cinegarimpo

março, 2012

UM MÉTODO PERIGOSO – A Dangerous Method
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Inglaterra, Drama, Canadá - 30/03/2012

DIREÇÃO: David Cronenberg

ROTEIRO: Christopher Hampton, John Kerr

Elenco: Viggo Mortensen, Michael Fessberger, Keira Knightley, Vincent Cassel, Sarah Gadon

Inglaterra, Canadá, 2011 (99 min)

 


 

Do racional e pragmático, dos sonhos ao místico. Permeando por universos distintos a ponto de serem opostos, a mente humana é as duas coisas ao mesmo tempo. É o prático e o teórico; a atitude e o imaginário.  Na tentativa e no fascínio de desvendar a psique humana, as duas mentes espetaculares de Freud e Jung pesquisam, sugerem, normatizam tratamentos na linha oposta dos tratamentos psiquiátricos até então praticados na Europa – e no mundo – e são os mentores da psicanálise como conhecemos hoje.

Um Método Perigoso, de David Cronenberg, fala desse momento, no início do século 19, em que Carl Jung (Michael Fassbender, também em Shame, X-MenPrimeira Classe, Bastardos Inglórios) trata uma paciente histérica e descontrolada com a terapia da fala, em que paciente conta suas emoções e sentimentos, de costas para o terapeuta. Faz isso inspirado no mestre Sigmund Freud (Viggo Mortensen, também em Um Homem Bom), que acredita serem as experiências sexuais a origem dos traumas humanos. A paciente é Sabina Spielrein (Keira Knightley, também em Apenas uma Noite, Não me Abandone Jamais, Desejo e Reparação, A Duquesa), que se apaixona por Jung, envolve-se com ele apesar de ser casado e acaba ela mesma se tornando uma importante psicanalista mais tarde.

Mas o filme vai além da relação mestre-pupilo e achei isso bastante interessante. Explica um pouco para nós, leigos, os conflitos entre os saberes dos dois pesquisadores e como a vida pessoal de cada um deles influencia na maneira de pensar e tratar o paciente. Em se tratando de mente humana e de seus mistérios, com o passar do tempo Jung questiona a eficácia do método de Freud de fazer o paciente elaborar o trauma através do seu próprio discurso, e envereda pelos sinais embutidos nos sonhos e da mística, acreditando ser este o trunfo para o paciente encontrar um novo caminho.

Depois de tanta psicanálise, vale dizer que o filme retrata lindamente os cenários da Áustria e Suíça da época, com uma reconstituição muito cuidadosa. Claro que é preciso interessar-se pelo assunto. Mas mesmo assim, eu diria que Um Método Perigoso tem um caso clássico de casamento, traição, atração, sexo e ciúme. É uma boa história, afinal. E rende muito assunto para o divã.

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SAVING FACE
CLASSIFICAÇÃO: Paquistão, Estados Unidos, Drama, Documentário - 30/03/2012

DIREÇÃO: Daniel Jung

Estados Unidos, 2012 (40 min)

É Tudo Verdade. Mulheres paquistanesas são queimadas por ácido por seus maridos, em represália a qualquer corriqueira desobediência. Desfiguradas, passam a vida se escondendo de tudo e de todos atrás do véu, e seus maridos ficam satisfeitos e com a sensação de missão cumprida. Já que não obedecem, não aceitam fazer sexo, não se submetem do jeito que eles gostariam, não serão desejadas mais por ninguém.

Salvando a Face foi exibido no É Tudo Verdade, o 17° Festival Internacional de Documentários, que vai até domingo dia 1° de abril e venceu o Oscar de melhor documentário em 2012 e chama a atenção para mais uma situação absurda. Não é difícil imaginar a situação dessas mulheres, sem recursos e sem conhecimento para recorrer a uma cirurgia plástica ou a um tratamento especializado. Envergonhadas e com fortes dores físicas, elas hoje são acolhidas num centro de queimados especialmente montado para recebê-las e dar assistência psicológica. Os rostos desfigurados e o olhar de desespero é realmente arrebatador.

Em meio à tragédia, um cirurgião plástico de origem paquistanesa, com residência em Londres, sensibiliza-se com essa realidade e se dispõe a reconstituir aquilo que a medicina moderna é capaz de devolver a essas mulheres. Claro que muitos movimentos não podem ser recuperados, assim como a consistência e aparência da pele – na grande maioria das vezes as mulheres não passam por tratamentos depois da queimadura, mas são simplesmente enfaixadas, o que significa permanente perda muitas vezes da visão e da possibilidade de reconstituição plástica. Mesmo assim, o que vemos no filme são milagres, obras de arte com matérias primas e autoestimas destruídas por completo.

Além de mostrar a técnica, o documentário mostra o trabalho de resgate da dignidade dessas mulheres, num trabalho humano e generoso. Além de competente. É uma oportunidade de conhecer a realidade, de divulgar mais uma atrocidade e de curvar-se diante da delicadeza do atendimento a um universo tão fragilizado.

 

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PARA MAIS INFORMAÇÕES:

É Tudo Verdade – de 22/03 a 01/04 (SP e Rio); 10/04 a 15/04 (Brasília)

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A PELE QUE HABITO – Artigo
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Espanha, Drama - 29/03/2012

DIREÇÃO: Pedro Almodóvar

ROTEIRO: Pedro Almodóvar, Thierry Jonquet

ELENCO: Antonio Banderas, Elena Anaya, Jan Cornet, Marisa Paredes, Blanca Soárez, Bárbara Lennie, Fernando Cayo

Espanha, 2011 (117 min)

Assista duas vezes, pelo menos. Essa é a dica quando falamos de Pedro Almodóvar. Depois da exposição, depoimento e debate com o crítico de cinema Christian Petermann e a psicanalista Ana Lucilia organizado pela 2001 Video, não tive mais dúvida. Até porque Almodóvar se repete e é preciso entender o que está por trás disso. Não por estar em crise criativa, ou por faltar inspiração. Pelo contrário, é uma maneira de reafirmar seu estilo, de retomar temas com renovação, repetição, metalinguagem. Com inteligência. Claro, se você gostar do estilo do diretor – ou se quiser experimentar uma linguagem irreverente e diferente de tudo mais que há por aí.

Ainda mais quando o filme do momento é A Pele que Habito. “Nunca o diretor espanhol foi tão sombrio”, observa Christian. “Seus personagens estão acima do padrão comportamental. Transcendem na ousadia e na transgressão, são prazerosamente perversos”, completa. De fato, as situações propostas aqui são moralmente perturbadoras. Explico para quem ainda não viu: o personagem de Antonio Bandeiras é Roberto, um cirurgião plástico renomado, que quase perde a esposa em um acidente de carro. Ela sobrevive praticamente com o corpo todo queimado e ele, inspirado no acidente, desenvolve uma pele artificial que pode ser aplicada em pacientes graves e que acaba sendo usada mais tarde em outro projeto pessoal, visceral e absolutamente amoral.

Entrar em detalhes aqui seria como tirar a surpresa e o suspense da primeira sessão e o estranhamento instigante que causam seus personagens amorais, pervertidos e sombrios numa segunda visita mais detalhada ao filme. Inevitável  o estranhamento que causa no espectador – o enredo beira o surrealismo, ao mesmo tempo em que esbarra a todo momento na nossa realidade nua e crua. Mas
Ana Lucilia joga um facho de luz sob esse ponto de tensão que o filme causa nas pessoas e explica que Almodóvar trabalha sempre com o conceito psicanalítico da repetição, porque gera aprendizado. “Os sentimentos e vivências se repetem no nosso cotidiano, assim como o diretor usa elementos repetitivos para criar identificação, como a presença sempre marcante da mãe, das mulheres, das cores, do gênero, da identidade sexual”, explica ela. “As experiências repetidas criam uma casca protetora em nós, que nos ajuda a elaborar um trauma, por exemplo.” A experiência é a pele que habitamos, essa casca protetora, uma espécie de máscara. Lembra alguma coisa?

 

 

 

 

 

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A DANÇARINA E O LADRÃO – El Baile de la Victoria
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Espanha, Drama - 27/03/2012

DIRETOR: Fernando Trueba

ROTEIRO: Jonás Trueba, Antonio Skármeta

ELENCO: Ricardo Darín, Abel Ayala, Miranda Bodenhofer, Ariadna Gil

Espanha, 2009

 


 

Depois do sucesso de Um Conto Chinês, chega ao cinema este filme anterior de Ricardo Darín A Dançarina e o Ladrão. A expectativa é sempre grande quando se fala em Darín e confesso que fui com muita sede ao pote. A Dançaria e o Ladrão tem poesia – aliás, esse é o ponto perdido com o título em português. O original fala na “dança da Victoria”, que é o fator de transformação do filme. E se o filme tem algo a mais, são exatamente as imagens de Victoria dançando em condições bem adversas – que acabou ficando de fora do título…

Ainda mais porque estamos falando em dois ladrões, e não em um – vale dizer que copiamos o título em inglês – que saem da prisão com a anistia chilena no fim da ditadura. Um deles é Nicolás Vergara Grey (Darín, também em O Segredo dos seus Olhos, O Filho da Noiva, O Conto Chinês, Abutres), perito em arrobar cofres, o grande ladrão, conhecido e temido por todos, que pretende reencontrar a família; Angel Santiago é um garoto ambicioso, que sofre abusos na prisão quer  se vingar. Victoria (Miranda Bodenhofer) aparece frágil, carente e por acaso na sua vida e muda sua perspectiva de futuro. É claro que aqui é preciso sair da linha narrativa prática e lógica e entrar no campo do improvável para que a história possa se apresentar.

A Dançarina e o Ladrão está no campo do imaginário, não dá para assistir com os pés no chão. Mas confesso que tenho a régua alta para tudo em que Darín se apresenta. Dos filmes citados acima – gosto muito de todos, cada um na sua proposta – este fica numa prateleira abaixo, por assim dizer, dando a impressão de que ainda falta alguma coisa para dar identidade ao filme e unidade ao roteiro. Tem alguma poesia, mas não brilha em todo o seu conjunto.

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AFINAL, O QUE É QUE HUGO INVENTOU?
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama - 27/03/2012

Afinal de contas, o que é que Hugo inventou? Aliás, digo com frequência nos comentários do Cine Garimpo que as escolhas comerciais dos títulos pelas distribuidores muitas vezes deixam pelo caminho uma nuance, um significado subliminar sobre o filme, parte da ideia original do roteirista e/ou diretor. O que é uma pena – e um perigo.

No caso de A Invenção de Hugo Cabret, pareceu-me pura preguiça – ou seria desatenção? Assim como acontece com a adaptação de muitos livros para o cinema, ficou mais fácil usar o mesmo título. Claro, a escolha brasileira seguiu a linha do livro homônimo e em que Hugo realmente inventa algo, que funciona como um fecho para a narrativa. Fecho delicado, sutil e muito elegante. Isso se perdeu com a escolha de Martin Scorsese, que ávido por fazer finalmente um filme que sua filha pudesse assistir, resolveu mudar o final. Dizendo isso agora, me ocorreu que ele possa ter alterado a pessoa do inventor para que ela, sua filha, se identificasse. Será? Fato é que o Hugo do seu lindo e poético filme já não é mais o inventor e o público brasileiro mais observador e detalhista ficou sem saber o que essa suposta invenção tinha a ver com os relógios, o cinema, a estação de trem, o autômato e tudo mais.

E também não estamos falando da invenção do cinema como muita gente pensou, nem o filme sugere isso, apesar de homenagear também os irmãos Lumière. Pelo contrário, Hugo já vive a magia da telona desde pequeno com seu pai, apesar de ter de entrar escondido no cinema. O que ele presencia é o ressurgimento da obra e da pessoa de George Méliès, que enxergou o cinema como entretenimento, fábrica de sonhos, fuga da realidade. É a partir dele que os filmes passam a ter o viés da ficção como alternativa para o documentário, para o retrato nu e cru da realidade. Portanto, também não é aqui que você vai achar a tal invenção do título.

Antes mesmo de Scorsese lançar o filme, algumas escolas adotaram o livro para a série de crianças de 11 anos aqui em São Paulo. Interessante escolha, mesmo porque ele tem não só com um repertório literário diferenciado, mas também a linguagem das lindíssimas ilustrações, sempre carregada de significado, e o contexto da criação, do maravilhamento, do sonho que vira realidade, da aventura juvenil. Se você se propuser a ler o livro (A Invenção de Hugo Cabret, Brian Selznick, SM Editora, 534 páginas) terá a chave do mistério. Senão, faça como Scorsese, considere o filme simplesmente Hugo e aproveite a viagem.

 Artigo publicado no Portal Taste (www.taste.com.br).

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A RAINHA MARGOT – La Reine Margot
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, França, Épico, Drama - 25/03/2012

DIREÇÃO: Patrice Chéreau

ROTEIRO: Danièle Thompson, Alexandre Dumas (livro)

ELENCO: Isabelle Adjani, Daniel Auteuil, Virna Lisi, Jean-Hungues Anglade, Vincent Perez, Dominique Blanc, Pascal Greggory

França, 1994 (154 min)

Noite de São Bartolomeu. Os católicos comemoravam na ruas de Paris a festa do santo, em 23 de agosto de 1572. O que era para ser festivo, terminou em massacre. Foram executados por baixo 30 mil franceses protestantes, os huguenotes, a mando dos reis católicos. É justamente este episódio descrito em A Rainha Margot, filme que venceu o prêmio do júri em Cannes e que conta, em detalhes, a podridão, as intrigas, as traições, os assassinatos em nome do poder e da realeza.

Isabelle Adjani (também em Camille Claudel, Mamute) é Margot, católica, irmã do rei que não manda nada, que é manipulado pela mãe Catherine de Médicis, invejado pelos irmãos mais novos. Na tentativa de por um ponto final no conflito entre católicos e protestantes na França, Catherine obriga a filha a casar-se com Henrique de Navarra, que era justamente protestante. Dias após o casamento, com todos os amigos do noivo em Paris, o massacre estrategicamente programado pelos católicos mata e degola milhares dentro do palácio do Louvre e em toda a cidade.

Figurino, cenário, produção impecáveis. Além da história ser muito boa – e de ser realmente parte da história – A Rainha Margot é um daqueles filmes sangrentos, épicos, com situações inimagináveis de envenenamento dentro da família, matança, fugas e uma Margot insaciável, percorrendo as ruas de Paris atrás de alguém para amar. Bem quando o circo está pegando fogo. Apesar de um pouco longo, é um retrato interessante e muito bem cuidado do que era fazer parte da corte naqueles tempos. Cabeças rolavam, literalmente, todos os dias.

 

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LAÇOS DE TERNURA – Terms of Endearment
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Rever, Estados Unidos, Drama - 24/03/2012

 

DIREÇÃO: James L. Brooks

ROTEIRO: James L. Brooks, Larry McMurty

ELENCO: Shirley MacLaine, Debra Winger, Jack Nicholson, Danny DeVito, Jeff Daniels, John Lithgow

Estados Unidos, 1983 (123 min)

“Você não é especial o suficiente para suportar um casamento fracassado.” Com esse conselho, Aurora (Shirley MacLaine) aconselha a filha Emma (Debra Winger, também em O Casamento de Rachel) a não se casar. Na véspera da cerimônia. Dessa relação visceral, intensa e muito sincera entre mãe e filha, Laços de Ternura, que levou o Oscar de melhor filme, atriz, roteiro, diretor e ator, conta uma bonita história sobre as relações familiares, as dificuldades e alegrias do casamento, a amizade, o valor da vida.

Lembro de o filme ter feito o maior sucesso na época. Mais uma vez, cheguei nele por causa de Jack Nicholson, que assim como em Alguém Tem que Ceder, Um Estranho no Ninho, Antes de Partir, ele faz o papel de um solteirão inveterado e convicto (fica de fato muito bem no papel), mas que tem coração bom, afinal de contas. Par de Shirley MacLaine, ambos levam a premiação da Academia e acho que vale a pena sim rever. Vale dizer que o diretor James L. Brooks errou feio com seu último filme Como Você Sabe nem percam tempo. Mas Laços de Ternura é sim singelo, simples, sobre as relações. Difíceis, nas diversas etapas da vida, mas que compensam o investimento no final.

 

 

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ALGUÉM TEM QUE CEDER – Something’s Gotta Give
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Estados Unidos, Comédia Romântica - 23/03/2012

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nancy Meyers

ELENCO: Jack Nicholson, Diane Keaton, Keanu Reeves, Amanda Peet

Estados Unidos, 2003 (128 min)

Uma das boas comédias românticas que todos já devem ter visto. Vale rever, são sempre situações engraçadas, diálogos divertidos e interessantes (verdadeiros, por assim dizer), com uma dupla muito empática – e simpática. Volto a falar de Jack Nicholson (também em O Iluminado, Um Estranho no Ninho, Antes de Partir) e Diane Keaton (também em Uma Manhã Gloriosa, Manhattan, a trilogia O Poderoso Chefão). Vale dizer que a diretora Nancy Meyers tem uma filmografia voltada mesmo para esse tipo de comédia, como por exemplo O Filho da Noiva 1 e 2, Operação Cupido, Simplesmente Complicado, entre outras. Parece ser essa a sua especialidade – e no que ela se propõe, gosto muito do humor, da discussão sobre as relações e as idades.

A saber: Harry é um sujeito mulherengo com 63 anos, solteiro inveterado, contra a monogamia por definição; Erica é divorciada, dramaturga bem sucedida, acostumada a viver sozinha, já enferrujada nas relações. Mas é por Marin (Amanda Peet, também em Sentimento de Culpa, 2012, Syriana), filha de Erica, que Harry se interessa. Claro que as coisas não acontecem como esperado, a idade provoca um ataque cardíaco e ele tem de ficar sob os cuidados de Erica por um tempo. O que muda tudo.

A sequência é divertidíssima. Gosto muito de Diane Keaton, muito embora ela tenha estado “fora de forma” nesse último Uma Manhã Gloriosa. Com caras e bocas, muita risada e muito choro (até isso é engraçado), a relação entre os dois acontece, se ajusta e desajusta, assim como acontece com os ajustes que a idade impõe. Já tenho falado bastante de Jack Nicholson em outros filmes, que prescinde de apresentações – é sempre irreverente e divertido. Alguém tem que ceder, é verdade. Mas eu diria que isso se aplica a qualquer idade, ou não?

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UM ESTRANHO NO NINHO – One Flew over the Cuckoo’s Nest
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Rever, Estados Unidos, Drama - 22/03/2012

DIREÇÃO: Milos Forman

ROTEIRO: Lawrence Hauben, Bo Goldman

ELENCO: Jack Nicholson, Louise Fletcher, Michael Berryman, Danny DeVito

Estados Unidos, 1975 (133 min)

Muitos são os filmes que retratam a maneira como os doentes mentais são, ou eram, tratados em manicômios, hospícios, sanatórios, hospitais psiquiátricos – ou como queria chamar esses centros que pretendem tratar pessoas que sofrem de algum distúrbio psiquiátrico. Para citar dois incríveis: Ilha do Medo, de Martin Scorsese, e Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky, que já estão no blog. A eles adiciono Um Estranho no Ninho, com Jack Nicholson (também em O Iluminado, Antes de Partir) no papel principal. Curioso notar que a maioria desses filmes trazem a dura realidade da incompreensão da alma humana, perturbada e sem o correto tratamento.

Vencedor do Oscar de melhor ator, atriz, diretor, roteiro, filme, portanto das cinco principais categorias, Um Estranho no Ninho teve a produção de Michael Douglas (seu pai, Kirk Douglas, comprou os direitos de adaptar para o cinema o livro homônimo) e direção de Milos Forman, que vai dirigir anos depois Hair e Amadeus. Quem conduz a trama é o anti-herói McMurphy, um sujeito que vive aprontando, é pego estuprando uma garota menor de idade e simula ser louco para não ir para a cadeia. Vai parar no sanatório, onde aparentemente todos os pacientes estão controlados e dentro dos conformes, sob o mando ferrenho da enfermeira-chefe Ratched (Louise Fletcher). Mac tira esse frágil e manipulado equilíbrio, negando-se a tomar os calmantes, alterando regras, perturbando a ordem do local e fazendo cair as máscaras do sistema psiquiátrico. O curioso e muito sensível é que Mac mostra que há manipulação dos dois lados, por parte do sistema e dos pacientes, que acham mais fácil ficar enclausurados do que viver em sociedade, enfrentando problemas, família, etc.

Jack Nicholson está espetacular, escolhido a dedo na sua ironia e petulância em quebrar as regras. Como qualquer ditadura, sobressai-se a lei do mais forte e as vozes são caladas. Literalmente, na figura do índio seu amigo. Melhor calar-se. Numa sutileza incrível no desfecho, o diretor dá mostras claras, mas não sem valorizar o humor e a amizade, da distorção das relações de poder e submissão. Vale a pena ver ou rever. Nem que seja só pelo final.

 

 

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A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO – The Girl that Played with Fire
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Suécia, Para se Divertir, Garimpo na Locadora - 21/03/2012

DIREÇÃO: Daniel Alfredson

ROTEIRO: Jonas Frykberg, Stieg Larsson (livro)

ELENCO: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre

Suécia, 2009 (129 min)

Adoro a versão sueca da série Millennium. Mesmo agora com o lançamento nos cinemas da produção americana com Daniel Craig e Rooney Mara e tudo mais que vem junto com uma proposta grandiosa e uma boa história, continuo gostando da linguagem europeia de suspense no cinema.

Baseado na trilogia do autor sueco Stieg Larsson, que morreu sem ver e imaginar que seus livros seriam sucesso no mundo inteiro e que ganhariam esse espaço todo na telona, o segundo filme da série Millennium: A Menina que Brincava com Fogo dá sequencia ao ótimo Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Os protagonistas são os mesmos, e nem poderia ser diferente. É com base na revista Millenium do jornalista investigativo Mikael Blomkvist que toda a trama da trilogia acontece. No primeiro, tudo girava em torno do desaparecimento de uma moça há mais de 40 anos e da morte misteriosa de várias mulheres; no segundo, ainda as mulheres são o centro da investigação, mas agora o tema é o tráfico humano na Europa (tema também abordado no filme A Informante, com Rachel Weisz). No centro de tudo isso, além do jornalista e sua audaciosa equipe, está Lisbeth Salander, uma hacker bem esquisita, antissocial, com a tal tatuagem de dragão nas costas e uma porção de problemas familiares passados para resolver.

Mesmo se você não leu o livro, como é o meu caso, não se intimide. Assista ao filme, porque o suspense é bom e bem interessante. E é bacana também não ter todo o aparato hollywoodiano por trás da produção – talvez esse olhar se aproxime mais do que Larsson imaginou para os seus personagens e nos tira um pouco do formato conhecido de filmes de investigação e assassinato. Porém, é claro que é preciso assistir ao primeiro da série para entender melhor o perfil dos personagens – o que não é nenhum sacrifício e uma ótima dobradinha para o fim de semana.

 

 

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