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setembro, 2012

LORAX: EM BUSCA DA TRÚFULA PERDIDA – Dr. Seuss’ The Lorax
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Divertir, Estados Unidos, Animação - 30/09/2012

DIREÇÃO: Chris Renaud, Kyle Balda

ROTEIRO: Ken Renaud, Cinco Paul, Dr. Seuss

ELENCO: Zac Efron, Taylor Swift, Danny DeVito

Estados Unidos, 2012 (86 min)

Título cheio de palavras estranhas, mas imagens simpáticas e coloridas. Tudo se resume à busca pela última árvore desse planeta colorido, a tal da trúfula. E Lorax é, nada mais, nada menos, do que o protetor da floresta, a voz das árvores. Aquele que deveria realmente existir e que aqui é apresentado para as crianças como esse sujeito bigodudo amarelo, que tenta explicar que se a gente maltrata, um dia elas acabam.

Colorido, alegre, didático e ecologicamente correto, em Lorax não é ele o protagonista. Ele é a alma, enquanto o garoto Ted é quem corre atrás do prejuízo. Não porque ele se incomode com a cidade de plástico, em que tudo é poluído e artificial e onde é preciso comprar ar puro engarrafado para sobreviver. Mas porque está apaixonado pela bela Audrey, que sonha em ver uma árvore de verdade. Ele corre atrás, sem entender muito de que ela serviria.

O filme é uma divertida aventura, com o clássico mocinho e vilão, perseguições e uma liçãozinha de moral para arrebatar. Em tempos de educação ambiental e tentativa valiosíssima de formar uma geração consciente e salvadora da pátria, o filme é de grande serventia. E uma graça!

 

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OS DOCES BÁRBAROS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Documentário, Brasil - 30/09/2012

DIREÇÃO: Jom Tob Azulay 

ROTEIRO: Jom Tob Azulay, Guilherme Araújo

ELENCO: Maria Bethânia, Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Baby Consuelo

Brasil, 1977 (100 min)

Na esteira do ótimo documentário Tropicália, Doces Bárbaros completa o panorama musical desta década. Lançado em 1976 durante a turnê homônima montada por Betânia, Gal, Gil e Caetano, o filme mostra os quatro no palco, seus ensaios, conversas, confissões, entrevistas e confusões. Tem cenas interessantes, canções bonitas e principalmente o registro espontâneo dos baianos que deram outra dimensão à música brasileira.

Com direção de Tom Job Azulay, o filme registra a comemoração de 10 anos de carreira dos quatro músicos. Resolveram se juntar e lançar a turnê, que teve seu primeiro show no Anhembi, em São Paulo, arrebatou multidões em todo o Brasil, surpreendeu Gil com maconha em Florianópolis, o que culminou na sua prisão. Aliás, acho que as cenas dele no julgamento, ouvindo sua sentença, seu sorriso maroto de quem diz “isso não vai dar em nada”, são impagáveis! Assista também Uma Noite em 67, que complementa essa época, com registro dos festivais de música, quando tudo começou (o meu preferido). Ainda não está em cartaz, mas logo mais chega o filme Futuro do Pretérito –  Tropicalismo Now, que mostra uma visão contemporâneo do que foi o movimento musical e comportamental do fim dos anos 60.

Quem gosta do tema, da música, da figura simbólica desses doces bárbaros, vale dar uma olhada. Adoro vê-los jovens, Gal com aquela cabeleira, Caetano e Betânia, a versão masculina e feminina um do outro, Gil e sua meninice. Como disse Arnaldo Jabor em sua crônica na rádio CBN esta semana, que pena que hoje não fazemos música, nem história, como fizeram esses caras. Assino embaixo.

 

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AMOR À FLOR DA PELE – In The Mood for Love
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Drama, China - 29/09/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Kar Wai Wong ELENCO: Tony Leung Chiu, Maggie Cheung, Ping Lam Siu | 2000 (98 min)

In the mood for love. Adoro a versão inglesa do título. Amar depende realmente do estado de espírito. Tem que estar a fim. Os personagens do filme do diretor Kar Wai Wong, também do belo Um Beijo Roubado, estão dispostos a amar. Inicialmente, não se trata de trair, ter um caso. Estão dispostos a amar seus escolhidos, marido e mulher. Mas o andar da carruagem faz com que extravasem esse amor de outra maneira. Ele precisava ser canalizado e dizer a que veio. Só lhes sobrou a via mais difícil.

Ambientada em Hong Kong em 1962, Amor à Flor da Pele fala sobre dois casais, que alugam quartos em um prédio onde moram várias famílias juntas. A esposa de Chow Mo-Wan sempre tem que fazer hora extra, passa a maior parte do tempo fora de casa; o marido de Li-zhen passa a maior parte do tempo em longas viagens ao exterior. Sem companhia, Chow e Li-zhen se tornam amigos e começam a desconfiar que seus companheiros estão tendo um caso.

Sem entrar muito em detalhes, a beleza de Amor à Flor da Pele está na estética do filme. Diferenciada, estilizada, com personalidade. Mas também está na maneira com que os protagonistas veem esse amor. Não se igualam aos seus companheiros, que optaram pela traição. Tentam, às duras penas, encontrar uma saída. Sem descer no fundo do poço. Intenso, marcante, lindamente pensado. Adoro o ritmo, as tomadas de câmera, a maneira com que o contexto histórico de Hong Kong naquela época influencia o destino dos personagens. Para ver bem acompanhado, certamente.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Kar Wai Wong ELENCO: Tony Leung Chiu, Maggie Cheung, Ping Lam Siu | 2000 (98 min)

 

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TUDO O QUE DESEJAMOS – Toutes Nous Envies
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França, Drama - 27/09/2012

DIREÇÃO: Philippe Lioret

ROTEIRO: Emmanuel Carrère, Emmanuel Courcol

ELENCO: Vincent Lindon, Marie Gillain, Amandine Dewasmes,

França, 2011 (120 min)

O olhar de honestidade, tanto na busca pela justiça, quanto na busca pelo direito de escolher como passar seus últimos dias, é o mais tocante. Tudo O Que Desejamos tem uma sutileza que eu não saberia explicar. Na relação entre Stéphane (Vincent Lindon) e Claire (Marie Gillain), uma sutil cumplicidade; na relação de Claire com a justiça, uma delicada sinceridade.

Embora trate do tema da morte eminente, da impotência diante da doença, não é esse o foco. Não é de tristeza que o diretor Philippe Lioret (também de Não se Preocupe, Estou BemBem-Vindo) se abastece. Ele imprime no olhar, no sorriso e na generosidade Claire seu sentido de justiça. Como juíza de Lyon, Claire tem que decidir o destino da jovem Céline, que representa a classe de consumidores que se endividam nos financeiras, através de contratos oportunistas e obscuros. Com mãe, precisa decidir com conduzir sua última etapa de vida e como  garantir que sua família esteja acolhida. E são essas decisões o centro da narrativa, em toda a sua honestidade. No caminho, cruza o juiz experiente Stéphane, cujo olhar de descrédito ganha esperança.

Vincent Lindon, como sempre, é marcante. Quem ainda não viu, vale a pena conferir Bem-VindoMademoiselle ChambonTudo Por Ela. Tudo que Desejamos entra na prateleira daqueles filmes que conseguem falar do trágico, sem enfocar no drama. Com simplicidade. Assim como A Guerra Está Declarada, também francês. Fique de olho na programação, porque infelizmente filmes assim às vezes não duram tanto tempo em cartaz. O trailer é bacana, assista abaixo!

 

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GARIMPO PARA SE DIVERTIR
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Especial, Comédia - 27/09/2012

Fazer rir sem cair no ridículo não é tarefa fácil. O que eu mais gosto é quando o filme é capaz de divertir, mesmo tratando de um assunto já bastante explorado. Se conseguir, é porque é humor inteligente, sem apelação. Aqui vai uma sugestão de 10 filmes engraçados e curiosos, que entretêm e divertem. Bom garimpo na locadora!

Melhor É Impossível, de James L. Brooks (1997)

11 Homens e Um Segredo, de Steven Soderbergh (2001)

Domésticas, Fernando Meirelles e Nando Olival (2001)

Saturno em Oposição, de Ferzan Ozpetek (2007)

Minhas Mães e Meu Pai, de Lisa Cholodenko (2010)

Como Arrasar um Coração, de Pascal Chaumeil (2010)

O Primeiro que Disse, de Ferzan Ozpetek (2010)

O Homem do Futuro, de Claudio Torres (2011)

Amor A Toda Prova, Glenn Ficarra e John Requa (2011)

Solteiros com Filhos, de Jennifer Westfeldt (2011)

 

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AS FLORES DE KIRKUK – The Flowers of Kirkuk
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Itália, Drama - 26/09/2012

DIREÇÃO: Fariborz Kamkari

ROTEIRO: Fariborz Kamkari e Naseh Kamkari

ELENCO: Morjana Alaoui, Ertem Eser, Mohammed Bakri

Suíça, Itália, 2010 (118 min)

Em tempos de Primavera Árabe, o filme As Flores de Kirkuk cai como uma luva. Ainda mais falando em Iraque, um país pouco explorado no cinema. Pelo menos no cinema que chega para nós, brasileiros. Muitas vezes, é nas mostras de cinema árabe que temos a oportunidade de assistir a filmes que retratam essa realidade. O que tem acontecido é que as notícias chegam pela mídia impressa, eletrônica, televisiva, em tempo real, mas sem romance no pacote.

O filme do diretor iraniano Fariborz Kamkari, de origem curda, retoma um período sombrio da história iraquiana, em que Saddam Hussein ordena o massacre de mais de 200 mil curdos. De 2003, quando o ditador é deposto, o filme volta à década de 80, quando o poder militar de Saddam e sua ideologia de limpeza étnica foi cruel e implacável. A história é contada através da vida da jovem médica iraquiana Najla, que estuda na Itália, apaixona-se por um colega curdo e volta para o Iraque à procura do namorado quando ele se junta às forças de resistências contra o regime. Contrariando todas as regras sociais e políticas que obrigam as mulheres a obedecer aos homens, seguir as regras do clã familiar e da educação iraquiana e casar-se, Najla decide engajar-se na luta a favor dos curdos, atuando na clandestinidade e como informante.

Como pano de fundo, é bem interessante. Um momento cruel da história de um país complicado. Tem uma dose um pouco exagerada de melodrama, inclusive representado pelas flores de Kirkur, cidade palco da trama, que dão o título da obra. As flores são a antítese do regime violento e terrorista, a representação da possibilidade de mudança, de esperança. Uma antítese da aridez da região e das relações. Talvez o drama todo faça parte do contexto, mas filmes assim, que mostram esse tipo de conflito de amor impossível, genocídio, rivalidades religiosas, extremismo na região do Oriente Médio, sempre me fazem lembrar de Incêndios, que tem um roteiro espetacular e uma narrativa extremamente dramática, porém prescinde do  melodrama. Mesmo assim, As Flores de Kirkuk é interessante e importante enquanto registro histórico e humanitário. E ajuda a juntar os cacos da confusão iraquiana instalada até hoje e que ainda não apresenta luz no fim do túnel.

 

 

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CHICO & RITA
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Espanha, Animação - 25/09/2012

Este post foi reeditado para dizer que agora o filme já está disponível em DVD.

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Animação para adultos. Chico e Rita concorreu ao Oscar da categoria em 2012 e perdeu para Rango… que realmente não me convenceu. O filme de Fernando Trueba (também diretor de A Dançarina e o Ladrão), por outro lado, é um lindo passeio por Cuba antes da revolução, uma homenagem aos ritmos dos anos 1948, ao bolero, ao jazz, à batida caribenha. Às lindas canções entoadas por Rita.

Sempre falo que adoro animação. Esse traço usado em produções para adultos é suave, mas tem uma personalidade quase real. Chico é pianista de jazz; Rita, cantora. Se conhecem em Havana, se apaixonam, mas a Rita tem a oportunidade de ganhar dinheiro e cantar nos Estados Unidos. Nem tudo é perfeito e o casal vai precisar de muito tempo para colocar a vida em ordem. Nesse trajeto, conhecemos também um pouco da Cuba atual, sempre retratada com esmero, critério e cuidado pelos criadores da animação.

Lembro de ter lido sobre o filme na programação do Anima Mundi deste ano, mas na ocasião não tive a sorte de assistir. Ainda não temos por aqui em DVD, mas quem tiver acesso ao iTunes, da Apple, é possível alugar ou comprar. Para ter uma palinha, o trailer!

 

DIREÇÃO: Fernando Trueba, Tono Errando, Javier Mariscal ROTEIRO: Ignacio Martinez de Pisón, Fernando Trueba ELENCO: Eman Xor Oña, Limara Meneses, Mario Guerra | 2010 (94 min)

 

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MISSISSIPI EM CHAMAS – Mississipi Burning
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 25/09/2012

DIREÇÃO: Akan Parker

ROTEIRO: Chris Gerolmo

ELENCO: Gene Hackman, Willem Dafoe, Frances McDormand, Brad Dourif, R. Lee Ermey,

Estados Unidos, 1988 (128 min)

 

Quando se fala em preconceito contra os negros nos Estados Unidos, Mississipi em Chamas me vem à mente. Minto, me vem à mente mais forte a imagem da perseguição da Ku Klux Klan e toda a barbaridade que foi cometida no sul do país. O assunto surgiu em casa por causa de matéria dada na escola a cerca dos líderes Martin Luther King e Malcolm X. O filme de Alan Parker ilustra bem esse período dos anos 1960 e serve como uma amarração perfeita para conhecer esse período e suas consequências. E pensar que o presidente do país hoje é negro, dizia meu filho de 13 anos.

Revi Mississipi em Chamas com o mesmo pavor da primeira vez e com a mesma surpresa. Intenso, forte, não poupa os espectadores de espancamentos, enforcamentos, violência física e moral, dor e ódio. Embora seja uma obra de ficção, foi escrito com base em fatos daquela época. Tudo gira em torno do sumiço de três jovens, defensores de direitos humanos, no Mississipi. Agentes do FBI são enviados ao local, onde montam uma verdadeira força de guerra para desafiar as autoridades locais, policiais e juízes, que são parte não só conivente, mas atuante em todos os crimes de abuso se poder, preconceito, desprezo, morte.

Vale a pena assistir. O tema está na pauta das escolas e é importante para uma reflexão sobre inclusão, direitos humanos, igualdade social, investimento em educação e por aí vai, numa lista infinita. Lembramos aqui também de termos assistido junto à Histórias Cruzadas, em que o preconceito recai sobre as empregadas domésticas. Mais “arrumadinho” e menos realista, serve também para ilustrar uma dura realidade, amplamente aplicada à nossa sociedade, e funciona bastante no âmbito didático – levante importantes questões para essa garotada parar para pensar. Diferente desse filme com Viola Davis (também em DúvidaTão Forte, Tão Perto), Mississipi em Chamas é implacável na violência e realmente pede uma platéia mais crescida. Mesmo assim, impossível não impressionar.

 

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JOGOS VORAZES – Hunger Games
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Aventura - 23/09/2012

DIREÇÃO: Gary Ross

ROTEIRO: Gary Ross, Suzanne Collins

ELENCO: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Stanley Tucci, Wes Bentley, Willow Shields, Liam Hemsworth, Elizabeth Banks, Sandra Ellis Lafferty

Estados Unidos, 2012 (142 min)

Finalmente assisti a Jogos Vorazes, baseado no best seller homônimo da escritora Suzanne Collins. Ou melhor, baseado no primeiro livro dos três que compõem a série. Quem leu o livro diz que o filme é bem diferente. Normalmente é assim mesmo, são linguagens e recursos distintos, o papel e a tela. Fato é que o filme também deixa uma margem grande para continuação. Acho bacana continuar acompanhando essa ideia maluca desse jogo mortal, nesse mundo fictício futurístico um tanto quanto esquisito. E de fato, os atores já estão no set preparando Jogos Vorazes: Em Chamas, o segundo da série.

Gostei do filme. A protagonista Jennifer Lawrence (também em Inverno da Alma), é Katniss Everdeen, uma moça corajosa que se oferece como voluntária, quando a irmã é sorteada para participar desse jogo em que só uma pessoa sai viva. No país fictício, que já viveu guerras, fome, caos, a metrópole Capital é super tecnológica e rica. Mas o país tem outros 12 estados, chamados Distritos, que são pobres, como aquele onde mora Katniss e sua família. Para não deixar que seus habitantes esqueçam sua submissão à Capital e evitar rebeliões, dois jovens entre 12 e 18 anos, de cada distrito, são convocados a participar dos Jogos Vorazes, em uma arena totalmente monitorada e fictícia, como um reality show gigante. Para vencer, os participantes têm que matar uns aos outros e tudo é televisionado para os distritos, que acompanham de perto a performance de seus representantes.

Ficção científica, jogo de sobrevivência. Além disso, uma metáfora interessante sobre a dinâmica do “salve-se quem puder” da nossa sociedade, do jogo de interesses, vaidades, voyeurismo, poder, manipulação. Interessante e bem feito, Jogos Vorazes entretém e impõe um clima de suspense bacana. É para o público juvenil, por isso também é bacana para ver em família. Ainda mais se você tiver alguém do lado fazendo pausas, cada vez que um detalhe é diferente daquele do livro.

 

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HOTEL ATLÂNTICO
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Brasil - 23/09/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Suzana Amaral

ELENCO: Julio Andrade, Gero Camilo, Emerson Danesi, João Miguel, Mariana Ximenes

Brasil, 2009 (107 min)

Um road movie solitário. Nem acho que seja isso, um road movie como diz a sinopse. Acho que está mais para uma jornada solitária de um ator desempregado (Julio Andrade), que cai na estrada por falta do que fazer, por falta de objetivo. Não tive a sensação de viajar junto com o personagem de Alberto, como o espectador deve ter quando está diante de um bom road movie. Tive mais a sensação cansativa de  acompanhar um sujeito sozinho, perdido, sem rumo, que vai se relacionando com as pessoas à medida que as encontra. Um road movie nos leva junto na viagem; Hotel Atlântico me deixou estacionada com esse personagem que não ata, nem desata. Cansada.

Pena ter tido essa sensação. Não era o que eu esperada – e é preciso levar em consideração que aprecio, e muito, filme contemplativos, introspectivos. O último que vi nesse estilo – mas infinitamente superior em profundidade, graça e emoção – é de Histórias que Só Existem Quando Lembradas, de Julia Murat. Esse sim, é lento, mas profundo; lento, mas necessário e cheio de significado. Hotel Atlântico se restringe aos tropeços de Alberto, que vaga por cidades sem lenço nem documento, dormindo onde encontra abrigo, falando com quem lhe dá atenção. Mas não apresenta nada de muito especial, muito embora tenha sim situações interessantes. A melhor delas é o seu encontro com a polonesa no ônibus. Encontro que se transforma em confissão, ponto final.

Quando publiquei aqui a lista de 10 filmes brasileiros recentes e interessantes, recebi a dica de Hotel Atlântico de um leitor. Sempre válida e preciosa, a dica. Talvez não tenha sido propícia para a hora, o momento e meu estado de espírito. Ainda fico devendo outro filme da diretora, A Hora da Estrela. Para outra hora.

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