidente americano. Não há nada igual – e duvido que alguém conseguisse fazer esse papel com tanta convicção e talento.

 

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ADEUS, SPOCK
CLASSIFICAÇÃO: Notícias - 27/02/2015

Quem não se lembra do figura Spock, da série Jornada das Estrelas? Leonard Nimoy morreu aos 83 anos, de doença pulmonar crônica, em sua casa em Los Angeles. Recentemente vimos o ator vivendo novamente o personagem no filme Além da Escuridão: Star Trek, de 2013 (segundo filme de J.J. Abrams que retoma a tão adorada série). Vale a pena rever o trailer:

 

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QUEM LEVOU O OSCAR 2015
CLASSIFICAÇÃO: Notícias - 22/02/2015

Minha torcida é para que ganhe:

filme – Boyhood (ganhou Birdman – )

diretor – Linklater (ganhou Iñarritu)

ator – Redmayne (A Teoria de Tudo) !

atriz – Julianne Moore (Para Sempre Alice) !

atriz coadjuvante – Patricia Arquette (Boyhood) !

ator coadjuvante – JK Simmons (Whiplash) !

roteiro original – Birdman

roteiro adaptado – Sniper Americano (ganhou O Jogo da Imitação)

canção original – Lost Stars (Mesmo se Nada Der Certo) (ganhou Glory, do filme Selma)

filme estrangeiro – Leviatã  (ganhou Ida)

 

VENCEU (EM AZUL):

Melhor filme
Sniper americano
Birdman
Boyhood: Da infância à juventude
O grande hotel Budapeste
O jogo da imitação
Selma
A teoria de tudo
Whiplash

Melhor diretor
Alejandro Gonzáles Iñárritu (“Birdman“)
Richard Linklater (“Boyhood“)
Bennett Miller (“Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo“)
Wes Anderson (“O grande hotel Budapeste”)
Morten Tyldum (“O jogo da imitação“)

Melhor ator
Steve Carell (“Foxcatcher“)
Bradley Cooper (“Sniper americano”)
Benedict Cumbertatch (“O jogo da imitação“)
Michael Keaton (“Birdman“)
Eddie Redmayne (“A teoria de tudo“)

Melhor ator coadjuvante
Robert Duvall (“O juiz”)
Ethan Hawke (“Boyhood“)
Edward Norton (“Birdman“)
Mark Ruffalo (“Foxcatcher“)
JK Simons (“Whiplash“)

Melhor atriz
Marion Cotillard (“Dois dias, uma noite“)
Felicity Jones (“A teoria de tudo“)
Julianne Moore (“Para sempre Alice”)
Rosamund Pike (“Garota exemplar“)
Reese Whiterspoon (“Livre“)

Melhor atriz coadjuvante
Patricia Arquette (“Boyhood“)
Laura Dern (“Livre“)
Keira Knightley (“O jogo da imitação“)
Emma Stone (“Birdman“)
Meryl Streep (“Caminhos da floresta“)

Melhor filme em língua estrangeira
Ida” (Polônia)
Leviatã” (Rússia)
“Tangerines” (Estônia)
Timbuktu” (Mauritânia)
Relatos selvagens” (Argentina)

Melhor documentário
“O sal da terra”
Citizen Four
“Finding Vivian Maier”
“Last days”
“Virunga”

Melhor documentário em curta-metragem 
Crisis Hotline: Veterans Press 1
“Joanna”
“Our curse”
“The reaper (La Parka)”
“White earth”

Melhor animação
“Operação Big Hero”
Como treinar o seu dragão 2
Os Boxtrolls
“Song of the sea”
“The Tale of the Princess Kaguya”

Melhor animação em curta-metragem
“The bigger picture”
“The dam keeper”
Feast
“Me and my moulton”
“A single life”

Melhor curta-metragem em ‘live-action’
“Aya”
“Boogaloo and Graham”
“Butter lamp (La lampe au beurre de Yak)”
“Parvaneh”
The phone call

Melhor roteiro original
Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. e Armando Bo (“Birdman“)
Richard Linklater (“Boyhood“)
E. Max Frye e Dan Futterman (“Foxcatcher“)
Wes Anderson e Hugo Guinness (“O grande hotel Budapeste”)
Dan Gilroy (“O abutre“)

Melhor roteiro adaptado
Jason Hall (“Sniper americano”)
Graham Moore (“O jogo da imitação”)
Paul Thomas Anderson (“Vício inerente”)
Anthony McCarten (“A teoria de tudo“)
Damien Chazelle (“Whiplash“)

Melhor fotografia
Emmanuel Lubezki (“Birdman”)
Robert Yeoman (“O Grande Hotel Budapeste”)
Lukasz Zal e Ryzasd Lenczewski (“Ida”)
Dick Pope (“Sr. Turner”)
Roger Deakins (“Invencível”)

Melhor edição (MONTAGEM)
Joel Cox e Gary D. Roach (“Sniper americano”)
Sandra Adair (“Boyhood“)
Barney Pilling (“O grande hotel Budapeste”)
William Goldenberg (“O jogo da imitação“)
Tom Cross (“Whiplash“)

Melhor design de produção (direção de arte)
“O grande hotel Budapeste”
“O jogo da imitação”
Interestelar
“Caminhos da floresta”
“Sr. Turner”

Melhores efeitos visuais
Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick (“Capitão América 2: O soldado invernal”)
Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist (“Planeta dos macacos: O confronto“)
Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould (“Guardiões da Galáxia”)
Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher (“Interestelar“)
Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer (“X-Men: Dias de um futuro esquecido”)

Melhor figurino
Milena Canonero (“O grande hotel Budapeste”)
Mark Bridges (“Vício inerente”)
Colleen Atwood (“Caminhos da floresta“)
Anna B. Sheppard e Jane Clive (“Malévola”)
Jacqueline Durran (“Sr. Turner”)

Melhor maquiagem e cabelo
Bill Corso e Dennis Liddiard (“Foxcatcher“)
Frances Hannon e Mark Coulier (“O grande hotel Budapeste”)
Elizabeth Yianni-Georgiou e David White (“Guardiões da Galáxia”)

Melhor trilha sonora
Alexandre Desplat (“O grande hotel Budapeste”)
Alexandre Desplat (“O jogo da imitação“)
Hans Zimmer (“Interestelar“)
Gary Yershon (“Sr. Turner”)
Jóhann Jóhannsson (“A teoria de tudo“)

Melhor canção
“Everything is awesome”, de Shawn Patterson (“Uma aventura Lego“)
Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (“Selma“)
“Grateful”, de Diane Warren (“Além das luzes”)
“I’m not gonna miss you”, de Glen Campbell e Julian Raymond (“Glen Campbell…I’ll be me”)
“Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (“Mesmo se nada der certo“)

Melhor edição de som
Alan Robert Murray e Bub Asman (“Sniper americano”)
Martín Hernández e Aaron Glascock (“Birdman“)
Brent Burge e Jason Canovas (“O hobbit: A batalha dos cinco exércitos“)
Richard King (“Interestelar“)
Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (“Invencível“)

Melhor mixagem de som
John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (“Sniper americano”)
Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (“Birdman“)
Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (“Interestelar“)
Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (“Invencível“)
Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (“Whiplash“)

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UM SANTO VIZINHO – St Vincent
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia - 20/02/2015

Pode parecer clichê e já vimos alguns filmes com o mesmo tema da amizade do improvável. Aliás, esse tipo de filme é aquele ideal para ver em família. Reafirma o valor da solidariedade e o peso da solidão – bons ingredientes para um filme sobre as dificuldades do convívio, mesmo que isso signifique, pelo menos à primeira vista, mais confusão do que solução.

Um Santo Vizinho tem esses lugares-comuns, mas é gracioso, tem originalidade e ótimo elenco – acho, inclusive, que lugares-comuns como esse sempre terão espaço no cinema. São retratos da vida e das relações entre as pessoas. Só precisa ser criativo e encontrar um formato que divirta e toque o coração ao mesmo tempo. É aqui que se corre o risco de pastelão novelesco.

Mas com Bill Murray isso é meio difícil – ele consegue ser cômido e trágico ao mesmo tempo. Seu personagem Vincent é mal humorado e ranzinza, está sempre emburrado, é grosseiro e oportunista. Seu único momento de delicadeza é quando faz visitas à casa de repouso. Fora isso, vive resmungando. Inclusive quando Maggie (Melissa McCarthy) muda-se com o filho para a casa ao lado. Recém-separada, aceita a ajuda de Vincent para olhar seu filho Oliver enquanto não chega do trabalho. Da relação improvável e truncada, surge o reconhecimento e a amizade – vínculo cultivado naturalmente, capaz de amolecer até o mais duro veterano de guerra.

Um Santo Vizinho foi indicado para o Globo de Ouro de melhor filme comédia, mas perdeu para O Grande Hotel Budapeste. Gosto do mix de amargura de Murray, com a graça de Melissa McCarthy – sem que ela precisa plantar bananeira e fazer caras e bocas estilo pastelão – e a sinceridade do menino Oliver, na pele do ótimo Jaeden Lieberher. Naomi Watts entra com o clichê nos modos e na linguagem. Mas tudo bem, não está nela o maior holofote.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Theodore Melfi ELENCO: Bill Murray, Melissa McCarthy, Naomi Watts, Jaeden Lieberher | 2014 (102 min)

 

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SNIPER AMERICANO – American Sniper
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Biografia, Ação - 19/02/2015

O elenco é ótimo; o tema, atual e interessante; a edição, o som e o roteiro adaptado, caprichados – e tudo isso concorre ao Oscar no dia 22. Mas o que realmente salta aos olhos e faz a gente ficar boquiaberto diante do franco-atirador (ou atirador de elite) é o olhar por trás das câmeras. Aos 84 anos, Clint Eastwood é impecável (veja aqui lista de filmes do diretor).

Você pode até achar que é mais um filme de guerra. Não é. Corações de Ferro, em cartaz com Brad Pitt, até se encaixa nessa prateleira. Mas Sniper Americano é diferente. Há quem diga que se trata de mais uma produção ufanista, mais uma supervalorização do soldado americano como o salvador da pátria – e do mundo. Mas não acho que seja um filme-propaganda – mesmo porque não fomos salvos, os ataques terroristas continuam acontecendo e quem vai para a guerra volta mais destruído do que se poderia imaginar.

Bradley Cooper faz o seu melhor papel na pele de Chris Kyle, o ex-caubói que, ao ver as Torres Gêmeas despencarem em 2001, alista-se no exército e é escalado para o treinamento do batalhão especial SEAL – soldados treinados para agir por mar, terra e ar. Destaca-se na pontaria e vai para o front no Iraque (sim, deveria ser Afeganistão, por causa do 11 de setembro, mas não vamos discutir com Eastwood). Já casado e pai de dois filhos, vive os horrores da guerra e da responsabilidade de decidir matar quem quer que colocasse a vida dos soldados americanos em risco. Mesmo que esse alguém fosse uma criança.

Kyle é  considerado um herói e um grande atirador (responsável por 160 mortes), mas paga um preço alto por isso. Casado e pai de dois filhos, vive atormentado com a guerra, que deixa difíceis sequelas. Embora tenha o viés do heroísmo americano, Sniper é um filme de combates: interno, quando ele decide enfrentar suas memórias, ajudar os veteranos e assim curar suas feridas; e externo, nas emboscadas, nas cidades cobertas por tempestades de areia e na morte dos amigos. O clima é tenso, emocionante e real. Taya Kyle que o diga.

DIREÇÃO: Clint Eastwood ROTEIRO: Jason Hall, Chris Kyle ELENCO: Bradley Cooper, Sienna Miller, Kyle Gallner, Cole Konis, Ben Reed, | 2014 (132min)

 

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CLINT EASTWOOD NA DIREÇÃO
CLASSIFICAÇÃO: Estados Unidos, Especial, Especiais - 19/02/2015

Diversidade é o que não falta na carreira do ator, diretor e produtor Clint Eastwood, no auge dos seus 84 anos. Veja a sugestão de filmes dirigidos por ele e bom garimpo!

Sniper Americano, 2014

Jersey Boys: Em Busca da Música, 2014

Gran Torino, 2008

J. Edgar, 2011

Além da Vida, 2010

Invictus, 2009

A Troca, 2008

 A Conquista da Honra, 2006

Cartas de Iwo Jima, 2006

Sobre Meninos e Lobos, 2003

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ROAD MOVIES QUE VALEM A VIAGEM!
CLASSIFICAÇÃO: Lista - 19/02/2015

Faça uma viagem que valha a pena! Alguns road movies são memoráveis, como Pequena Miss Sunshine (foto). A estrela do filme, Abigail Breslin, seguiu carreira e está também em Uma Prova de Amor, Noite de Ano Novo, Chamada de Emergência e Álbum de Família.

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CAPOTE
CLASSIFICAÇÃO: Para Sentir Medo, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Biografia - 12/02/2015

Nestes tempos em que são produzidas muitas biografias no cinema (me pergunto se essa é uma tendência ou simples acaso), lembrei-me de rever Capote, já que Foxcatcher, em cartaz, é do mesmo diretor, Bennett Miller. Lembro-me de que quando vi Capote pela primeira vez, fui atraída pelo estilo do texto desse excêntrico escritor americano. Adoro sua maneira de colocar as ideias no papel, o chamado jornalismo literário, ou New Journalism. Aqui, o autor não é mais ausente, invisível. Ele participa da narrativa, dá sua opinião, transmite seus sentimentos e usa suas ferramentas literárias de linguagem e narrativa para contar uma história real.

Tem-se a impressão de estar diante de uma obra de ficção, mas não. A partir de um acontecimento específico, Truman Capote entra na história, acompanha os fatos em tempo real e espera pelo desfecho para, então, finalizar a sua versão da história. Não há fatos inventados, mas sim o claro olhar do escritor, que assume sua faceta jornalística e transcreve sua vivência para o papel. Foi assim que Capote fica famoso, em 1966. A procura de uma boa história para contar, fica fascinado por um trágico assassinato no Kansas. Uma família inteira é morta sem razão aparente. Capote acompanha desde a prisão dos suspeitos até o julgamento anos depois. Demora quatro anos para escrever A Sangue Frio e depois disso não publica mais nada.

Além da história do assassinato ser inacreditável, o produto final de Capote é um marco na literatura e no jornalismo. Surgem as reportagens com olhares pessoais, o que passa a ser um alento em meio a tantas matérias frias e sem personalidade. Mas nada disso teria graça, nem brilho se Capote fosse representado por alguém menos talentoso e versátil do que Philip Seymour Hoffman (também em O Homem Mais Procurado, Dúvida), premiado com o Oscar de melhor ator pelo papel. É espetacular. Além da reconstrução de época, Hoffman encarna Capote em toda a sua esquisitice, sua personalidade única e seu fascínio pelas pessoas que conhece e pelos personagens que constrói em seu livro. Ele passa a ser personagem de sua própria obra e é modificado por ela. Talvez essa seja a essência do jornalismo de autor (outro codinome para o gênero): a fusão do criador e da criatura.

DIREÇÃO: Bennett Miller ROTEIRO: Dan Futterman, Gerald Clarke (livro) ELENCO: Philip Seymour Hoffman, Clifton Collins Jr., Catherine Keener | 2005 (114 min)

 

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CINQUENTA TONS DE CINZA – Fifty Shades of Gray
50 Tons de Cinza: para mulheres!
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 12/02/2015

Acabei de assistir à série britânica The Fall (bom suspense, por sinal) e foi a primeira vez que me deparei como ator Jamie Dornan. Era dele o papel de protagonista e serial killer – um psicopata cruel e enigmático, de poucas falas e muitos olhares. Parece que este tipo de personagem excêntrico se encaixa bem na figura do ator inglês. O bilionário Christian Grey não é um assassino, mas segue na linha das poucas palavras e muitos, muitos gestos e olhares. Deve ter sido escolhido por isso.

E também porque vai arrebatar a plateia feminina. Que fique bem claro: o filme é para mulheres, assim como o livro de E.L. James, que vendeu mais de 100 milhões de exemplares mundo afora. A tão esperada estreia da adaptação para o cinema do primeiro livro da trilogia best seller Cinquenta Tons de Cinza precisava contar com alguém que deixasse a mulherada de queixo caído. Claro que gosto não se discute mas, tentando ser neutra (só tentando…), eu diria que o Grey do cinema tem charme justamente porque não sabemos o que passa na sua cabeça. É controlador, obcecado e muito objetivo. Não topa romance, quer dominar tudo e todos. Nesse quisito, Dornan parece deixar uma aura de mistério no ar, adequada para o tipo de relacionamento que ele passa a ter com a estudante Anastasia, uma moça desastrada e sem qualquer malícia.

Temos um cenário de Cinderela – e é por isso que a trilogia agradou tanta gente. Ele é poderoso, rico, bonito, charmoso, sedutor e solteiro (!); ela é linda, espontânea, ingênua, estilo intelectual-a-espera-do-príncipe e virgem(!). Estão dizendo por aí que o filme não passa de um mommy porn – pornografia dentro dos limites aceitáveis, com um certo ar bem comportado, tudo dentro da zona de conforto que não entrega o que o livro promete em termos de sexo (ora, por que teria que ser explícito?). Seja como for, Cinquenta Tons se saiu melhor do que eu imaginava: o bonito casal tem liga, conta uma história improvável e cheia de itens de um contos de fadas moderninho como helicópteros, aviões, luxo e solidão, e é alimentado por uma paixão que surge para quebrar todas as barreiras. É verdade que o contrato entre Ana e Christian não tem a tensão genuína que surge entre Demi Moore e Robert Redford em Proposta Indecente (1993), mas consegue tirar algumas risadas do espectador que, sinceramente, acho que caem até bem no contexto do filme.

 

DIREÇÃO: Sam Taylor-Johnson ROTEIRO: Kelly Marcel, E.L. James (livro) ELENCO: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Luke Grimes, Jennifer Ehle, Eloise Mumford, Victor Rasuk | 2015 (124 min)

 

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