cinegarimpo

outubro, 2011

EU, VOCÊ, OS OUTROS – Toi, Moi, Les Autres
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Divertir, França - 31/10/2011

DIREÇÃO: Audrey Estrougo

ROTEIRO: Audrey Estrougo, Juliette Sales

ELENCO: Leïla Bekhti, Benjamin Siksou, Cécile Cassel, Marie-Sohna Condé, Chantal Lauby

França, 2010 (87 min)

Divertido, com toque de musical para ilustrar e dar leveza a duas histórias paralelas – que, obviamente, acabam se entrelaçando. Uma delas é a questão dos imigrantes ilegais na França, vindos das antigas colônias do norte da África; a outra, um romance entre um jovem sem objetivos, acomodado, de uma família rica parisiense e Leila (Leïla Bekhti, também em O Profeta, Paris – Eu Te Amo), uma estudante de Direito, de origem árabe, bastante ativa na questão da regularização dos ilegais.

Não há um tom político forte, muito embora seja explícita a questão da morosidade e da falta de vontade política de regularizar os papéis de milhares de famílias que moram, trabalham e estudam no país. Nem predomina o tom social, embora também toque nesse ponto da mistura de raças e origens sociais, numa França (e numa Europa) multirracial, com diferenças de classes evidentes, assim como estilos de vida – em Paris e na periferia. O que predomina é a questão emotiva: a escolha que Gab, o garoto rico, faz pela menina simples que é Leila, deixando de lado o bom partido que é sua noiva, e a amizade, já que há um movimento de defesa por aqueles que sofrem com a falta de assistência e com a burocracia da imigração.

Gostei da opção da diretora de intercalar canções francesas famosas (a que me ocorre agora é Et Si Tu N’existais Pas), com dança e interpretação. Uma história leve, quase uma fábula. Sem falar no sempre lindo cenário que a Cidade Luz proporciona.


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PROGRAME-SE:

1 nov / 15h40 – ESPAÇO UNIBANCO AUGUSTA
* Sala 3
Rua Augusta, 1475, Cerqueira César / CEP: 01305-100 / TEL.: 3288-6780.

3 nov / 15h00 – CINEMATECA
* Sala PETROBRAS
Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino / CEP: 04021-070 / TEL: 3512-6111.

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HABEMUS PAPAM
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, Itália - 30/10/2011

 DIREÇÃO: Nanni Moretti

ROTEIRO: Nanni Moretti, Francesco Piccolo, Federica Pontremoli, Jerzy Stuhr,

ELENCO: Michel Piccoli, Nanni Moretti, Jerzy Stuhr, Renato Scarpa, Franco Graziosi, Camillo Milli, Roberto Nobile, Marguerita Buy

Itália, 2011 (104 min)

Qualquer um de nós, independente de crença ou religião, gostaria de ser uma mosca para saber o que se passa dentro das paredes do Vaticano. Na rotina, na tomada de decisão, nos relacionamentos, na política. Ainda mais se o momento for de eleição do novo papa. No conclave dos cardeais, eles se reúnem a sete chaves, escrevem seu voto e ficam incomunicáveis com o mundo exterior, até que seja anunciado no balcão da Praça São Pedro: Habemus Papam! Esse é o ponto central do novo longa de Moretti (também dos ótimos O Quarto do FilhoCaos Calmo, Caro Diário): temos papa, mas parece que ele próprio não está convencido disso.

Haveria inúmeros temas a serem explorados – nesses 2 mil anos de história, fatos é que não faltam para ilustrar, criticar, reverenciar os feitos da Igreja Católica. Acho inclusive que o mais fácil seria uma crítica ferrenha, tendo em vista as dificuldades de angariar novos fiéis, a concorrência dos outros credos, as denúncias e tudo mais. E é justamente isso que eu mais gosto no filme: a escolha de Nanni Moretti pelo retrato do papa enquanto homem, com fraquezas, dúvidas, ansiedades, medos como qualquer um de nós, sem juízo de valor à pessoa, nem ao religioso. Ao deparar-se com a missão de ser o novo chefe da Igreja, mentor espiritual de mais de um bilhão de pessoas no mundo todo, o novo eleito entra em desespero e o Vaticano toma a decisão de contratar um terapeuta, personagem do próprio Nanni Moretti, para desatar o nó.

Aqui entra a magia do filme, quando Nanni Moretti opta pela graça e pelo humor inteligente, e não pela ironia, acusação ou desprezo. Nada disso. Como terapeuta, ele levanta questões de caráter humano, próprio de todos nós que sentimos, amamos, escolhemos, detestamos, fazendo graça inclusive com situações da sua vida (no filme) com a ex-mulher também psicanalista. Questiona os protocolos e dogmas da Igreja com sutileza, embora explicitamente – me fez rir sem ofender – e retrata os dias de reclusão dos cardeais, a espera do anúncio do novo papa, como pessoas normais, com manias, hipocondria, preleções, habilidades e defeitos.

Exibido na Mostra Internacional de Cinema em outubro do ano passado, os espectadores se divertiram e de quebra levaram pra casa uma discussão interessante sobre essas pessoas “escolhidas”, seja político, líder religioso, chefe de estado, que têm a função inglória de representar e liderar, atender às expectativas e convencer o rebanho de que aquele discurso vale quando pesa.



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LATE BLOOMERS – O AMOR NÃO TEM FIM – Late Bloomers
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França - 29/10/2011

 

 

DIREÇÃO: Julie Gravas

ROTEIRO: Julie Gavras, Olivier Dazat

ELENCO: Isabelle Rossellini, William Hurt, Joanna Lumley, Simon Callow, Dorren Mantle, Kate Ashfield, Aidan McArdie, Arta Dobroshi, Luke Treadaway

França, Bélgica, Inglaterra, 2010 (95 min)

A diretora do belo, delicado e bem humorado A Culpa é do Fidel repete a dose em Late Bloomers – O Amor não tem Fim. Agora não é mais através do olhar de uma menina que conhecemos a história, mas sim do olhar de um casal na terceira idade, que enfrenta dificuldades ao se dar conta que os anos passaram.

Juntos há mais de 30 anos, Mary (a sempre linda Isabelle Rossellini) e Adam (William Hurt, também em Robin Hood, Syriana) têm uma relação saudável e rica, três filhos nas costas e uma vida de lembranças felizes. Mas enfrentam a chegada da casa dos sessenta de forma distinta. Enquanto Mary tenta se envolver com trabalho voluntário, passa a fazer exercícios por recomendação médica, mas não quer ser considerada uma ‘senhora’, Adam envolve-se em um novo projeto de arquitetura com jovens do seu escritório, muda o visual para algo mais jovem e não assume que realmente os tempos passaram e que é preciso mudar para continuar.

A passagem do tempo é mostrada de forma leve, com crises bem humoradas, mas também com reflexão. Onde cabe um casamento de mais de 30 anos nesse contexto? A história de que é preciso de fato casar-se várias vezes com a mesma pessoa para que a relação siga em frente é fato no filme. Reinventar-se, encontrar a beleza de cada fase, olhar com orgulho os projetos realizados e desejar continuar junto. Tarefas demais, que dão trabalho. Preciso dizer também que não gosto desse subtítulo em português, mesmo porque ele mata descaradamente a sutileza do título original, Late Bloomers, que é carregado de significado, totalmente condizente com o contexto do filme. O termo “late bloomers” faz alusão ao florescimento tardio, ao desabrochar de alguma habilidade, capacidade, conhecimento depois do esperado. Neste caso, é o desabrochar para uma nova fase, o renascer de um amor que sempre existiu, sem que para isso seja preciso ser jovem. Bonito e delicado. Uma homenagem aos casamentos que sobrevivem ao tempo e às diferenças.


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O PALHAÇO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Brasil - 28/10/2011


DIREÇÃO: Selton Mello

ROTEIRO: Selton Mello e Marcello Vindicatto

ELENCO: Selton Mello, Paulo José, Larissa Manoela, Giselle Motta, Teuda Bara, Álamo Facó, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Fabiana Carla, Moacyr Franco, Ferrugem, Hossen Minussi

Brasil, 2011 (min)

“O gato bebe leite; o rato come queijo; e eu, sou palhaço.”

– Palhaço Puro Sangue (Paulo José)

Simples assim e do jeito que as coisas são. Instintivamente e de corpo e alma, Valdemar, o Puro Sangue (Paulo José, também em Meu País, Quincas Berro D’Água), define-se “o palhaço”. Por profissão, por amor, por vocação. Pai de Benjamin, o Pangaré (Selton Mello, também em Lope, A Mulher Invisível, Jean Charles), Valdemar conduz seu espetáculo circense como nós o conhecemos na origem. Vão de cidade em cidade, ciganos, como um família ambulante que percorre os confins para alegrar e ganhar a vida.

Paulo José incorpora o personagem com a convicção necessária para ser realmente um palhaço. Já Benjamin não tem tanta certeza de que é essa a sua vida. Aliás, não tem nem certeza de quem é – literalmente, não tem carteira de identidade, só uma surrada certidão de nascimento, que formaliza e lhe dá a certeza de realmente existir. Mas existir para quê? Obcecado por ventiladores e engraçado no picadeiro ao lado de seu pai e da trupe mambembe do Circo Esperança, Benjamin esconde a amargura e a infelicidade de não pertencer a si mesmo. Esse contraste é lindamente trabalhado, transmitido pelo olhar do palhaço triste e perdido e pela sua ingenuidade. Percorrendo cidadezinhas típicas do interior (faz menção a Passos, sua cidade natal em Minas Gerais), o circo passa por situações engraçadas e emocionantes, vividas pelos personagens de uma maneira muito verdadeira.

Na coletiva de imprensa, o diretor Selton Mello conta que neste seu segundo longa (o primeiro é Feliz Natal) investiu na ideia do encantamento: “Enquanto a maioria dos filmes retrata a realidade, a tecnologia, O Palhaço fala daquilo que move as pessoas, do sonho, do encanto”, explica. A aposta na ingenuidade também está na escolha do elenco, que é diversificado, de escolas e gerações diferentes, dando ao profissional e ao amador, ao novo e ao velho a oportunidade de fazer parte do projeto – que foi premiado em Paulínia pelo melhor trabalho de diretor, roteiro, ator coadjuvante (Moacyr Franco) e figurino. E de fato isso deu frescor e originalidade ao enredo, à direção e ao conto circense em si. Um toque gracioso.

Além de ter uma trilha sonora interessante, ambientada na realidade do interior, e contar uma singela história, O Palhaço é uma bonita homenagem à relação pai e filho, à capacidade de educar para o mundo, atrair sem prender, e soltar para viver e escolher. Não perca. O trabalho é uma harmoniosa poesia, com direito a boas risadas. Palhaçada aqui é levada a sério.

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IRMÃS JAMAIS – Sorelle Mai
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Itália - 27/10/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Marco Bellocchio

ELENCO: Pier Giorgio Bellocchio, Elena Bellocchio, Donatella Finocchiaro, Letizia Bellocchio, Maria Luisa Bellocchio, Gianni Schicchi, Alba Rohrwacher, Valentina Bardi

Itália, 2010 (105 min)

Fui ao cinema sem conhecer a história do filme, mas acho que vale a pena você saber antes de se aventurar. Se der uma olhada nos créditos acima, vai reparar que há vários atores com sobrenome Bellocchio, o que leva a crer que o diretor Marco Bellocchio (também de Vincere) contou com membros da família na produção. Mas é mais do que isso. O projeto mistura ficção e realidade. Durou 10 anos, durante os quais Bellocchio filmou seus parentes na sua cidade natal de Bobbio, entre 1999 e 2008. Sua filha Elena é retrarada dos 5 aos 13 anos (aliás, imagens lindas), interagindo com seu filho Pier Giorgio, que faz o papel de tio da garota. Suas duas irmãs Letizia e Maria Luisa interpretam as tias de Elena no filme. Portanto, se pararmos para pensar, o projeto de longo prazo já devia estar estruturado na cabeça de Bellocchio para que as tomadas fossem feitas durante um período tão longo. Ou não, podem ter sido ensaios, montados posteriormente, dando essa sensação de ordem cronológica, mas com ideias desencadeadas.

Em alguns momentos achei o filme escuro demais, até cansativo. Agora entendo isso como tomadas de reflexão da vida, recortes de momentos, um quebra-cabeça de episódios da trajetória do diretor, da rotina da pequena cidade fadada ao esquecimento, à vida pacata e sem graça. Mas é nela que estão as tradições, as histórias, as lembranças e as pessoas que constroem o álbum de família. Elena é criada pelo tio Giorgio (também em Vincere), porque sua mãe Sara tenta, há anos, um papel no teatro que faça a diferença. As tias de Elena são o alicerce da família, aquelas que continuam no mesmo lugar, acreditando nas mesmas coisas, enquanto o mundo e as pessoas dão voltas – muitas vezes sem sair do lugar. A atriz Alba Rohrwacher (também em Que Mais Posso Querer, Um Sonho de Amor, Meu Irmão é Filho Único) é uma professora amiga da Elena, que entra na história também de forma descontinuada.

Irmãs Jamais é um filme belo, mas me causou certa melancolia. A escuridão me dá a impressão dessa abordagem triste e muitas vezes mal sucedida dos projetos da vida. Claro que quem teve o prazer de assistir ao lindíssimo Vincere, pode se incomodar. Vá com expectativa de ver algo com uma linguagem diferente. Assim, pode aproveitar toda a poesia que o filme tem.

 

 

 

 

 


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CONTÁGIO – Contagious
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Drama - 25/10/2011

DIREÇÃO: Steven Soderbergh

ROTEIRO: Scott Z. Burns

ELENCO: Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Marion Cotillard, Laurence Fishburne

Estados Unidos, 2011 (106 min)

Este inverno passamos aparentemente ilesos, mas quem não se lembra do surto de H1N1 e principalmente do frenesi que foram a volta às aulas, o medo do contágio vindo de outras cidades, países e continentes, potencializado pela volta das férias no ano passado? Quem não se lembra da corrida aos postos de saúde e hospitais para tomar a vacina, do aumento vertiginoso das vendas de álcool gel nas farmácias e das recomendações para evitar lugares públicos fechados como cinemas e teatros? De maneira controlada, sentimos na pele o que faz o medo de uma epidemia na mente das pessoas.

Contágio trabalha essa questão de uma forma muito didática e eletrizante. Ótimo filme do diretor Steven Soderbergh, também de Che – A Guerrilha e Che – O Argentino, sobretudo por tratar da questão da globalização. A rapidez da informação, do vai e vem das pessoas mundo afora também vale para os vírus e bactérias que são transmitidos através dos animais, alimentos, do ar, do contato. Tudo começa com Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow, também em Amantes), que viaja a trabalho para Hong Kong, volta para os Estados Unidos, faz escala em Chicago e finalmente chega em sua casa, em Minneapolis. Esposa de Mitch (Matt Damon, também em Invictus, Além da Vida, Bravura Indômita, Syriana – A Indústria do Petróleo) tem convulsões dias depois e morre. Ao mesmo tempo vemos um rapaz chinês morrendo no metrô com sintomas semelhantes, pessoas ao redor do mundo com tosse seca, febre, hemorragias seguidas de morte. De quatro vítimas, passamos para dezenas, centenas, milhares em poucos dias e o mundo entra em alerta.

Nesse momento de pânico, várias frentes entram em ação. Agentes da OMS, como a Dra. Leonora Orantes (Marion Cotillard, também em Meia-Noite em Paris, A Origem, Piaf – Um Hino ao Amor, Nine), tentam investigar a fonte da epidemia; cientistas trabalham para decifrar o DNA do vírus para elaborar a vacina; médicos lutam no campo de frente, correndo risco de serem também infectados, como a Dra. Erin (Kate Winslet, também em Titanic, Foi Apenas Um Sonho, Pecados Íntimos, O Leitor). Apesar do esforço dos profissionais do Centro de Prevenção de Doenças dos EUA, não há como controlar os ânimos, ainda mais com um blogueiro de plantão (Jude Law, também em Closer – Perto Demais), trazendo à tona todas as dúvidas sobre a manipulação da opinião pública pela indústria farmacêutica. O pânico é geral.

Interessante ver a situação de fora, como se não fizéssemos parte disso. Talvez na próxima vez que entrar num avião, você se sinta como um transmissor em potencial de qualquer doença para qualquer parte do mundo. Mas não é preciso ir muito longe. Quando você for ao cinema assistir a este filme, pense em quantas pessoas espirraram ou tossiram sentados na mesma poltrona que você – se você não se controlar, vai encontrar motivos de sobra para ficar paranóico. Portanto, controle-se. Mas que vale a pena ter um álcool gel na bolsa… ah, isso vale!

 

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TEUS OLHOS MEUS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, Brasil - 25/10/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Caio Sóh

ELENCO: Emilio Dantas, Remo Rocha, Paloma Duarte, Roberto Bomtempo, Jayme Matarazzo, Graziella Smichtt

Brasil, 2011 (105 min)

“É muito ruim não saber que caminho seguir – todos parecem uma contramão.” – Gil

O título Meus Olhos Teus foi traduzido em inglês como Soulbound. Faz sentido, laços da alma. Mas o melhor de tudo é que a gente entende que olhos são esses só no final. E ainda melhor é saber que durante o filme, não faz falta ainda não ter chegado no final. Diretor estreiante, Caio Sóh tem sensibilidade de sobra, ainda mais em se tratando de relações homossexuais. Sensibilidade para não tratar o assunto nem com preconceito de um lado, nem com rancor, do outro. E ainda consegue inserir pitadas de humor, sobre o próprio tema.

Acho que o que contribui para essa clima descontraído – e definitivamente não são todos os filmes que conseguem isso, vide Como Esquecer, Do Começo ao Fim, em que o tema gay incomoda de alguma maneira – é o fato de o filme não ser sobre homossexuais, mas sim sobre relações de amor, amizade e família. O homossexualismo entra como mais um detalhe, com naturalidade e estranhamento do próprio personagem. Por isso a direção consegue dar um tom mais casual e natural ao assunto.

Fugi da história, até porque não quero entrar muito em detalhes. Basicamente, fala sobre Gil (Emilio Dantas), um rapaz criado pelos tios, que está passando pela fase ‘não-sei-quem-sou-nem-para-onde-vou’. Perdido, passa o dia fazendo poesia, tocando música, compondo, fumando maconha, sem qualquer objetivo. Ao mesmo tempo em que a tia Leila (Paloma Duarte) o apoia, é rechaçado pelo tio, até que a relação fica insuportável. Daqui por diante, o filme é todo seu. Fiquei extremamente surpresa com a simplicidade da produção – que inclusive está coberta de significado, dando ao filme o rigor simples que ele precisa para ser o mais real e próximo do espectador possível – e com a beleza do roteiro e do texto. Falas e canções profundas (trilha de Maria Gadú), reflexões sobre a vida, independente das escolhas sexuais ou familiares. Diz respeito aos seres humanos, e aí é que mora todo o perigo.

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PROGRAME-SE:

Ingressos online: Ingresso.com

25 out / 16h00 – ESPAÇO UNIBANCO AUGUSTA
* Sala 3
Rua Augusta, 1475, Cerqueira César / CEP: 01305-100 / TEL.: 3288-6780.

29 out / 19h40 – UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
* Sala 3
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

30 out / 16h30 – UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
* Sala 5
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

 

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AS NEVES DO KILIMANJARO – Les Nieges du Kilimandjaro
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França - 24/10/2011


DIREÇÃO e ROTEIRO: Robert Guediguian

ELENCO: Ariane Ascaride, Jean-Pierre Darroussin, Gérard

Meylan, Grégoire Leprince-Ringuet, Maryline Canto, Anaïs Demoustier, Adrien Jolivet

França, 2011 (90 min)

Tem um certo olhar mesmo – especial, humano, simples e muito difícil de se conseguir. Selecionado para a categoria Un Certain Regard, de Cannes, o filme As Neves do Kilimanjaro cai com uma luva no que eu entendo sobre essa seleção. Filmes como Mother, À Deriva, Pecado da Carne, Blue Valentine, Abutres, Trabalhar Cansa e outros tantos também fazem parte dessa seleta lista que inclui histórias sobre assuntos já esmiuçados no cinema – e na vida – mas que contam com o ponto de vista sensível, observador e profundo do diretor. Um outro olhar realmente. Que, via de regra, emociona pela profundidade da linguagem.

Em As Neves do Kilimajaro o que mais chama a minha atenção é a beleza dos sentimentos mais nobres, que normalmente são os primeiros a cair por terra quando as dificuldades da vida se apresentam. Explico: tudo gira em torno do casal Marie Claire (Ariane Ascaride) e Michel (Jean-Pierre Darroussin, também em Conversas com Meu Jardineiro). Diretor do sindicato, precisa demitir 20 pessoas, acaba incluindo seu nome nessa lista para não ser privilegiado, e passa a ter mais tempo para a esposa, filhos, netos e para viajar – ganha, inclusive, uma viagem para a África, daí o nome do filme. Até que um dia o dinheiro e a passagem da viagem são roubados por marginais e os sentimentos ruins de raiva, ódio, vingança, injustiça vêm à tona e põem em cheque a postura ética e amorosa que sempre tiveram durante a vida.

Mas como costumo dizer aqui no Cine Garimpo, há diversos filmes que mostram claramente a questão da escolha. A beleza de As Neves do Kilimanjaro não é só essa, porque o casal Marie Claire e Michel faz a opção de continuar tocando a vida com alegria, fazendo o que é certo. Vai além quando eles fazem escolhas fora da curva, por assim dizer. Inesperadas e que não precisariam ser feitas em hipótese alguma. Fazem por humanidade, por nobreza. É aqui que está a superação do simples fato de serem corretos. Afinal, ser correto não é mais do que nossa obrigação. O duro é transcender.

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PROGRAME-SE: 

Ingressos online: Ingresso.com

24 out / 16h00 – UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
* Sala 1
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

31 out / 15h40 – UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
* Sala 1
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

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O SOM DO AMOR – Ami Aadu
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Índia - 22/10/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Somnath Gupta

ELENCO: Debolina Chatterjee, Samadarshi Dutta, Rudranil Ghosh, Bidipta Chakraborty

Índia, 2011 (117 min)

O que tem de mais bacana na Mostra é essa diversidade cultural. Assistir a filmes de nacionalidades diferentes é uma imersão nos costumes e hábitos de um outro país, que não chegariam para nós de outra maneira. Neste caso específico estamos falando da Índia. O título O Som do Amor se refere ao gravador, sempre presente, que transmite mensagens e lembranças entre um casal que está separado por mais tempo do que gostaria.
Aadu é hindu, casa-se com o muçulmano Suleman sob protestos da família, mas logo ele embarca para o Iraque, onde há oportunidade de trabalho. O que era para ser uma forma de fazer um pé de meia se torna um pesadelo. Os Estados Unidos declaram guerra ao país de Saddam Hussein e a falta de notícias faz com que Aadu fique angústiada, sem saber o paradeiro do amado. Vivendo em um pequeno e remoto vilarejo, o tal gravador e as cartas são as únicas formas de comunicação entre eles.
Falado em bengali, singelo e bastante simples, O Som do Amor mostra, sem grandes pretensões, os costumes dessa pequena vila, as cores das mulheres na Índia, a forma de viver do indiano do campo. Aadu vai registrando seus sentimentos e expectativas através de recortes de personalidades em um álbum e vamos conhecendo um pouco mais do seu íntimo e da tristeza da ausência. Não deixa de ser uma história de amor – aliás, ela só acontece porque existe o sentimento. Caso contrário, não haveria porquê.
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PROGRAME-SE:
Ingressos online: Ingresso.com

22 out / 19h50 – ESPAÇO UNIBANCO POMPÉIA – Bourbon Shopping
Rua Turiassu, 2100, 3° Piso, Pompéia / CEP: 05005-900 / TEL: 3673-3949.

23 out / 15h00 – CINEMATECA
Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino / CEP: 04021-070 / TEL: 3512-6111.

24 out / 21h40 – UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

24 out / 10h00 – CINE LIVRARIA CULTURA – Conjunto Nacional
* Sessão lotada.
Av. Paulista, 2073, Cerqueira César / CEP: 01411-000 / TEL: 3285-3696.

24 out / 14h00 – CINE LIVRARIA CULTURA – Conjunto Nacional
* As sessões são gratuitas para alunos do ensino médio mediante apresentação da carteira de estudante.
Av. Paulista, 2073, Cerqueira César / CEP: 01411-000 / TEL: 3285-3696.

25 out / 10h00 – Museu da Imagem e do Som
* As sessões são gratuitas para alunos do ensino médio mediante apresentação da carteira de estudante.
Avenida Europa, 158, Jd. Europa / CEP.: 01449-000 / TEL: (11) 2117-4777.


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SERGEI PARADJANOV, O REBELDE – Sergueï Paradjanov, Le Rebelle
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Geórgia, França - 21/10/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Patrick Cazals 

França, Geórgia, 2006 (52 min)

“Seguimos o nosso sonho e o mistério está criado.” – Paradjanov

Seguindo sua intuição e sua maneira própria de fazer cinema, a alma georgiana e armênia de Segei Paradjanov (1928-1990) reflete, acima de tudo, a essência dos povos do Cáucaso. Morto em 1990, viveu sob o rigor do regime soviético nas antigas repúblicas socialistas, que baniu seu trabalho, proibiu sua produção e o jogou na prisão por quatro anos – apesar dos protestos e pedidos de clemência de artistas e intelectuais de todo o mundo. Foi inclusive nesses anos de cárcere que ele produziu grande parte de seu acerto de obras artísticas. Sessenta desses trabalhos entre pinturas, colagens, instalações e desenhos, estão no Museu da Imagem e do Som (MIS), em SP, na exposição Paradjanov, O Magnífico, complementando a retrospectiva dos filmes do diretor exibidos na 35a Mostra (ver informações abaixo). Para ele, o cineasta fabrica imagens, e não objetos. Portanto, cada uma das peças é carregada de significado, cultura e de sua própria história.

O documentário Sergei Paradjanov, o Rebelde ilustra bem sua trajetória, inclusive – e principalmente – para quem não conhece seu trabalho. Eu confesso que não conhecia e gostei do que vi. É didático e dinâmico, com depoimentos de personalidades, atores, fotógrafos que trabalharam com ele. Inventou sua própria maneira de fazer cinema e de expressar suas ideias – o que desagradou as autoridades soviéticas e o tornou uma persona non grata na URSS.

Interessante a formação artística e o trabalho intuitivo, sem preocupação com formatos, rigidez ou academia. Fugir dos padrões em épocas de chumbo não é tarefa para qualquer um. Mas pelo que mostram os testemunhos, ainda bem que ele manteve-se contra o regime e a favor daquilo que acreditava ser arte e cinema. Não é o cinema com que me sinto à vontade, é verdade. Mas este documentário mostra acima de tudo a interessante história de um personagem, uma rica história de vida. É para entendermos o nosso mundo.

 

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PROGRAME-SE:

Exposição: Paradjanov, O Magnífico (de 20/10 a 20/11; 3as-sáb, das 12 às 22h; dom e feriados, das 11 às 21h); MIS – Av. Europa, 158

 

Ingressos online: Ingresso.com

21 out / 19h10 – UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

22 out / 14h00 – ESPAÇO UNIBANCO AUGUSTA
Rua Augusta, 1475, Cerqueira César / CEP: 01305-100 / TEL.: 3288-6780.

23out / 18h00 – UNIBANCO ARTEPLEX – Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 – 3ºpiso / CEP: 01307-001 / TEL: 3472-2362.

1 nov / 14h00 – Museu da Imagem e do Som
Avenida Europa, 158, Jd. Europa / CEP.: 01449-000 / TEL: (11) 2117-4777.

Com sua morte em julho de 1990, Sergei Paradjanov deixou uma obra inacabada, porém essencial para a história russa e soviética, refletindo a riqueza étnica do povo caucasiano. O documentário foi filmado em sua estranha residência; no set de seu último filme, O Trovador Kerib (1988); no museu dedicado a Paradjanov em Ierevan, Armênia; em Paris e em sua cidade natal, Tbilisi.
Diretor  Patrick Cazals
Roteiro  Patrick Cazals

 

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