cinegarimpo

julho, 2014

COMO SERIA O SEU FIM DO MUNDO?
CLASSIFICAÇÃO: Para Sentir Medo, Lista, Ficção Científica - 29/07/2014

O cinema se farta e não se contenta em retratar o fim do mundo. Planeta dos Macacos – O Confronto (foto) foi o campeão de bilheteriras nessa primeira semana de exibição, com mais de 1 milhão de espectadores! Já que é apocalipse o que as pessoas querem ver, fizemos uma lista de filmes sobre o tema. E pra você, como seria o seu fim do mundo?

 

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TEATRO – A ALMA IMORAL
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Notícias, Dicas Afins, Brasil - 28/07/2014

Eis abaixo meu comentário sobre a primeira vez que assisti à peça A Alma Imoral. Agora lancei mão do meu segundo recurso (o primeiro foi ler o livro) para entender e incorporar tudo aquilo que a atriz Clarice Niskier diz em seu monólogo: assisti novamente. Gostei ainda mais. Não tem como não gostar, não se divertir e não sair com reflexões mil sobre o comportamento humano.

Não perca. Ela fica ainda mais intimista e especial no pequeno e aconchegante teatro da Livraria Cultura no Conjunto Nacional. Embora a peça tenha estreado em 2008 e garanta sempre a casa lotada, nunca se sabe quando a fonte filosófica de Clarice – que declama o texto de Bonder com impressionante entrega – vai secar.

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Assisti a A Alma Imoral bem no final da sua temporada paulistana de 2010. Resolvi não publicar um texto sobre a peça, porque você já não teria acesso a ela. Foi inclusive na mesma época em que assisti ao filme Pecado da Carne – que toca em vários pontos importantes da cultura judaica, assim como o texto do rabino Nilton Bonder nesta peça e em livro homônimo. O filme já está disponível em DVD e a montagem teatral voltou ao palco de São Paulo. Portanto, vou abrir uma exceção no Cine Garimpo e dar uma dica sem que ela esteja vinculada ao filme anterior. A Alma Imoral merece essa deferência.

Se alguém torcer o nariz e perguntar se A Alma Imoral é aquela peça da moça que fica nua no palco, diga que sim, com toda a certeza. Na época, recomendei a peça a diversas pessoas e ouvi esse tipo de comentário. E foi graças a ele que entendi a complexidade da proposta do rabino. A atriz Clarice Niskier fica nua sim, porque se despe das tradições, dos preconceitos, da religião, da sociedade para mostrar a alma desprovida da moralidade imposta pelo convívio, pelos costumes e pelas expectativas do mundo em que vivemos. Ela se cobre somente com um manto preto porque precisa tirar a roupa, as palavras, os conceitos de certo e errado que moldam e engessam a alma intuitiva, impulsiva, natural, transgressora que todos nós temos. E é graças a esse fundamental simbolismo da produção da peça que conseguimos entender a alma como imoral (ou melhor, não-moral): aquela que questiona e critica a moral do corpo, o status quo, o establishment.

Mas a proposta é muito mais interessante e inusitada que isso – inclusive no seu formato. O monólogo da atriz é interativo: ela compartilha com a plateia a dificuldade de acompanhar o raciocínio, de entender onde se encaixa a cultura judaica nesse conceito de corpo moral e alma imoral, e traz leveza quando nos dá a oportunidade de ouvir de novo alguma parte do texto. Portanto, não se acanhe. Se você disser em que parte ficou na dúvida, Clarice Niskier repete esse trecho.

A Alma Imoral é um espetáculo denso, cheio de conceitos novos, de humor e de passagens construídas com muita inteligência. Imperdível para quem gosta de fazer associações, de conhecer culturas diferentes e outras formas de expressão. Impossível sair com todas as questões abordadas na cabeça. Diante disso, temos duas opções: ler o livro (que é uma referência interessantíssima e mais detalhada sobre o raciocínio de Bonder) ou ir ao teatro mais uma vez. Acho que vou lançar mão da segunda opção – o primeiro cartucho eu já usei.

Livro: A Alma Imoral (Nilton Bonder, Editora Rocco, 135 páginas)

Peça: A Alma Imoral
Teatro Eva Herz, Conjunto Nacional | tel: 3170 4059 | de 30/07 a 25/09

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APENAS UMA CHANCE – One Chance
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Inglaterra, Garimpo na Locadora - 28/07/2014

Quem não se lembra da inglesa Susan Boyle, que aos seus 45 anos parecia uma senhora desajeitada e sem encanto algum, cantando I Dreamed a Dream no show de talentos inglês Britain’s Got Talent? Na hora em que ela soltou a voz, todo o mundo (literalmente) ficou de queixo caído. Não consegui deixar de pensar nessa história ao assistir a Apenas Uma Chance no evento Cine Vista JK. O bom é que já está em cartaz!

A história é parecidíssima, com a diferença que o personagem Paul Potts vence o concurso, embolsa o dinheiro e muda, definitivamente, sua vida. Susan Boyle também mudou – da água para o vinho, diga-se de passagem – mas fica em segundo lugar. O que impressiona é como as aparências enganam nos dois casos. Potts é um garoto gorducho, com dentes feios, desajeitado, nada confiante, que passa a vida sofrendo bullying na pequena cidade onde mora no País de Gales. Sonha em ser cantor de ópera, mas as chances são pequenas.

Dirigido por David Frankel, o mesmo do ótimo O Diabo Veste Prada, Marley & Eu e Um Divã para Dois, One Chance – título original e nome do seu álbum na vida real – é uma bonita história real de superação, que ganha passagens divertidas, um ótimo texto e boa música. Embora inspirasse pouca confiança, Potts vira o jogo. Um filme leve e gostoso de ver, que deixa aquela mensagem clichê de que o conteúdo é mais importante do que a embalagem. E é mesmo. Sua semelhança com o Paul verdadeiro é impressionante e o ator faz um ótimo trabalho.

DIREÇÃO: David Frankel ROTEIRO: Justin Jackham ELENCO: James Corden, Alexandra Roach, Julie Walters, Colm Meaney, Mackenzie Crook, Valeria Bilello | 2014 (103 min)

 

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TRUE DETECTIVE | série
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Série, Policial, Para Sentir Medo, Para Pensar, Estados Unidos, Especiais - 21/07/2014

Até agora não sei como é possível uma série ter cinco temporadas e prender tanta a atenção como Breaking Bad. Mas depois que assisti a True Detective, uma temporada com somente oito episódios, me pergunto se tudo aquilo era realmente necessário para contar uma boa história. Tudo bem, são coisas diferentes. Mas confesso que adorei série curta, enxuta, sucinta, sem enrolação. Tem o essencial e uma amarração genial.

True Detective conta a história de dois detetives da polícia de Louisiania, que são parceiros na investigação de um crime horroroso: um corpo é encontrado amarrado numa árvore, com sinais de magia negra e violação. Enquanto a investigação vai rolando e se mostrando cada vez mais complexa, as vidas dos detetives Rust e Marty vai se entrelaçando de uma maneira inevitável. Marty é sociável demais, casado, mulherengo, aparentemente dono do pedaço; Rust é introspectivo, misterioso, solitário e esquisito. Mas cabeça pensante, inteligente, um verdadeiro detetive.

Da maneira como o roteiro é montado, o suspense cresce exponencialmente. O crime acontece em 1995, mas em 2012 eles são chamados a depor por causa de um caso semelhante que volta a ocorrer. A gente acompanha a investigação de 95, do ponto de vista de Rust e Marty, a partir daquilo que eles contam para os atuais investigadores do caso. As reviravoltas são inúmeras; os atores, excelentes; e o cenário inóspito, desumano, pantanoso e tenebroso da região devastada por furacões e cheia de fábricas é fundamental para a criação do ambiente do crime.

Vale dizer que Matthew McConaughey é realmente um camaleão. Nunca na pele de um personagem óbvio, trivial, previsível. Rust Cohle é prepotente e dono da verdade, assim como é seu personagem em Clube de Compras Dallas, O Lobo de Wall Street, Amor Bandido, O Poder e a Lei. Tem talento para gêneros fortes, sujeitos perdidos e obcecados ao mesmo tempo, parte e párias da sociedade. Seu par Woody Harrelson não é diferente e juntos compõem a mais improvável dupla investigativa de sucesso. Um programa e tanto. Que venha a segunda temporada!

 

DIREÇÃO: Cary Fukunaga ROTEIRO: Nic Pizzolatto ELENCO: Matthew McConaughey, Woody Herrelson, Michelle Monaghan | 2014 (8 episódios)

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PLANETA DOS MACACOS – O CONFRONTO – Dawn of the Planet of the Apes
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Ficção Científica, Aventura, Ação - 17/07/2014

Quem foi criança na década de 70 deve lembrar bem daqueles filmes e séries dos homens usando máscara de macacos dominando tudo. Eu me lembro bem, inclusive de sentir medo daquelas criaturas. Isso serve de alerta também para os filmes dessa nova geração de macacos, que veio para tomar conta do pedaço. Assim como Planeta dos Macacos – A Origem este novo filme, que já tem pré-estreia esta semana, também vai apavorar as crianças. Portanto, não é filme infantil – cometi este erro em 2011 e minha filha saiu horrorizada com a matança e maltrato aos animais.

Dito isso, vale seu ingresso. Planeta dos Macacos – O Confronto é a sequência, que promete ainda um final. Portanto, será uma trilogia, porque do jeito que a coisa termina, ainda não sei bem quem terá seu lugar ao sol. Depois da dramática luta entre humanos e macacos na Golden Gate no primeiro filme e da fuga deles para a floresta, um vírus se espalha, mata milhões de pessoas em todo o mundo e os animais usados para experiências genéticas mostram do que são capazes. Reconquistam seu habitat e recuperam o sentido de comunidade, sem esquecer o que de que os homens são capazes.

Liderados por Ceasar (Andy Serkis), o filme expõem a fragilidade de um sistema unilateral: quando não há possibilidade de convivência e a balança pende para um lado só, o jogo de forças acaba gerando guerra. É assim sempre, alguém tem que ceder. Com macacos e humanos não é diferente. Não deixa de ser um bom drama. E se quiser ir ainda um pouco mais longe, dá até pra pensar na questão da cadeia alimentar, dos predadores, da lei do mais forte, da sobrevivência, da genética, de até onde podemos ir com a ciência. Pena que ela sempre esbarra na ambição pelo poder ou da simples vingança – gatilhos bem comuns para o começo de guerras…

Em 3D, os efeitos especiais de Planeta dos Macacos – O Confronto ficam ainda mais interessante. Pensar que os animais são, na realidade, pessoas “vestidas” com um aparato tecnológico que transmite todas as expressões, gestos e sentimentos para finalizar e dar o toque especial aos animais, é impressionante. Parecem macacos “verdadeiramente humanos” – se é que você me entende!?

 

DIREÇÃO: Matt Reeves e ROTEIRO: Mark Bomback, Rick Jaffa ELENCO: Gary Oldman, Keri Russel, Andy Serkis, Jason Clarke, | 2014 (130 min)

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JAMES BROWN
CLASSIFICAÇÃO: Trailer - 17/07/2014

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O TRAÇO ALÉM DE HOLLYWOOD
CLASSIFICAÇÃO: Lista, Dicas Afins, Animação - 16/07/2014

Tempo de férias e as animações dirigidas ao público infantil estão cada vez mais sofisticadas. Acontece que muitas vezes mantêm um traço parecido, algo já esperado. Temos em cartaz Como Treinar Meu Dragão 2 (que eu gostei), Aviões 2 e Khumba (não assisti aos dois últimos, mas me parece mais do mesmo). O que foge da regra é o brasileiro O Menino e o Mundo, que faz parte desta lista. Não se trata de uma crítica, apenas uma constatação para poder justamente destacar o que sai da curva esperada, o traço que surpreende.

Além dos estúdios bacanas de Hollywood, há quem faça e pense a animação de uma maneira completamente diferente, dirigida ao público adulto. Ou ainda, há quem pense a animação em Hollywood de forma a propor uma característica diferenciada. É o caso de Frankenweenie, de Tim Burton, ou Wall-E, de Andrew Stanton, ambos da Disney. Mas vale a pena garimpar mais além, para descobrir pérolas na França, Israel, Espanha e Austrália, que são merecem uma atenção especial.

Arrisque-se e mude o traço! E bom garimpo!

 

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A MARCA DO MEDO – The Quiet Ones
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 16/07/2014

Quem é que foi adolescente e não fez a brincadeira do copo? Aquilo deixava a gente apavorado e era quase que um atrativo natural para barulhos estranhos, ventos repentinos, arrepios horripilantes que aconteciam. Justamente na hora em que invocávamos o “espírito” que estivesse presente na sala e que pudesse movimentar o copo, dando o ar da graça.

Brincadeiras à parte, lembrei disso porque o filme A Marca do Medo passa por esse processo. Estamos em 1974, em Londres, quando os cientistas das universidades começam a se interessar por poderes paranormais. São montados grupos de estudos para tentar entender como e por que esses fenômenos são possíveis. Bastante convincente de que precisava observar de perto, e de forma reservada, a menina Jane, que tem poderes estranhos, atitudes perturbadoras e parece estar possuída, professor Joseph Coupland monta um grupo de estudo para tentar explicar sua tese e apresentá-la aos docentes. Também é recrutado o jovem fotógrafo, que filma tudo o que acontece, como forma de comprovação científica e material de estudo.

Parece que o filme é baseado em fatos e materiais realmente coletados desta experiência – que termina por ser aterrorizante. Pouco importa – ou, a essa altura – pouco se conseguiria provar da veracidade ou não do que se vê na tela. O que importa é que o A Marca do Medo vai ganhando em suspense, vai crescendo na ambientação sombria – aliás, visual bem construído – e vai envolvendo o espectador. E envolve.

Adolescente adora ver filme de terror, sentir medo e coisa e tal. Então que veja filme bem feito. Disse isso outro dia sobre Ilha do Medo, que é suspense de qualidade. Não estamos na mesma prateleira com A Marca do Medo, claro. Mas guardadas as devidas proporções (afinal, estamos falando de um Scorsese) e considerando a quantidade de porcaria desse gênero lançado no mercado, eu bem que diria pro meu filho de 15 anos se “divertir” com a maluca da Jane. Só de pensar, já começaria a suar frio. Literalmente.

 

DIREÇÃO: John Pogue ROTEIRO: Craig Rosenberg, Oren Moverman, John Pogue ELENCO: Jared Harris, Sam Claflin, Olivia Cooke, Erin Richards | 2014 (98 min)

 

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ALABAMA MONROE – The Broken Cicle Breakdown
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Holanda, Garimpo na Locadora, Drama, Bélgica - 15/07/2014

Alabama Monroe concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014 e tinha força para isso. Quem assistiu a Blue Valentine vai entender quando eu disser que o clima é parecido. Filme onde os sentimentos não cabem dentro da tela. Filme onde o amor é intenso, mas a dor insustentável é maior ainda. Permeando tudo isso está a música, que dá um ritmo especial do bluegrass, um som típico do sul dos Estados Unidos, com instrumentos acústicos como banjo, guitarra, violão, violino, em plena Bélgica. Uma mistura do caubói com a garota descolada-tatuada européia. Amarrado com o ingrediente universal: o drama humano da dor e da perda.

Assim como Blue Valentine, os personagens são apaixonantes – e apaixonados. Elise e Didier, ela tatuadora, ele, cantor de bluegrass, apaixonam-se, passam a cantar juntos, formam uma família, até que a pequena Maybelle fica doente. Mas o roteiro não é tão óbvio assim, linear. Nem confuso. É montado com idas e vindas, de modo que presente, passado e futuro se explicam – e se misturam. Era tudo uma coisa só. Um grande amor, que não cabia dentro daquela realidade.

Dizer mais que isso é contar o filme – e eu seria incapaz de chegar aos pés do que ele é realmente na tela. Desperta a beleza da doação, a ordem de prioridades da vida, a riqueza das relações humanas e a nossa ínfima capacidade de lidar com tantas emoções. De uma sensibilidade ímpar.

 

DIREÇÃO: Felix Van Groeningen ROTEIRO: Johan Heldenbergh, Mieke Dobbels ELENCO: Veerle Baetens, Johan Heldenbergh, Nell Cattrysse | 2012 (111 min)

 

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