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janeiro, 2015

OSCAR 2015 EM CARTAZ NOS CINEMAS
CLASSIFICAÇÃO: Lista - 29/01/2015

Estamos ficando cada vez mais atualizados com os lançamentos mundiais. Hoje, o Brasil praticamente acompanha em tempo real as estreias dos filmes que são premiados no Globo de Ouro, no Oscar e em outras premiações mundo afora. Resultado disso é que temos, no momento, nada mais, nada menos do que 10 filmes  indicados ao Oscar em cartaz, pra você se deliciar, fazer as apostas e assistir de acordo com seu estado de espírito!

A lista completa dos indicados está em outro post do blog. Para saber mais, clique aqui: Quem disputa o Oscar 2015.

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A TEORIA DE TUDO – The Theory of Everything
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama, Biografia - 29/01/2015

Lembro bem quando me deparei com o nome Stephen Hawking por causa do lançamento de seu livro Uma Breve História do Tempo. Era fim dos anos 1980 e chegava aqui, e em todo o mundo, a imagem do brilhante cientista que tinha revolucionado a teoria da criação do universo e escrito o tal livro, embora já estivesse preso a uma cadeira de rodas, imobilizado pela doença degenerativa ELA (esclerose lateral amiotrófica). A imagem frágil do cosmólogo e físico britânico se contrastava com a força da sua presença e da sua vontade de viver.

Histórias assim rendem bons filmes, porque o roteiro em si já está pronto. No caso de Hawking, sua trajetória é contada com base no livro escrito por sua ex-mulher Jane, figura fundamental na sua luta pela sobrevivência. A escolha do diretor foi fazer um filme linear, seguindo a ordem cronológica dos acontecimentos, desde quando Stephen desenvolve seu doutorado em Cambridge, conhece a estudante de literatura Jane, apaixona-se por ela e ela por ele (apesar de suas esquisitices) e a doença se apresenta com prognóstico terrível: só dois anos de vida. Fato é que Hawking surpreende aos médicos e a si mesmo, sobrevive, tem três filhos e está vivo e atuante até hoje.

A Teoria de Tudo tem um bom equilíbrio, considerando a dificuldade de retratar vidas tão complexas e espetaculares como esta. Quem não se lembra do filme Jobs, sobre o gênio criado da Apple. Um fracasso, embora sua vida transcenda o extraordinário. Aqui poderia ter sido igual, confiando que o roteiro já traçado pelo protagonista desse conta sozinho do recado. Não dá. O olhar do diretor e sua equipe é fundamental para a construção de personagens críveis, à altura do que são na realidade.

Já assisti duas vezes e em ambas vi muita gente se emocionar. É para ver em família e levar filhos adolescentes, por que não? Afinal, o que temos na tela é um exemplo de superação e de senso de humor, sem deixar de pontuar as dificuldades de relacionamento que encontra pelo caminho como qualquer ser humano. Afinal, Stephen ficou paralisado ainda jovem, mas seu raciocínio e percepção do mundo estão intactos. Continua vivo e não se sentir vítima da doença é o que o mantém vivo. Rende boa conversa depois da sessão de cinema.

A Teoria de Tudo concorre a cinco prêmios no Oscar, inclusive melhor filme, ator para Eddie Redmayne (que já levou o Globo de Ouro), atriz para Felicity Jones e roteiro adaptado.

 

DIREÇÃO: James Marsh ROTEIRO: Anthony McCarten, Jane Hawking ELENCO: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Tom Prior, Harry Lloyd, Simon McBurney | 2014 (123 min)

 

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CÁSSIA ELLER
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Documentário, Brasil, Biografia - 29/01/2015

Diante de tantas boas estreias nas premiações do começo do ano, resolvi prestigiar um lançamento do cinema brasileiro que vem nos presenteando com ótimos filmes sobre talentos nacionais. Não são poucos os jovens cantores que o Brasil perdeu e já são várias as produções que nos trazem de volta parte desse repertório cultural que faz parte de nossas vidas. Foi assim com Tim Maia (Tim Maia – Não Há Nada Igual), Renato Russo (Somos Tão Jovens e Faroeste Caboclo), Gonzaga e Gonzaguinha (Gonzaga – De Pai pra Filho), Raul Seixas (Raul – O Início, o Fim e o Meio) e Cazuza. Agora, Cássia Eller. Em toda a sua intensidade.

Com sua voz inconfundível e a capacidade única de interpretar canções e se transformar no palco, Cássia é descrita pelos amigos, familiares e por ela mesma como tímida. São inúmeros os depoimentos, com destaque para os amigos Nando Reis e Zélia Duncan. Além de repassar inúmeras e lindas canções, o documentário traz bastante a questão da gravidez de Cássia e da luta pela guarda de seu filho Francisco por Maria Eugênia Vieira Martins, companheira de Cássia por 14 anos – que foi uma decisão inédita da justiça brasileira.

Cássia morreu jovem, aos 39, no auge da carreira, em 2001. E justamente no ano em que se consagrava como grande talento da música brasileira com seu acústico da MTV e sua participação no Rock in Rio. Com muito material inédito, Fontenelle consegue mostrar a Cássia artista e criadora, mas também mostra seu lado pessoal mais íntimo, suas amizades e escolhas. O laudo do IML diz que a cantora morreu de ataque cardíaco. Se foi por uso de drogas e álcool não interessa mais à essa altura do campeonato. Nada vai conseguir mudar o que ficou, como diz seu grande sucesso “Por Enquanto”. Sua obra está aí e vale seu ingresso pra ouvir suas músicas na telona.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Paulo Henrique Fontenelle ELENCO: Cássia Eller, Nando Reis, Zélia Duncan, Luiz Melodia, Milton Nascimento, Francisco Eller | 2015 (120 min)

 

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BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA) – Birdman
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 28/01/2015

Subtítulos como este nem merecem ser comentados. Aliás, não sei nem o que significa. Portanto, já digo de cara para você não esquentar a cabeça: não fique tentando entender o que ele quer dizer. Considere somente Birdman – que é auto-explicativo e totalmente suficiente – além de estar carregado de significados que fazem toda a diferença neste filme e que o tornam tão especial.

Assisti a Birdman antes de Michael Keaton, o ex-Batman (e ex-Birdman), ser premiado com o Globo de Ouro de melhor ator. E o mais legal é que assisti sem ler nada sobre ele, sem saber a história, só guiada pelo ótimo elenco. Não é de se jogar fora um time do quilate do ex-Batman, Emma Stone, Naomi Watts, Zach Galifianakis, Edward Norton, todos dirigidos por nada mais, nada menos que o cineasta Alejandro González Iñárritu, de filmes excelentes como Babel, Amores Brutos, Buitiful, 21 Gramas. Entei no cinema. E você também deve entrar.

O enredo gira em torno do personagem de Keaton, um ator veterano, famoso por seu papel como Birdman quando era mais jovem. Agora longe dos holofotes de Hollywood, da fama e do dinheiro, procura seu lugar ao sol no cruel e seleto time de atores prestigiados da Broadway. Junto com a perda do sucesso vêm problemas familiares, financeiros, emocionais e tudo mais que a gente sabe que chega à medida que a fama fica no passado. Curioso ter outro filme sobre o tema da fama-que-acaba, encenado por Al Pacino (O Último Ato, ainda sem data de estreia). O assunto está bem em voga.

Apesar das cenas engraçadas – eu diria que são, na verdade, tragicômicas – é rir pra não chorar. Inserido na categoria de comédia, eu diria que é um drama e tanto. Cheio de detalhes sobre relacionamentos e todas as dificuldades que giram em torno dessa palavra-chave, Birdman é uma reflexão superinteligente sobre nossas escolhas involuntárias e preguiçosas, quando a vida parece ter destino certo. Não tem. O jogo vira, a farra acaba. É preciso ter muita cautela.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Alejandro González Iñárritu ELENCO: Michael Keaton, Emma Stone, Naomi Watts, Zach Galifianakis, Edward Norton, Andrea Risenborough, Amy Ryan | 2014 (119 min)

 

 

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FOXCATCHER – UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO – Foxcatcher
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 28/01/2015

Assim como em CapoteO Homem Que Mudou o Jogo, Foxcatcher é baseado em fatos reais. Todos obra do diretor Bennet Miller. Revi Capote recentemente e Philip Seymour Hoffman é de uma presença impressionante. Gostei ainda mais do filme. Também aqui, os personagens têm essa força e uma áurea de mistério. De novo, dispensaria o subtítulo, mesmo porque não sei se o mundo ficou chocado com o que aconteceu nos jardins da mansão do herdeiro du Pont. Dispensaria porque Foxcatcher é o fio condutor da narrativa, fio esse que vamos conhecer logo no começo do filme. Portanto, prescinde de maiores explicações – custo a entender essa necessidade comercial de explicar o inexplicável. Nivela o espectador por baixo.

Mas, voltemos ao filme. Milionário excêntrico e paranóico, John du Pont monta um centro de treinamento chamado Team Foxcatcher, na Pensilvânia, voltado para a preparação de atletas de luta greco-romana para as Olimpíadas de 1988. Solitário e esquisito, du Pont convida o medalista olímpico e campeão mundial Mark Schultz para fazer parte da sua equipe e liderar o time. Seduzido por uma perspectiva melhor de vida e mais dinheiro – antes reduzida aos treinos com seu irmão David, também atleta olímpico e seu verdadeiro incentivador no esporte – Mark se muda para a propriedade de du Pont, passa a manter com ele uma relação de pai e filho, até que alterações de comportamento denotam que há algo estranho nesse reino.

Na pele de Steve Carrel, du Pont é retrato com primor e, de fato, o ator está quase irreconhecível debaixo da maquiagem e da voz pausada e um tanto quanto esquizofrênica. Mas eu confesso que quem mais me impressionou enquanto ator e personagem é Mark Ruffalo – e me custou um tempo até identificá-lo realmente. A forma de falar, a construção do personagem centrado, calmo, focado na família e no esporte, afetivo com o irmão está perfeito na pele de Ruffalo e contrasta bastante bem com o caráter mais seco e perdido de Tatum. O trio é quem conduz a trama e o drama que se planta entre eles.

Eu não conhecia a história desse sujeito paranóico e esquisito, por isso deixo os detalhes para você descobrir no filme. Se já sabe, então tanto faz. A surpresa vai se dar pela história em si. Se não sabe, garanto que fica tudo ainda mais interessante. Foxcatcher concorre a cinco prêmios no Oscar – mas acho que não ganha – e o diretor venceu em Cannes.

DIREÇÃO: Bennett Miller ROTEIRO: E. MAx Frey, Dan Futterman ELENCO: Steve Carell, Mark Ruffalo, Channing Tatum | 2014 (134 min)

 

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ANTES DE DORMIR – Before I Go to Sleep
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Inglaterra, Garimpo na Locadora - 28/01/2015

Não é dos suspenses de tirar o fôlego, mas confesso que achei instigante. Logo de cara percebemos que algo está fora do lugar, que as coisas não são o que parecem ser, mas só vamos descobrir o que não se encaixa bem no desfecho. Não tem nada óvbio, nem evidente, apenas desconfianças – e isso é bom. O casal Nicole Kidman e Colin Firth repete a parceria de Uma Longa Viagem e voltará a atuar em Genius, ainda em filmagem.

E eles, de fato, têm liga. Christine (Nicole) sofre de amésia e todos os dias de manhã precisa ser lembrado por seu marido Ben (Firth) onde está, quem é e por que não consegue se lembrar de nada. Através de um painel de fotos do casamento, de viagens e outras situações vividas pelo casal, Christine se situa e vive mais um dia confuso. Mas algo não se encaixa e a gente, do lado de cá da tela, sente um leve mistério no ar.

Claro que paro por aqui para não ser estraga-prazer. O trailer dá uma ideia do clima do filme, mas tudo começa a ficar mais estranho e instigante quando Christine vai fazer terapia com o tal Dr. Nash (Mark Strong). Fique de olho e deixe-se levar pelo filme. É um bom entretenimento e, pelo menos eu, fiquei surpresa com o final.

 

DIREÇÃO: Rowan Joffe ROTEIRO: Rowan Joffe, S.J.Watson ELENCO: Nicole Kidman, Colin Firth, Mark Strong | 2014 (92 min)

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118 DIAS – Rosewater
CLASSIFICAÇÃO: Estados Unidos, Especiais, Biografia - 27/01/2015

PosterN118DiasGael García Bernal está em novo filme que acaba de ter o pôster nacional divulgado (ao lado). 118 Dias é o número de dias que seu personagem, um jornalista iraniano, com cidadania canadense e morador de Londres, é torturado pelos iranianos quando vai à Teerã cobrir as eleições presidenciais e entrevistar Mir-Houssein Mousavi, candidato da oposição.

Assim que o líder Mohamoud Almadinejad é declarado vencedor, a oposição protesta nas ruas da capital. Bahari (Bernal) filma os conflitos e envia as imagens para a BBC, mesmo sabendo que estava correndo sério risco de ser punido pelas autoridades. Baseado na história real do jornalista Maziar Bahari relatada no best-seller “Then They Came for Me: A Family’s Story of Love, Captivity, and Survival”, 118 Dias estreia dia 5 de março. Rosewater, o título em inglês, refere-se a um dos sequestradores, que usava este codinome.

 Outros filmes com o ator que devem ser vistos:

AMORES BRUTOS, de Alejandro González Iñárritu | 2000

DIÁRIOS DE MOTOCICLETA, de Walter Salles | 2004

BABEL, de Alejandro González Iñárritu | 2006

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, Fernando Meirelles | 2008

NO, de Pablo Larraín | 2012

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QUE HORAS ELA VOLTA?, de Anna Muylaert, brilha no Sundance Festival
CLASSIFICAÇÃO: Festivais, Drama, Brasil - 27/01/2015

Editado em 31 de janeiro: Conforme dito abaixo, a aposta se concretizou. Que Horas Ela Volta? deu a Regina Casé e Camila Mardila o prêmio especial do júri de melhor atriz. Agora o filme segue para o Festival de Berlim.

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O novo filme da cineasta brasileira Anna Muylaert é uma das grandes apostas do Sundance Festival. Conta a história de Val (Regina Casé), uma moça que vai de Pernambuco a São Paulo tentar a vida e trabalha como babá durante 13 anos em uma família. Ajuda a criar Fabinho, mas tem de deixar sua filha na sua cidade natal, aos cuidados de parentes. Sente-se culpada, até que a garota resolve encontrar a mãe em São Paulo para prestar Vestibular. Claro que a convivência entre a garota e a família não deve ser alto fácil de lidar.

Anna tem um olhar bem particular sobre os conflitos humanos, principalmente aqueles que acontecem nos pequenos microcosmos das grandes cidades. É dela também Durval Discos e É Proibido Fumar – os dois valem ser vistos e têm comentário aqui no blog.

 

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TIMBUKTU
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Mauritânia, Garimpo na Locadora, Drama - 25/01/2015

Mais atual, impossível. Timbuktu disputou o Oscar de melhor filme estrangeiro com filmes excelentes, como o russo Leviatã, o argentino Relatos Selvagens e o polonês Ida. Mas este filme da desconhecida Mauritânia tem um apelo a mais. Mexe na ferida que não fecha e que inunda os noticiários do mundo todo: o extremismo islâmico.

Vez por outra, o terrorismo chega às capitais do mundo – como aconteceu há semanas em Paris –, mas está presente no dia a dia de inúmeras cidades africanas. Quem não se chocou com a notícia do sequestro de 200 meninas na Nigéria no ano passado e com as cenas de centenas de milhares de refugiados que se aglomeram nas fronteiras tentando sobreviver? O medo se espalha por conta das atrocidades cometidas pelas milícias islâmicas extremistas, que fazem a cruel Guerra Santa. Timbuktu traz isso pra perto, através do olhar humanista do diretor mauritano. Ele elege esse pequeno vilarejo no meio do deserto, cuja população é dominada pela milícia islâmica, que impõe regras e punições radicais como chibatadas, penas de morte por apedrejamento ou fuzilamento. Aliás, uma das cenas mais bonitas do filme é a dos garotos “jogando” futebol. Emociona, tanto pela beleza do olhar, quanto pela profundidade da intolerância humana.

Quem foge à regra é a família de Kidane, que decide permanecer em sua tenda no deserto e manter seus hábitos, apesar das proibições e do cerco cada vez mais fechado dos militantes. Ele vive com a mulher e a filha nos arredores de Timbuktu e é o fio condutor da narrativa, que cresce na beleza fotográfica e na incoerência. Repare o que faz um dos líderes da milícia rebelde, quando larga seu fuzil em um momento de relaxamento; e o que dizem os rebeldes, logo no começo do filme, quando surgem com um ocidental sequestrado e entregam seus remédios ao capataz. A humanidade do filme está na sua capacidade de transmitir toda a ambiguidade do ser humano, sua insensatez e incontrolável desejo pelo poder. Vale muito o seu ingresso.

DIREÇÃO: Abderrahmane Sissako ROTEIRO: Abderrahmane Sissako, Kessen Tall ELENCO: Ibrahim Ahmed, Abel Jafri, Toulou Kiki, Layla Walet Mohamed | 2014 (97 min)

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