cinegarimpo

maio, 2013

NOVIDADES QUE VALEM SEU INGRESSO
CLASSIFICAÇÃO: Especial, Dicas Afins - 29/05/2013

Faroeste Caboclo_Fabr°cio Boliveria e Isis Valverde3_cred. Hugo SantaremFeriado à vista e o Cine Garimpo selecionou as novidades em cartaz que valem o seu ingresso de cinema. Escolha de acordo com seu estado de espírito e bom garimpo!

 

ALÉM DA ESCURIDÃO – STAR TREK, por J.J. Adams (EUA) – para se divertir e se deliciar com uma ficção científica impecável e um texto afiado e afinado!

FAROESTE CABOCLO, por René Sampaio (Brasil) – para se emocionar com a história homônima cantada por Renato Russo. Sobre um improvável e trágico amor entre João de Santo Cristo e Maria Lúcia.

BONITINHA, MAS ORDINÁRIA, por Moacyr Góes (Brasil)- para pensar sobre a obra crítica, mordaz e pulsante de Nelson Rodrigues. Sobre a tragédia carioca, tão atual como nunca!

SEM PROTEÇÃO, por Robert Redford (EUA) – para se divertir com um bom elenco e uma boa investigação jornalística – embora não seja lá nada de muito especial, vai agradar quem gosta do cinema americano com FBI-perseguição-final feliz.

TRÊS MUNDOS, por Catherine Corsini (França) – para pensar sobre imigração ilegal, mas principalmente sobre responsabilidade. Bom drama, tema pertinente.

SE BEBER, NÃO CASE – PARTE III, por  Todd Phillips (EUA) – para se divertir, claro. E dispensa comentários, mas vale saber que o quarteto vai parar na impensável Las Vegas de novo. Divertido!

A DATILÓGRAFA, por Régis Roinsard (França) – para se divertir com esse comédia dos anos 50! Parece coisa muito antiga, mas quem é que não teve aula de datilografia?!

 

 

 

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TRÊS MUNDOS – Trois Mondes
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França, Drama - 28/05/2013

3 mundos

São três mundos diferentes: o mundo dos imigrantes ilegais e que não conseguem um lugar na sociedade, dos franceses, e daqueles imigrantes que conseguem status, dinheiro, trabalho. O rico atropela o pobre, foge sem prestar socorro e o francês é testemunha. Além de abordar o tema atual da imigração na Europa, o grande mote de Três Mundos é a responsabilidade.

Al era imigrante pobre, começou trabalhando como mecânico, conseguiu ser promovido, conquistou a filha do chefe rico e roleiro e vai se casar. Voltando de uma balada com dois amigos, atropela um imigrante ilegal, que morre no local. Toda a cena é vista por Juliette, uma francesa que testemunha a fuga da janela do seu apartamento. Al não consegue se livrar da culpa, Juliette vai atrás de Vera, a viúva, e do motorista. É ela quem faz a intermediação entre os dois na tentativa de ser solidária, mas o clima é de extremo estresse, raiva, culpa, ódio.

Três Mundos vai crescendo rápido, ganhando corpo e fui me perguntando aonde é que a consciência de cada um dos personagens os levaria. Vera tem raiva do sistema, da ilegalidade, da falta de suporte, dos anos trabalhados pelo país sem reconhecimento; Al tem medo, remorso, culpa; Juliette tem boa vontade, mas é ingênua e derrapa nas mentiras. A direção de Catherine Corsini (também de Partir) é bem conduzida, traz tensão e não deixa claro como os personagens vão terminar. E por falar em final, gosto do destino dos três persoanagens. Uma escolha humana, no que a gente tem de mais nobre e mais vingativo.

 

DIREÇÃO: Catherine Corsini ROTEIRO: Catherine Corsini, Benoit Graffin ELENCO: Raphaël Personnaz, Clotilde Hesme, Arta Dobroshi, Reda Kateb, Adèle Haenel | 2012 (102 min)

 

 

 

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FAROESTE CABOCLO – Entrevista
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Brasil, Aventura - 28/05/2013

faroeste caboclo“Eu nunca quis fazer um clipe da música”, disse René Sampaio, diretor de Faroeste Caboclo, durante entrevista. “A música tem 9 minutos e fazer um clipe de 100 minutos seria muito chato.” Recado dado. Portanto, imagine que a canção composta e eternizada por Renato Russo serviu de base para a produção, que conta a improvável e trágica história de amor entre João de Santo Cristo e Maria Lúcia.

Mas o filme tem seu recorte próprio, amplia o sentido da música e vale, definitivamente, o seu ingresso (estreia dia 29 de maio nos cinemas). Pequeno detalhe: não espere ouvir a música durante o filme. Ela só estará presente no final. E por mais que a gente já saiba de cor, fica sentado para ouvir de novo, agora com o recorte de René Sampaio na cabeça. Prova de que o filme tem personalidade, sem deixar de carregar Renato Russo na alma.

Para quem não lembra, João (o ótimo Fabrício Boliveira) é um menino pobre do interior da Bahia, que vive na secura do sertão, perde os pais, vai de ônibus tentar a sorte em Brasília e cai no lugar comum da periferia e das drogas. Conhece a linda Maria Lúcia (Isis Valverde), filha de senador (Marcos Paulo), educada e bem de vida, mas que ainda não sabe o que fazer da vida, perdida na maconha como vários outros jovens brasiliense dos anos 80. Além das drogas, outro empecilho surge entre os dois. Jeremias (Felipe Abib), o rival no tráfego e no coração de Maria Lucia. Até que a história culmina no duelo final, que você provavelmente conhece o desfecho. Em clima de faroeste.

Sem ser panfletário, fala da ditadura e da corrupção da época no país; sem supervalorizar a violência, mostra a crueldade urbana e social em que vivíamos e vivemos até hoje; sem exagerar nas cenas de sexo, constrói um romance improvável mas com sentimentos e doçura, a ponto de criar personagens verosímeis e um clímax incrível no final.

“O filme vem num momento condizente com o Brasil intolerante de hoje”, interpreta Fabrício. “João e Maria Lúcia são diferentes na cor, na cultura, na condição social e no entanto conseguem se afinar, admirar a diferença do outro. E nós, escolhemos o caminho da preconceito ou da tolerância?”, pergunta o protagonista. Além de ser caprichado, bem cuidado e de trazer a poesia e a contestação de Renato Russo para as telas, juntamente com Somos Tão Jovens (ainda está em cartaz), Faroeste Caboclo tem uma boa história para contar, é fábula e atualidade ao mesmo tempo e vale para todas a gerações.

 

DIREÇÃO: René Sampaio  ROTEIRO: Marcos Bernstein e Victor Atherino, inspirado na música de Renato Russo ELENCO: Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Felipe Abib, Antonio Calloni, César Trancoso, Marcos Paulo, Flávio Bauraqui, Lica Oliveira | 2013 (104 min)

 

 

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SE BEBER, NÃO CASE – PARTE III – The Hangover Part III
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Comédia - 28/05/2013

DIREÇÃO: Todd Phillips

ROTEIRO: Todd Phillips, Craig Mazin

se beber, não case 3

ELENCO: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bratham Ken Jeong, John Goodman, Melissa McCarthy, Jeffrey Tambor

Estados Unidos, 2013 (100 min)

 

Nos cinemas: 30 de maio

Já de cara a cena da girafa é engraçada, pra não dizer patética. Mas é disso que estamos falando quando pensamos em cinema como este. Fazer rir das caras e bocas dos quatro amigos, das situações absurdas e muitas vezes ridículas, mas que são feitas sob medida para ser isso mesmo. E nada mais. Se Beber Não Case III cumpre o papel. Mesmo para quem não se aventurou na despedida de solteiro em Las Vegas ou na Tailândia, rende descontração e risadas.
Quem sobrou solteiro foi Alan, um marmanjo de mais de 40 anos, que ainda mora com os pais e sofrer de síndrome de Peter Pan: não quer crescer. Seus mimos e desejos – e sua cara de pau absurda – são divertidíssimas. Para ajudá-lo a cair na real depois da morte do pai, os três amigos são acionados. Missão: convencer Alan de que uma temporada em uma clínica chamads New Horizons vai lhe fazer muito bem.

Claro que as confusões começam aqui e o quarteto vai parar em vários lugares  (inclusive na improvável Vegas), menos na clínica médica. Tendo que lidar com trapaceiros, bandidos e traficantes de plantão, Alan, Doug, Phil e Stu vivem mais uma aventura. Fui ressabiada, um pouco sem paciência para esse tipo de filme – porque não é todo dia que uma comédia assim desce redonda. Mas tenho que dizer que me diverti, que a turma composta pelos atores Bradley Cooper (também em O Lado Bom da Vida), Justin Bartha, Ed Helms e Zach Galifianakis tem liga. Mas agora já chega. Três está de bom tamanho.

 

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SEM PROTEÇÃO – The Company You Keep
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para se Divertir, Estados Unidos, Ação - 25/05/2013

sem proteção2DIREÇÃO: Robert Redford

ROTEIRO: Lem Dobbs, Neil Gordon

ELENCO: Robert Redford, Susan Sarandon, Terrence Dashon Howard, Shia LaBeouf, Sam Elliott, Chris Cooper, Julie Christie, Nick Nolte, Stanley Tucci, Richard Jenkins, Anna Kendrick, Brit Marling

Estados Unidos, 2012 (121 min)

 

Nos cinemas: 24 de maio

 

Só foge quem tem culpa no cartório. Em teoria sim, seguindo a máxima “quem não deve, não teme”. Mas desconfiado de que a teoria pode estar furada, um repórter dá o alerta e consequentemente a largada na busca a ex-terroristas. Parte do grupo ativista de esquerda Weather Underground, que participou de atos terroristas na década de 70, essas pessoas passaram 30 anos vivendo com identidades falsas, até que uma delas resolve se entregar.

A personagem que funciona como gatilho para a trama de perseguição e nostalgia é Sharon Solarz (Susan Sarandon, também em A Negociação, O Solteirão, Thelma & Louise). Cansada de viver se enganando, mas sem arrepender-se do que fez, Sharon se entrega e ganha a mídia. Quem se interessa pelo caso, até para ver se consegue um furo de reportagem, é Ben Shepard (Shia LaBeouf também em Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme), jornalista de um pequeno jornal, que acaba descobrindo a real identidade do advogado Jim Grant (Robert Redford, também em Entre Dois Amores), amigo de Sharon. Também ex-militante de esquerda, Jim Grant é na verdade Nick Sloan. Ao perceber que o cerco está se fechando, deixa sua filha com o irmão e foge para tentar encontra a única pessoa que pode provar que ele é inocente.

Tem um certo suspense, já que Nick Sloan sai a procura dos antigos colegas, que levam vidas normais, desiludidos com os fracassos do passado. E investigação, já que o jornalista Shepard usa todos os recursos, até a ex-namorada Diana (Anna Kendrick, também em A Escolha Pefeita, 50%, Amor sem Escalas), agente do FBI, para conseguir informações e se infiltrar. Mas não pega fogo, não decola como poderia, ainda mais com Redford na direção e elenco composto por um bom time como Terrence Dashon Howard, Chris Cooper, Julie Christie, Nick Nolte, Stanley Tucci e Richard Jenkins. Fica morno e deixa uma sensação de talento desperdiçado, apesar de ter conseguido reunir um elenco tão estrelado e de ter, de fato, uma boa história para contar.

 

 

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BONITINHA, MAS ORDINÁRIA
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Pensar, Drama, Brasil - 24/05/2013

bonitinha mas ordináriaDIREÇÃO: Moacyr Góes

ROTEIRO: Moacyr Góes, Nelson Rodrigues (peça)

ELENCO: Leandra Leal, João Miguel, Gracindo Júnior, Letícia Colin, Lígia Cortez, Leon Góes, André Valli

Brasil, 2012 (90 min)

 

O que eu mais gosto no texto de Nelson Rodrigues é a sua atualidade. Mesmo pensando que escreveu Bonitinha, Mas Ordinária em 1962, portanto no pós-guerra, é perfeitamente possível encaixar sua tragédia carioca no Brasil de hoje. E isso não é pouca coisa. Traz a malandragem, o esfolado e o hipócrita, a classe média arrogante e o povo recalcado, o sexo reprimido e escancarado, a moral religiosa e social destorcida, degradada, a venda do corpo e da alma. A vida como ela é, nua e crua. O luxo no lixo; o lixo no luxo.

Transportando uma realidade dos anos 60 para os dias de hoje, claro que algumas situações parecem inverossímeis. Pensar que um pai rico e prepotente é capaz de obrigar a filha a se casar com um de seus funcionários pobretões, só para não ficar falada na sociedade e recuperar a sua honra, parece absurdo. Literalmente pode até ser, mas o buraco de Nelson Rodrigues é mais embaixo.

À primeira vista, Maria Cecília (Letícia Colin) é estuprada por cinco caras negros em um baile funk na favela. Desonrada, seu pai (Gracindo Júnior) obriga Edgar, um operário de sua construtora (João Miguel, também em Xingu, À Beira do Caminho, Gonzaga, De Pai Pra Filho, Estômago) a se casar com ela, em troca de um cheque de R$ 5 milhões. Parece praxe, já fez isso com a filha mais velha com seu funcionário Peixoto. Compra pessoas, dilui a moral, a ética e o caráter.

Acontece que Edgar é apaixonado por Ritinha (Leandra Leal, também em Estamos Juntos), moça que rala para por dinheiro dentro de casa, para educar as irmãs, sabe lá Deus como. Entre o amor e o dinheiro, a felicidade utópica e a tentação diabólica, a miséria orgulhosa e o triunfo a qualquer preço, Edgar sofre, representa a réstia de ética que ainda pode existir.

Em meio a orgias, estupros, escambo dos bons costumes, a bonitinha e  ordinária Maria Cecília é peça-chave. Não sei bem se ela convence com sua pseudo-ingenuidade, mas a sua figura infantilizada por vezes me fez querer trocá-la por uma atriz com mais força. Aqui é uma figura mais novelesca e dentro dos moldes, talvez um pouco engessada para essa trama dissumulada.

A força que têm Edgar e Peixoto não só contrasta, como lidera a tragédia carioca, a tragédia familiar. Sim, porque a família é o centro, o desejo de consumo e a fonte de podridão. Conforme diz Peixoto, “toda a família tem um momento em que começa a apodrecer”, filosofa. “Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo. E lá, um dia, aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo.”

Pois é, este é Nelson Rodrigues que não dá ponto sem nó. Se a adaptação é novelesca, comportada demais, encare isso como um recorte, uma releitura. E um convite para ler a obra original. De qualquer maneira, Bonitinha, Mas Ordinária tem ritmo bom, temática espetacular e pura tragédia da vida humana. Vale seu ingresso.

 

 

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VELOZES E FURIOSOS 6 – Fast & Furious 6
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Aventura, Ação - 23/05/2013

velozes e furiosos 6DIREÇÃO: Justin Lin

ROTEIRO: Chris Morgan, Gary Scott Thompson

ELENCO: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Luke Evans, Michelle Rodriguez, Gina Carano, Jordana Brewster, Sung Kang, Tyrese Gibson, Clara Paget, Gal Gadot, Ludacris

Estados Unidos, 2013 (130 min)

 

Nos cinemas: 24 de maio

Concordo que, para aqueles que assistiram aos outros 5 Velozes e Furiosos, ou pelo menos à aventura no Rio e em Tóquio (as duas últimas), fique mais interessante. Durante a sessão para a imprensa (bem masculina, por sinal), confesso que a plateia se divertiu mais do que eu. Claro que, para fazer o gancho com as cinco histórias passadas dos personagens, que já renderam US$ 1,5 bilhão, o diretor Justin Lin menciona outras peripécias. Tem coisa que fica no ar, não tem jeito.

Mas eu diria o seguinte: se você domina o jogo do quem-é-quem, já fica tudo resolvido. Pois fique sabendo que Hobbs (Johnson) é um agente do DSS (Serviço de Segurança Diplomática), que acaba se rendendo às habilidades do grupo de criminosos encabeçado por Dominic Toretto  (Vin Diesel) e Brain O’Conner (Paul Walker) para combater um inimigo global, ainda mais perigoso. Na aventura anterior, o bando aniquilou outro criminoso e embolsou US$ 100 milhões. Mas não puderam pisar mais nos Estados Unidos. Os anti-heróis, procurados pelo FBI, agora são reunidos por Hobbs e são a única esperança contra uma equipe de pilotos mercenários, espalhados mundo afora.

Alguma dúvida? O resto você entende pelo contexto dos tiros, perseguições, combates, e tudo mais que o cinema é capaz de proporcionar. Com uma trilha compatível com o barulho, a agitação e a velocidade do filme. Acho adequado e bem feito, uma superprodução para fã nenhum botar defeito. Quanto àqueles que não são fãs, o filme fica devendo esse poder de sedução. E não se trata de não gostar do gênero “ação”. Gosto e inclusive já disse aqui que o ofício me ensinou a apreciar o cinema do super-herói, por exemplo. Que também é filme para fã. Mas a franquia Velozes e Furiosos, deixo para a plateia masculina reverenciar. Prova disso é que no mesmo dia assisti a Além da Escuridão – Star Trek. Esse sim me conquistou. Percebe a diferença?

 

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A DATILÓGRAFA – Populaire
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, França, Comédia Romântica - 21/05/2013

DIREÇÃO: Régis Roinsard

ROTEIRO: Régis Roinsard, Daniel Presley

ELENCO: Romain Duris, Déborah François, Bérénice Bejo

França, 2012 (111 min)

 

Nos cinemas: 24 de maio

datilógrafa

Quem teve a oportunidade – sim, a oportunidade – de datilografar e conhecer de perto as mazelas e maravilhas de uma máquina de escrever, vai recordar muita coisa. Eu ainda tive aula de datilografia no colégio e decorar a sequência ASDFG HJKLÇ, cada qual com seu devido dedo, era um desafio. Mesmo porque, não era nada parecido com os teclado de hoje em termos de segurança (os dedos entravam no meio das teclas) e de eficiência (as hastes das letras travavam quando digitávamos rápido demais).

Depois esse romantismo terminou com a máquina elétrica,seguida pelo teclado do computador e das telas sensíveis ao toque. E não estou falando dos anos 1950, época em que o filme se passa. As aulas de datilografia eram um luxo, no auge dos anos 80. Pensar sobre esse aspecto da rapidez dessa substituição é curioso – e nostálgico. Mas o melhor de tudo é saber que hoje digito com os 10 dedos graças às sequências intermináveis que tinha que repetir, até decorar e esfolar todos os dedos.

A Datilógrafa conta a história de uma simpática moça de 21 anos, Rose Pamphule (Déborah François, também em O Monge, A Criança), que resolve seguir o caminho diferente da esmagadora maioria das mulheres daquela época. Em vez de se tornar esposa, mãe e dona de casa, resolve procurar o emprego mais cobiçado entre as mulheres: ser secretária. Acaba indo trabalhar no escritório de Louis (Romain Duris, também em Albergue Espanhol, Bonecas Russas, Como Arrasar um Coração, Em Paris, De Tanto Bater, Meu Coração Parou).

Dentro daquele clima retrô dos anos 50 e de algumas piadas graciosas, ele se encanta com Rose, resolve treiná-la para ser a mais rápida datilógrafa da França e vencer todas as competições. Sem comprometer, A Datilógrafa diverte e distrai na medida de uma graciosa comédia romântica.

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ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Brasil - 20/05/2013

era um vez eu, veronicaDIREÇÃO e ROTEIRO: Marcelo Gomes

ELENCO: Hermila Guedes, João Miguel, W. J. Solha

Brasil, 2012 (91 min)

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Era Uma Vez Eu, Verônica é isso mesmo. Um filme sobre um “eu”, uma reflexão sobre a vida, sobre o lugar que se ocupa no mundo. Um exercício de introspecção, um “fechamento para balanço” – tão precioso e necessário em algumas fases da vida. Para tanto, exige tempo, olhar cuidadoso e atenção aos detalhes e silêncios propostos pelo diretor Marcelo Gomes, também de Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo – que também é uma viagem interior.

E o que o diretor propõe são 91 minutos de observação. Quem executa o trabalho de análise é a própria Verônica, que registra suas impressões, sentimentos, sensações, dúvidas em um gravador. O filme começa e ela se despede de tudo que foi registrado durante seus anos como estudante de medicina. Agora inicia a Residência em um hospital público de Recife e questiona tudo e todos. Inclusive ela mesma. Seu relacionamento com Gustavo (João Miguel, também em Xingu, À Beira do Caminho, Gonzaga, De Pai Pra Filho, Estômago). Se quer ser médica, se quer namorar, se quer lidar com pessoas e não mais com livros e casos teóricos, se quer viver desta maneira. Uma típica crise existencial, admitida por ela mesma, já que não tem lá muito motivo para estar deprimida: tem um emprego, é reconhecida no trabalho, tem amigos, consegue se divertir, fazer sexo (que é a sua válvula de escape).

Você observa, Verônica vive. E faz uma escolha entre ser feliz e passar a vida se queixando. Aqui está uma das grandezas deste filme que, sem dúvida, não é para qualquer público: tratar do comum, da dúvida que assola a mais comum das criaturas, com naturalidade, sem fazer um dramalhão, mas imprimindo na personagem a força da indiferença. E aqui pego o gancho para dizer que isso só é possível se a atriz é boa, muito boa. Hermila Guedes tem o olhar de quem procura, o sorriso de quem tem a felicidade dentro de si e só precisa optar por ela. Mostra o Recife como qualquer outra cidade, que enderece o cidadão se ele não se dá conta de que a cidade também guarda seus tesouros. É a vida das obrigações se sobrepondo aos prazeres.

Só de uma coisa Verônica não tem dúvida: do amor pelo pai, pela família, pelo incondicional. No mais, precisa optar. E ter livre arbítrio pode ser algo duro de lidar. É sobre isso que o filme fala. No fundo, a felicidade é uma escolha.

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REINO ESCONDIDO – Epic
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Estados Unidos, Animação - 17/05/2013

DIREÇÃO: Chris Wedgereino escondido2

ROTEIRO: Tom J. Astle, Matt Ember

ELENCO: Amanda Seyfried, Beyoncé Knowles, Josh Hutcherson

Estados Unidos, 2013 (102 min)

 

Nos cinemas: 17 de maio

 

Divertida e colorida a nova animação em cartaz. Reino Escondido conta a história de seres minúsculos que vivem na floresta e são observados constantemente por um cientista maluco, uma espécie de professor Pardal, que faz invenções mirabolantes na tentativa de provar a todos que sua teoria está certa: de que existe uma vida secreta na floresta.

Isso tem muita graça, no sentido de ser gracioso e engraçado. Mesmo porque, a protagonista é a filha do cientista, a garota Mary, que perdeu a mãe, não consegue atrair a atenção desse pai maluco e acaba se envolvendo na luta dos homens-folha, os protetores da floresta, contra as forças do mal. E o mal, aqui, é um sujeito recalcado, que quer destruir a floresta e reinar sozinho no território cinza que um dia foi exuberante.

Reino Escondido é bonito em 3D, pela dimensão da natureza. Tem também o aspecto da família, da relação entre pai e filha, que sempre gera empatia e leva o público para dentro da cena. Num trabalho de aceitação das coisas e gênios como eles são, o filme é bem cuidado e ideal para ver em família.

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