cinegarimpo

fevereiro, 2013

COLEGAS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Comédia, Brasil - 28/02/2013

colegas altaDIREÇÃO e ROTEIRO: Marcelo Galvão

ELENCO: Ariel Goldenberg, Breno Viola, Rita Pokk, Lima Duarte, Marco Luque, Rui Unas, Deto Montenegro, Leonardo Miggiorin, Otávio Mesquita, Theo Werneck, Christiano Cochrane, Thogun, Juliana Didone, Amélia Bittencourt

Brasil, 2012 (99 min)

 

Nos cinemas: 1 de março

O projeto é de inclusão social, afinal os três protagonistas são portadores da Síndrome de Down, o que criou uma dificuldade extra na captação de recursos. Foi com essa explicação que o diretor Marcelo Galvão começou sua entrevista no Festival de Gramado do ano passado, quando Colegas foi exibido pela primeira vez. “A ideia é que não fossem vistos como deficientes, mas muitas empresas não querem ver seu nome associado a portadores da síndrome”, relata. Pelo tom do seu discurso, a dificuldade não foi dirigir os garotos, filmar na Argentina, fazer o take de helicóptero ou encontrar a plantação de girassol para invadir. Foi o preconceito.

Apesar dessa complexidade, o que Galvão propõe é entretenimento. Depois de uma extensa campanha do filme mundo afora, a ideia é que você se divirta, assista ao filme deixando de lado as diferenças, focando na aventura e nas qualidades do elenco. Colegas me lembrou logo de cara o filme belga Hasta la Vista, Venha Como Você É, em que 3 jovens deficientes fogem da casa dos pais e partem em uma aventura na Espanha. Fala também sobre suas próprias limitações com humor e inteligência.

Assim como os belgas, os 3 amigos de Colegas se inspiram no road movie Telma & Louise, “pegam emprestado” o carro do diretor do instituto onde moram na calada da noite e partem em uma aventura. Assim mesmo, intuitivamente. Stalone (Ariel) sonha em ver o mar, Aninha (Rita) quer se casar e Márcio (Breno) deseja voar. Buscando realizar esses desejos, armam confusão por onde passam, atormentam os policiais que não conseguem capturá-los, criam um frenesi na mídia sensacionalista, que os chama de “bandidos perigosíssimos”, e divertem a plateia com referências cinematográficas.

Apesar de Colegas ter um certo tom de ingenuidade no enredo, cumpre bem o seu papel. Além de ser entretenimento, como disse o diretor, expõe a questão da Síndrome de Down sem vitimizar ou ressaltar suas limitações. Tira a máscara da vergonha que muitos vestem e escancara sua condição de ser apenas diferente. Rende uma boa conversa com crianças e adolescentes. Afinal, eles são a geração futura que vai fazer a diferença na inclusão dos portadores desta e de qualquer outra deficiência na nossa sociedade.

 

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ATRÁS DA PORTA – The Door
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Hungria, Drama - 27/02/2013

atrás da portaDIREÇÃO e ROTEIRO: István Szabó

ELENCO: Helen Mirren, Martina Gedeck, Károly Eperjes

Hungria, Alemanha, 2012 (97 min)

 

Quem não se lembra da célebre relação entre patroa e empregada em O Primo Basílio, do romance do português Eça de Queirós? Enquanto Luisa mantém um caso extraconjugal com Basílio, a empregada Juliana faz chantagens tremendas e torna a vida da até então ingênua Luisa um inferno. Ao assistir a Atrás da Porta, lembrei-me logo dessa relação doentia de dependência apesar dos maus tratos. Ou será vice e versa?

É preciso dizer que quem torna essa relação extremamente marcante e aflitiva é Helen Mirren, que faz o papel da amarga Emerenc, uma senhora que trabalha como governanta na Budapeste de dos anos 1960, que ainda tenta se reerguer dos horrores da Segunda Guerra. Quando a escritora Magda (Martina Gedeck, também em A Vida dos Outros, O Grupo Baader Meinhof) a contrata para trabalhar na sua casa, a relação entre as duas evolui para uma dependência estranha, cheia de rancor e mágoa por parte de Emerenc, e de curiosidade e dependência por parte de Magda. Uma amizade às avessas, numa interpretação espetacular das duas.

O que há atrás da porta de Emerenc que ninguém pode ver? Há uma áurea de mistério nesse ponto, que vai se desvendar e explicar parte da sua amargura e da sua dificuldade de lidar com as pessoas e com a doação de afeto. Atrás da Porta é um drama essencialmente humano, também interessante do ponto de vista da construção da época e da capital húngara com suas ruas arborizadas e sua vizinhança parecida com uma cidade de interior. Helen Mirren já tinha dado amostras de sua genialidade em A Rainha. Com Atrás da Porta não fica sombra de dúvida.

 

 

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ANIMAÇÃO INSPIRADORA – CURTA METRAGEM
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Animação - 26/02/2013

Cada vez mais gosto do gênero curta metragem, seja a linguagem que for. Quando se trata de animação, fica ainda mais especial.

Abaixo selecionei dois curtas que mereciam o Oscar da categoria. Venceu o lindo Paperman, da Disney, mas Head Over Heals também fala de amor e é genial! Vale a pena assistir – um colírio para os olhos e para a imaginação.

 

 

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CIRQUE DU SOLEIL – OUTROS MUNDOS – Cirque du Soleil – Worlds Away
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos - 26/02/2013

cirque du soleilDIREÇÃO e ROTEIRO: Andrew Adamson

ELENCO: Erica Linz, Igor Zaripov, Lutz Halbhubner

Estados Unidos, 2012 (91 min)

Quem gosta de circo? Como já se sabe, este não é um circo qualquer e pouco restou daquele empreendimento feito por ex-artistas de rua de Québec, no Canadá, em 1984. O que começou com 73 funcionários hoje conta com 5 mil em todo, de 50 nacionalidades diferentes, 25 idiomas e 100 milhões de espectadores desde então. Para quem já assistiu, sabe do que eu estou falando: apresentação impressionantes que envolvem força, malabarismo, flexibilidade, dança, encenação e tudo mais. Além, claro, do luxo e do primor dos cenários e vestuário.

O que foi produzido para o cinema é exatamente a mesma coisa: um espetáculo em 3D, como se você estivesse assistindo a um deles dentro da tenda. Não vá com a expectativa de assistir a um documentário sobre sua trajetória. Sinceramente, eu achei que fosse isso e tenho certeza que teria sido bem mais interessante.

Claro que é bonito – não tem como negar que tudo que se imagina e se executa pelos profissionais envolvidos no espetáculo é genial. Mas faltou um roteiro mais interessante e amarrado, que desse velocidade ao filme. Produzido por James Cameron, conta a história de uma moça que entra em um circo e se encanta com o malabarista. Milagrosamente, ela consegue transpor as barreiras físicas do circo em si e entra no mundo mágico do Cirque du Soleil onde é testemunha de todos os números encenados pela equipe do Cirque du Soleil. Sempre à procura do misterioso rapaz.

Mais uma vez, tem sua beleza (veja o trailer), o 3D causa efeitos bonitos e delicados, mas faltou explorar a história em si. Fica lançada a ideia de um bom documentário, que possa também mostrar alguns dos números incríveis que a trupe é capaz de fazer. Aí sim, seria bem bacana.

 

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OSCAR 2013 – ERROS E ACERTOS
CLASSIFICAÇÃO: Especial - 25/02/2013

oscar 2013 vencedor argoVamos começar pelo mais fácil de concluir e mais difícil de resolver: como é que a mais famosa, badalada, cheia de si indústria do showbizz mundial arrisca deixar o comando do Oscar nas mãos de Seth MacFarlane? Sem desmerecer o multiartista – ele é dublador, ator, animador, roteirista, comediante, produtor, diretor e cantor – mas convenhamos que o fato de ele ter dirigido Ted já dá indícios de que sua escolha é, no mínimo, perigosa. E não precisou de muito tempo para que isso viesse à tona. Logo no começo suas brincadeirinhas de mau gosto deixaram bastante gente desconcertada. Precisava falar sobre atrizes que já ficaram com seios à mostra em filmes? E por aí foi, terminando com a pérola “homenagem aos perdedores da noite”. Tenha dó! Dá pra esperar no mínimo um pouco mais de inteligência de Hollywood… Será?

Entre essas e outras, os deslizes da cerimônia foram muitos, e a falta de humor, constante. E digo mais: falta de emoção também. Parece tudo meio morno, protocolar, como se fosse preciso correr contra o relógio. E precisa, por um lado, senão ninguém aguenta. Mas, volto a dizer que não teria necessidade deixar pontos interessantes para trás se escolhas melhores tivessem sido feitas lá no começo, no planejamento da cerimônia. Precisa perder tempo com homenagem ao musical Chicago? Coincidência, os produtores do Oscar também produziram o musical. Egos e politicagem…

E já que tocamos no assunto, o que significa Michelle Obama entregar o Oscar de melhor filme? Sinceramente, não só desnecessário, mas fora de contexto e até meio brega – se é que você me entende. Mas o que eu gostei aqui é que o prêmio foi para Argo, de Ben Affleck. Minha aposta desde o começo (veja Apostas para Oscar 2013), apesar de o diretor ter sido menosprezado pela Academia. Levou o prêmio maior e consagra-se o grande vitorioso do ano, por todos os prêmios que ganhou, inclusive Globo de Ouro. O filme ganhou também melhor roteiro adaptado e edição.85_PR_0054.jpg

Na categoria atores, nenhuma novidade, a não ser meu desapontamento pelo fato de Emmanuelle Riva, de Amor, não ter levado o Oscar. Claro que a preferida era Jennifer Lawrence, ou JLaw, como a chamam. Talentosa, a jovem promessa da vez. Tudo bem, entendido. Ainda bem que a hegemonia de Daniel Day Lewis (em Lincoln), Christoph Waltz (em Django Livre, que levou roteiro original também) e Anne Hathaway (em Os Miseráveis) foi deixada intacta. Vale dizer aqui que Waltz venceu também em Bastardos Inglórios, também de Tarantino, há apenas quatro anos. Exagero da Academia. A indicação já teria sido mérito suficiente? Pensando bem, pode até ser. Mas desta temporada ele era realmente o melhor.

Os prêmios técnicos foram bem distribuídos e, de uma maneira geral, justos. Os Miseráveis ficou com maquiagem e mixagem de som; As Aventuras de Pi com fotografia, efeitos visuais, trilha sonora; figurino, com Anna Karenina, não poderia ter sido diferente; edição de som, empate entre A Hora Mais Escura e 007-Operação Skyfall (que também levou melhor canção com Adele). A animação Valente já era a esperada vencedora e Lincoln, que de saída tinha 11 indicações, ficou somente com duas, de ator e direção de arte.

O que eu não entendi – ou melhor, entendi, mas não gostei – foi o fato de Ang Lee ter ganho melhor diretor. Seu lindo filme As Aventuras de Pi, embora tenha uma história sensível, é incrível por sua qualidade técnica e por essas foi devidamente premiado. Cadê Spielberg? É verdade, a Academia implica com ele. São intrigas (ou inveja) da oposição. Ele tinha que ter ganho, fez um trabalho de direção maravilhoso em Lincoln. Já que erraram feio ao não nomear Ben Affleck, que seria o natural diretor premiado, a orgulhosa Academia não poderia se curvar diante do talento de Spielberg. Raciocínio do tipo vamos-encontrar-em-quem-votar-menos-nele.

Por último, minha categoria predileta, de filme estrangeiro – é uma porta para outras linguagens e olhares para fora dos muros de Hollywood. Amor, de Michael Haneke, é consagrado o melhor (e também concorria a melhor filme). Estava difícil ganhar dele, apesar do desconforto do tema, da divisão de opiniões que colocam os sentimentos amor e compaixão, construção e degradação frente a frente. Duro, mas necessário. Tem gente que disse que vai ao cinema para se divertir e que não gostou de ver tanta tristeza e dor na tela. Têm todo o meu respeito. Ainda bem que o cinema é um foro democrático!

 

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APOSTAS PARA O OSCAR 2013
CLASSIFICAÇÃO: Estados Unidos, Especial, Dicas Afins - 24/02/2013

Oscar 2013Nunca se sabe o que acontece nos bastidores da Academia. Não posso dizer que isso “pouca importa”, afinal são seus 6 mil membros, os profissionais ligados à indústria do cinema de Hollywood (atores, produtores, cineastas), que escolhem os premiados. E ser agraciado com um Oscar muda a carreira de qualquer profissional, a começar pela sua projeção internacional.

Mas estamos falando aqui de algo palpável, longe dos votos, da política e dos egos de Hollywood – o que eles decidiram por lá será sabido ainda hoje à noite. Estamos falando de palpite, de preferências e, principalmente, de gosto. Sim, porque o que para muitos pode parecer um figurino impecável, um roteiro bem construído, uma canção em harmonia com o filme, para outros pode não agradar. Simples assim.

Tendo isso em mente, aqui vão as apostas do Cine Garimpo para a grande noite de hoje. E cada um pode ter o seu palpite, afinal é um foro democrático, principalmente em cada um das mesas informais em que o assunto “Oscar” vem à tona.

MELHOR FILME – Desde o começo aposto em Argo, de Ben Affleck. Muito embora o diretor não tenha sido indicado – o que considero uma injustiça – o filme é o mais amarrado, coeso, completo. Diz a que veio, conta uma história interessantíssima, expõe o viés histórico de uma maneira espetacular e entretém – e como! – com seus suspense interminável. Lincoln, de Steven Spielberg, fica devendo no ritmo, embora eu tenha gostado bastante também porque gosto do tema histórico. Mas não agrada a todos – o que muitas vezes não é o critério da academia (vide a escolha por Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow, em 2010, para o Oscar de melhor filme e diretor).

MELHOR DIRETOR – Difícil fugir de Steven Spielberg numa situação dessas. A sorte de Spielberg é que Ben Affleck foi deixado de lado. Senão, não teria chance – mesmo porque Affleck foi premiado pelo Globo de Ouro, Sindicato dos Atores (SAG), dos Produtores (PGA), dos Diretores (DGA) e com o prêmio inglês BAFTA e realmente faz um trabalho impecável e completo, como já disse, em Argo.

ATOR – Apesar de o filme se escuro, lento, denso demais, verdade seja dita: Daniel Day Lewis é Lincoln de corpo e alma. Seria uma decepção se não levasse a estatueta. Já levou o Globo de Ouro e o BAFTA pelo prêmio e deixa os outros indicados muito para atrás. Ganhou o Oscar por Meu Pé Esquerdo (1989).

ATRIZ – Nesta categoria temos um fenômeno interessante, já que concorrem Quvenzhané Wallis, de 10 anos, por Indomável Sonhadora, e Emmanuelle Riva, de 86, por Amor. Dois filmes diferentes e não muito a cara da Academia – o que acho um bom sinal, mostra de que estamos saindo das indicações padronizadas (O Artista, vencedor do ano passado, já sinalizou esta mudança). Gostaria que Emmanuelle Riva ganhasse. Enquanto o papel da pequena Wallis é mais intuitivo (nem por isso menor), de Riva é profundo, real, amargo, difícil. O duro vai ser concorrer com a bela da vez de Hollywood, a talentosa Jennifer Lawrence, de O Lado Bom da Vida.

ATOR COADJUVANTE – Descaradamente aposto minhas fichas em Christoph Waltz, de Django Livre. Ele já venceu com Bastardos Inglórios, também de Tarantino, e dispensa apresentações. Marcante, enigmático, decisivo no tom irônico, contestador, satírico que o diretor quer dar ao filme.

ATRIZ COADJUVANTEAnne Hathaway também é minha aposta. Apesar de Helen Hunt ser m personagem humano, simples e complexo ao mesmo tempo e extremamente competente, Hathaway tem uma presença marcante no musical Os Miseráveis. Talvez aqui seja um critério mais pessoal, de encantamento.

FILME ESTRANGEIRO – Concordo com o que tem sido dito por aí: Intocáveis deveria estar no páreo. Como não está, o premiadíssimo Amor, de Michael Haneke, deve levar o prêmio. Já venceu o BAFTA, Cannes e o Globo de Ouro, entre outros.

ROTEIRO ORIGINAL Django Livre, com certeza. Genial na concepção da ideia, fugindo do simples relato histórico da escravidão americana, mas incorrendo na análise e reflexão das relações humanas.

ROTEIRO ADAPTADOArgo, de Ben Affleck. Só um roteiro muito bem amarrado daria a sensação de veracidade, tempo histórico e suspense que experimentamos ao assistir ao filme. Genial!

ANIMAÇÃOValente

FOTOGRAFIA – Escolha difícil, porque os filmes indicados têm, de fato, um trabalho fotográfico importante para a formação do “todo”. Enquanto As Aventuras de Pi tem os efeitos especial como o ponto forte, Lincoln faturaria o prêmio de fotografia, que contribui com muito significado para o entendimento do filme.

EFEITOS VISUAIS – Agora sim, o filme de Ang Lee seria meu favorito: As Aventuras de Pi.

DESIGN DE PRODUÇÃOOs Miseráveis, em toda a sua beleza estética. Mas Anna Kerenina não fica muito longe e é forte concorrente.

MAQUIAGEM E CABELO: Hobbit – Uma Jornada Inesperada é irreparável neste quisito.

 

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OSCAR 2013
CLASSIFICAÇÃO: Especial, Dicas Afins - 22/02/2013

oscar-2013-indicados-melhor-filmesA edição do Oscar 2013 será domingo, dia 24 de fevereiro, a partir das 21h. Até lá, você ainda tem muitas chances de assistir aos filmes que concorrem à estatueta de melhor filme. Isso porque TODOS os filmes que concorrem ao prêmio mais importante da Academia estão em cartaz nas salas de cinema de São Paulo. Isso nunca aconteceu e até causa espanto. Portanto, aproveite!

Considerando que o Cine Garimpo já publicou o comentário sobre os nove filmes, preparamos um resumo para você poder escolher de acordo com seu estado de espírito e não frustrar expectativas. Os filmes têm perfis diferentes e por isso merecem ser considerados dentro da sua característica. Quem não suporta musical, por exemplo, deve ficar longe de Os Miseráveis; quem não está a fim de ver cenas de guerra e tortura, deve escolher algo diferente de A Hora mais Escura. Cada um dos filmes traz também as outras categorias para que foi indicado. Assim, fica mais fácil você localizar atores, atrizes, diretores.

Por essas e outras, aí vão as dicas para o fim de semana! Faça sua aposta: quem você acha que vai ganhar? Bom garimpo!

 

ARGO, de Ben Affleck – para entender o nosso mundo. Conta o fato histórico da libertação dos funcionários da embaixada americano no Irã, feitos reféns por extremistas islâmicos em 1979. Genial, um roteiro amarradíssimo e instigante; um suspense do começo ao fim. Venceu Globo de Ouro de melhor filme e diretor.

indicações: ator coadjuvante (Alan Arkin), roteiro adaptado, trilha sonora original, edição, edição de som, mixagem de som

 

LINCOLN, de Steven Spielberg – para entender o nosso mundo. Retrata o momento pontual e histórico do esforço do presidente Lincoln para aprovar a emenda que garantiria a libertação dos escravos nos Estados Unidos, durante a Guerra Civil (1865). Austero, denso e longo, é para quem gosta de filmes históricos.

indicações: filme, diretor, ator (Daniel Day Lewis), ator coadjuvante (Tommy Lee Jones), atriz coadjuvante (Sally Fields), roteiro adaptado, fotografia, edição, trilha sonora original, edição de som, design de produção

 

O LADO BOM DA VIDA, de David O. Russel – para se divertir. Apesar de os protagonistas serem pessoas instáveis, com dificuldades de lidar consigo mesmas e com o outro, o filme tem sua leveza e graça e esse é o seu grande charme. Emoção e humor, na medida certa.

indicações: filme, diretor, ator (Bradley Cooper), atriz (Jeniffer Lawrence), ator coadjuvante (Robert De Niro), ariz coadjuvante, roteiro adaptado, edição

 

DJANGO LIVRE, de Quentin Tarantino – para entender o nosso mundo. Com muito sangue, ironia e talento, Tarantino se vinga dos mercadores de escravos e senhores de terra. Genial!

indicações: filme, ator coadjuvante (Christoph Waltz), roteiro original, fotografia, edição de som

 

INDOMÁVEL SONHADORA, de Benh Zeitlin – para pensar. Misturando elementos fantásticos que fazem parte do imaginário da pequena Hushpuppy, o filme conta a história de uma comunidade que vive na região alagada em Louisiana. Humano e emocionante.

indicações: filme, diretor, atriz (Quvenzhané Wallis), roteiro adaptado

 

A HORA MAIS ESCURA, de Kathryn Bigelow – para entender o nosso mundo. Como foi a caça ao terrorista Bin Laden nos confins do Paquistão? Tortura, morte, estratégia, frustração, atentado. Com viés feminino de Bigelow.

indicações: filme, atriz (Jessica Chastain), roteiro original, edição, edição de som

 

OS MISERÁVEIS, de Tom Hooper – para se emocionar. Adaptação do musical feito para o teatro, o filme tem estética, canções lindas e o dramalhão de Victor Hugo – não é pejorativo, é que o drama é intenso mesmo. Linda produção!

indicações: filme, ator (Hugh Jackman), atriz coadjuvante (Anne Hataway), canção original, mixagem de som, design de produção, maquiagem e cabelo

 

AS AVENTURAS DE PI, de Ang Lee – para se divertir. E também se emocionar com a história contada por Pi sobre como sobreviveu a um naufrágio. Belos efeitos e uma interessante reflexão sobre imaginação, Deus, realidade, ficção. E fé.

indicações: filme, diretor, roteiro adaptado, fotografia, trilha sonora original, efeitos visuais, edição de som, mixagem de som

 

AMOR, de Michael Heneke – para se emocionar. Triste e belo ao mesmo tempo, mostra o fim de um casal octagenário. E deixa implícito para o espectador o que foi o passado. Cada um constrói como quer – se é que o duro presente permite.

indicações: filme, diretor, atriz (Emmanuelle Riva), filme estrangeiro, roteiro original

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DJANGO LIVRE – Django Unchained
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Ação - 22/02/2013

django livreDIREÇÃOe ROTEIRO: Quentin Tarantino

ELENCO: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Zoë Bell, Kerry Williams, James Remar

Estados Unidos, 2012 (165 min)

Curioso termos dois filmes em cartaz que abordam o tema da escravidão nos Estados Unidos. Enquanto Lincoln, de Steven Spielberg, é austero, escuro, denso, sério demais para alguns, histórico demais para outros, Django Livre é irônico, tem uma linguagem escolhida a dedo por Tarantino para ter humor, sátira, aspereza; tem tiro e violência descarada para contar a descarada história da humanidade. Assim como em Bastardos Inglórios, em que Tarantino exibe com maestria a frieza nazista e amarra como ninguém a trajetória da vingança, em Django Livre ele se vinga dos aristocratas, dos traficantes de escravos, dos malfeitores com talento semelhante. Simplesmente genial!

Não é qualquer um que faz o que Tarantino é capaz de fazer com uma parte da história da humanidade (aqui representada pela realidade dos Estados Unidos em 1858, antes da Guerra Civil, justamente quando Lincoln dará alforria aos negros americanos). Com tantos elementos na mão, é fácil cair no relato histórico pura e simplesmente. Embora sanguinário, embora muito sangue espirre da tela e o faroeste seja realmente implacável e incansável, o que é mais ferino e certeiro é a linguagem. Verbal e gestual. Na sutileza das escolhas dos diálogos e personagens, Tarantino escreve um roteiro que merece reconhecimento.

A começar pelo protagonista Django (Jamie Foxx, também em Ray, O Solista), em toda a sua intensidade e precisão na pele do escravo que é cruelmente castigado pelos feitores da fazenda onde trabalha por tentativa de fuga, separado de sua esposa e vendido a outros mercadores. O destino o coloca de frente para um caçador de recompensas, que o liberta e precisa da sua ajuda para localizar pessoas procuradas pela justiça – normalmente envolvidas com o tráfego negreiro. Na companhia do Dr. Schultz, o espetacular Christoph Waltz (também em Bastardos Inglórios, Deus da Carnificina e meu candidato ao Oscar de melhor ator coadjuvante), eles saem a procura dos malfeitores pelo Texas e Mississippi para ganhar dinheiro e conseguir resgatar a bela Brunhilde (Kerry Washington), que foi vendida para o rico fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio, também em A Origem, Ilha do Medo, Diamante de Sangue, J.Edgar).

Django Livre é imperdível, em todos os aspectos. No histórico, no estético, na escolha do elenco. Mas principalmente na sutil, inteligente e criativa escolha da linguagem, diálogos, gestos, entrelinhas, detalhes. O todo só é tão interessante porque é feito de detalhes que poucos teriam ideia ou capacidade de fazer.

Para quem gosta do diretor, aproveite a mostra Mondo Tarantino (veja detalhes aqui no blog).

 

 

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OSCAR 2013 – COMEMORAÇÃO DOS 85 ANOS
CLASSIFICAÇÃO: Especial - 22/02/2013

oscar 2013 - 85 anosPara comemorar os 85 anos do Oscar, o artista inglês Olly Moss, famoso por redesenhar cartazes de filmes, foi convocado a bolar um que representasse a premiação mais famosa do cinema. Adorei o resultado! Moss consegue representar cada um dos filmes premiados caracterizando a própria estatueta como personagem do melhor filme daquele ano.

Por exemplo, a estatueta de 1975, quando O Poderoso Chefão foi escolhido melhor filme, é um mafioso; a de 2012, representa o presonagem de O Artista; Dança com Lobos, de 1991, é um índio; A Lista de Schindler, de 1994, a menina do vestido vermelho, e assim por diante. Genial!

A cerimônia do Oscar 2013 será domingo, dia 24 de fevereiro. As nove produções que concorrem pela estatueta de melhor filme estão aqui no Cine Garimpo!

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OS MISERÁVEIS – Les Misérables
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Musical, Inglaterra, Drama - 22/02/2013

miseráveisDIREÇÃO: Tom Hooper

ROTEIRO: William Nicholson, Alain Boublil

ELENCO: Russell Crowe, Anne Hathaway, Hugh Jackman, Amanda Seyfried, Sacha Baron Cohen, Helena Bonham Carter, Eddie Redmayne

Inglaterra, 2012 (158 min)

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Mais bonito do que toda produção, todo do dramalhão (a história de Victor Hugo é de fato um grande drama), todo o cenário minucioso e por vezes teatral, é Anne Hathaway cantando I Dreamed a Dream (assista ao trailer abaixo). Tom Hooper (também de O Discurso do Rei) não tem a intenção de esconder imperfeições: a atriz canta ao vivo, com emoção evidente e com a câmera fechada nela. Só ela e a canção, que dá à personagem de Fantine um encanto especial. Anne Hathaway (também em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Um Dia, O Casamento de Rachel, Alice no País das Maravilhas, O Diabo Veste Prada) concorre ao Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo papel. Vou torcer!

Antes que eu me esqueça, para os desavisados Os Miseráveis é um musical. Sim, tudo cantado. Portanto, para quem não costuma gostar desse gênero, melhor não ir. O filme é longo e pode cansar. No entanto, para quem curte e para quem ama, vale seu ingresso. Com pelo menos outras quatro versões para o cinema e outras tantas como seriado de televisão, o clássico de Victor Hugo, publicado em 1862, é agora adaptado para o cinema a partir do musical criado para o teatro nos anos 1980.

Conta a história de Jean Valjean (Hugh Jackman, também em X-Men Primeira Classe), um dos milhares de miseráveis da França pós-Revolução Francesa. Rouba um pão para dar ao sobrinho que tinha fome, é condenado a 19 anos de prisão, e quando libertado não cumpre como deveria sua condicional. Foge para não cair nas garras do implacável inspetor Javert (Russell Crowe, também em Robin Hood, 72 horas), comete outro crime, mas tem a chance de tentar uma vida nova. Seu caminho cruza com o de Fantine (Anne Hathaway), que se torna prostituta, come o pão que o diabo amassou e precisa proteger sua filha Cosette (Amanda Seyfried, também em 12 Horas). Valjean promete protegê-la para sempre, na França do século 19, onde os levantes são constantes, a pobreza avassaladora e os miseráveis, a esmagadora maioria.

O que precisa ser dito: vá assistir e deixe-se levar pelas canções e pelo visual que o filme proporciona. Nem todos os atores são bons cantores – aliás, Russell Crowe não se solta como cantor, mantém a postura rígida do oficial que representa. Não convence, é verdade. Por outro lado, Hugh Jackman se despe de qualquer resquício de X-Men e se entrega ao personagem solidário e humano de Jean Valjean. Já Sacha Baron Cohen (também em Bruno, O Ditador) e Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei e Alice no País das Maravilhas) fazem bem o papel de oportunistas e vigaristas da miserável Paris.

Trocando em miúdos, Os Miseráveis de Tom Hooper não é pouca coisa. Imagine-se no teatro ou na França dos anos 1800. A música ocupa todo o espaço, totalmente integrada com a estética do filme. Deixe-a dominar. É um lindo espetáculo, emocionante na canção Can You Hear the People Sing?, empolgante no coro de todos os atores no cenário das barricadas. Viva a França!

 

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