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agosto, 2013

SE PUDER… DIRIJA!
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Comédia, Brasil - 29/08/2013

O que tem de interessante em Se Puder… Dirija! é o recurso 3D. Embora seja de fato usado, não segura o filme, nem de longe. Luiz Fernando Guimarães, que também é uma aposta por ser um ator realmente engraçado (também de Os Normais) e um chamariz natural, fica a dever. Não é pouco. Pra não dizer que estou sendo chata demais, o termômetro é a plateia. Dos jornalistas presentes na cabine de imprensa, praticamente não ouvi risadas genuínas. Gargalhadas? Nenhuma. Para uma comédia, é um mau presságio.

Acho que o tema poderia ter rendido algo mais bacana – afinal, é atual e muita gente vai se identificar. João (Luiz Fernando Guimarães) é daqueles pais atrapalhados, que combina com a ex-mulher de pegar o filho de 4 anos e invariavelmente dá o cano. Um belo dia resolve mudar de atitude para conquistar o garoto. Mas tudo dá errado, grande parte dentro do carro (emprestado) – aqui o recurso do 3D é interessante porque coloca os atores em perspectiva. Gianecchini faz uma ponta, Leandro Hassum um bom personagem. Mas nem assim segura. Falta originalidade, um toque a mais. Num caso como esses, fico pensando se os atores sabiam mesmo onde estavam se metendo!

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Paulo Fontanelle  ELENCO: Luiz Fernando Guimarães, Lavínia Vlasak, Leandro Hassum, Bárbara Paz, Sandro Rocha, Reynaldo Gianecchini, Lívia de Bueno, Eri Johnson, Gabriel Palhares | Brasil, 2013 (

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OS ESTAGIÁRIOS – The Internship
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Estados Unidos, Comédia - 29/08/2013

Sejamos honestos: existe uma diferença – ou seria um abismo? – entre a geração que nasceu junto com a internet e que hoje está na casa dos 20 e nós, que já transcendemos a barreira dos “enta” e somos “do século passado”, com se isso fosse o mesmo que dizer “jurássicos”. Trágico, nostálgico, deprimente? Acho que não precisamos ir tão ao fundo do poço assim, mas que há uma diferença, isso ninguém pode negar!

Dei um google e descobri que o primeiro site surgiu em 1993 – já não me lembrava. Com ele veio uma geração treinada a naturalmente criar e pensar caminhos digitais, que já permeiam todos os aspectos da nossa existência. E quem não tem esse pensamento digital nato, faz o quê? Ainda tem lugar ao sol?

É por essas e outras que Os Estagiários, estrelado por Vince Vaughn e Owen Wilson (também em Meia-Noite em Paris, Marley e Eu), é bem interessante. Os amigos Billy e Nick são vendedores à moda antiga: marcam reunião e visitam o cliente para tentar fechar a venda. Mas a empresa onde trabalham encerra suas atividades porque o modelo de negócio não funciona mais. É quando eles têm a brilhante ideia de tentar entrar no programa de estágio do Google – uma das vagas mais concorridas do mundo!

Claro que o perfil quarentão está longe de ser adequado para as expectativas digitais, mas a dupla rala para conseguir uma brecha no meio da garotada cibernética e diverte muito a plateia com as analogias aos anos 80 e 90, com as diferenças na forma de pensar e se comportar. Tem graça quando mostra a sinergia entre o emprego frio da razão de hoje e a emoção de quem já tem experiências de vida. Quem é do tempo em que o fax era o máximo, vai se identificar com muitas das situações e dar boas risadas; quem já nasceu plugado, pode passar a achar que seus pais têm razão em pelo menos alguma coisa.

 

DIREÇÃO: Shawn Levy ROTEIRO: Vince Vaughn, Jared Stern ELENCO: Vince Vaughn, Owen Wilson, Rose Byrne | 2013 (199 min)

 

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70º FESTIVAL DE VENEZA
CLASSIFICAÇÃO: Itália, Festival, Festivais, Dicas Afins - 29/08/2013

Começou ontem o 70º FESTIVAL DE CINEMA DE VENEZA. Abriu com Gravidade, do mexicano Alfonso Cuarón, com as estrelas Sandra Bullock e George Clooney. Parece que a plateia gostou (o filme estreia aqui no Brasil em outubro).

A premiação será só em 07 de setembro, quando saberemos quem leva o Leão de Ouro deste ano. Enquanto isso, veja quem ganhou nos anos passados e bom garimpo!

2012 – PIETÁ, de Kim Ki-Duk (Taiwan) – para pensar, e muito. Estranho e forte, mostra a crueldade humana sem qualquer filtro. Na Seul do boom imobiliário, um cobrador de dívidas vai até o limite para reaver o dinheiro dos agiotas. Veja, se tiver estômago!

2011- FAUSTO, Alexandr Sokurov (Rússia) – também para pensar. Denso, forte e muitas vezes estranho, Fausto é mais bacana para quem curte a filmografia de Sukurov e tem o mínimo de conhecimento sobre Fausto de Goethe. Se não tiver, fica literalmente boiando. A história é sobre um homem que vende a alma para o diabo, em troca de conhecimento. Fácil?

2010 – UM LUGAR QUALQUER, de Sofia Coppola (EUA) – filme bacana, sobre a dificuldade de lidar com a fama, dinheiro, soberba. Relações pessoais e familiares, bom para refletir sobre o tema.

2009 – LÍBANO, de Samuel Maoz (Israel)

2008 – O LUTADOR, de Darren Aronofsky (EUA) – este eu não entendi. Com Mickey Rourke no elenco, conta a história de um lutador fracassado, descontrolado e alcoólatra. Pode até ser que o ator esteja idealmente caracterizado para o papel, mas está em situação deplorável, o que já de cara me causou repulsa. Deprimente demais.

 

 

 

 

 

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A ALMA DA GENTE
"Uma criança que vai para a escola e escreve deveria trabalhar mais as suas mãos. E por que não contar o mundo, seus sentimentos com as mãos? Eu aprendi, na Ásia, a subdividir o ritmo. Eles têm isso na Índia, e também na herança africana: a palavra pro gesto. A palavra é o tempo que o gesto tem no espaço. Isso constrói um outro conceito do mundo." - Ivaldo Bertazzo
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Documentário, Brasil - 28/08/2013

Transferir o ritmo para o gesto. As mãos falam, impõem o compasso do corpo, dos pés, do olhar. O gesto diz a que veio e transforma. Depois de três anos de trabalho com 60 adolescentes do Complexo da Maré e três espetáculos montados, A Alma da Gente mostra e demonstra como um projeto de dança e educação pode mudar a rotina de uma comunidade, os sonhos dos adolescentes, a expectativa dos jovens e a realidade dos futuros adultos. Emocionante, mesmo para quem não tem essa vivência da dança. O processo é mais profundo e diz respeito a todos nós.

Começado em 2002, o projeto Corpo de Dança da Maré fez a diferença na vida dos adolescentes carentes daquela comunidade. O que a gente vê no filme não é só a produção do espetáculo Dança das Marés, mas um processo de construção. Os depoimentos mostram como a chegada do projeto alterou a rotina; que ir para a escola era chato, mas ter a dança dava uma injeção de ânimo e novidade; que o movimento trouxe novas possibilidades futuras aos jovens. Claro que não é capaz de transformar tudo e todos – se fosse, seria fórmula mágica. Mas planta uma semente na alma.

Depois desse período em que o projeto fica na comunidade, os jovens retomam sua vida. Após 10 anos, a equipe de produção e e os diretores Helena Solberg e David Meyer procuram aqueles jovens, hoje adultos, para saber o que andam fazendo da vida e como a experiência da dança interferiu na sua vida. Aline, por exemplo, queria antes ser psicóloga, com dança passou a se interessar pela fisioterapia, e 10 anos depois ficamos sabendo que ela se tornou uma advogada.

Imagino que quem viva a realidade da dança se encante mais profundamente com o filme. Mas mesmo quem não vive e sabe o valor do processo educativo, seja ele forma ou informal, dentro ou fora da escola, toca a alma. É bem o que disse Jacira, de 13 anos, uma das jovens entrevistadas: “Eu queria ser marinheira. Sabia que tinha que estudar estudar. Eu sabia que eu tinha que começar, mas não antes eu não sabia nem por onde. Agora eu já sei.” E saber não significa que as coisas se concretizem, mas abre portas, suscita mudanças e aumentas as chances de transformação. A mesma Jacira resume bem o que seria o mundo se muitos pensassem como Bertazzo: “O mundo não seria baile, bunda, tráfego; violência, guerra e morte. Na minha opinião o mundo seria pra arte, arte, arte”.

O coreógrafo e educador diz que não quer o acerto do passo, mas quer energia, força do olhar. A Alma da Gente tem essa força, merece ser visto. Eu tive a oportunidade de assistir a Milágrimas, de Ivaldo Bertazzo, e me lembro justamente desse compasso ritmado e equilibrado do movimento, do passo e do som que o próprio corpo produz. Parece mesmo um uníssono, mas com a certeza de que cada um ali no palco tem sua individualidade. Para mim, esse é o grande trunfo.

 

DIREÇÃO: Helena Solberg e David Meyer | Brasil, 2013 (83 min)

 

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MAMA
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Canadá - 26/08/2013

Tem uma diferença entre filme de suspense e de terror. Particularmente gosto mais do suspense. Para ser bom precisa realmente causar dúvida, insinuar sem parecer mentiroso, dar a entender sem entregar o ouro antes do final. Não é bem disso que estamos falando aqui. Mama está mais para um filme de terror, com aquelas questões sobrenaturais que já sabemos de cara que não pretendem soar como verdade, nem impressionar pela trama, amarração do roteiro, ou coisa que o valha. Qual é a sua ideia? Levar alguns sustos e ver como termina a história das meninas perdidas no bosque? Então estamos combinados: corra para assistir que o filme atenderá às suas expectativas.

Mas, quem é Mama, afinal? O filme começa confuso, com o personagem de Jeffrey descontrolado, fugindo com as filhas pequenas depois de cometer uma verdadeira loucura. Sem tirar qualquer graça que essa parte  possa ter, eu diria somente que suas filhas acabam ficando sozinhas em uma cabana abandonada no meio da floresta, sobrevivem milagrosamente e são encontradas depois de anos por Lucas, irmão de Jeffrey.

Só sobrevivem porque algum ser misterioso (e horroroso) as ajuda. A tal da Mama. Mesmo quando são resgatadas por Lucas e sua namorada Annabel (Jessica Chastain, também em A Noite Mais Escura, O Abrigo, A Árvore da Vida) e voltam teoricamente a viver em um ambiente normal, este alguém (ou algo) misterioso as acompanha. É dessa companhia que surgem os sustos e o mistério, que será desvendado no decorrer da trama.

Dê uma olhada no trailer abaixo – ele já mostra de que terror estamos falando. Claro que tem o apelo materno colocado na figura de Annabel e da própria “Mama”, algo do tipo mãe-é-mãe-em-qualquer-situação. Mas isso fica para segundo plano na direção do argentino Andrés Muschietti, até mesmo na cena final. O que vem à tona é realmente o clima de terror. Se quiser suspense paranormal, há sempre opções mais bacanas como Os Outros, de outro argentino Alejandro Amenábar, com Nicole Kidman, por exemplo. Morto por morto…

 

DIREÇÃO: Andrés Muschietti ROTEIRO: Neil Cross, Andrés Muschietti ELENCO: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier | 2013 (100 min)

 

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NOVO FILME DE WOODY ALLEN ARRASA NOS EUA
CLASSIFICAÇÃO: Notícias, Estados Unidos - 26/08/2013

O maior sucesso de Woody Allen tinha sido, até então, Meia-Noite em Paris. Parece que Blue Jasmine, com Cate Blanchett e Alec Baldwin, superou as expectativas. Na sua quinta semana de exibição nos cinemas americanos, a Sony passou de 229 para 1.283, graças ao superfaturamento do fim de semana: US$ 4,3 milhões! Boa notícias, já que Para Roma com Amor, seu último filme, não foi lá grande coisa. Blue Jasmine está prestes a se tornar o maior lançamento do ano do cinema independnete em faturamento.

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FRANCES HA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Comédia - 23/08/2013

Delicado, bem humorado e inteligente. Precisa mais? Tem a cara do cinema independente, aquele que retrata o cotidiano, que não se importa com grandes malabarismos na produção ou no personagem, e que por isso cria uma empatia imediata com o espectador. Quem é que já não se sentiu como Frances, a personagem da ótima Greta Gerwig? Sem rumo, a ponto de não conseguir dizer o que faz da vida.

E não consegue porque acha que não faz nada de fato. Aos 27 anos, Frances resolve não morar com o namorado porque não pode decepcionar a melhor amiga, com quem ainda divide o apartamento. É a relação com a melhor amiga que justamente norteia os passos de Frances. Sente-se abandonada quando Sophie assume um relacionamento, deixa pra trás o comportamento adolescente e entra na vida adulta. Frances não consegue soltar as amarras. Com eterno jeito de moleca, fazendo brincadeiras ainda de menina e dizendo não-importa-o-que totalmente sem filtro ou censura, vai costurando uma comédia deliciosa, cheia de situações cotidianas, familiares a todos nós (principalmente às mulheres), com uma pitada poética.

Sem ser piegas, não se preocupe. Filmado em preto e branco, o olhar do diretor Noah Baumbach (também de A Lula e a Baleia) é permeado pela visão da própria Greta, corresponsável pelo roteiro. Algo parecido com o que faz a atriz Julie Delpy em seus filmes: tive a impressão de que Greta e Frances eram a mesma pessoa, de que a atriz encenava sua própria experiência. Uma sacada, porque coloca a gente dentro do filme, como se compartilhasse sua dúvida, seu difícil e suado rito de passagem para uma vida enfim adulta.

Portanto, o filme tem a cara de quem gosta de cinema autoral, de quem gosta de releituras da própria vida, do transporte natural e simples das experiências em comum para a telona. Aliás, difícil classificar Frances Ha: é bom para pensar, se divertir, se emocionar e também ver bem acompanhado. É o tipo de filme que rende boa conversa depois, e uma companhia aqui é essencial!

 

 

 

DIREÇÃO: Noah Baumbach ROTEIRO: Noah Baumbach, Greta Gerwig ELENCO: Greta Gerwig, Mickey Sumner, Adam Driver, Michael Esper, Michael Zegen

 

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CAMILLE CLAUDEL, 1915
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França, Drama - 23/08/2013

Camille Claudel teve uma vida apaixonante. Não que tenha sido fácil. Pelo contrário. Escultora talentosa, ficou mais conhecida por ter sido aprendiz e amante do famoso Auguste Rodin, na Paris efervescente culturalmente do final do século 19. Sua cumplicidade com o escultor, tanto no perfil de suas obras, quanto na vida amorosa, acabaram levando-a à loucura. Foram 30 anos em um manicômio, até morrer sozinha aos 79 anos.

A vida de Camille é uma novela por si só. Já é uma história em tanto: talentosa enquanto escultora, numa época em que as mulheres eram donas de casa e esposas; ambiciosa enquanto profissional, em uma época que mulher não tinha vez; apaixonada por Rodin, quando o escultor já tinha uma companheira e optou por não deixá-la; dominada pela mágoa e pelo ciúme, quando achava que Rodin copiava e roubava suas obras. Camille causou um reboliço no meio artístico parisiense, mas depois de romper com Rodin, isolou-se em seu ateliê, tornou-se agressiva e terminou sendo internada pela família em um hospício, onde ficou até a morte.

A primeira parte da vida de Camille, até o seu isolamento no ateliê, vale ser visto no filme Camille Claudel, de Bruno Nuyteen (1988). Belíssimo, com Isabelle Adjani e Gérard Depardieu, reconstitui a época em que se conhecem, em que Paris recebe a Exposição Universal em 1900 e em que ela está descontrolada e solitária. O que acontece depois é o que conta este filme de Bruno Dumont (também de O Pecado de Hadewijch). Mostra Camille, magistralmente representada por Juliette Binoche (também em De Coração Aberto, Elles, Aproximação, Cópia Fiel, O Paciente Inglês, Horas de Verão) no manicômio no sul da França, sempre à espera da visita de seu irmão e poeta Paul Claudel, sua grande referência, sempre na esperança de que a tirasse dali.

Binoche está espetacular, no seu olhar desesperado, no seu discurso perdido no tempo, como quem é perseguida, na ausência de perspectiva para voltar a criar e viver. Naquela ambientação fria dos hospitais psiquiátricos e nos tratamentos vazios, vemos Camille se esvaziar a cada dia. E é assim que ela acaba, depois de 30 anos de solidão completa. Lento, como devem ter sido os dias de Camille, o filme tem seu ritmo próprio. É preciso apreciar a atuação da atriz e conhecer um pouco da história da escultora para se sentir, ao menos um pouco, na pele desta Camille de Juliette. Por isso, minha dica para quem não conhece a vida da escultora: assista ao primeiro Camille Claudel, de Bruno Nuyteen. Além de ser um drama e tanto, terá mais chance de se deixar emocionar com a loucura angustiante da escultora na sua prisão particular, que começa bem antes de 1915.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Bruno Dumont ELENCO: Juliette Binoche, Jean-Luc Vincent, Emmanuel Kauffman | 2013 (95 min)

 

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