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dezembro, 2013

ÁLBUM DE FAMÍLIA – August: Osage County
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 26/12/2013

Álbum de Família me fez lembrar vários filmes sobre esse inesgotável tema. Mais universal impossível, falar da família que tem laços de sangue, mas dificuldades imensas de relacionamento e aceitação. Entre tantas produções, eu diria que o italianos Parente É Serpente, de Mario Monicelli (1992), é o que me vem à mente com mais força. Divertido e sensível, faz rir, pra não chorar. O filme de John Wells tem ótimas tiradas de ironia, mas essencialmente faz chorar. O tom da dramaticidade é teatral, portanto intenso, longo e profundo. Esmiuça o sentimento de raiva, frustração, decepção, tristeza ao extremo.

Ainda mais considerando que quem pilota tudo isso é Meryl Streep, a matriarca de uma família desestruturada e cheia de rancores. Espetacular, Meryl se supera. Quando a vejo na tela, tenho a impressão de que este é seu personagem único, tão profundo é o mergulho da interpretação. Para não revelar detalhes, basta dizer que suas três filhas voltam a se encontrar por causa do desaparecimento de seu pai. A amarga Barbara (Julia Roberts, também em Closer, Perto Demais) está enfrentando uma crise no casamento com Bill (Ewan McGregor, também em O Escritor Fantasma) e despreza sua filha Jean (Abigail Breslin, também em Pequena Miss Sunshine); a frágil Ivy sempre se privou de uma vida pessoal para ficar perto dos pais; e a fútil Karen vive mudando de parceiros e se metendo em encrenca. Ao se reencontrarem, lavam a roupa suja de anos, o rancor vem à tona e a família de sangue passa pela prova final.

Profundo e tocante, Álbum de Família pode ser um pouco longo demais, porque se estende na vivência do drama de cada personagem. A vantagem é que realmente sentimos na pele o conflito; a desvantagem é que pode cansar um pouco os desavisados. Mas que fique claro: o filme não é uma comédia como classificou o Globo de Ouro, quando indicou Meryl Streep e Julia Roberts para os prêmios de melhor atriz e atriz coadjuvante, respectivamente. É um drama. E dos bons.

DIREÇÃO: John Wells ROTEIRO: Tracy Letts ELENCO: Meryl Streep, Julia Roberts, Dermot Milroney, Chris Cooper, Ewan McGregor, Margo Martindale, Sam Shepard, Julianne Nicholson, Juliette Lewis, Benedict Cumberbatch, AbigailBreslin | 2013 (121 min)

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SAEM OS INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2014
TRAPAÇA (foto abaixo) tem sete indicações e conta com elenco estrelar!
CLASSIFICAÇÃO: Notícias, Estados Unidos - 12/12/2013

Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, a HFPA, acaba de indicar quem é que vai concorrer ao Globo de Ouro de 2014 (em 12 de janeiro). Vale lembrar que essa indicação já é uma baliza para o Oscar, que tem um corpo de jurados diferente. Enquanto quem manda no Globo de Ouro são os críticos, no Oscar a premiação segue os mandos dos próprios atores, diretores, produtores da indústria cinematográfica. Mas o que a gente nota que é há pontos em comum, muito embora o Globo de Ouro pareça mais imparcial. Vamos aos indicados:

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO – concorre em sete categorias: filme (drama), direção (Steve McQueen), roteiro, ator (Chiwetel Ejiofor), atriz coadjuvante (Lupita Nyong’o), ator coadjuvante (Michael Fassbender), trilha sonora

TRAPAÇA (foto acima)- concorre em sete categorias: filme (comédia), direção (David O. Russell), roteiro, atriz (Amy Adams), ator (Chistian Bale), atriz coadjuvante (Jeniffer Lawrence), ator coadjuvante (Bradley Cooper), ator coadjuvante (Barkhad Abi)

CAPITÃO PHILLIPS – filme (drama), diretor (Paul Greengrass), ator (Tom Hanks)

GRAVIDADE – filme (drama), direção (Alfonso Cuarón), atriz (Sandra Bullock), trilha sonora

BLUE JASMINE – atriz (Cate Blachett), atriz coadjuvante (Sally Hawkins)

PHILOMENA – filme (drama), roteiro, atriz (Judi Dench)

RUSH – NO LIMITE DA EMOÇÃO – filme (drama), ator coadjuvante (Daniel Brühl)

ELA – filme (comédia), roteiro, ator  (Joaquin Phoenix)

BALADA DE UM HOMEM COMUM – filme (comédia), ator  (Oscar Isaac)

NEBRASKA – filme (comédia), direção, roteiro, ator (Bruce Dern), atriz coadjuvante (June Squibb)

O LOBO DE WALL STREET – filme (comédia), ator  (Leonardo Di Caprio)

WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS – atriz (drama, Emma Thompson)

LABOUR DAY – atriz (drama, Kate Winslet0

ANTES DA MEIA-NOITE – atriz (comédia, Julie Delpy)

FRANCES HA – atriz (comédia, Greta Gerwig)

À PROCURA DO AMOR – atriz (comédia, Julia Louis-Dreyfus)

ÁLBUM DE FAMÍLIA – atriz (comédia, Meryl Streep), atriz coadjuvante (Julia Roberts)

MANDELA: LONG WAY TO FREEDOM – ator (drama, Idris Elba)

DALLAS BUYERS CLUB – ator (drama, Matthew McConaughey)

ALL IS LOST – ator (drama, Robert Redford)

 

MELHOR ANIMAÇÃO: OS CROODS, FROZEN – UMA AVENTURA CONGELANTE, MEU MALVADO FAVORITO 2

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: VIDAS AO VENTO (Japão), AZUL É A COR MAIS QUENTE  (França), A GRANDE BELEZA (Itália), O PASSADO (Irã),  A CAÇA (Dinamarca)

TRILHA SONORA: ALL IS LOST, MANDELA: LONG WAY TO FREEDOM, GRAVIDADE, A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS, 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO

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ZARAFA
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, França, Animação - 12/12/2013

A tradição de todos povos africanos é passar o conhecimento de pai para filho. O repertório, transmitido oralmente pelos mais velhos aos mais novos, constrói a cultura e a tradição de uma comunidade inteira. Assim o ancião de uma tribo conta às crianças como é que a primeira girafa desembarcou na França em 1827, em um balão, acompanhada de um menino, escravo fugitivo, e de um beduíno.

Adoro animação, principalmente produções como esta, que têm traços e colorido diferenciados e transmitem parte do cotidiano e das culturas mais inusitadas (veja lista de outras produções diferentes O TRAÇO ALÉM DE HOLLYWOOD). Foge do lugar comum, resgata parte de uma história que, neste caso, também é nossa. Maki é africano, escravizado pelos conquistadores implacáveis. Por teimosia, consegue fugir das garras do mercador europeu, adota um filhote de girafa e sente-se responsável, a partir desse momento, pelo animal – física e emocionalmente. Até que ele é dado de presente ao rei da França e é preciso atravessar o continente africano para chegar em Paris. De balão.

Cheio de elementos da dualidade metrópole-colônia, exploradores-explorados, Zarafa, como chama a pequena girafa, é delicado no gesto e imponente na leitura das entrelinhas. Desde o bonito gesto do ancião que conta uma história e transmite uma cultura, até na mensagem que fica para quem, do outro lado do oceano, também sofre as consequências de uma conquista e exploração feita às avessas. Se fui longe demais, é só ater-se ao básico: visual e enredo já são bonitos o suficiente para Zarafa merecer a sua atenção.

 

DIREÇÃO: Rémi Bezançon, Jean- Christophe Lie | 2012 (78 min)

 

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ALÉM DA FRONTEIRA – Out In The Dark
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Israel, Garimpo na Locadora, Drama - 12/12/2013

Além da Fronteira tem dois elementos perigosos, duas fáceis armadilhas. A primeira é o tema do filme em si, já que estamos falando do conflito entre palestinos e israelenses, quando ele invade as casas, impede o ir e vir dos cidadãos, transforma o cotidiano. Falar dessa confusão interminável e não cair no lugar comum não é uma tarefa simples; a outra diz respeito ao tratamento dado à relação homossexual dos protagonistas, que deveria ser mostrada sutilmente, sem agressividade, de maneira que não roubasse a cena do tema principal, que é a intolerância religiosa, social e política entre os povos. Um repertório rico, mas de difícil abordagem. Apesar disso, o diretor Michael Mayer acerta no tom, porque o filme é impactante na sua temática e emocionante nas relações – sejam elas quais forem, entre amantes, irmãos, pais e filhos, amigos.

A partir do enredo, vejam como seria fácil cair no dramalhão: Nimr é um palestino que vive modestamente sob o cerco do exército de Israel e luta para conseguir visto para estudar na universidade de Tel Aviv; Roy é um advogado judeu bem sucedido, que vive do outro lado do muro de segurança erguido por Israel, para supostamente protegê-los dos terroristas palestinos. Apaixonam-se, mas encontram na relação homossexual um tabu enorme e na relação entre os povos, uma barreira quase intransponível.

Sem cair no exagero, nem usar a relação amorosa dos protagonistas como bandeira, Além da Fronteira toca em um dos pontos mais tensos e sensíveis das relações entre pessoas de diferentes religiões. Sem luz no fim do túnel, palestinos e israelenses vivem a realidade da discordância e a infelicidade da vizinhança. Nimr e Roy fazem parte da geração que não vê o preconceito, que não quer a divisão, nem as barreiras. Mas sofre as consequências das decisões tomadas pelas gerações anteriores e da disputa por território.

Recentemente vi outros dois filmes que tocam na mesma questão, ambos chamando atenção para o ponto de vista do jovem, que não compartilha da raiva que impera no Oriente Médio. Vale conferir o O Filho do Outro e Uma Garrafa no Mar de Gaza, disponíveis em home video. Filmes importantes para pensar sobre o assunto e prato cheio para quem gosta de produções com conteúdo e qualidade cinematográfica.

 

DIREÇÃO: Michael Mayer ROTEIRO: Yael Shafrir, Michael Mayer ELENCO: Nicholas Jacob, Michael Aloni, Jamil Khoury | 2102 (96 min)

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O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG – The Hobbit: The Desolation of Smaug
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Nova Zelândia, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Aventura - 12/12/2013

Quando foi lançado o primeiro filme da trilogia O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, comentei que não era preciso conhecer a trilogia O Senhor dos Anéis, porque na verdade J.R.R Tolkien criou primeiro o Hobbit e só depois veio a saga dos Anéis. Porém, é interessante assistir ao primeiro filme antes de cair nessa longa aventura de anões, elfos, orcs, goblins e aranhas gigantes – a trama não tem nada de complicada, mas faz mais sentido se inserida na sequência. Porque ela é longa (são 160 minutos!) e pode cansar quem não está muito a par da situação. Agora, se você é fã da saga, já sabe de cor e salteado do que eu estou falando, vai curtir bastante esta superprodução.

Confesso que achei que a história chove no molhado. Acompanha o hobbit Bilbo na luta contra o dragão Smuag, auxiliado pelos anões, que têm de enfrentar as esquisitas criaturas. Não termina, que fique bem claro. Ainda há a terceira parte, prometida para 2014. Por se tratar do filme do meio, dispensaria parte das lutas, tiraria esses 20 minutos de gordura, para deixar o gostinho para o desfecho. Mas entendo que é um filme cheio de detalhes, dignos de uma produção detalhada e cuidadosa, que precisa de muito tempo na telona para transmitir tudo aquilo que está no livro. Vale pelo visual todo, mas ainda acho o primeiro bem mais divertido e aposto no terceiro para fechar a trilogia. Parece que o filho do meio ficou meio apagado no sanduíche de hobbits.

 

 

DIREÇÃO: Peter Jackson ROTEIRO: Fran Walsh, Philippa Boyens, J.R.R. Tolkien ELENCO: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William Kircher, James Nesbitt | 2013 (161 min)

 

 

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À PROCURA DO AMOR – Enough Said
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia Romântica - 10/12/2013

Sempre que preparo um comentário, é praxe escolher palavras-chave que remetem ao tema do filme. Pensando sobre À Procura do Amor, não há muito como fugir de termos como amizade, amor, romance, casamento. Digo isso porque parece comédia romântica trivial, a começar pelo batido título escolhido em português, que nada tem a ver com o original Enough Said. Parece brega, mas não é. Aliás, eu diria ainda que é exatamente o contrário disso: é daqueles filmes independentes com alma.

Pode parecer exagero, mas destoa muito das comédias bobinhas que vemos por aí. A começar pelos diálogos e pelo tom essencial que o filme dá ao relacionamento ao quesito companheirismo. Se tiver humor, tanto melhor! E ainda com o tom casual que a diretora dá ao filme. O essencial junto com o casual dá, realmente, um resultado de realidade, capaz de fazer qualquer um de nós se identificar.

Eva (Julia Louis Dreyfus) é uma massagista despachada e divertida, que já está sofrendo antecipadamente a saída da única filha de  casa. Conhece Albert (James Gondolfini), um sujeito espirituoso e divertido, com quem começa a se relacionar. Coincidências à parte, sua filha também está saindo de casa e portanto compartilham da síndrome do “ninho vazio”. Outras boas personagens entram na trama, como a poetisa Marianne (Catherine Keener, também em Sentimento de Culpa, Capitão Phillips, Cyrus) e Sarah (Toni Collette, também em Pequena Miss Sunshine), que contribuem para o tom descontraído e informal que o filme tem.

Delicioso de assistir, é um recorte da vida de qualquer pessoa comum, desmistificando assuntos como estética e padrão de beleza e colocando-os bem longe do pedestal em que se encontram hoje em dia. Por isso é tão interessante. São personagens da vida como ela realmente é, com suas imperfeições físicas e emocionais, mas que não querem mais do que um bom companheiro de vida.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nicole Holofcener ELENCO: Julia Louis-Deyfus, James Gandolfini, Catherine Keener, Toni Collette | 2013 (93 min)

 

 

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COMO NÃO PERDER ESSA MULHER – Don Jon
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia - 06/12/2013

Com tanto filme entrando em cartaz nesse fim de semana, Como Não Perder Essa Mulher tem um ponto importante que chama a atenção. Claro que o fato de ter um elenco estrelar, capitaneado por Scarlett Johansson (também em Vicky Cristina Barcelona, Encontros e Desencontros, Match Point) e Julianne Moore, já é um bom chamariz – e elas fazem a diferença, realmente. Mas o que me pegou foi a temática, que vai além de um personagem viciado em filmes pornôs. Entra no campo do bombardeio das imagens, do culto à beleza física, da valorização das relações superficiais e do prazer imediatista. Soa familiar?

Mas não se assuste, que não é filme com lição de moral. Pelo contrário, o filme tem toques de humor. O personagem de Joseph Gordon-Levitt (também no ótimo 500 Dias Com Ela), que estreia como diretor e roteirista neste filme, é um sujeito que se acha o máximo, cultua o corpo, os amigos, as mulheres e principalmente os filmes pornôs. Não se envolve com ninguém de verdade (para desespero da sua mãe, que é ótima personagem) e nem se imagina fazendo isso.

Até que a beldade do momento, Barbara (Scarlett Johansson, eleita recentemente a mais sexy do mundo pela revista Esquire), surge na sua vida, não se entrega logo de cara e ele fica, literalmente, louco por ela. A rotina chega, até com Barbara, e seu vício põe tudo a perder. Será? A madura Esther (Julianne Moore, também em Magnólia, As Horas, Minhas Mães e Meu Pai) chega para fazer o contrapeso e pontuar o que vem a ser um relacionamento de verdade.

É filme para adulto, que fique bem claro. E toca nesse ponto que permeia a atualidade. Relações, ou melhor, contatos vazios, fulminantes, que já começam com data para acabar. Com o bombardeio de imagens e ícones em todas as mídias diariamente, salva-se quem quer, de fato, investir em algo que vá um pouco mais longe.

 

DIREÇÃO: Joseph Gordon-Levitt ROTEIRO: Joseph Gordon-Levitt ELENCO: Joseph Gordon-Levitt, Julianne Moore, Scarlett Johansson | 2013 (90 min)

 

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CARRIE, A ESTRANHA – Carrie
CLASSIFICAÇÃO: Terror, Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 06/12/2013

Já é a segunda adaptação da história de Stephen King para o cinema e Carrie ainda rende outras tantas. Está mais para terror mesmo, embora digam que é inferior à versão criada por Brian De Palma. Carrie é de fato estranha e acho até que a atriz Chloë Grade Moretz (também de A Invenção de Hugo Cabret) capricha no andar e no olhar. Soma-se essa boa personagem ao talento de Julianne Moore, dá pra dizer que o filme se sai até que bem naquilo que se propõe: um filme de terror sobrenatural.

Carrie é filha de Margaret (Julianne Moore, também em Magnólia, As Horas, Minhas Mães e Meu Pai, Como Não Perder Essa Mulher), mãe solteira, católica fanática. Acredita que a filha é amaldiçoada, fruto do pecado e por isso vive em penitência. Carrie é educada isolada de tudo e de todos, até que se torna adolescente e começa a desenvolver a capacidade de movimentar objetos com a força do pensamento, a telecinese, toda vez que está sob forte pressão. Sofre bullying na escola e sonha em ser igual às outras garotas e participar do baile de formatura, que está se aproximando.

A releitura do clássico é honesta, mas não sei se fiel ao livro. Quem leu, pode dizer. Mas a história é boa e a escolha do elenco, principalmente de Julianne Moore, foi acertada. Senão, seria mais um daqueles filmes de terror que dá até preguiça de assistir. Fiquei curiosa para ver a versão de 1976, porque parece que este primeiro é um ponto acima da curva.

 

DIREÇÃO: Kimberly Peirce ROTEIRO: Lawrence D. Cohen, Roberto Aguirre-Sacasa, Stephen King (livro) ELENCO: Chloë Grace Moretz, Julianne Moore, Gabriella Wilde, Portia Doubleday | 2013 (100 min)

 

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INVICTUS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 05/12/2013

 “Ninguém nasce odiando o outro por causa da sua cor de pele, do seu histórico ou religião. As pessoas precisam aprender a odiar, e se são capazes de aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar. E o amor nasce de forma mais natural no coração humano do que o ódio.” – Nelson Mandela

 

Todos nós conhecemos a história de Nelson Mandela. O interessante e emocionante de Invictus é que, para falar dos ideais de Mandela, um jogo de rúgbi foi o suficiente. Adaptado do livro de John Carlin, Playing the Enemy: Nelson Mandela and the Game that Made a Nation, Clint Eastwood consegue resumir a proposta de Mandela para a África do Sul: acabar com as rivalidades e com a segregação racial, não ser vingativo e cooperar. É como se Mandela nos fosse apresentado através de um exemplo, de um conflito real em que sua atitude fez a diferença; é como se, para dar uma lição de moral, escutássemos uma parábola para que aquele conceito fosse bem exemplificado. E a gente sai do cinema com a sensação de o filme cumpre sua missão. Não tem como não escutar o que Mandela tem a dizer.

Quando assume a presidência em 1994, o time de rúgbi nacional, composto praticamente de jogadores brancos, é odiado pelos negros do país. Por ocasião da Copa do Mundo sediada na África do Sul em 1995, Mandela resolve motivar o time, explicando que seria possível vencer, que sua garra seria um elo de união nacional entre brancos e negros, um começo para a reintegração nacional. Algumas situações engraçadas de estranhamento entre brancos e negros, seja na sala da segurança do presidente, seja na rua entre policiais e uma criança negra, mostram a dificuldade do perdão, da união por algo maior, do reconhecimento de que é preciso ensinar a amar, e não a odiar.

O líder sul-africano faz a sua parte na vida e Clint Eastwood enche o filme de emoção e superação. Como disse Mandela, “após subir uma montanha, a única certeza que temos é que haverá muitas outras para serem superadas”. O jogo de rúgbi foi só uma forma de falar a linguagem do povo. Com todo os exemplos que temos no mundo, o esporte tem de fato uma via expressa de comunicação com o povo, assim como um poder de transformação muito grande. Quem dera isso resolvesse todos os problemas. Mas foi um começo. Se a biografia de Lula tivesse sido contada através de uma parábola, usando um fato da sua vida que pudesse resumir seus ideias, talvez o filme Lula – O Filho do Brasil não tivesse um viés tão marketeiro e tão heróico. Que exemplo seria?

 

DIREÇÃO: Clint Eastwood  ROTEIRO: Anthony Peckham, John Carlin (livro)  ELENCO: Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Patrick Mofokeng, Matt Stern, Patrick Lyster, Penny Downie, Shakes Myeko, Brenda Mazibuko | 2009 (134 min)

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