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setembro, 2014

MISS VIOLENCE
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Grécia, Garimpo na Locadora, Drama - 26/09/2014

Saí do cinema sentindo ódio. Miss Violence é de uma crueldade ímpar e ninguém – ninguém mesmo, acredite – sai ileso. E só dá para sentir ódio desta maneira quando o filme é bom – bom demais a ponto de fazer a gente entrar na história, ficar absorvido por ela, acreditar que aquilo é possível, que existe gente assim. É muito bom. Mas muito, muito cruel.

Miss Violence é do grego Alexandros Avranas, que venceu o Leão de Prata de direção no Festival de Veneza. Não é para menos. Difícil imprimir a tensão que o diretor consegue dar durante os 98 minutos de filme. Um ambiente familiar sinistro, misterioso, controlador, autoritário, manipulado. Tudo começa quando Angeliki, uma garota de 11 anos faz aniversário e se suicida depois de cantar  parabéns – isso está no trailer, não é novidade. A novidade fica por conta dos minutos seguintes, até o desfecho. Nesse meio tempo, embora a gente saiba que há algo de muito grave, não dá para identificar ao certo. Sábia e sutil, a  linha que o diretor traça.

Tão sutil quando os movimentos manipuladores, quanto as atitudes das pessoas dissimuladas. Por isso o filme é um tapa na cara do espectador e faz parar para refletir na marra. A gente assiste à dinâmica de uma família – que não é propriamente uma família como a conhecemos e imaginamos – em que o patriarca fala, os outros obedecem, e o clima de tensão só faz crescer.

Miss Violence vale seu ingresso, principalmente para quem aprecia um bom filme, bem feito, bem delineado e muito bem estruturado, para quem consegue separar o que é o tema do filme e o que é qualidade cinematográfica. Miss Violence foi exibido na Mostra Internacional de São Paulo de 2013 e muita gente não gostou. Os sentimentos de ódio e repulsa são tão intensos, que afetam o espectador profundamente. É verdade, saí do filme abalada, pensando no complicado que são as relações humanas em relação ao exercício do poder e à paralisia causada pelo medo. Mas é filme muito bom, difícil de ser feito assim, com tanta intensidade, tão repleto de silêncios e tão imparcial.

 

DIREÇÃO: Alexandros Avranas ROTEIRO: Alexandros Avranas, Kostas Peroulis ELENCO: Themis Panou, Reni Pittaki, Eleni Roussinou | 2013 (98 min)

 

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O ÚLTIMO CONCERTO – The Late Quartet
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 26/09/2014

Este filme foi um dos últimos feitos pelo grande ator Philip Seymour Hoffman. Embora seja de 2012, chega agora aos cinemas brasileiros e acho que o assunto vem bem a calhar. Hoffman faleceu em fevereiro deste ano, vítima das drogas, mas principalmente do mal que assola nossa era: a depressão. Vale lembrar que o cinema também perdeu recentemente o grande Robin Williams, para o mesmo mal.

Por isso falar de O Último Concerto fica ainda mais interessante. Não fala diretamente da depressão, mas da dificuldade das relações humanas, da insana busca pelo sucesso, da incessante busca pela satisfação profissional em detrimento da família, do outro e de si próprio. É aquela velha-nova história da busca eterna por ser aquela pessoa que a sociedade espera que sejamos.

É aqui o ponto de partida para a infelicidade, o desentendimento, a frustração, o desânimo, a depressão. Este filme, estrelado por Hoffman e por outra atriz que gosto muito, Catherine Keener (também em Capitão Philips, À Procura do Amor, Mesmo Se Nada Der Certo), tem um elenco forte e intenso, assim como é a relação do quarteto de cordas que toca há 25 anos juntos. Suas vidas se confundem com a música e ambas são ameaçadas quando o violoncelista, alicerce do grupo, tem que se afastar.

A música sofre um revés, assim como a estabilidade – ou seria acomodação? – de suas relações fica na corda bamba. Com a música clássica de fundo, O Último Concerto faz pensar nessas dificuldades que a vida nos coloca, como se nos testasse diante do mal do século. Deixar sair a emoção e virar a mesa, ou baixar a cabeça e sucumbir ao caminho dolorido da angústia e da frustração? Vale seu ingresso e vale uma reflexão. Se for regado de boa música, melhor ainda.

 

DIREÇÃO: Yaron Zilberman ROTEIRO: Seth Grossman, Yaron Zilberman ELENCO: Philip Seymour Hoffman, Christipher Walken, Catherine Keener, Mark Ivanir, Imogen Poots | 2012 (105 min)

 

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PAIS E FILHOS – Soshite Chichi Ni Naru | Like Father, Like Son
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão, Garimpo na Locadora, Drama - 23/09/2014

O Filho do Outro, de Lorraine Levy, conta uma história parecida. Enquanto esse filme israelense marca o extremo da intolerância presenteando duas famílias, uma palestina e outra israelense, com a notícia de que seus filhos foram trocados na maternidade, este japonês não trabalha nessa envergadura, mas põe em cheque a capacidade – e vontade – de duas famílias de classes sociais e dinâmicas diferentes de se relacionarem. Dois bebês são trocados na maternidade e seus pais têm que pensar o que fazer com a nova realidade.

Sensível e tocante, Pais e Filhos é do mesmo diretor do bonito O Que Eu Mais Desejo. Mas agora ele se supera, na sensível construção de duas famílias distintas, que precisam achar uma maneira de conviver já que os filhos estão em casas trocadas. Uma das famílias tem uma relação fria com o filho único, um pai que coloca o trabalho em primeiro lugar e vive em um mundo onde aparentemente tudo é perfeito, daqueles bem engessados; a outra família é mais simples, tem menos dinheiro, mas tem mais filhos, interação e visivelmente é mais feliz. É um retrato interessante do despojamento contra a rigidez, da flexibilidade contra a intolerância a mudanças. Uma metáfora bonita do que realmente somos, versus aquilo que a sociedade espera que seja exibido.

Pais e Filhos levou o Prêmio do Júri em Cannes, foi nomeado para a Palma de Ouro e levou muitos outros mundo afora. É muito sugestivo mesmo. Rende conversa, faz refletir e mais, faz dar a devida importância às coisas e relações da vida. Diante de tanto poder regendo nossas vidas, fica muitas vezes difícil encontrar o caminho do meio. Com o toque oriental, fica ainda mais interessante.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hirokazu Koreeda ELENCO: Masaharu Fukuyama, Machiko Ono, Yôko Maki, Rirî Furankî | 2013 (121 min)

 

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UM MILHÃO DE MANEIRAS DE PEGAR NA PISTOLA – A Million Ways to Die in the West
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Aventura - 18/09/2014

Escrevo só para constar – já que assisti ao filme. O duro é encontrar o que dizer sobre algo que se pretende comédia, e não faz rir. Nem uma vez. Do mesmo diretor de Ted, agora Seth MacFarlane é também protagonista. Ted até que é engraçado, muito embora tenha deixado claro que não é, de forma alguma, comédia para crianças. Este também não, por dois simples motivos: é sem graça, chata e bem apelativa.

Quem for se aventurar nesta boba aventura no velho oeste americano, que tenha boa sorte. Eu passo. Não vale seu ingresso, nem mesmo seu tempo para assistir em casa. Só de pensar neste título já me dá uma imensa preguiça de sentar para registrar o filme, escolher imagens, editar e tudo mais. Mas vale a pena pelo alerta – depois não diga que eu não avise!

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Seth MacFarlane ELENCO: Seth MacFarlane, Charlize Theron, Liam Neeson | 2014 (116 min)

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MAZE RUNNER – CORRER OU MORRER – The Maze Runner
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Ficção Científica, Estados Unidos, Aventura, Ação - 18/09/2014

É verdade que parece um tema déjà vu. Já assistimos à série Jogos Vorazes e Divergente, em que o presente como o conhecemos foi devastado e a única forma de futuro possível é dentro de muros supostamente de proteção. Os humanos restantes lutam para sobreviver a um mundo hostil, dividido por classes, de acordo com critérios quaisquer. Também é curioso que todos eles são adaptações de trilogias literárias – como se faltasse criatividade aos diretores. Ou talvez eles pensem – com certa razão financeira – que é melhor garantir o sucesso nas telas com algo que, sabidamente, faz sucesso na milionária fatia consumidora que são os jovens.

E mais: é – e sempre será – uma faixa etária consumista de aventura. Em abundância. Querem transgredir, alçar vôos, se lançar no desconhecido. Confesso que fiquei entretida e absorvida pela trama de Maze Runner, que melhor seria se tivesse um título ligado ao grande protagonista do filme: o labirinto – que não deixa de ser uma grande metáfora da vida, da passagem para a vida adulta e tudo mais que você queira imaginar. Algo como Corrida no Labirinto? Ou simplesmente: Labirinto. Gosto mais, porque o subtítulo Correr ou Morrer só fala da única coisa que já se sabe ao assistir ao trailer: garotos são levados a uma clareira de forma misteriosa, por uma razão ainda mais nebulosa e poucos conseguem sobreviver à sinistra “corrida” no gigantesco labirinto que a circunda. Vivem presos e, logicamente, como sempre acontece com um grupo que vive enclausurado, há líderes, subalternos, luta por poder, ordens cumpridas e muitas, mas muitas desavenças.

Para quem leu a trilogia, é claro que parte do suspense não existe. Sim, porque fica muita coisa no ar, o paradeiro dos garotos não se explica. Pelo contrário, fica ainda mais confuso e deixa, é verdade, uma boa dose de curiosidade no ar. Por que os adolescentes vão parar na clareira é o grande mistério e instiga bem a assistir à sequência. É uma boa aventura. No mínimo bem feito e com bom desfecho que não fecha nada. Ou seja, uma boa jogada comercial para um formato que faz sim sucesso entre os adolescentes – e entre aqueles não tão jovens assim que se deixam envolver por uma bacana ficção científica!

DIREÇÃO: Wes Ball ROTEIRO: Noah Oppenheim, Grant Pierce Myers, James Dashner ELENCO: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario, Will Poulter, Thomas Brodie-Sangster | 2014 (113 min)

 

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QUEM VAI REPRESENTAR O BRASIL NO OSCAR 2015?
CLASSIFICAÇÃO: Especiais, Brasil - 18/09/2014

Foi escolhido meu favorito: HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO, de Daniel Ribeiro, foi escolhido para representar o Brasil no Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015. A lista era grande, mas eu torcia para que ele fosse o eleito. Lembrem-se de que cada país manda um selecionado e a Academia escolhe os cinco que irão de fato concorrer ao prêmio. Mas estamos bem representados.

Para quem gosta de cinema nacional – e para quem não conhece e diz que não gosta – aqui vai a lista dos que estavam no páreo. Temos boa produção sim! E mais: temos muita coisa boa fora do contexto das comédias pastelões. Este filme é prova disso. Bom garimpo!

1. A Grande Vitória

2. A Oeste do Fim do Mundo

3. Amazônia

4. Dominguinhos

5. Entre Nós

6. Exercício do Caos

7. Getúlio

8. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

9. Jogo de Xadrez

10. Minhocas

11. Não Pare na Pista: a melhor história de Paulo Coelho

12. O Homem das Multidões

13. O Lobo Atrás da Porta

14. O Menino e o Mundo

15. O Menino no Espelho

16. Praia do Futuro

17. Serra Pelada

18. Tatuagem

 

 

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MESMO SE NADA DER CERTO – Begin Again
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia Romântica - 18/09/2014

O título original de Mesmo Se Nada Der Certo é Begin Again. Teria sido boa, a tradução literal. O movimento de “começar de novo” é o cerne deste lindo, singelo e melódico filme. De novo, o diretor John Carney acerta na mão. É direção dele também o pequeno grande Apenas uma Vez, que tem uma história particular de dois músicos que se conhecem, cantam juntos e encantam. Até hoje ouço a trilha deste filme, que inclusive levou o Oscar de melhor canção original em 2008.

Seguimos na mesma toada musical – despretensiosa, harmoniosa, emocionante. Uma homenagem aos músicos que se apresentam na rua, que fazem da cidade o palco, e o cidadão, seu mais precioso espectador. E faz ainda uma oposição interessante, com a música comercial coordenada pelos estúdios, aquela que muitas vezes não tem alma, é engessada, mas tem o retorno do dinheiro.

Mesmo Se Nada Der Certo fala desse contraponto de uma maneira muito simples – e difícil de ser traduzida na tela. Keira Knightley é Greta, uma compositora talentosa e sensível, que namora Dave (Adam Levine) um cantor, que fica famoso, consegue um contrato importante com uma grande gravadora e sai pelo país em turnê. Deixa Greta para trás, que por acaso se depara com Dan (Mark Ruffalo, sempre ótimo), um produtor musical numa péssima fase de vida, que ainda aposta que encontrar um talento nato é a chave para fazer sucesso profissional novamente.

Dan é do tipo que acredita que a música tem que vir da alma; Greta não quer vender seu talento para o mercado comercial. O resultado é um delicioso passeio pelas ruas de Nova York, com banda tocando ao ar livre, improviso e descontração. E a certeza de que sempre é tempo de começar outra vez. Se nada der certo, é um bom pretexto para se reinventar e partir pra outra. Na verdade, agora que percebi que um título completa o outro.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: John Carney ELENCO: Keira Knightley, Marco Ruffalo, Haille Steinfeld, Adam Levine, James Corden, Yasiin Bey, Cello Green, Catherine Keener | 2013 (104 min)

 

 

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A PEDRA DE PACIÊNCIA – Syngué Sabour, Pierre de Pacience
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Afeganistão - 17/09/2014

Quem quiser fugir do lugar comum e assistir a algo que realmente está fora do nosso alcance cultural, A Pedra de Paciência vai direto nesse ponto. No ponto do desconhecido, do inaceitável, do incompreensível. Muito se tem falado (mas não o suficiente) sobre a condição da mulher afegã nas sociedades fechadas, machistas, tradicionalistas e extremamente radicais. Em que os casamentos são arranjados, em que a mulher veste burca, em que maridos, irmãos e pais coordenam sua vida como mercadorias. É o que são. Mercadorias, manipuladas em meio à guerrilha que nunca termina.

Sobre o Afeganistão, vale ver também A Caminho de Kandahar, Às Cinco da Tarde e Wajma. Dão apenas uma ideia do que deve se a vida das mulheres neste lugar. A Pedra de Paciência tem um toque poético dramático, reúne todas as mazelas em uma só personagem e ninguém sai do filme ileso. A bela protagonista (Golshifteh Farahani, também de Procurando Elly) é uma dona de casa, que foi obrigada a casar com um homem bem mais velho ainda adolescente. Herói da guerra jihadista, é ferido no pescoço e fica em coma. Embora nunca tenha tido relação de amor e afeto com ele, opta por não abandoná-lo, embora a vila esteja em guerra.

Com o marido em coma, a esposa tem que ser reinventar para sustentar as filhas e seu contato com alguém que já não manda mais nela, permite que ela fale sobre ela, seu passado, suas decisões, medos e prazeres. Ficamos sabendo, ao mesmo tempo que o marido, de coisas jamais sonhadas nesse mundo muçulmano extremista. A Pedra de Paciência é uma metáfora ao exercício da fala e da escuta da palavra, do diálogo – ou monólogo. Feminino e humanista ao mesmo tempo, faz parar para pensar e emociona. Também porque é real e filmado com uma veracidade de sentimentos e linguagem impressionantes.

 

DIREÇÃO: Atiz Rahimi ROTEIRO: Jean-Claude Carrière, Atiq Rahimi ELENCO: Golshifteh Farahani, Hamid Djavadan, Hassina Burgan |2012 (102 min)

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