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maio, 2012

VERDADES VERDADEIRAS, A VIDA DE ESTELA – Verdades Verdaderas, la Vida de Estela
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Drama, Argentina - 30/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nicolás Gil Lavedra

ELENCO: Susú Pecoraro, Alejandro Awada, Rita Cortese, Inés Efron, Laura Novoa, Fernán Mirás, Carlos Portaluppi

Argentina, 2011 (99 min)

1o. FESTIVAL DE CINEMA ARGENTINO

Alguns filmes são particularmente marcantes sobre a ditadura militar na América Latina. De cara me lembro dos brasileiros O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, O Que é Isso, Companheiro?, Zuzu Angel, Olga; do chileno Machuca; do alemão e argentino O Dia em que Eu Não Nasci, do argentino Kamchatka, do francês A Culpa é do FidelComo disse o diretor Nicolás Gil Lavedra sobre o seu primeiro longa, temos histórias polícias similares, devemos disseminar no continente essa memória. “Muitas vezes, filmes como estes circulam mais em festivais internacionais do que nos países vizinhos”, lamenta ele. O 1o. Festival de Cinema Argentino traz este filme na programação (abaixo) – que vale ser visto.

O enredo é inspirado em uma história real, ou melhor, em um personagem real e histórias de vidas que foram totalmente alteradas pela repressão imposta pela ditadura militar. Estela, protagonizada pela atriz Susú Pecoraro, perdeu uma filha na ditadura e passou seus dias, desde então, lutando pelos direitos humanos daqueles que sofreram danos irreparáveis e que buscam desaparecidos. É uma das fundadoras da associação civil Avós da Praça de Maio, a qual preside atualmente em Buenos Aires.

A sua história, entrelaçada com outras de famílias também vítimas da violência da ditadura, é contada no filme, sem que para isso tenha que se fazer de vítima. “Conheci Estela por intermédio do diretor Nicolás, que já tinha feito um documentário sobre as Avós de Maio”, conta Susú Pecoraro. “Sua generosidade e alegria são impressionantes e ela ficou muito feliz quando soube que eu ia representá-la no cinema”, conta ela em entrevista coletiva por ocasião do festival. De fato, o que se vê – e se sente – na atuação de Susú é determinação, afeto e muita garra. A missão de buscar crianças e jovens desaparecidos após terem sido separados de suas mães presas pela ditadura, é dura. Muitos morreram, outros foram adotados por famílias pró-ditadura, outros ainda por estrangeiros – o filme alemão O Dia em que Eu Não Nasci tem uma história incrível sobre isso.

Verdades Verdadeiras, A Vida de Estela é um bonito filme sobre essa luta pelos diretos humanos, ainda mais se pensarmos que é tudo verdade verdadeira. Mesmo se fosse ficção, já seria uma boa história.

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PROGRAME-SE!

Todos os filmes serão exibidos no Shopping Cidade Jardim.

1/06 – sexta
19h00 – Las Acácias
21h00 – El Dedo

02/06 – sábado
19h00 – Los Marzianos
21h00 – Verdades Verdadeiras, A Vida de Estela

03/06 – domingo
19h00 – Juntos Para Sempre
21h00 – Las Acácias

04/06 – segunda
19h00 – El Dedo
21h00 – Verdades Verdadeiras, A Vida de Estela

05/06 – terça
19h00 – Los Marzianos
21h00 – Juntos Para Sempre

06/06 – quarta 
19h00 – Verdades Verdadeiras, A Vida de Estela
21h00 – Los Marzianos

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1o FESTIVAL DE CINEMA ARGENTINO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil, Argentina - 29/05/2012

Parece que também não é fácil fazer cinema na Argentina. Os cineastas brasileiros bem sabem o que é isso. Mesmo sendo uma batalha para conseguir montar projeto, encontrar produtora, convencer patrocinadores, os diretores argentinos continuam saindo vencedores – e por tabela o cinema latino americano. Sinto que não atinja o grande público – deveria, são filmes sensíveis, engraçados, humanos. Mas não é cinema blockbuster, de grande público. Pelo contrário, é cinema autoral. Daquele que os argentinos sabem fazer muito bem. Histórias de vida, de relações, de observação. Com esse intuito, e com apoio do INCAA (Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales) e da rede Cinemark, de 01 a 06 de junho São Paulo recebe o 1o. Festival de Cinema Argentino, com 5 filmes, conforme programação abaixo.

Dos cinco, assisti a dois. Um deles, As Acácias, venceu a Camera D’Or em Cannes em 2011 e foi selecionado para a 35a. Mostra Internacional de Cinema. É filme pessoal, o primeiro longa do diretor Pablo Giorgelli. Foi exibido em outras categorias do prestigiado festival francês, mas eu disse a ele, durante entrevista coletiva organizada por causa deste festival, que poderia muito bem ter entrado (e ter ganho) a categoria que mais gosto em Cannes: Um Certo Olhar. Sim, porque As Acácias tem um olhar diferente. Conta a história do encontro forçado entre um caminhoneiro que está habituado a ser solitário nas estradas da América do Sul, e Jacinta, que precisa pegar uma carona com sua filha nesta boleia e vai aos poucos encontrando seu lugar na solidão de Rubén. “As palavras não fazem falta”, eu disse ao diretor. E isso é o mais bonito do filme. “Realmente trabalhei o roteiro e os atores para dizerem somente o necessário. Não é preciso explicar demais, reforçar nada, enfatizar as cenas; nem música eu usei”, conclui. Era para ser natural – e realmente é. Expressivo, simples e carregado de significado sobre as relações humanas.

O outro é politizado, mas não menos humano. Verdades Verdadeiras, a Vida de Estela (logo mais no blog) também é o primeiro longa do jovem diretor Nicolás Gil Lavedra, que disse ter demorado 8 anos para conseguir fazer o filme. Lindamente, a atriz Susú Pecoraro interpreta Estela, uma das fundadoras da associação de direitos humanos Avós da Praça de Maio, criada durante a ditadura militar para procurar netos desaparecidos, daquelas mães que deram a luz sob os olhos e armas da repressão. Da relação com a ativista Estela, que hoje preside a associação, a atriz Susú Pecoraro ressaltou a sua generosidade e alegria, apesar da dor de sua história. Sem ser vítima, ou digna de pena. De fato, foi o que senti durante o filme – um personagem doce, porém forte e determinada. Capaz de emocionar genuinamente.

Depois de São Paulo, o Festival de Cinema Argentino segue para o Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre. Não perca, acompanhe a programação. São filmes que saem do lugar comum, trazem à tona questões importantes e outras triviais, mas sempre sobre as vidas, que se repetem, de uma forma ou de outra. Como disse o diretor Nicolás Gil Lavedra, de Verdades Verdadeiras, somos países irmãos, com histórias semelhantes. O bom é compartilhar esse cinema.

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PROGRAME-SE!

Todos os filmes serão exibidos no Shopping Cidade Jardim.

1/06 – sexta
19h00 – Las Acácias
21h00 – El Dedo

02/06 – sábado
19h00 – Los Marzianos
21h00 – Verdades Verdadeiras

03/06 – domingo
19h00 – Juntos Para Sempre
21h00 – Las Acácias

04/06 – segunda
19h00 – El Dedo
21h00 – Verdades Verdadeiras

05/06 -terça
19h00 – Los Marzianos
21h00 – Juntos Para Sempre

06/06 – quarta 
19h00 – Verdades Verdadeiras
21h00 – Los Marzianos

 

 

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THE SHORE
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Irlanda, Drama - 27/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Terry George

ELENCO: Ciarán Hinds, Conleth Hill, Kerry Condon, Maggie Cronin

Irlanda, 2011 (29 min)

Vencedor do Oscar de melhor curta-metragem em 2011, The Shore, ainda sem tradução no Brasil, é um bonito – e simples – filme sobre a amizade. Separados há 25, dois melhores amigos se reencontram. O curioso é que ambos sentiam-se culpados pela separação, mas nunca tinham tido oportunidade de pedir desculpas. Mas só um deles realmente acreditava na versão real e perdoar o que ficou pra trás é a chance que eles têm de reatar a amizade.

Gosto particularmente de curtas. São como os contos na literatura: uma história boa o suficiente para ser interessante e entreter, mas não tão complexa que renda minutos ou horas a mais. Assim, é dito o essencial, é filmado o necessário para que aquele acontecimento seja contado com a emoção que merece. Deparei-me com The Shore por acaso, buscando sair um pouco do formato com que estamos acostumados. E a história dos dois reencontro dos amigos Joe (Ciarán Hinds, também em O Espião que Sabia Demais, A Mulher de Preto, Munique) e Paddy (Conleth Hill, também em Tudo Pode Dar Certo) é bastante singela, mas é agradável e tem um viés humano interessante, quase ingênuo. Assim como parecem ser os encontros entre amigos e vizinhos nesse pequeno vilarejo litorâneo na Irlanda do Norte, onde se passa a história.

Terry George, diretor também de Hotel Ruanda e roteirista de Em Nome do Pai, faz um filme bem diferente desses dois. Não fala de guerra, genocídio, política ou terrorismo. Fala de gente, da dificuldade de lidar com as diferenças e de ser verdadeiro, mas também da capacidade de perdoar. Ainda não chegou no Brasil, mas quem puder alugar pelo ITunes, está disponível.

 

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HASTA LA VISTA: VENHA COMO VOCÊ É – Hasta la Vista
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Comédia, Bélgica - 25/05/2012

DIREÇÃO: Geoffrey Enthoven

ROTEIRO: Pierre de Clercq, Mariano Vanhoof

ELENCO: Robrecht Vanden Thoren, Tom Audenaert, Isabelle De Hertogh, Gilles De Schrijver

Bélgica, 2011 (115 min)

 

Se eu pudesse resumir Hasta la Vista em uma palavra, não diria diversão, muito embora seja divertido; nem deficiência, muito embora os três protagonistas sejam deficientes; nem mesmo sexualidade, embora esse seja o mote do filme. Eu diria que honestidade resume a proposta do filme e é justamente a maneira honesta, sem dramas ou vitimização, que permitiu com que eu me divertisse e me emocionasse no filme. Sem culpa.

Aliás, aproveitando, culpa é algo que não existe na linguagem escolhida pelo diretor belga Geoffrey Enthoven. Ninguém tem culpa de nada, nem os rapazes, nem os pais. Já começa por aí: são rapazes normais, que levam uma vida limitada e cheia de cuidados por causa de sua deficiência física: Lars tem câncer, é paraplégico e o tumor paralisa seus órgãos aos poucos; Philip é tetraplégico e Josef é praticamente cego. Todos jovens, perfeitamente capazes intelectualmente, mas dependentes e acostumados com a superproteção dos pais. Adoram vinhos, cultivam os amigos, saem de férias – sempre com os pais, sempre sem emoção. Até que um dia Philip descobre que há um bordel na Espanha especializado em receber rapazes com deficiência física e é pra lá que eles querem ir para finalmente experimentar o sexo! Independência, por que não?

Claro que convencer os pais não é tarefa fácil, nem encontrar alguém que se encarregue do trio, que pretende sair da Bélgica, passar por Paris e seguir até a Espanha em uma van, e de suas dificuldades. Mas Claude (Isabelle De Hertogh) cai como uma luva (ou nem tanto!) e faz um contraponto interessante, completando o panorama de situações engraçadas, tiradas inteligentes e humor sincero (inclusive piadas sobre suas próprias condições), ressaltando a amizade como a força geradora de movimento e capaz de superar qualquer situação. Curioso só ter sentido o lado duro, penoso e triste da deficiência nas cenas com os pais, embora o amor pelos filhos seja o sentimento mais forte e mais evidente, muito mais do que a dor ou a dificuldade. E digo mais: em nenhum momento vem à tona a o sentimento de pena, ou é ressaltado o preconceito (há situações inclusive ao revés), o que é uma maravilha e uma delicadeza por parte da direção!

O road movie Hasta la Vista: Venha Como Você É pode ser visto para se divertir, para pensar sobre a percepção que os próprios deficientes têm da vida, para se emocionar. Comigo serviu bem nas três categorias. Esse é um daqueles filmes para sair do lugar comum, sentir algo diferente, elaborar e pensar sobre outras perspectivas de vida. Dê uma espiada no trailer abaixo.

 

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A DELICADEZA DO AMOR – La Délicatesse
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Divertir, França, Comédia Romântica - 24/05/2012

DIREÇÃO: David e Stéphane Foenkinos

ROTEIRO: David Foenkinos

ELENCO: Audrey Tautou, François Damiens, Bruno Todeschini

França, 2011 (108 min)

 

É delicado mesmo, o filme. Aliás, essa é uma das características mais marcantes da atriz francesa Audrey Tautou. Delicada e divertida, perfeita para uma comédia romântica, algo para ver bem acompanhado como o gostoso filme Uma Doce Mentira. Só acho que A Delicadeza do Amor poderia ser só A Delicadeza – o que seria mais sugestivo, mais simpático, seria fiel ao original francês La Delicatesse e não cairia no clichê do uso dessas palavras-chave “amor”, “felicidade”, etc.

Embora leve, conta uma história já conhecida, sem trazer nada de muito novo. Não acho que seja um filme para o cinema – é daqueles agradáveis para ver em casa, em DVD, absolutamente sem compromisso. Apesar de gracioso algumas horas, porque Tautou faz isso muito bem, gosto mais de outros filmes da atriz, que tem algo diferente – não entendam por diferente algo profundo, ou feito para pensar. O comentário é puramente sensitivo e de gosto particular. Vejam, por exemplo, Albergue Espanhol e Bonecas Russas e claro, O Fabuloso Destino de Amélie Polain.

O enredo é o seguinte: Nathalie (Audrey Tautou) é casada com o homem que ela ama, leva uma vida tranquila e alegre, com alguém que é um ótimo companheiro. Mas um acidente a deixa viúva muito jovem e ela precisa se reinventar. Mergulha no trabalho e é daí que surgem as novas situações e relacionamentos – mesmo com François Damiens (também em Como Arrasar um Coração, O Pequeno Nicolau) não têm propriamente um brilho especial. Talvez por isso tenha achado o filme agradável, mas sem sal. Sempre acho que Audrey Tautou é capaz de dar um toque especial. Talvez esteja na hora de ela se engajar em algum projeto de personagem mesmo, como Coco Antes de Chanel, e encarnar alguém que não a boa moça, simpática e estilo mignon. Senão, arrisca cair no dejà vu e desgastar sua delicada (e talentosa) imagem.

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ESTAMIRA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Drama, Documentário, Brasil - 24/05/2012

“Às vezes é só resto; às vezes vem também descuido.”

“Sabia que tudo que é imaginável é, existe e tem?”

Estamira, trabalhoda do aterro sanitário Jardim Gramacho/RJ

 

Não é todo dia que se acha um personagem como Estamira. Aliás, dois. Porque o lixão Jardim Gramacho já condensa uma história de vida inesgotável, já é um personagem por si só. O que o diretor Marcos Prado (também na produção de Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, Última Parada 174, e na direção de Paraísos Artificiais) faz é deixar que essas duas figuras contem a sua trajetória: o lixão, com imagens que prescindem de palavras, sozinhas estão repletas de significado sobre a nossa sociedade de consumo, a cultura do desperdício, do desprezo humano e material, do trabalho subumano; Estamira, com palavras e gestos eloquentes e incisivos, mente perturbada e lúcida, prosa poética e delirante, trabalho digno e indigno.

O discurso de Estamira, essa senhora de 63 anos, que trabalha há 20 no aterro sanitário de Jardim Gramacho, o mesmo aterro retratado por Vik Muniz em seu documentário Lixo Extraordinário, é forte. Até por isso acho que o diretor optou por não narrar o documentário. Claro, não precisa. Ela mesma pergunta, ela mesma responde. Ela mesma questiona Deus e o amaldiçoa. Ela mesma analisa a sociedade, critica seus ex-maridos e conta como foi educar seus filhos passando fome no lixão e deixar a terceira filha para outro criar. Ela mesma se diz orgulhosa do seu trabalho, com que pode ter uma casa e um canto para descansar. Ela mesma procura comida no lixo e diz que receita vai preparar, ela manda e desmanda, faz prosa e poesia, filosofa com sua experiência de vida e se perde em seus pensamentos, numa mente que a esquizofrenia já não deixa operar normalmente. Ela mesma faz perguntas aos filhos e netos, ela mesma manda que se calem. Estamira é um retrato forte, triste, real de uma sociedade definitivamente desigual, de descarte das coisas e pessoas; as imagens do lixo voando no vento são avassaladoras e falam por si só.

O documentário Estamira recebeu mais de 29 prêmios mundo afora e é, realmente, um documento humano e sociológico imponente. Estamira diz que não há inocentes, há espertos ao contrário. Interessante a sua noção de justiça, de culpa, de honestidade. É com pérolas como essa que Estamira vive o lixão dos excluídos, dos estigmatizados, dos negros, mestiços, pobres, sem educação formal da sociedade brasileira. Na sua plenitude das imagens granuladas em preto e branco. São as mais bonitas e mais simbólicas.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Marcos Prado | 2004 (121 min)

 

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LOUP – UMA AMIZADE PARA SEMPRE – Loup
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Emocionar, França, Aventura - 19/05/2012

DIREÇÃO: Nicolas Vanier

ROTEIRO: Nicolas Vanier, Ariane Fert

ELENCO: Nicolas Brioudes, Pom Klementieff, Min Man Ma

França, 2009 (102 min)

 

“Os lobos não são amigos. Para isso existem os cachorros.”

A paisagem é espetacular. O ritmo, lento, contemplativo, monótono inclusive. Assim como deve ser o inverno numa região montanhosa da Sibéria. Mas não acho que isso seja empecilho, mas é preciso ir preparado. Falado em francês, Loup – Uma Amizade Para Sempre é um filme sobre a amizade entre um rapaz e os lobos siberianos, e não propriamente um filme de ação. É para ser apreciado, inclusive na narrativa singela e na cultura do povo nômade, que é, no mínimo, muito interessante.

Sergeï faz parte de uma família de nômades, que mora nas montanhas da Sibéria e tem como única fonte de sustento o rebanho de renas. A tradição familiar a é escolher, a cada verão, uma pessoa responsável pelo rebanho e por protegê-los dos lobos que vivem no mesmo habitat. Sergeï acata a missão, mas se depara com uma alcatéia cheia de lobinhos. Ao vê-los crescer, apega-se a eles e embora sejam ameaça constante ao patrimônio do clã, seu instinto é protegê-los e não matá-los como espera sua família. O conflito faz com que os personagens percorram diversas partes da montanha, no verão e no inverno, o que nos presenteia com a linda paisagem, inclusive a aurora boreal.

Loup tem o aspecto familiar, de apego e respeito aos animais que é sempre muito sensível. Assim como Winter – O Golfinho, Marley e Eu, Sempre ao Seu Lado. Mas Loup tem alguns trunfos, que são essa natureza inóspita, esses animais tão incomuns que são as renas, e o modo de vida desse povo tão diferente. Mas o diretor francês ressalta também aquilo que é igual na maneira de se relacionar, colocando a amizade e a família acima de tudo.

 

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TIMOR LESTE – O MASSACRE QUE O MUNDO NÃO VIU – Timor Lorosae
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Drama, Documentário, Brasil - 19/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Lucélia Santos

Brasil, 2001 (75 min)

O interessante em Timor Leste – O Massacre que o Mundo não Viu é o registro histórico em si. Alguém se lembra? Foi praticamente outro dia, 1999. O documentário escrito e dirigido pela atriz Lucélia Santos (a eterna escrava Isaura, pelo menos para mim) retoma, de forma didática e cronológica, os eventos trágicos nesse longuinquo e pequeno país oriental. Isso é bom, ajuda a refrescar a memória dos horrores que aconteceram por lá em plena virada do milênio.

Confesso que não gosto muito da narração da diretora em off – há algo com a sua voz, implicância gratuita talvez. Mas o que importa é que conta como o país se tornou independente de Portugal em 1975, para tornar-se dependente da Indonésia – país que dominou a porção leste da ilhota com unhas e dentes, no esquema ditatorial. Neste contexto aparecem o líder da resistência timorense Xanana Gusmão, primeiro presidente do Timor independente e atual primeiro-ministro. Na época, foi cabeça da FRETILIN (Frente Revolucionária do Timor Leste Independente), ficou preso em Jacarta durante anos e chamou atenção do mundo para a repressão e luta pela independência, juntamente com o bispo Carlos Ximenes Belo e o jurista José Ramos-Horta, que ganharam o Nobel da Paz pelos esforços em encontrar uma solução.

Timor Leste foi devastada e descaracterizada pelas forças da Indonésia durante os 25 anos de domínio. Mesmo quando a população votou maciçamente pela independência num plebiscito supervisionado pela ONU, as milícias e o poder de Jacarta não resistiram e incendiaram 90% do país. Isso em 1999. De lá para cá, estão tentando reconstruir o país. Do zero.

Isso tudo é mostrado no documentário, com depoimentos, cenas de massacres, de destruição, de tortura. Aos que se interessam pelo tema, pela realidade remota de países longínquos, aparentemente sem qualquer relação conosco, assistam. E mesmo quando persistir a sensação de “o que eu tenho a ver com isso”, pense na barbaridade do fato num mundo que se comunica como o nosso – pelo menos em teoria. Não só no Timor Leste, mas em outros tantos países. Recentemente publiquei filmes como Hotel Ruanda e Darfur que mostram cenas absurdas sobre a África e assim por diante. Sem ser professoral ou moralista, eu diria que alguns documentários são preciosas fontes de conhecimento de situações inimagináveis e reais. É o caso de Timor Leste – O Massacre que o Mundo não Viu, sem que ele precise ser necessariamente uma grande obra cinematográfica, ou qualquer coisa assim. Prefiro ver pelo viés da coragem, do interesse e da intenção de registrar. Para lembrar.

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O QUE EU MAIS DESEJO – I Wish
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão, Garimpo na Locadora, Aventura - 18/05/2012

O que Koichi, o garoto do pôster, mais deseja é ver sua família morando junto novamente. Seus pais se separaram e seu irmão mais novo, Ryunosuke, ficou morando com o pai em outra cidade, enquanto ele e a mãe foram para a casa dos avós. Na cabeça de uma criança de 12 anos e de seus amigos, um milagre é algo possível – e principalmente factível. Nem que para isso seja preciso vender brinquedos para conseguir dinheiro, inventar uma mentira na escola e em casa, fazer as malas e pegar um trem para outra cidade sem ter onde dormir,

Além de leve e criativo, O Que Eu Mais Desejo toca nesse ponto importante do imaginário infantil, que faz tudo ser possível. No Japão, dizem que quando dois trens-balas se cruzam, a energia é tão grande que faz os desejos se realizarem. Acreditando nisso, as turmas dos dois irmãos, cada uma na sua cidade, montam o esquema para a aventura. Combinam de se encontrarem num ponto estratégico de uma determinada cidade, onde é possível ver os trens se cruzarem. Sem qualquer complicação ou empecilho, comuns aos adultos, é claro.

Com muita delicadeza, o filme mostra a alma da relação dos irmãos com o mundo, com os pais, com os amigos. Registra, sem interferir. Deposita a sensação de veracidade nas relações e nos sentimentos, de algo genuíno, ingênuo como deve ser nessa idade, verdadeiro nas intenções. Mais do que contar a aventura em si – que é muito bacana também – O Que Eu Mais Desejo é lindo pelo retrato que faz das crianças e da esperança que eles são capazes de nutrir na mais vaga possibilidade de sucesso. Sem falar na incrível atuação dos dois irmãos (são irmãos na realidade), que me envolveram na narrativa com todos os seus desejos e sorrisos.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hirokazu Koreeda ELENCO: Koki Maeda, Ohshirô Maeda, Ryôga Hayashi |  2011 (128 min)

 

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O CORVO – The Raven
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para se Divertir, Estados Unidos - 18/05/2012

DIREÇÃO: James McTeigue

ROTEIRO: Ben Livingston, Hannah Shakespeare

ELENCO: John Cusack, Alice Eve, Luke Evans

Estados Unidos, 2012 (110 min)

 

Nos cinemas: 18 de maio

Edgar Allan Poe está na memória longínqua e restrita de quantos de nós? Imagino que de poucos. Pensando nisso, talvez fosse interessante repassar um pouco da trajetória desse poeta e escritor norte-americano, para entendermos que o filme O Corvo não é uma biografia, mas sim uma obra de ficção inspirada na morte de Poe (1809-1849), que foi um importantíssimo autor de literatura policial, com contos cheios de sangue, mistério e crimes horrendos, numa ambientação absolutamente sombria e percursora do gênero.

Aproveitando-se da sua morte misteriosa aos 40 anos, quando foi encontrado completamente fora de si em uma praça de Baltimore, escreveu-se o roteiro. Por que Poe enlouqueceu? Esse foi o gancho usado para compor a história de O Corvo, que usa os contos do escritor como peças-chave para o mistério. Na direção de James McTeigue, Poe (John Cusack) é um escritor medíocre de um jornal, que luta para publicar suas histórias e ganhar a vida. Até que começam a acontecer crimes horrendos, nos moldes daqueles imaginados pelo próprio Poe em seus contos, usados como inspiração pelo assassino. Mãe e filhas são brutalmente estranguladas, um corpo é cortado ao meio por um pêndulo gigante, um assassinato ocorre numa ópera. Tudo fica ainda mais grave com o rapto da sua namorada Emily (Alice Eve). A investigação, coordenada pelo detetive Fields (Luke Evans), precisa contar com a lógica e esperteza de Poe, que tem frescos na memória o enredo de suas histórias.

John Cusack não é lá grande coisa – mas não tem sido há tempos, vide o fraco 2012. Mas O Corvo, inspirado no nome de um de seus contos, imagino que agrade aos que gostam de suspense fantástico e de um roteiro mais mastigado. É criado o clima sombrio dos Estados Unidos de meados do século 19 e Poe vira o detetive da história juntando as peças do quebra-cabeça deixadas pelo serial killer. Tudo para chegar no paradeiro de Emily e não enlouquecer de vez.

Se for para falar de suspense recente, eu diria que gosto mesmo do roteiro de Os Homens que não Amavam as Mulheres, da série sueca Millenium, Ilha do Medo, de Scorsese, O Escritor Fantasma, de Polanski, ou Deixa Ela Entrar, do também sueco Tomas Alfredson – para citar alguns (uma busca no Cine Garimpo vai dar a você várias boas opções). Mas O Corvo fica em outra prateleira, na dos filmes que distraem. Se Poe não habitasse nossa curta e longínqua memória como imagino, talvez aproveitássemos mais as referências que o filme faz à sua obra. De qualquer maneira, traz à tona o nome do escritor e o gênero de seu talento. O que já é alguma coisa para mentes tão esquecidas.

 

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