cinegarimpo

março, 2013

OS CROODS – The Croods
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Animação - 30/03/2013


croodsDIREÇÃO e ROTEIRO: Kirk De Micco, Chris Sanders

ELENCO: Nicolas Cage, Ryan Reynolds, Emma Stone

Estados Unidos, 2013 (98 min)

Soube de professor de História que sugeriu que as crianças assistissem a Os Croods – e não só para se divertir, mas também para pensar um pouco sobre o tempo em que o homem vivia nas cavernas. Alunos do sexto ano que estão começando a enveredar pela história da humanidade na sua linha cronológica acadêmica podem ver na história dessa família como era (ou como imaginamos que seria) a sobrevida, a luta por alimentos, o conceito de preservação da espécie e do raciocínio involuntário de ‘quanto-menos-risco-melhor’.

Considerando, é claro, que se trata de uma animação minuciosamente pensada e deliciosamente roteirizada (incluo aqui as pérolas do texto, das questões emblemáticas da adolescência e dos relacionamentos interfamiliares), Os Croods são uma versão do que seria a Idade da Pedra com humor e sofisticação. Não só no campo da busca por alimentos, da vida na escuridão, da descoberta da luz em forma de fogo como uma “opção” quando não houver sol, mas também do comportamento.

A família vive na caverna para se defender contra predadores e preservar a espécie. São os únicos sobreviventes de um mundo prestes a ser engolido pelos fortíssimos terremotos, separação dos continentes e criação de um mundo cheio de novidades. Abandonar o medo e aceitar o novo é a palavra de ordem difícil de ser absorvida pela patriarca, que defende a família literalmente com unhas e dentes.

Criativo e muito bem cuidado em todos os seus detalhes, encanta crianças e adultos com aqueles graças realmente bem delineadas, com que todas as famílias se identificam. Os Croods são uma família como as nossas: com medo das inovações que nos assolam todos os dias, que nos forçam a sair da zona de conforto, que colocam em risco os mais queridos. A única diferença é que vivem nas cavernas.

Mas até isso é interessante: quando a gente cerca e superprotege um filho demais da conta, não estamos tentando fazer com que ele viva na escuridão, na zona de conforto, dentro das nossas expectativas e daquilo que conseguirmos controlar? Aceitar e caminhar em direção ao sol é um desafio de toda a humanidade. Em qualquer tempo. Mas devaneios a parte, Os Croods é para qualquer idade!

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JACK: O CAÇADOR DE GIGANTES – Jack: The Giant Slayer
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Estados Unidos, Aventura - 28/03/2013

Jack - Character Art_FallonDIREÇÃO: Bryan Singer

ROTEIRO: Darren Lemke, Christopher maquiarei

ELENCO: Nicholas Hoult, Stanley Tucci, Ewan McGregor, Eleanor Tomlinson, Eddie Marsan, Ewen Bremner, Ian McShane

Estados Unidos, 2013

 

Nos cinemas: 29 de março

 

Tem gente que não gosta de releituras. Acha que é chover no molhado, reescrever uma história já exaustivamente repetida e, por isso mesmo, já explorada em todos os campos. Penso diferente. História boa rende novos pontos de vista e, principalmente, novos recursos que podem incrementar. Claro, com licenças poéticas fica ainda mais divertido imaginar novamente como seria o famoso João, da fábula infantil João e o Pé de Feijão.

Só que João na verdade é Jack (Nicholas Hoult), um camponês inglês que vive humildemente com seu tio em uma pequena cabana. Vai ao mercado vender um cavalo, é surpreendido por um monge que precisa fugir e lhe oferece um punhado de feijões. E adverte: são encantados, não devem ser molhados de jeito nenhum. Claro que é isso que acontece e os feijões germinam, crescem rapidíssimo, ficam gigantes e acabam complicando a vida do camponês e da princesa daquelas terras. O pé de feijão chega no céu, numa terra misteriosa habitada por gigantes que se alimentam de gente.

A aventura consiste em se livrar dos gigantes e dos traidores e levar a princesa de volta para o bondoso rei. O filme tem ritmo, ótimos efeitos especiais (é em 3D), bom elenco e sintonia entre Jack e Isabelle (Eleanor Tomlinson). Além de bons atores, como o veterano Stanley Tucci e Ewan McGregor (também em O Impossível, Amor Impossível, Sentidos do Amor, O Escritor Fantasma). É uma aventura gostosa para  ver em família, que vale o seu ingresso.

 

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DENTRO DA CASA – Dans la Maison
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, França - 26/03/2013

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Desta vez François Ozon segue outro caminho. Não é o casamento em frangalhos de Amor em 5 Tempos, nem a paródia de Potiche – Esposa Troféu. Também não tem o elemento surreal de Ricky, ou a melancolia de Refúgio. Dentro da Casa fala da criatura e do criador, do tanto que eles se confundem, tornam-se uma coisa só, seja a criação na área que for.

Quando se fala em literatura, então, o céu é o limite. Dizem que o papel tudo aceita, mas isso não é suficiente para Claude, um adolescente que não se contenta em escrever uma simples redação sobre seu fim de semana. Talentoso, resolve transformar Rapha, seu colega de classe, em seu personagem. Estimulado pelo professor Germain (Fabrice Luchini, também em As Mulheres do 6o Andar, Potiche), que já não aguenta mais ler redações pobres de espírito, criatividade e estilo, Claude investe na amizade com Rapha e vai retratando suas passagens pela casa do amigo em suas redações.

A história criada por Claude vai, pouco a pouco, se misturando com a realidade. À medida que o garoto ganha intimidade com a família do colega, sua presença perturba a ordem vigente, cria conflito, deflagra situações inesperadas e já não há como voltar atrás. Nem a relação de Germain com sua esposa Jeanne (Kristin Scott Thomas, também em Há Tanto Tempo que Te Amo, A Chave de Sarah, O Paciente InglêsPartir) se salva.

Gosto particularmente do tema da observação que Claude e Germain põem em prática. Tenho um pouco este hábito de observar pessoas desconhecidas e imaginar como é a vida delas, o que estaria acontecendo naquele exato momento. Momentos preciosos de ócio, quando a imaginação corre solta. Parece ser esse o passatempo predileto da dupla do professor e aluno, que extrapolam e geram um elemento novo a partir daquilo que é simples realidade aos olhos das pessoas comuns. É fonte de inspiração, a vida das pessoas de um modo geral. Aqui ela ganha um toque a mais com tamanha criatividade. Talvez Dentro da Casa tenha me interessando por eu ser do mundo das letras e do cinema, que nada mais contam que histórias de vida. De qualquer modo, gosto da maneira de Ozon de explorar o universo humano. E ousar caminhos.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: François Ozon | ELENCO: Fabrice Luchini, Ernst Umhauer, Kristin Scott Thomas, Emmanuelle Seigner | 2012 (105 min)

 

 

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O ÚLTIMO ELVIS – El último Elvis
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, Argentina - 25/03/2013

DIREÇÃO: Armando Bro

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ROTEIRO: Nicolás Giacobono, Armando Bo

ELENCO: John McInerny, Griselda Siliciani, Margarita Lopez, Rocío Rodríguez Presado, Corina Romero

Argentina, 2012

 

Nos cinemas: 29 de março

 

De fato, Elvis não morreu. Ao acabar a cabine de imprensa deste filme argentino, parte da seleção oficial do Sundance Festival, o projetista revelou que frequenta, sempre que pode, os encontros do fã clube de Elvis Presley. Que sabe cada uma das letras, que não se cansa de ouvir e tudo mais que compete a um fã de verdade. Mas quem é que se cansa?

Armando Bo, roteirista de Biutiful, acerta em cheio no tom, inspirado não só no ídolo, mas imagino que também no tema polêmico e bastante comum da difícil tarefa de lidar com fama, dinheiro, assédio e tudo mais que vem junto e é capaz de desestruturar completamente até o rei do rock. O Último Elvis tem música muito boa e muita sensibilidade, sem que para isso tenha que ser piegas.

Mais do que se parecer com Elvis, Carlos Gutiérrez canta como ele. Para ganhar um dinheiro extra, o operário apresenta-se em bares e casas de show de terceira linha com cover do cantor. Embora deixe claro que essa é a sua grande paixão na vida, parece que faltaram oportunidades para exercer a profissão de verdade. Vivendo longe da filha e recém separado da esposa, trasnforma-se em Elvis parece ser sua única válvula de escape de uma vida simples, mas principalmente pobre de espírito.

Até que, por conjunturas da vida, precisa reestruturar sua relação com a filha e reavaliar suas escolhas. Quem é ele, afinal? Elvis? Carlos? Assumir de tal forma a personalidade do cantor o transforma em alguém incompleto, sempre em conflito, sempre na dúvida? Além de ser sempre um prazer ouvir canções tão marcantes, O Último Elvis tem muito do jeito argentino de fazer cinema. É simples, sem ser simplório; mas sobretudo humano.

 

 

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ÓTIMA FERRAMENTA: O CINEMA DISCUTE O BULLYING
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Lista, Especial, Dicas Afins - 22/03/2013


depois de lúcia4Coincidentemente dois filmes muito bons entram em cartaz hoje e ambos falam do mal que aflige pais, educadores, crianças e jovens: o bullying. Caracterizado pela intimidação por palavras, agressões físicas, divulgação de imagens pela internet, humilhações covardes, este tipo de comportamento só ganhou um nome, porque na verdade sempre existiu.

O que acontece a mais hoje em dia é que há inúmeras outras ferramentas para intimidar alguém nos ambientes de trabalho, educacional e familiar. A tecnologia é uma delas e é capaz de expor a pessoa de forma irreparável.

Os seis filmes abaixo falam sem meias palavras sobre o assunto. Sem exceção, todos devem ser assistidos. Pela qualidade da produção e da narrativa, pela maneira de abordar o tema e por trazer à tona uma questão primordial para a formação de bons cidadãos: o trabalho com a tolerância e o respeito. Todos eles lidam com o bullying em crianças ou adolescentes, exceto A Caça, que transcende para o mundo adulto, deixando bem claro o tamanho do perigo.

 

ELEFANTE, de Gus Van Sant (EUA, 2003)

DEIXA ELA ENTRAR, de Tomas Alfredson (Suécia, 2008)

EM UM MUNDO MELHOR, de Susanne Bier (Dinamarca, 2010)

AS MELHORES COISAS DO MUNDO, de Laís Bodanzky (Brasil, 2010)

DEPOIS DE LÚCIA, de  Michel Franco (México, 2012) (foto acima)

A CAÇA, de Thomas Vinterberg (Dinamarca, 2012)

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DEPOIS DE LÚCIA – Después de Lucía
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, México, Drama - 19/03/2013

depois de luciaDIREÇÃO e ROTEIRO: Michel Franco

ELENCO: Tessa Ia, Hernán Mendoza, Gonzalo Vega Sisto, Francisco Rueda, Paloma Cervantes

México, França, 2012 (103 min)

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Adoro a categoria Un Certain Regard – uma amostra paralela que ocorre no Festival de Cannes (há outros filmes desta categoria Um Certo Olhar no blog). Prescinde de explicações: ela seleciona e premia filmes que abordem um tema sob um prisma diferente, inusitado, sob outra perspectiva. E mais, dá a chance de diretores desconhecidos virem à tona. Tudo isso pra dizer que Depois de Lúcia foi o vencedor da categoria em 2012 e é, de fato, arrebatador.

Toca no assunto polêmico e muito atual (não que não existisse antes, convenhamos) do bullying. É que agora, dado nome aos bois, rotula-se tudo de bullying. Maus tratos em casa e na escola, com intenção de diminuir, criticar, depreciar o outro é bullying. E a coisa está ficando muito séria, ainda mais com novas ferramentas eletrônicas de intimidação.

Há cenas em Depois de Lúcia que realmente dão vontade de fechar o olho. É o que muitas escolas e pais têm feito, inclusive. Mais fácil, assim não dá mais trabalho do que já é natural. Ou ainda, o que é pior: muitas vezes fica difícil perceber. O medo paralisa, afinal de contas. Alejandra (Tessa Ia) tem 15 anos, perde a mãe e tem que sair de uma pequena cidade litorânea e se mudar para a Cidade do México por causa do emprego do pai. Amoroso e preocupado, este pai precisa se adaptar à nova rotina sem a esposa e conta com uma relação boa com a filha – o que seria um grande trunfo e um porto seguro para os dois diante das ameaças da nova vida.

Mas a realidade escolar de Alejandra não é bem o que ela imaginava e a comunicação com o pai fica truncada, superficial. As armadilhas são constantes, deliberadamente aramadas pelos colegas dissimulados, egoístas e egocêntricos. Assédio, intimidação, humilhação constantes. Física, emocional, verbal. O retrato é cruel, mas o olhar do diretor é preciso, sofrido e muito real.  Pais, educadores, adolescentes: assistam! É perturbador, mas necessário.

 

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GARIMPO NO CINEMA PARA O FIM DE SEMANA
CLASSIFICAÇÃO: Especial, Dicas Afins - 15/03/2013

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Hoje temos cinco estreias, cada uma com um perfil bem diferente. Veja o comentário completo do filme clicando nos links e bom garimpo!

 

A BUSCA, de Luciano Moura (BRASIL) – para se emocionar com a busca do pai (Wagner Moura) pelo filho adolescente. Final previsível? Pode ser, mas o tema do resgate familiar é bacana e rende uma boa conversa.

ANNA KARENINA, de Joe Wright (INGLATERRA) – para ver bem acompanhado o drama da aristocrata Anna, que se envolve em um romance proibido, na época da Rússia dos czares. Lindo, teatral, impecável (levou Oscar de melhor figurino).

PIETÁ, de Kim Ki Duk (COREIA DO SUL) – para pensar, e muito. Estranho e forte, mostra a crueldade humana sem qualquer filtro. Na Seul do boom imobiliário, um cobrador de dívidas vai até o limite para reaver o dinheiro dos agiotas. Veja, se tiver estômago!

SUPER NADA, de Rubens Rewald (BRASIL)- para pensar sobre ídolos, fama e tudo mais que vem junto com o fato de ser ‘super’ e sentir-se um ‘nada’ ao mesmo tempo.

QUAL O NOME DO BEBÊ?, de Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte (FRANÇA) – para se divertir com os cinco amigos que se encontram para jantar, discutem sobre o nome do bebê de um dos casais e acabam lavando muita roupa suja!

 

 

 

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ANNA KARENINA
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Inglaterra, Drama - 14/03/2013

anna karenina4DIREÇÃO: Joe Wright

ROTEIRO: Tom Stoppard, Leo Tolstoy

ELENCO: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Taylor-Johnson, Matthew Macfadyen, Eric MacLennan, Kelly Macdonald

Inglaterra, 2012 (129 min)

Anna Karenina de Joe Wright ganhou o Oscar de melhor figuro. Mais que merecido, mas este não é o seu grande trunfo. Além do cuidado primoroso com a estética do filme, com a reconstituição da Rússia imperial, Anna Karenina seria mais um lindo filme de época se não fosse o seu criativo formato teatral.

É justo perguntar: como assim? É cinema ou teatro? Os dois, mesclados de maneira harmônica e muito original. Para entender melhor, vamos aos personagens. Anna Karenina (Keira Knightley, também em Um Método Perigoso, Apenas uma Noite, Desejo e Reparação) é casada com o alto funcionário público Alexei Karenin (Jude Law, também em Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras, A Invenção de Hugo Cabret, 360, Um Beijo Roubado, Closer – Perto Demais). Vivem na Saint Petersburgo do final do século 19, rica e cheia de glamour para quem faz parte da seleta alta sociedade, mas num casamento frio e  protocolar. Tudo muito bem pensado para retratar a abundância e hipocrisia da era dos czares, antes de a Revolução Russa derrubar privilégios, palácios, riquezas. Até que Anna viaja para  Moscou, onde conhece um oficial da cavalaria (Aaron Taylor-Johnson) e coloca tudo a perder: sua reputação, seu filho, seu casamento, sua posição social.

anna karenina7Até aí, nenhuma novidade em termos de roteiro. O destaque é o ambiente teatral a que me referi. A repartição pública onde trabalha Alexei se transforma em restaurante com uma suave mudança de cenário, os funcionários viram garçons num piscar de olhos, realmente trocando o figurino na frente do espectador. O palco está fisicamente presente: vemos a orquestra tocar, os personagens encenarem, até que o palco se transforma em campo nevado, estação de trem, salão de festa e tudo mais que Joe Wright (também de O Solista, Desejo e Reparação) achou necessário para sair do lugar comum e compor a tragédia que se tornou a vida de Anna, inspirado no célebre romance de Tolstoy.

 

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SUPER NADA
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Brasil - 14/03/2013

DIREÇÃO: Rubens Rewald e Rossana Foglia

ROTEIRO: Rubens Rewald

ELENCO: Marat Descartes, Jair Rodrigues, Clarissa Kiste, Denise Weinberg, Lygia Descartes

Brasil, 2012 (94 min)

 

Nos cinemas: 15 de março

É “super” e é “nada” ao mesmo tempo. Curioso este título, que se ganha outros significados ainda mais profundos quando pensamos na contextualização do filme. O Super Nada é um daqueles programas de humor de televisão em formato antigo, absolutamente ultrapassado e batido (algo com A Praça é Nossa e Zorra Total), mas que ainda têm uma audiência fiel. Entre os espectadores que ainda assistem, está Guto (Marat Descartes, também de Trabalhar Cansa, Os Inquilinos) um ator sem oportunidade, assim como foi mostrado no bonito filme Riscado, premiado em Gramado em 2011.

Enquanto Guto idolatra Zeca, o protagonista do programa na pele de Jair Rodrigues, tenta arranjar um emprego mais rentável, faz de tudo para se estabelecer na profissão de ator, estabilizar-se financeiramente. Entre um apartamento remendado, dificuldades de pagar as contas, encenações baratas na rua, aulas de dança com sua namorada Lívia, é um pai amoroso e um bom sujeito. Aliás, vale dizer que a figura de Marat Descartes está intimamente ligada a esse retrato da classe média que trabalha, dá um duro danado, coloca a família em primeiro lugar, é honesta, mas não tem oportunidade (nem sorte) de ter uma vida melhor. Vale a pena conferir Trabalhar Cansa e Os Inquilinos para entender que retrato é esse. Em Super Nada, não é diferente.

Até que o ritmo do filme muda quando Guto tem a oportunidade de fazer um teste para contracenar com Zeca no programa humorístico Super Nada. É a chance da sua vida e a virada do filme. A entrada de Jair Rodrigues em cena desestabiliza não somente o ritmo da primeira metade, mas também o personagem de Guto, que fica na beira do que pode ser “a perda do juízo” e a resposta do público. Lembrei imediatamente do clima de decisão no filme É Proibido Fumar, quando Glória Pires toma um rumo que muda todo o filme.

“Escolhemos Jair Rodrigues porque era importante ter alguém com que o público se identificasse”, diz o diretor Rubens Rewald em entrevista coletiva.”Trabalhar com Jair Rodrigues foi um desafio. Ele tem uma agenda de shows apertadíssima e improvisa a todo momento”, diz Rubens. E dá pra perceber. Apesar de ele, Jair, também já estar bem longe de seus tempos áureos, continua com uma plateia cativa. Assim como o Super Nada. Seria uma analogia à baixa qualidade da televisão brasileira, a um público que idolatra aqueles que na verdade não representam nada de muito profundo? Isso não demérito, é fato em todo o mundo. E essa é a brincadeira do filme, sem menosprezo, pelo contrário. “É sobre a indústria dos meios de comunicação, sempre com uma postura ambígua e sobre a ideia de decadência da televisão brasileira”, lembra o diretor. Acho que Rubens Rewald consegue tratar com humor inteligente ao universo real e imaginário brasileiro. Sem falar que Marat Descartes é fundamental para que isso acontece de uma maneira verdadeira e genuína.

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MONDO TARANTINO GANHA REPESCAGEM
CLASSIFICAÇÃO: Especial, Dicas Afins - 14/03/2013

pulp fictionNOTA: Este post foi publicado em 14 de março, quando a assessoria de imprensa divulgou a repescagem da mostra Mondo Tarantino. Em 17 de março fomos informados de que ainda não estava confirmada. Hoje, dia 19, imagino que já tenham desistido da ideia. Pra que divulgar, então? 

 

 

Fãs de Tarantino, atenção! Mondo Tarantino, a mostra sobre o diretor, que está rolando desde 20 de fevereiro, foi prorrogada. Inicialmente terminaria no domingo dia 17 de março, mas parece que não foi suficiente. Os organizadores resolveram incluir outros filmes na programação a partir de hoje e estender mais uma semana. Portanto, teremos bom cinema até dia 24 de março, lá no CCBB/SP.

Lembrando que Quentin Tarantino também está no circuito comercial com o filmaço Django Livre, inclusive vencedor de melhor roteiro original. Imperdível pra quem já curte o estilo sarcástico, irônico, contestador e muito, mas muito criativo do diretor.

Aí vai a programação extra, destacada em vermelho. Bom garimpo a todos!

 

14/03 | quinta – CCBB

13h A OUTRA FACE DA VIOLÊNCIA

15h   SIN CITY – A CIDADE DO PECADO

17h20   ONDE COMEÇA O INFERNO

20h   UM DRINK NO INFERNO

CINUSP

16h   ABBOTT E COSTELLO ÀS VOLTAS COM FANTASMAS

19h   UM DRINK NO INFERNO

 

15/03 | sexta – CCBB

12h40 FUGA ALUCINADA

14h20   TRÊS HOMENS EM CONFLITO

17h40   JEJUM DE AMOR

19h30   BASTARDOS INGLÓRIOS

CINUSP

16h   O EXPRESSO BLINDADO DA SS NAZISTA

19h   BASTARDOS INGLÓRIOS

 

16/03 | sábado – CCBB

12h ELES MATAM E NÓS LIMPAMOS 

14h   OPERAÇÃO DRAGÃO

16h   O JOGO DA MORTE

17h50   KILL BILL – VOL. 1

20h   KILL BILL – VOL. 2

 

17/03 | domingo – CCBB 

12h FUGA ALUCINADA

14h   PLANTÃO MÉDICO: MATERNIDADE | C.S.I.: PERIGO A SETE PALMOS

16h30   O GRANDE GOLPE

18h10   O IMPÉRIO DO CRIME

20h   CÃES DE ALUGUEL

 

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