cinegarimpo

janeiro, 2013

AMOR – AMOUR
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França, Drama, Áustria - 31/01/2013

DIREÇÃO e ROTEIRO: Michael Henekeamor

ELENCO: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert

Áustria, França, 2012 (127 min)

Fui assistir a uma sessão de Amor em que a maioria das pessoas era da terceira idade. Acabou o filme, eu custei a me levantar. Quando acenderam as luzes do cinema, que notei o perfil da plateia, fiquei ainda mais emocionada. Se eu, que ainda não estou nessa faixa etária fiquei extremamente tocada com o depoimento amoroso do casal e cruel da vida como ela é, imagine aquelas pessoas.

Sei de gente que não aguentou – e é árduo mesmo. Amor vem conquistando prêmios mundo afora (ganhou Palma de Ouro em Cannes, Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e concorre ao Oscar em cinco categorias) e isso já atrai bastante gente ao cinema. Além do título que o diretor e roteirista Michael Heneke (também de A Fita Branca) escolheu para o filme, que é singelo e preciso, também não explicitar a dor – muito embora não haja amor sem sofrimento. Mas quem vai assistir esperando ver uma linda história de amor, descobre que estamos falando aqui de uma linda história de AMOR, com maiúscula, no sentido completo da palavra, com todas as suas implicações mais profundas e dolorosas. O tapa é forte demais. Se não me falha a memória, a palavra “amor” não é usada no filme, no entanto esse é o sentimento que existe no olhar de Anne (Emmanuelle Riva) e Georges (Jean-Louis Trintignant). Puro. Aliás, só amando muito mesmo. Mas mesmo com ele, o realismo da tragédia que vem com a doença e com a idade chega a cortar esses corações repletos do mais nobre sentimento.

Aguentar é duro e cada um sente o filme dependendo da idade em que está. Mesmo projetando para o futuro essa dor, sorte de quem pode projetar para o futuro um relacionamento duradouro como o de Anne e George. No meu caso, fica mais fácil me colocar no papel de Eva (Isabelle Huppert, também em Minha Terra, África, Copacabana, A Bela que Dorme, Em Nome de Deus), uma filha que pouco contato tem com os pais, mas que se vê no direito de ditar as regras quando a situação vive seu maior drama. Tocante a cena em que George impede que qualquer decisão egoísta da filha possa interferir na cumplicidade do casal. Vão cuidar um do outro até morrer. Isso é inegociável e uma prova de amor.

Anne e George estão casados há decadas, talvez uns 50, 60 anos. Pelos detalhes escolhidos pelo diretor e roteirista do apartamento, da rotina, da maneira de falar um com o outro, construíram uma vida juntos. Sempre juntos, no sentido real da expressão. Ser um casal é condição primeira de seguir vivendo. Para poucos. Ninguém sai ileso de Amor.

 

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CAÇA AOS GÂNGSTERES – Gangsters Squad
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Ação - 30/01/2013

Caça aos Gangsteres - PosterDIREÇÃO: Ruben Fleischer

ROTEIRO:Will Beall, Paul Lieberman

ELENCO: Sean Penn, Ryan Gosling, Emma Stone, Josh Brolin

Estados Unidos, 2013

 

Nos cinemas: 01 de fevereiro

 

Mais do mesmo. Ou melhor, mais do menos. Caça aos Gângsteres me fez pensar o tempo todo em bons filmes sobre a máfia, naqueles que realmente arrepiam, metem medo e impressionam. O remédio, neste caso, sempre é rever a incansável trilogia de O Poderoso Chefão. Em seguida, outros ótimos como Os Bons Companheiros, Inimigos Públicos, Scarface, Gomorra e por aí vai. Caça aos Gânsteres mais parece uma tentativa “copy/paste”, em que se tenta desesperadamente montar um quebra-cabeça eficiente, só porque o assunto já rendeu obras-primas. Mas não traz absolutamente nada de novo.

Digo isso porque recrutar um elenco destes não é pouca coisa. Aliás, foi isso que me levou ao cinema: será que atores como Ryan Gosling (que fez tanta coisa boa ultimamente, como Tudo Pelo Poder, Drive, Namorados Para Sempre, Amor a Toda Prova), Emma Stone (Amor a Toda Prova, O Espetacular Homem Aranha, Histórias Cruzadas), Sean Penn (Milk, Aqui é o Meu Lugar, Sobre Meninos e Lobos, 21 Gramas, Jogo de Poder) não salvariam esta história requentada? Não, não salvam. Caça aos Gângsteres cansa – a começar pelo nome tolo, algo que lembra “os caça-fantasmas”. Cansa pela mesmice, tem atuação morna do sempre intenso Sean Penn, apesar de criar aquela interessante atmosfera da máfia no pós-guerra, desta vez em Los Angeles.

Quem se arrisca a falar da máfia, tem que ter uma história realmente boa. Quando o assunto já foi contato de forma memorável, como feito por Francis Ford Coppola, o que é mais ou menos fica muito sem charme. Não que máfia tenha charme, porém, verdade seja dita: até isso a família Corleone conseguiu eternizar.

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ROCK OF AGES – O FILME – Rock of Ages
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Musical, Estados Unidos - 29/01/2013

DIREÇÃO: Adam Shankman1 icone_DVDrock of ages

ROTEIRO: Justin Theroux, Chris D’Arienzo

ELENCO: Tom Cruise, Julianne Hough, Diego Boneta, Paul Giamatti, Alec Baldwin , Russel Brand

Estados Unidos, 2012 (123 min)

Rock of Ages foi um musical feito para o teatro, agora adaptado para a telona. Tem um ar naïve, até meio brega, da menina simples e ingênua do interior que vai para a cidade grande sonhando em ser uma famosa cantora e atriz. Estamos em 1987, portanto o que você vai ouvir são músicas da década, que contam uma previsível e batida história de amor e outra de fama e decadência.

O enredo não tem nada de mais – aliás, tem de menos. Sherrie (Julianne Hough) é a garota do interior que vai para Hollywood; Drew (Diego Boneta) trabalha num famoso bar de rock e sonha em ser roqueiro. Claro que se apaixonam, que algo dá errado e que o final você também consegue prever. Ao cantarem “Don’t Stop Believing”, já consagram o romance-clichê. Portanto, se o filme fosse só a história dos dois, eu diria que daria para a Sessão da Tarde. Mas entra em cena o personagem de Tom Cruise, o lendário e agora decadente roqueiro Stacee Jaxx, que é quem chega para dar um pouco de graça. Representa a legião de estrelas do rock que encontra-se numa fase impopular e depressiva, sem que para isso seja preciso perder a arrogância ou o discurso “você-sabe-com-quem-está-falando?”. Cruise está bem no papel, lembra até seu personagem em Magnólia, que se escondia atrás do sujeito seguro, dono da situação, para não revelar a solidão e a tristeza.

Puxados por Cruise, está outro núcleo de bons atores como Paul Giamatti, Alec Baldwin e Russel Brand, que tem uma presença importante, dando ao filme um toque sutil de comédia com pitadas de humor inteligente. Para quem não gosta desta coisa dos musicais, em que de repente os figurantes de uma cena começam a cantar, dançar, a locação vira cenário e tudo e todos vestem fantasia, as cenas do núcleo do roqueiro Stacee Jaxx quase que compensa o fraco enredo do casal de jovens. Assisti ao filme no avião. Cumpriu o papel de distrair e dar algumas risadas. Mas dá para passar sem.

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SUBMARINO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, Dinamarca - 27/01/2013

dinamarca submarinoDIREÇÃO: Thomas Vinterberg

ROTEIRO: Tobias Lindholm

ELENCO: Jokob Cedergren, Peter Plaugborg, Patricia Schumann, Morten Rose, Gustav Fischer Kjaerulff

1 icone_DVD

Dinamarca, 2011

 

Antes de mergulhar nas profundezas de Submarino, é preciso dizer que quem dirige é Thomas Vinterberg. Aquele diretor dinamarquês responsável por filmes fortes, marcantes, dilacerantes como Festa de Família (em DVD) e A Caça (que passou na Mostra de Cinema de SP em 2012). Tem a mesma carga dramática das produções da conterrânea Susanne Bier em Depois do Casamento e Em Um Mundo Melhor, mas com aquela cara de realidade nua e crua, símbolo do manifesto Dogma 95, do qual é co-autor, ao lado do também diretor Lars Von Trier. Portanto, um cinema duro, sem fantasia ou maquiagem, a vida como ela é. Gosto disso, embora saia sempre do cinema com a sensação de peso e reflexão tão reais quanto aqueles que a vida normalmente nos impõe e só por vezes propõe.

Vamos ao mergulho fundo e sombrio. As primeiras cenas já são de arrepiar. Dois irmãos têm de tomar conta do bebê caçula, enquanto sua mãe se droga e embriaga pelas ruas. Somos logo transportados para a vida adulta dos irmãos, que é repleta pelo vazio, pela falta de sentido e objetivo, pelo descontrole. Errantes pelo mundo, só colocando em prática o isolamento, a carência, o desamor em que foram criados. Não há cenas de conforto, nem a menor pretensão por parte do diretor de dourar a pílula, de construir heróis. A vida é dura e pertence a pessoas comuns. A solidão é infinita.

Assista a Submarino se estiver naqueles dias em que uma reflexão sobre comportamento, educação, valores vai cair bem, assim como um bom bate papo com alguém bacana sobre o assunto. Se o clima estiver mais pra baixo, nebuloso e tristonho, melhor deixar para outro dia. Submarino mergulha lá no fundo da alma humana, onde ela praticamente se perde pelo caminho e esquece de deixar a guia para conseguir voltar à superfície. De tão real, é capaz de te levar também para as profundezas e impedir que você aprecie a beleza do filme. Apesar de ser tão cruel.

 

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OSCAR 2013: INDICADOS QUE JÁ PODEM SER VISTOS NO CINEMA
CLASSIFICAÇÃO: Especial, Dicas Afins - 10/01/2013

oscar 2013Aberta a temporada de premiações, hoje tivemos a divulgação dos filmes que concorrem definitivamente ao Oscar 2013, que acontecerá em Los Angeles no dia 24 de fevereiro. Vale lembrar que o Oscar é o prêmio dado aos melhores da indústria cinematográfica, votados por profissionais dessa mesma indústria, membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Já o Globo de Ouro acontece antes (13 de janeiro), e é escolhido pelos correspondentes estrangeiros em Hollywood. Portanto, são dois prêmios diferentes, que pontuam visões também distintas: uma de quem faz o cinema, outra de quem analisa. Acontece, muitas vezes, de os prêmios serem coincidentes, mas não é regra, nem a escolha tem qualquer relação uma com a outra.

O bom de tudo isso é que janeiro começa quente e muitos filmes já podem ser vistos por aqui nos cinemas. Independentes de estarem ou não na lista definitiva do Oscar, vale escolher o que assistir pelo estado de espírito. Garimpe o filme aqui no blog e acompanhe os prêmios que vêm por aí.

Argo, de Ben Affleck. Dentre aqueles que assisti, é meu favorito – embora Lincoln, de Spielberg, ainda não tenha chegado por aqui para desbancá-lo. Será? De qualquer forma, não perca. Tem ritmo de suspense alucinante, além de tratar do instigante tema da Revolução Islâmica no Irã em 1979. Já As Aventuras de Pi, de Ang Lee, é uma linda história sobre a busca da fé. Parece infantil, mas não é. É profundo e reflexivo (conquistou 11 indicação). O Impossível, de Juan Antonio Bayona, mostra o tsunami na Tailândia em 2004. Bem feito, de tirar o fôlego, literalmente. Pura sobrevivência. Naomi Watts está muito bem e foi indicada para o prêmio de melhor atriz. O Exótico Hotel Marigold, de John Madden, é um pequeno grande filme, já em DVD. Não foi indicado, nem achei que seria. Mas vale a pena correr na locadora e saborear essa bonita viagem em da vida na terceira idade, em contraste com Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, que retrata outra fase da vida, a chegada da adolescência e descoberta do primeiro amor, através do olhar infantil – concorre ao Oscar de melhor roteiro original.

O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, de Peter Jackson, é a adaptação do livro de J.R.R. Tolkien, primeiro de uma trilogia. Imbatível na maquiagem, da mesma maneira que 007 – Operação Skyfall, de Sam Mendes, é imbatível na voz de Adele. Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano, ficou na vontade, apesar de ser o filme francês mais visto fora da França até hoje. Está em cartaz há mais de quatro meses e vai arrancar lágrimas dos mais durões. O chileno No, de Pablo Larraín, ganhou um lugar na seleta lista dos filmes estrangeiros. Adorei, é um filmaço, com Gael García Bernal.

Em época de férias escolares, animações bacanas concorrem e estão disponíveis para a criançada: Valente, A Origem dos Guardiões, Frankenweenie, Detona Ralph e Piratas Pirados.

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O SOM AO REDOR
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Brasil - 04/01/2013

som ao redorDIREÇÃO e ROTEIRO: Kleber Mendonça Filho

ELENCO: Iranshir Santos, Gustavo Jahn, Maeve Jinkings, WJ Solha, Clébia Souza, Irma Brown, Albert Tenório, Rovaldo Nascimento, Yuri Holanda, Bruno Negaum

Brasil, 2012 (131 min)

Mesmo antes de ser exibido no Festival de Gramado em agosto de 2012 e premiado com o Kikito de melhor diretor, filme pelo júri popular e júri da crítica e melhor desenho de som, O Som ao Redor, de Kléber Mendonça Filho, já tinha sido festejado pela crítica no Festival de Roterdã. Depois arrancou elogios em Nova York e ganhou melhor filme no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Merecido.

Quando assisti ao filme em Gramado (leia o comentário), contei que fiquei impressionada. Por ironia do destino, durante a sessão o sistema de som apresentou problemas e tivemos que interromper a exibição. O desfecho interessantíssimo do filme ficou para o dia seguinte, o que aguçou ainda mais essa importância do entorno, de tudo aquilo que emite som, sensação, complemento, daquilo que parece, mas definitivamente não é, secundário. Ficou ainda mais evidente a importância da nuance que envolve as cidades, a subjetividade dentro daquilo que nos parece palpável, objetivo, corriqueiro. Nem tudo é previsível numa metrópole como Recife (ou qualquer outra). O que se vê e se ouve pode mudar tudo.

O que Kléber quer trabalhar é justamente o espaço urbano, nas suas particularidades imperceptíveis e sutis. Na dureza da vida urbana, na crueldade da vida humana e das relações que se estabelecem. Fico contente que O Som Ao Redor tenha entrado em cartaz em grande estilo, com tantas chancelas mundo afora. E desejo vida longa em cartaz – muito embora seja um típico filme de festival, sempre tenho esperança de que as pessoas se interessem pelo cinema autoral.

Não estão neste texto todas as minhas impressões do filme, já que quando estive em Gramado fiz um relato mais detalhado sobre a produção. É um filme para pensar e, acredite, você vai se surpreender com o final. Mas fica avisado que o objetivo maior do filme é retratar a realidade urbana e humana como ela é, nua e crua. Portanto, o timing do filme é praticamente real, a vida cotidiana corre sem pressa, no ritmo pernambucano, na conversa de rua, na repetição de situações. Lentamente, mas não sem emoção. Tem tensão no ar. E no som.

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DETONA RALPH – Wreck-it Ralph
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Divertir, Estados Unidos, Animação - 03/01/2013

DIREÇÃO: Rich Moore

ROTEIRO: Rich Moore, Phil Johnston

Estados Unidos, 2012 (101 min)

Talvez a gente tenha que explicar para as crianças o que é, ou era, um fliperama. Sou da era do Pac Man, o que explica tudo – e me fez dar muita risada com este filme. Para a geração atual que está acostumada a navegar num mundo virtual absolutamente realista, 4D, com imagens perfeitas, simulações e tudo mais que os computadores e videogames permitem, o visual primário, rústico, eu diria até “infantilizado” dos fliperamas pode ser um choque. Vão achar que somos de outro século. E terão razão.

Mas os fliperamas eram o que tínhamos de mais sofisticado, por isso acho que Detona Ralph é ideal para se ver em família nas férias: os pais curtem a nostalgia, vão se deliciar com as discussões entre os personagens dos fliperamas e com a criativa visualização dos bastidores dos jogos, e as crianças vão curtir a história do vilão Ralph, que está cansado de ser o malvado e quer ganhar medalhas como os outros integrantes do seu jogo Conserta Félix Jr.

Vale dizer que esse atmosfera retrô não deixa de lado os videogames. Pelo contrário, mostra como é que os diversos personagens do mundo eletrônico se encontram após o “expediente” e como são os bastidores da sua “vida” real. Esse é o grande charme do filme – assim como Toy Story mostra a vida dos brinquedos sem os humanos, Detona Ralph mostra a vida oculta dos personagens de jogos eletrônicos.

Ao invadir um jogo de guerra, Ralph arma confusão, encontra um outro vilão disfarçado, entra de gaiato em uma corrida maluca (e doce) e faz uma amizade inusitada com uma garotinha muito graciosa e teimosa. Dá uma olhada no trailer e você logo vai entender de que época eu estou falando.

 

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DE PERNAS PRO AR 2
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Comédia, Brasil - 03/01/2013

de pernas pro ar 2DIREÇÃO: Roberto Santucci

ROTEIRO: Marcelo Saback, Paulo Cursino

ELENCO: Ingrid Guimarães, Bruno Garcia, Maria Paula, Eriberto Leão, Denise Weinberg, Cristina Pereira, Christine Fernandes, Luiz Miranda, Alice Borges, Tatá Werneck, Pia Manfroni, Wagner Santisteban, Rodrigo Sant’anna, Eduardo Mello

Brasil, 2012 (98 min)

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Ela está de volta. Continua workaholic, visionária no campo das inovações do seu sex shop e sobretudo engraçada. Ingrid Guimarães é a cara do filme, com trejeitos que realmente arrancam boas risadas. Se me diverti? Sim, a caricatura da mulher-polvo que trabalha fora, tem o negócio próprio, não para de crescer e inovar e ainda por cima precisa dar conta de marido, filho, casa, empregada cria situações exageradas e engraçadas e, é claro, tem uma pitada de identificação com a mulherada que se vira em mil para dar conta dos recados do dia a dia.

É justamente tentando ser uma delas que Alice (Ingrid Guimarães) tem um piripaque e vai parar num spa para descansar à força. Afinal, está atolada de trabalho com a criação de um produto inovador e a possível abertura de uma loja em Nova York com sua sócia Marcela (Maria Paula) , de que seu marido João (Bruno Garcia) não tem o mais vago conhecimento. Este é o nó da sequência de De Pernas pro Ar, que levou 3,6 milhões de espectadores aos cinemas em 2011. Como conciliar trabalho e família? Como fazer o casamento dar certo respeitando as ambições e o jeito de ser de cada um?

Se me lembro bem, rolei de rir no primeiro filme. Achei criativo, irreverente, despretensioso. Importante: sem ser chulo, apesar do tema. De Pernas Pro Ar 2 me distraiu, dei boas risadas com as disputas pelo celular, as caras e bocas de Alice quando descobre que tem mulheres que conseguem, sim, dar conta de absolutamente tudo e ainda serem lindas! Mas não rolei de rir. Por que será?

O perigo dessas continuações é fazer mais do mesmo. Mesmo assim, acho que vai levar muita gente ao cinema – como aconteceu com a também divertida comédia brasileira Se Eu Fosse Você e Se Eu Fosse Você 2 – e como já está acontecendo nesta primeira semana de estreia. Mas cai em algumas bobagens como o clichê do triângulo amoroso no final, o trocadilho da palavra “fork” em inglês, uma ilustração tola no meio do filme. O diretor Roberto Santucci vai acertar na mão se não abrir a filial em Paris. Assim, Ingrid vai reinar livre, leve e solta no mundo das sex shops e conseguir partir para outra.

 

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OS 20 MELHORES FILMES ESTRANGEIROS DE 2012
CLASSIFICAÇÃO: Especial, Dicas Afins - 02/01/2013

O que vale a pena assistir de 2012? Claro que há filmes pequenos, produções alternativas que merecem sua atenção especial, como por exemplo os franceses Até a Eternidade, de Guillaume Canet, e A Guerra Está Declarada, de Valérie Donzelli, e o japonês O Que Eu Mais Desejo, de Hirokazu Koreeda. Filmes pequenos, mas não menos emocionantes. O blog está cheio deles – aproveite para garimpar.

Para ajudar a escolher, o Cine Garimpo selecionou 20 produções estrangeiras que merecem seu tempo. Para cada um deles, uma pequena observação de sensações e momentos dos filmes. Escolha de acordo com seu estado de espírito e prepare-se para o que nos aguarda em 2013! Para os melhores da produção nacional, veja o post: Os 10 Melhores Filmes Brasileiros de 2012.

 

PARA VER EM FAMÍLIA

1. AS AVENTURAS DE TINTIM, de Steven Spielberg – o herói dos quadrinhos em uma animação muito bem cuidada e divertida

2. A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, de Martin Scorsese – impecável adaptação do livro, em uma aventura delicadíssima pela estação de trem de Paris nos anos 1930

 

PARA PENSAR

3. SHAME, de Steve McQueen – o mais chocante retrato da solidão através do personagem de  Michael Fassbender, obcecado por sexo

4. PRECISAMOS FALAR SOBRE KEVIN, de Lynne Ramsay – sofrimento de mãe exposto até as últimas consequências

5. DRIVE, de Nicolas Winding Refn – violência destemida acima de qualquer sentimento

6. A SEPARAÇÃO, de Asghar Farhadi – a mulher e as estranhas relações familiares na cultura islâmica

 

PARA SE EMOCIONAR

7. O ARTISTA, de  Michel Hazanavicius – a delicadeza do preto e branco, numa homenagem muda ao cinema

8. OS DESCENDENTES, de Alexander Payne – a simplicidade e complexidade das relações familiares

9. PINA, de Wim Wenders – um passeio maravilhoso de som, corpo e alma

10. INTOCÁVEIS, de Olivier Nakache e Eric Toledano – tributo à amizade, acima de tudo

11. AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL, de Stephen Chbosky – adolescência: difícil ponte entre a infância e a vida adulta

 

PARA ENTENDER O NOSSO MUNDO

12. ARGO, de Ben Affleck – suspense até o último minuto no conflito em plena Revolução Islâmica

13. J.EDGAR, de Clint Eastwood – retrato instigante do chefão do FBI, que ficou no comando da máquina americana por 4 décadas

 

PARA VER BEM ACOMPANHADO

14. SETE DIAS COM MARILYN, de Simon Curtis– Marylin sempre, mas vale mais por estar na pele de Michelle Williams

 

PARA SE DIVERTIR

15. O ESPETACULAR HOMEM ARANHA, de Marc Webb – herói humanizado, mas não menos espetacular

16. BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE, de Christopher Nolan – trilogia encerrada, mas um Batman veio para ficar

17. O EXÓTICO HOTEL MARIGOLD, de John Madden – a reveladora procura da vida na terceira e melhor idade, na Índia

18. DEUS DA CARNIFICINA, de Roman Polanski – dois casais lavam muita roupa suja: a tragicomédia da nossa vida privada de todos os dias

19. HASTA LA VISTA: VENHA COMO VOCÊ É, de Geoffrey Enthoven – deficientes sim, mas não menos divertidos, aventureiros e vivos

20. 007 – OPERAÇÃO SKYFALL, de Sam Mendes – o agente de sempre, mas regado ao som maravilhoso de Adele

 

 

 

 

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