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dezembro, 2012

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CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Chile - 27/12/2012

1 icone_DVD“O filme No fala de um caso inédito na história”, contou o produtor do filme Daniel Marc Dreifuss, na sessão de abertura da 36a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, quando foi exibido pela primeira vez por aqui. “É o único caso de ditador que perde sua ditadura pelo voto que ele mesmo convocou”, conclui Daniel. Parece ridículo e improvável, mas aconteceu.

Em 1988, Pinochet convoca um plebicito pela continuidade da ditadura. A oposição organiza a campanha do “Não” e se lança numa empreitada que, aparentemente, já estava ganha para o “Sim”. Diante do regime ferrenho do ditador, que estava à frente do governo do país desde 1973, do temor que assolava a população civil e do progresso econômico pelo qual o Chile passava, tudo levava a crer que não se ousaria contestar e que ganharia o “sim”, pela continuidade da ditadura – mesmo considerando os milhares de presos políticos, desaparecidos e mortos e de todo o panorama ditatorial que assolava a América Latina.

Fato é que a oposição resolveu se mexer e levantar a campanha do “não à ditadura”. Para conseguir virar o jogo, contratou o publicitário René Saavedra, representado pelo ótimo ator mexicano Gael García Bernal (também de Amores Brutos, Diários de MotocicletaBabelEnsaio sobre a CegueiraPronta para Amar), que deu cara nova à linguagem que seria usada para convencer as pessoas a se manifestarem contra o status quo. Ao invés de adotar uma campanha pessimista, mostrando o drama das famílias dos desaparecidos, os conflitos entre manifestantes e polícia, Saavedra propõe como mote de campanha a alegria, o otimismo, a linguagem familiar.

Sua ideia era contagiar as pessoas com a possibilidade de mudança e de liberdade de opinião. No mostra um case importante e muito interessante do poder da mídia, da sutil e fortíssima influência da linguagem publicitária na opinião das pessoas. Tira até boas risadas – em várias ocasiões, a gente consegue se sentir “o eleitor” do filme, aquele manipulado, à mercê das mentes criativas, habilidosas e manipuladoras da publicidade. É o candidato chileno ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013.

Dentre várias das felizes escolhas do diretor chileno Pablo Larraín – entre elas a presença de Gael García Bernal e do humor no roteiro -, eu destacaria a fotografia do filme. Para que a produção pudesse ser mesclada com cenas reais do episódio, o diretor optou por filmar com câmeras iguais àquelas usadas na década de 80. Portanto, com definição muito inferior aos telefones celulares que temos hoje, lembrou o produtor.

O resultado é um filme com textura antiga, com cara de realidade, de documentário – o que o torna ainda mais agradável de assistir, fugindo do padrão americano de fazer cinema. Ganha a cara de cinema independente, autoral, quase um filme de festival. Destaco obras como esta porque tenho sempre esperança de que as pessoas assistam a produções assim, diferentes. Nem que seja para aumentar o repertório. De quebra, sai ganhando também um pouco de história e boas risadas.

 

DIREÇÃO: Pablo Larraín ROTEIRO: Pedro Peirano ELENCO: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Néstor Cantillana, Antonia Zegers, Luis Gnecco, Alejandro Goic | 2012 (118 min)

 

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OS 10 MELHORES FILMES BRASILEIROS DE 2012
CLASSIFICAÇÃO: Especial, Dicas Afins, Brasil - 26/12/2012

xingu 2Vamos à lista dos melhores filmes brasileiros de 2012. São produções que valem o seu ingresso ou o seu garimpo na locadora, por diversas razões: escolha do tema, qualidade técnica, criatividade, atuação, direção. E, é claro, tem o fator pessoal que conta muito, afinal tem alguns filmes que tocam fundo, divertem, impressionam, outros que não dizem muita coisa.

Ainda faltam ser vistos: Mariguella, Cara ou Coroa, À Beira do Caminho – para serem adicionados ou não à lista. Garimpe outros no blog e prepare-se para 2013!

 

Xingu, de Cao Hamburguer

Tropicália, de Marcelo Machado

Heleno – O Príncipe Maldito, de José Henrique Fonseca

Raul – o Início, o Fim e o Meio, de Walter Carvalho

Gonzaga – De Pai Pra Filho, de Breno Silveira

E Aí… Comeu?, de Felipe Joffily

Histórias que Só Existem Quando Lembradas, de Júlia Murat

2 Coelhos, de Afonso Poyart

Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca

A Música Segundo Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim

 

 

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COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO – Things We Lost in the Fire
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Dinamarca - 25/12/2012

DIREÇÃO: Susanne Biercoisas que perdemos pelo caminho

ROTEIRO: Allan Loeb

ELENCO: Halle Berry, Benicio Del Toro, Alison Lohman, David Duchivny, Alexis Llewellyn

1 icone_DVDDinamarca, 2007 (118 min)

Um incêndio queima lembranças da família, fotos, objetos que não podem ser recuperados. São essas coisas que ficam pelo caminho, como diz a tradução do título original. Quando marcos da lembrança afetiva são destruídos, o vazio se instala. Na família, a tragédia pega todos de surpresa e é preciso resgatar o passado através do mais improvável elemento.

Não vou entrar em detalhes. Assisti a este filmes em saber o que aconteceria e recomendo que você faça o mesmo. Aliás, aproveito para dizer: já que muitos comentários publicados na imprensa eletrônica e impressa vão logo contanto detalhes do roteiro, simplesmente não leio. Procuro me informar sobre o diretor, atores, mas não sobre a história. O elemento surpresa é fundamental para o envolvimento com o filme. Por isso, digo só que Audrey (Halle Berry) perde sua referência em uma tragédia e vai buscar o resgate da razão de vida e das lembranças passadas no personagem de Benício del Toro, que não era exatamente uma pessoa próxima em sua vida.

Também são da diretora dinamarquesa Susanne Bier Em Um Mundo Melhor (Oscar de melhor filme estrangeiro em ) e Depois do Casamento. Coisas que Deixamos Pelo Caminho não é tão forte quando esses outros dois, nem tão instigante. Mas é um relato interessante sobre as voltas que a vida dá, sobre o exercício da aceitação do antes inaceitável, sobre a necessidade de acomodação diante de uma nova realidade.

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DURVAL DISCOS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 23/12/2012

durval

Mais parece um conto da vida cotidiana. Assim como É Proibido Fumar, também de Anna Muylaert, que conta no começo a história comum de uma professora de violão (Glória Pires), que por conta de uma decisão equivocada se mete em uma grande encrenca. Logo desconfiei que Durval Discos iria na mesma direção. Aquela rotina de Durval, um sujeito dono de uma loja de LPs, fã de MPB e fiel ao disco de vinil, e de sua mãe dominadora, não poderia ser o mote do filme.

De fato. Um acontecimento a princípio normal, evolui para algo estranho e, em seguida, para o absurdo. Anna Muylaert opta por elementos não só improváveis para reforçar a virada do ridículo-absurdo que a história dá. Interessante esse cinema brasileiro que surpreende por esse lado. Tem um viés duplo, um lado A e outro B, também presente em filmes como Reflexões de um LiquidificadorTrabalhar Cansa e Os Inquilinos. Chega até o elemento fantástico, para ter um desfecho que beira o realismo trágico.

Grande premiado em Gramado em 2002 e Recife, Durval Discos ainda tem o delicioso elemento musical. Canções brasileiras compõem a trila sonora, além de permearem o filme todo pela presença do próprio cenário da loja de vinil. Despretensioso, mas nem por isso menos inteligente; simples, mas nem por isso um roteiro menos amarrado. Para os amantes dos filmes brasileiras, recomendo!

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Anna Muylaert ELENCO: Ary França, Etty Fraser, Isabela Guasco, Letícia Sabatella, Rita Lee, Marisa Orth, André Abujamra | 2002 (96 min)

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CINCO BOAS ESTREIAS NO FERIADO DE NATAL
CLASSIFICAÇÃO: Especial, Dicas Afins - 20/12/2012

negociação imagemPara o Feriado de Natal temos cinco estreias interessantes, de gêneros diferentes. Leia o comentário no Cine Garimpo para assistir de acordo com o seu estado de espírito e acertar em cheio o programa!

Garimpe outras opções no cinema no menu Vale Seu Ingresso de Cinema.

 

AS AVENTURAS DE PI – para se emocionar com a história de fantasia dirigida por Ang Lee em meio a efeitos especiais incríveis.

VIÚVAS – para se divertir com as duas viúvas de um mesmo homem, com aquele jeito gostoso do cinema argentino de retratar as relações humanas.

UM EVENTO FELIZ – para ver bem acompanhado, quando a máxima “padecer no paraíso” torna-se realidade com a chegada do primeiro filho.

O IMPOSSÍVEL – para se emocionar com a história fantástica da família que sobrevive ao tsunami na Tailândia em 2004. É real.

A NEGOCIAÇÃO – para pensar sobre o modus operandi dos negócios bilionários a qualquer custo.

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A NEGOCIAÇÃO – Arbitrage
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 20/12/2012

Robert Miller é ambicioso, bilionário. Quer lucro a qualquer custo, desde que não manche a sua reputação de homem de negócios. Mesmo na situação mais extrema, vale tudo para se safar, culpar o outro, manter as aparências. Muito já foi dito no cinema e na vida real sobre essa maneira implacável de fazer negócios. O documentário Trabalho Interno, sobre a crise financeira de 2008 mostra bem os bastidores das decisões irresponsáveis e gananciosas dos executivos. Esta é mais uma história, mas tem força, ritmo, consegue entreter. Manteve-me atenta aos movimentos do personagem de Richard Gere (também em Rapsódia em Agosto, Sempre ao Seu Lado, Uma Linda Mulher, Dança Comigo) e ao seu olhar cortante e decidido a negociar. Sempre talentoso (inclusive foi nomeado ao Globo de Ouro 2013).

A Negociação é um thriller, com suspense. Enroscado até o último fio de cabelo nos negócios escusos e balanços forjados, o bilionário Robert tem vida dupla. Um acidente quebra o ciclo e decisões precisam ser tomadas para que ele continue se dando bem. Claro que seu discurso humanitário, de protetor da família é balela – como bem diz sua esposa Ellen, também boa negociadora (Susan Sarandon, também em O Solteirão, Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme, Thelma & Louise). Robert é o personagem símbolo da ganância sem limites dos empresários e investidores que querem sempre mais, que se escondem atrás da cortina de fumaça da filantropia e não medem esforços para ter mais poder.

Nada de discurso moralista da minha parte. Fato é que o filme mostra bem isso e faz um mix equilibrado entre o público e o privado, entre o profissional e o pessoal e o peso que cada um deles tem quando se trata de tomar decisões de vida ou morte de um negócio. Cria-se uma expectativa no decorrer da narrativa sobre o destino final de Robert e o desfecho escolhido pelo roteirista e diretor Nicholas Jeracki me agrada neste seu primeiro longa. Sem romantismo, com realismo. E frieza.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nicholas Jeracki ELENCO: Richard Gere, Susan Sarandon, Brit Marling, Tim Roth, Laetitia Casta, Nate Parker | 2012 (107 min)

 

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O IMPOSSÍVEL – The Impossible
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Espanha, Drama - 20/12/2012

impossívelDIREÇÃO: Juan Antonio Bayona

ROTEIRO: Sergio G. Sánchez

ELENCO: Naomi Watts, Ewan McGregos, Tom Holland, Samuel Joslin, Oaklee Pendergast, Geraldine Chaplin

Espanha, 2012 (114 min)

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Adivinhem para onde tenho férias programadas em janeiro? Tailândia. Será que foi por isso que o filme me impressionou tanto? Pode ser. Deve ser. Espero que fenômenos assim não se repitam em um curto espaço de tempo, afinal são só nove anos desde que o tsunami varreu a costa da Tailândia naquele verão de 2004. Mas não é só isso. O que aconteceu por lá foi mais  impressionante ainda porque assistimos e acompanhamos tudo ao vivo, sem acreditar que pudesse ser verdade. Devastador, por si só.

No cinema, a gente até acredita. Clint Eastwood já falou do assunto em Além da Vida, com Matt Damon e Cecile de France, em 2010. De novo a cena da onda que invade o tranquilo paraíso impressiona, massacra, afoga e desespera quem vive para ver o que sobrou. E quem sobreviveu. O roteiro é real, aconteceu com uma família espanhola que passava as férias de Natal no litoral tailandês. Em meio a 230 mil mortos, considerar que uma família inteira (pais e três filhos de 5, 7 e 10 anos) sobreviveram e se reencontraram no meio do caos, é praticamente impossível.

Interpretados por Naomi Watts (também em 21 Gramas, Destinos Ligados, Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos, Jogo de Poder, J. Edgar) e Ewan McGregor (também em Amor Impossível, Sentidos do Amor, O Escritor Fantasma), O Impossível ganha uma carga dramática grande. Por isso, está avisado: quem não estiver afim de ver tragédia, drama familiar, morte, perda, crianças desesperadas, garimpe outras opções no blog. O filme é forte e real. Toca no medo mais profundo que é a perda de um filho, ou no temor de um filho de ficar órfão. O medo de se ver sozinho no mundo. O medo de enfrentar a vida de outra maneira.

Alguns trunfos para que o filme fosse realmente impactante e não somente um melodrama. Os protagonistas, Naomi Watts, McGregor são muito convincentes, inclusive na premissa de que eram sim uma família feliz. Isso aumentou minha agonia de ver a família dilacerada. As três crianças, e principalmente Lucas, o mais velho, também consegue segurar o rojão que é interpretar o tempo todo no limite da dor e do desespero.

Prepare-se: passamos o filme todo, com exceção da primeira parte em que a família está curtindo as férias, em cenas de fim de mundo: a onda gigante arrasta tudo que vê pela frente, Maria se afoga (e nós junto) em meio aos destroços, vemos gente morta e gente morrendo, feridos, perdidos, desesperados, órfãos. Falta de medicamento, comida, água, recursos, socorro. O tempo todo é a busca pela ajuda, pelo remédio, pelo pai, mãe, irmãos, solidaridade. Há poucos minutos de alento, e mesmo assim, ainda são instantes de dão a entender que o trauma é grande demais para terminar por ali.

Quem já foi para aqueles mares diz que não dá para acreditar que um oceano tão calmo pode se transformar em tamanha anomalia da natureza. Raiva ferroz. Vou checar de perto e espero estar de volta no tempo planejado. Enquanto isso, se tiver fôlego, vá ver. Ou comece pelo trailer, talvez seja mais fácil de sobreviver.

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VIÚVAS – Viudas
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Argentina - 19/12/2012

viúvasDIRETOR: Marcos Carnevale

ROTEIRO: Marcos Carnevale, Bernarda Pagés

ELENCO: Graciela Borges, Valeria Bertuccelli, Rita Cortese

Argentina, 2010 (100 min)

 

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Não é nenhum Elsa &Fred, o grande sucesso do diretor argentino Marcos Carnevale. Nem Família Rodante, outro emblemático filme, desta vez do também argentino Pablo Trapero, sobe o delicado que são as relações humanas. Quem dirá as familiares…. Mas Viúvas é um bom filme. Não me importei com o fato de ser improvável. Faz parte do conto, ainda mais quanto se trata de um assunto difícil que é a aceitação de uma nova realidade.

Elas amam o mesmo homem, até que um AVC tumultua o esquema que vinha funcionando por anos. Ele amava sua mulher Elena (Graciela Borges, também em Dois Irmãos), mas mantinha uma relação também amorosa com Adela (Veleria Bertuccelli), uma moça bem mais jovem. Pouco antes de morrer, ele pede à sua esposa que cuide da garota –  que por si só já é um tanto quanto estranho. O filme tem um bônus importante, que é a participação da atriz argentina Rita Cortese, também em Herencia, Dois Irmãos.

Acho que Carnevale imprime o humor no absurdo da relação que tenta se formar entre a esposa e a amante do seu marido. Há cenas cômicas; há outras que me tocaram quanto foi possível esquecer a traição e valorizar a pessoa, a relação nova e positiva que pode nascer. Quando Elena pode esquecer. Gosto do filme, mais do que andam dizendo por aí. De alguma maneira, é quase um conto sobre a possibilidade de gerar sentimentos novos a partir do improvável.

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UM EVENTO FELIZ – Un Heureux Événement
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França, Comédia Romântica - 19/12/2012

DIREÇÃO: Rémi Bezançon

ROTEIRO: Eliete Abecassis, Rémi Bezançon

ELENCO: Louise Bourgoin, Pio Marmai, Josiane Balasko

França, 2011 (107 min)

 

Nos cinemas: 21 de dezembro

Recentemente, quando escrevi sobre a comédia romântica O que Esperar Quando Você Está Esperando, citei este filme, Um Evento Feliz. Ambos tratam do mesmo tema, que também disse, e reforço, é universal e rende pano pra manga quantas vezes for preciso. Afinal, mães de primeira viagem sempre existirão. Mas tudo depende de como o assunto é tratado, do viés que o diretor dá ao filme.

Apesar de não achar o título nada de mais, pelo contrário, acho ‘de menos’, sem graça, adorei a abordagem descontraída, sincera e singela desta produção. Barbara (Louise Bourgoin) está em vias de preparar a sua tese, engravida antes da hora, vê o espaço com seu amado marido diminuir e se sente irresponsavelmente feliz com a chegada do bebê.

Assistam ao trailer abaixo, vale a pena. Um Evento Feliz é delicioso de assistir. E nem preciso dizer, mas parece irresistível: não há como não se identificar. Afinal, apesar de todos os avisos prévios, quem é que não se surpreende com toda a reviravolta na vida, nos hormônios, na relação conjugal e na visão de mundo com a chegada de um filho? Vai além de qualquer cartilha. Barbara e Nicolas (Pio Marmai, também em A Delicadeza do Amor) têm uma liga incrível, capaz de conquistar o espectador e emocionar.

 

 

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AS AVENTURAS DE PI – Life of Pi
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Aventura - 18/12/2012

 

Com a chamada “acredite no extraordinário”, o filme As Aventuras de Pi já sugere uma história inusitada. E é, ainda mais contando com os efeitos especiais sob comando do diretor Ang Lee, também do premiado O Tigre e o Dragão, O Segredo de Brokeback Mountain, Aconteceu em Woodstock. Embora sejam todos filmes bastante distintos, Lee não dá ponto sem nó. Capricha, conta uma história bonita e trabalha os efeitos especiais lindamente.

Apesar da classificação etária ser para 10 anos, não acho que crianças desta idade aproveitem. O filme é mais contemplativo do que parece, apesar da presença lúdica dos animais. E muito mais reflexivo – fala da transformação causada por fortes eventos da vida, da presença e ausência de Deus, da força e onipresença da natureza. Portanto, não leve crianças pequenas. Exige atenção e paciência para acompanhar a rotina de Pi no barco, e tem efeitos especiais diferentes – o que nem não é feito sob medida para crianças, e sim para o olhar adulto.

As Aventuras de Pi, indicado ao Globo de Ouro 2013 de melhor diretor e filme, conta a história do menino Piscine Patel, um garoto que vive com seus pais e irmão na Índia, onde cuidam de um zoológico. Com as mudanças da vida, a família resolve migrar para o Canadá e levar os animais para vender por lá. Acontece que o cargueiro onde estavam enfrenta problemas em pleno Pacífico e Pi fica à deriva em um bote salva-vidas na singela companhia de um tigre de bengala, uma zebra, uma hiena e um orangutango. Pi passa semanas no mar, lutando para sobreviver. As imagens são preciosas, os efeitos, impecáveis.

Ficamos sabendo de tudo isso pelo próprio Pi, já adulto, que conta sua epopeia para um escritor, interessado em fazer um livro. Mas sua trajetória reserva surpresas e a graça aqui é não falar muito sobre o filme. Eu fui assistir sem saber quase nada e a viagem foi uma delícia. Aproveite e acredite se quiser. Ou puder!

 

DIREÇÃO: Ang Lee ROTEIRO: David Magee, Yann Martel (romance) ELENCO: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Adil Hussain, Tabu, Gérard Depardieu | 2012 (127 min)

 

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