cinegarimpo

abril, 2014

GETÚLIO
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil, Biografia - 30/04/2014

Para quem não conhece muito bem o período do segundo mandato de Vargas no comando do Brasil, pode ficar tranquilo. O filme Getúlio foi pensado também para esse público: além de ter uma produção cuidadosa, uma fotografia que consegue transmitir a tensão daqueles tempos, tem um discurso didático, explicativo, sem ser professoral. Situa o espectador no tempo e no espaço e consegue dar uma dimensão interessante do drama que levou o presidente ao suicídio em 24 de agosto de 1954.

Apesar da longa presença de Vargas na história brasileira, primeiro como ditador e depois como presidente eleito, o diretor João Jardim, também de Lixo Extraordinário e Amor?, faz um recorte dos seus 19 últimos dias de vida. Com a crise deflagrada pelo atentado sofrido por Carlos Lacerda, seu feroz opositor, Vargas é culpado pela tentativa de assassinato e fica politicamente isolado. Deste momento até a sua morte, são dias de extrema tensão, conspirações e traições, que o fazem preferir a morte à renúncia. Jardim não faz de Vargas uma vítima da crise, apenas faz uma leitura do que o presidente plantou e tinha a disposição para colher naquele momento.

É tudo bem parecido com o Brasil de hoje. Aliás, desabafos à parte, é como se estivéssemos no mesmo lugar. O discurso de que “ninguém sabe de nada” está presente o tempo todo, mesmo quando o jogo de interesses particulares é claro e bastante evidente. Tony Ramos, como Vargas, e Drica Moraes, como sua filha e braço direito, Alzira, acertam no tom do drama humano e da falência pública, bem compostos pela penumbra e beleza irônicas do Palácio do Catete. Já faz 60 anos que isso aconteceu e é como se nada tivesse mudado no país. A diferença é que hoje ninguém quer largar o osso.

 

DIREÇÃO: João Jardim ROTEIRO: George Moura ELENCO: Tony Ramos, Drica Moraes, Alexandre Borges, Marcelo Medici, Clarice Abujamra, Adriano Garib | 2014

 

Sem Comentários » TAGS:  
A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY – The Secret Life of Walter Mitty
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Aventura - 30/04/2014

Pensando sobre Walter Mitty, cheguei à conclusão de que vai além da máxima do sujeito-que-vai-atrás-dos-seus-sonhos. Walter Leva uma vida mediana e sem brilho, não é reconhecido, vive sonhando, imaginando-se ter a coragem de tomar atitudes opostas àquelas que seu instinto de defesa toma, até que um dia cria coragem e sai pelo mundo fazendo algo que nunca tinha feito antes: corre riscos. A consequência é que um mundo novo se abre e as oportunidades começam a aparecer.

Tudo isso está bem claro em A Vida Secreta de Walter Mitty, representado por Ben Stiller, que também dirige o filme. Walter trabalha na revista LIFE, responsável pelo acervo de negativos e fotografias. Portanto, está sob sua tutela o que essa publicação tem de mais precioso: o olhar diferenciado a respeito das coisas do mundo. Mesmo que fossem as mais banais. Um dia a LIFE tem que fechar as portas e o fotógrafo mais famoso da revista, Sean O’Connell, envia um negativo com sua foto para a última capa. Mitty perde o negativo e sai pelo mundo para recuperá-lo.

Também acho que tem uma aventura embutida aí, que é preciso ter coragem na vida para mudar o rumo das coisas, mesmo quando a gente não sabe como vai terminar a história, que quem-não-arisca-não-petisca, e tudo mais. Mas minha leitura das entrelinhas está na importância do olhar. Eu diria que a figura do fotógrafo é uma analogia à nossa dificuldade de enxergar a beleza naquilo que é comum, que é simples, que é natural. O’Connell corre o mundo fazendo fotos de paisagens e animais incríveis, que por vezes não fotografa porque não quer ser distraído pela câmera. Prefere fotografar com a mente e com o coração. Transfiro isso para situações em que deixamos escapar a beleza, porque nosso olhar se distrai com outras tantas ferramentas e obrigações que temos na vida.

Também quero percorrer outros caminhos e viver aventuras, mas essa história do exercício do olhar para o belo que está ao nosso lado, é sinal de que a aventura pode ser aqui e agora! Claro que fiquei curiosa durante o filme para saber  o que tinha naquele negativo que tanto motiva Mitty. Quando descobrimos o que é, tive ainda mais certeza de que menos pode ser mais, até no mais improvável. Tudo é uma questão de treinar o olhar.

DIREÇÃO: Ben Stiller ROTEIRO: Steve Conrad ELENCO: Ben Stiller, Kristen Wiig, Jon Daly, Sean Penn | 2013 (114 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
SENNA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama, Documentário, Biografia - 28/04/2014

Lembro-me perfeitamente de onde estava em 1º de maio de 1994, do cortejo fúnebre chegando em São Paulo, da imagem do país desolado. Não só eu, mas várias pessoas que estavam no cinema esperando para assistir ao documentário sobre o piloto Ayrton Senna faziam esse mesmo comentário. Ainda é muito forte a sua presença, ainda é marcante a sua trajetória e morte – por tudo que ele representou.

O documentário sobre a vida de Senna, desde os tempos do kart até sua morte no Grande Prêmio da Itália naquele fim de semana de muitos acidentes, foi feito pelo inglês Asif Kapadia. Fico me perguntando como nenhum dos grandes diretores brasileiros fez isso antes. Encontrar um personagem tão rico como Senna é coisa rara e teria sido bom se seu retrato tivesse sido filmado por mãos brasileiras. Mas não foi e isso não diminui o filme, em absoluto. O Ayrton mostrado pelos olhos ingleses é um sujeito muito justo, humano, batalhador. Alguém que não se conformava com 2º ou 3º lugares, com atitudes desonestas, conchavos ou politicagem e que entrava na pista para vencer. Retrato fiel – é exatamente essa a imagem que tenho dele.

Senna é digno do piloto, da pessoa que ele foi e do que representou para o país. E até do que continuaria representando se estivesse vivo. Apesar de já sabermos o final da história, o filme emociona, também porque explora aquele lado a que nós, torcedores e telespectadores, não temos acesso, que são os bastidores da Fórmula 1, os entraves, as amizades, as rixas, os favorecimentos e tudo mais. Mostra cenas inéditas da sua vida em família, da imprensa internacional, depoimentos muito sinceros sobre a vida, as corridas, a família, os adversários nas pistas e na ética, o futuro (veja o trailer, abaixo). Para quem viveu os momentos de vitória de Senna, é imperdível. Faz reviver a sensação boa de ter um representante nacional da envergadura dele. Isso hoje faz falta e preencheria uma lacuna importante. Para quem não viveu, também vale. Assim, temos mais chance de perpetuar a sua imagem.

 

DIREÇÃO: Asif Kapadia | 2010 (107 min)

Sem Comentários » TAGS:  
YVES SAINT LAURENT
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Drama, Biografia - 24/04/2014

Falar que Yves Saint Laurent deve ser visto e apreciado por quem circula e curte o mundo da moda é chover no molhado. Agora, se você é como eu, pouco atento às badalações e tendências da moda, fique atento. Este longa do diretor Jalil Lespert, que esteve agora no Brasil para apresentar o filme no Festival Varilux de Cinema Francês, vale a pena por pelo menos dois motivos: sua impecável estética e seu um incrível personagem. Se você nunca tinha parado para pensar na personalidade que foi Saint Laurent, voilà!

Aliás, para os distraídos com a moda., eu diria ainda que o cinema é uma ótima ferramenta para nos apresentar personagens que circulam fora do nosso campo de interesse. O belo filme Coco Antes de Chanel, com Audrey Tautou, nos apresentou como foi a trajetória de Gabrielle, até a criação da Maison Chanel. Agora, conhecemos o tímido e talentoso jovem que com apenas 21 anos assume a criação da Dior, depois da morte de seu fundador, e aos 26, funda, em Paris, seu próprio ateliê de alta costura. E que elegância tem a sua obra!

Além da sua importância como estilista, que deu glamour ao prêt-à-porter, o filme tem algo de genuíno e corajoso. Revela passagens sombrias e difíceis da vida do artista, que esteve internado em um hospital psiquiátrico depois da guerra da Argélia, que se envolveu em orgias, drogas e bebedeiras, e que só não colocou seu prestígio a perder porque tinha ao seu lado Pierre Bergé. “Você teria conseguido de qualquer maneira, porque é genial”, diz Bergé a Ives a certa altura, ele que foi companheiro de Saint Laurent na vida amorosa e, mesmo depois de terminarem o relacionamento, continuou profissionalmente ao seu lado até o fim.

O trailer do filme já está aqui na coluna, na matéria sobre o Varilux. No entanto, foi curioso encontrar o trailer de um documentário sobre o estilista, chamado O Louco Amor de Yves Saint Laurent, de Pierre Thoretton. Nele, vemos várias cenas que serviram de inspiração para este novo longa. A semelhança é tanta que por vezes tive a impressão de que via YSL em pessoa aqui na ficção também.

 

DIREÇÃO: Jalil Lespert ROTEIRO: Laurence Benaïm (livro), Jacques Fieschi ELENCO: Pierre Niney, Guillaume Gallienne, Charlotte Le Bon, Laura Smet | 2013 (106 min)

Sem Comentários » TAGS:  
CANNES 2014
CLASSIFICAÇÃO: Festivais - 22/04/2014 Sem Comentários »
DIVERGENTE – Divergent
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Ficção Científica, Estados Unidos, Aventura, Ação - 16/04/2014

Tem muita gente achando que Divergente é parecido com Jogos Vorazes. É o mesmo gênero sim e há semelhanças já que ambos contam um história futurística, que traz à tona pensamentos apocalípticos, sobre o fim do mundo, com aquelas hipóteses malucas sobre o que vai sobrar depois que não restar mais nada do mundo como o conhecemos hoje.  Mas um não exclui o outro e quem ganha é o espectador que curte o gênero ficção científica. Agora são duas boas séries sobre o tema para você aproveitar.

Divergente é a adaptação para o cinema do primeiro livro da trilogia escrita por Veronica Roth. Tem um apelo jovem, é verdade. Mas é um bom filme, com uma história bastante criativa. Se o mundo terminasse e você fosse encarregado de catar os cacos e dividir as pessoas em grupos, separá-los por habilidades e interesses, que categorias você criaria?

Pois bem, este é o cerne do filme e o fator que chama mais a atenção. Veronica Roth imaginou um mundo dividido em cinco facções, sendo que em cada uma delas seus integrantes devem cultivar uma virtude: a abnegação, a amizade, a audácia, a sinceridade e a erudição. Cada um cuida de uma questão da sociedade mas, obviamente, um dos grupos é mais forte que os outros. Como sempre acontece, o jogo de poder fragiliza o equilíbrio ideal e o ser humano ganancioso mostra a sua cara.

O dilema todo gira em torno da protagonista Beatrice (Shailene Woodley), que não é previsível como os outros. Tem romance no ar com o misterioso Four (Theo James) e muita ação. Divergente promete uma boa sequência, com as histórias dos livros Insurgente e Convergente. Vale dizer que não li nenhum dos livros, mas da maneira como termina, fica a certeza de que muita água ainda vai rolar. É uma superprodução, os atores têm sintonia e eu fiquei bastante entretida. E você, conseguiu imaginar tudo isso para depois do fim do mundo?

 

DIREÇÃO: Neil Burger ROTEIRO: Evan Daugherty, Vanessa Taylor, Veronica Roth (livro) ELENCO: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet, Ashley Judd, Jai Courtney, Ray Stevenson, Zoë Kravitz, Miles Teiler | 2014 (139 min)

Sem Comentários » TAGS:  
PELO MALO
CLASSIFICAÇÃO: Venezuela, Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama - 16/04/2014

A gente sabe que um filme é abrangente quando senta para registrar as suas palavras-chave. Depois de conversar com a diretora venezuelana Mariana Rondón, que está no Brasil para o lançamento de seu segundo longa, esse exercício ficou ainda mais complexo.

Pelo Malo, premiado no Festival de San Sebastián, fala da infância permeada pela violência, pelos centros urbanos deturpados e carentes, pela miséria educacional e familiar, pelas relações conturbadas, pelo contexto social desigual. No entanto, essa é parte óbvia, quando o que Mariana quis mesmo é que essa realidade social deturpada entrasse na seara pessoal. “Queria que o contexto social em que as pessoas não se reconhecem, em que nós não encontramos nosso lugar, pudesse ser visto também no contexto pessoal de cada um”, explica ela, por telefone, entre tantos compromissos em São Paulo. “A sociedade aqui é uma metáfora de nós mesmos, da dificuldade que temos de nos tolerarmos, de nutrir uma relação familiar sem violência”, completa.

De fato, aqui entram outras palavras-chave para contextualizar esse viés intimista que Mariana tanto ressalta no filme. Identidade, sexualidade, infância, relacionamento, descoberta, e mais violência. Perguntei como surgiu a ideia desse personagem mirim (aliás, espetacular), que tem um cabelo encaracolado e quer alisá-lo a qualquer preço. “O cabelo foi só uma desculpa para falar da busca pela identidade, da sexualidade, do encontro conosco mesmo, para poder encontrar o outro, reconhecer o outro e trabalhar as diferenças”, diz ela. Com a ideia de relacionar o espaço interno de cada um de nós com o mundo exterior, trata de como cada um se vê no espelho, como se projeta na sociedade e que lugar ocupa nela. Claro, estamos falando de racismo, tolerância, aceitação das diferenças, disputas de poder. Mais palavras-chave para a lista.

Claro que não dá para desvincular o cenário de pobreza com a Venezuela de hoje. “É um país com uma política polarizada, onde extremos radicais não se conhecem e só geram violência”, explica Mariana. Assim como a pequena sociedade dentro de nossas casas, dentro da casa de Junior, esse menino com cabelo ruim, que quer tirar uma foto com roupa de cantor e cabelo liso, que não sabe nomear seus sentimentos, mas sente-se diferente e rejeitado por isso. Rejeitado por sua mãe, que não encontra seu lugar profissional e pessoal, que não se vê mãe. Aliás, que desprendimento da atriz Samantha Castillo, num trabalho forte e genuíno.

Gosto muito dos filmes que trazem o mundo adulto sob o olhar da criança. Publiquei aqui uma lista de filmes “Quando a criança é que dá o tom“. Para Mariana, a criança é um trampolim para o olhar adulto do futuro. Por isso a analogia é tão rica. Recentemente, Pelo Malo foi exibido no Festival Ciranda de Filmes em São Paulo, que discutiu a infância e a aprendizagem. Tem tudo a ver. O cinema é uma ferramenta e tanto para isso. E aqui, temos ainda mais palavras-chave. Filme profundo é assim, vai abrindo frentes para refletir e transbordar a emoção.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Mariana Rondón ELENCO: Samantha Castillo, Samuel Lange Zambrano, Beto Benites | 2013 (93 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
O PALÁCIO FRANCÊS – Quai D’Orsay
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, França, Comédia - 16/04/2014

Falei aqui de um bom filme sobre os bastidores da política francesa – do ponto de vista da cozinha do palácio presidencial em Os Sabores do Palácio. Agora este filme migra para a política nua e crua, fazendo uma sátira divertida dos egos e desejos de um ministro poderoso, cheio de manias e vazio de profissionalismo. Vale saber também que esse personagem excêntrico, agitado e completamente maluco é inspirado no ex-ministro das relações exteriores da França, Dominique de Villepin, e que este filme, por sua vez, é inspirado nos quadrinhos de mesmo nome, sucesso na França.

Faz parte do imaginário popular pensar o que se passa nos corredores dos suntuosos palácios do governo – aqui no Brasil, isso dá até arrepio. Um dos autores dos quadrinhos Quai D’Orsay, Antonin Baudry, trabalhou no ministério e por isso fala com conhecimento de causa. No filme, vemos um sujeito afetado, que tem um chilique atrás do outro, que enlouquece sua equipe com pedidos estranhos, que muda de ideia a cada minuto e que não tem foco para nada. No meio do turbilhão está o recém-formado Arthur (Raphaël Personnaz, também em Três Mundos), contratado para escrever os discursos do ministro, faz de tudo para atender aos desejos do chefe. Para tanto, conta com sua namorada Marina (Anaïs Demoustier, também em Elles, As Neves do Kilimanjaro), com o chefe do gabinete Claude (Neil Arestrup, também em O Profeta), mas não pode confiar na esperta e trapaceira conselheira para assuntos africanos Valérie (Julie Bayet). 

Time montado, circo armado. O que se vê dentro do palácio é um show de trapalhadas, numa ironia forte por parte do diretor Bertrand Tavernier. Tão forte que parece até mentira. Só rindo mesmo.

DIREÇÃO: Bertrand Tavernier ROTEIRO: Christophe Blain, Abel Lanzac ELENCO: Thierry Lhermitte, Raphaël Personnaz, Niels Arestrup, Anaïs Demoustier, Julie Gayet | 2013 (103 min)

Sem Comentários » TAGS:  
HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO – Il y a longtemps que je t’aime
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 10/04/2014

Juliette ficou 15 anos presa. Por causa disso, foi desprezada pelos pais e consequentemente pela irmã – ainda pequena, aprendeu a rejeitá-la. Ao sair da prisão, é justamente essa irmã que a recebe, sem fazer maiores perguntas. Agora casada, Léa hospeda Juliette em sua casa, onde vive com o marido, duas filhas e o sogro. Sabe-se desde o começo que Juliette (Kristin Scott Thomas, também em Partir, O Paciente Inglês, O Garoto de Liverpool, A Chave de Sarah) cometeu um crime, mas só no final é revelado o porquê.

Até que chegue o desfecho, são muitas as provas de amor fraternal – Léa e Juliette têm que reinventar a relação, já perdida pelo tempo e pelas circustâncias. Juliette tem que se adequar a uma vida onde cada integrante já tem sua rotina e seu papel e precisa encontrar uma razão de existir ali – o que traz à tona outro tema importante, da inserção do ex-detento na sociedade. Pano de fundo e detalhe – mas não menos importante, já que se trata de uma questão absolutamente atual – é a constituição da família de Léa, que tem duas filhas adotivas, de origem oriental. Como lidar com tantas diferenças, eis a questão.

Há Tanto Tempo Que Te Amo tem uma trilha sonora linda. As canções ajudam a compor o roteiro de solidariedade e emoção, e ajudam a firmar o caráter de não-julgamento por parte da irmã. Nobre. Mas, muito cuidado com as lágrimas… muito possivelmente, elas aparecerão.

 

DIREÇÃOPhilippe Claudel ELENCO: Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Laurent Grévil, Frédéric Pierrot | 2008 (117 min)

Sem Comentários » TAGS:  

Próxima página »

CATEGORIAS

INSCREVA-SE PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Você também pode assinar listas específicas: