cinegarimpo

julho, 2011

O CASAMENTO DO MEU EX – The Romantics
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Estados Unidos - 29/07/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Galt Niederhoffer

ELENCO: Katie Holmes, Josh Duhamel, Anna Paquin, Malin Akerman, Adam Brody, Dianna Agron, Elijah Wood, Jeremy Strong, Rebecca Lawrence, Candice Bergen

Estados Unidos, 2010 (95 min)

The Romantics, título original do filme, era o nome de guerra do grupo de sete amigos de faculdade. A opção pelo foco no casamento, no título em português, transportada a narrativa 10 anos pra frente e tira a conotação de todos os romances que devem ter rolado entre eles naquela época – que vão aparencendo no decorrer do filme e que são o fio condutor de todas as mazelas e frustrações que vemos nos relacionamentos.

Desse grupo saíram dois casamentos – que não convencem, têm uma relação morna, sem brilho, acomodada e nada promissora – e também não acho que convençam na atuação. O casamento em que eles se encontram e de que fala o título, é o terceiro. Mas o noivo Tom (Josh Duhamel) tem uma história mal contada e principalmente mal resolvida com Laura (Katie Holmes), uma das integrantes do grupo, que é madrinha do seu casamento com Lila (Anna Paquin). Apesar de várias situações previsíveis, gosto do papel de Laura, como única que teve coragem de mostrar sua insatisfação com ela mesma e de virar a mesa. Nesse ponto, as falas são boas…

Mas no geral, diria que fica no lugar comum, na lavagem de roupa suja que poderia ser mas interessante e o elenco, mais entrosado. Afinal, fala do tema amargo e duro das frustrações, da acomodação, da dificuldade de sair da zona de conforto dos relacionamentos – bastante atual e que rende bons filmes. Só para citar o primeiro que me veio na cabeça: Namorados para Sempre. É a mão e a lente da direção fazendo toda a diferença.

Estreia dia 29 de julho nos cinemas.

Sem Comentários » TAGS:  
LOLA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Filipinas - 27/07/2011

DIRETOR: Brillante Mendoza

ROTEIRO: Linda Casimiro

ELENCO: Anita Linda, Rustica Carpio e Tanya Gomez

Filipinas, França, 2011

Lola, em filipino, significa avó. Avó, em filipino, significa âncora, base, estrutura, linha mestra, matriarca, chefe de família. Ou pelo menos foi essa a minha impressão ao assistir a este sensível e delicado filme do diretor Brillante Mendoza. A sensação de que a avó é realmente o arrimo de família, tanto material na miséria de Manila, quanto emocional na desestruturada sociedade, é nítida e tocante. Nesta história que gira em torno da busca pelo dinheiro para enterrar um neto, conhecemos as relações, a intensa privação e algumas situações singelas de amizade e compaixão.

Inevitavelmente me lembrei de Poesia, filme sul-coreano que também coloca a avó como figura mais importante de um núcleo familiar que luta para não se desintegrar. Em Lola, não é diferente e são duas as avós que constroem a trama. Lola Sepa luta para enterrar o neto dignamente, morto a facadas por causa de um celular. Lola Puring luta para tirar o neto da prisão, o autor do crime. Sem recursos, numa Manila úmida, chuvosa, miserável, ambas dão tudo que têm (inclusive a energia que resta) e comprometem até o que não têm para cumprir sua missão. É dessa relação construída e desconstruída ente as famílias que percebemos a profundidade da sua importância para a família.

Claro que Lola não é um filme de ação e movimento, mas sim de observação dos passos, opções e caminhos que são tomados. O que começa numa cena chuvosa, lenta e desoladora, vai ganhando força e importância nas figuras das ‘lolas’. Fortes e frágeis ao mesmo tempo, dão uma dimensão humana emocionante ao filme e de certa forma homenageiam as avós, mesmo que para isso seja preciso colocá-las em uma situação tão vulnerável.

Sem Comentários » TAGS:  
ANIMA MUNDI 2011 – 19º Festival Internacional de Animação
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 27/07/2011

Começa hoje em São Paulo, depois de passar pelo Rio de Janeiro, o Anima Mundi. Serão 421 produções entre longas e curtas, de 44 países. Como sempre, os catálogos dos festivais causam um certo pânico nos cinéfilos. Como escolher – considerando o deslocamento, tempo, gosto – diante de tanta oferta. Primeira dica: é importante saber que os blocos chamados de Curtas, Infantil, Futuro Animador e Panorama têm conteúdo heterogêneo, ou seja, são formados por um conjunto de curtas metragens e são sessões de aproximadamente 1 hora. É uma opção interessante para quem quer conhecer linguagens diversas, olhares variados com a ferramenta da animação. Hoje assisti ao bloco Panorama 7, com produções do Brasil, Alemanha, Argentina, França e Suécia. Vale dizer também que, na mairia das vezes, é uma loteria e vale pela surpresa que você tem na telona.

Estou de olho em dois longas bastante comentados. O primeiro é o espanhol Chico & Rita, ambientado em Havana, do diretor Fernando Trueba; o outro é o francês La Planète Sauvage, de René Laloux. Também acho que vale a pena conferir os curtas da Pixar, que faz 25 anos. Entre eles está o ótimo Day & Night – pena que para essa retrospectiva só há um horário disponível.

Confiram a programação completa no site do Anima Mundi. Os filmes estão distribuídos nas salas do Espaço Unibanco Augusta, Memorial, Livraria Cultura e Auditório CCBB e o festival vai até domingo, dia 31.

Sem Comentários » TAGS:  
OS PINGUINS DO PAPAI – Mr. Popper’s Penguins
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Estados Unidos - 26/07/2011

DIREÇÃO: Mark Waters

ROTEIRO: Sean Anders, John Morris

ELENCO: Jim Carrey, Carla Gugino, Angela Lansbury, Ophelia Lovibond, Madeline Carroll, Maxwell Perry Cotton

Estados Unidos, 2011 (94 min)

Aproveitar o fim das férias e dar um pulo no cinema para assistir a Os Pinguins do Papai foi melhor do que eu imaginava. Não tem nada de mais e claro que está coberto de clichês e lugares comuns – a começar pelo protagonista: Jim Carrey é o Sr. Popper, corretor de imóveis impecável, minimalista, moderno e competente. De tão insensível, tem uma vida sentimental nula, uma ex-mulher e dois filhos que não querem nem passar o fim de semana com o pai. A chegada dos pinguins na sua vida muda tudo. No começo, há a resistência; depois, a afeição e tudo se transforma também em carinho e aproximação com a família.

Basicamente é isso, mas acho que é isso que o filme pretende ser. Encanta as crianças com os pinguins, suas molecagens e demonstrações de ‘carinho’, e Jim Carrey faz rir com suas caras, bocas e atitudes um tanto quanto atrapalhadas e exageradas – como transformar sua casa em um parquinho para pinguins, em pleno inverno em Nova York. Os Pinguins do Papai prentende contar a história de uma reunião familiar e de mudança de comportamento. Mas mesmo que fique só na diversão, a turma em férias já vai gostar. Afinal, além de pinguins robôs, alguns animais eram de verdade.

Sem Comentários » TAGS:  
SATURNO EM OPOSIÇÃO – Saturno Contro
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Itália - 25/07/2011

DIRETOR: Ferzan Ozpetek

ROTEIRO: Ferzan Ozpetek, Gianni Romoli

ELENCO: Stefano Accorsi, Margherita Buy, Pierfrancesco Favino, Sierra Yilmaz, Ennio Fantaschini, Ambra Angiolini, Luca Argentero, Filippo Timi, Michelangelo Tommaso, Lunetta Savino

Itália, França, 2007 (110 min)

Do mesmo diretor dos ótimos O Primeiro que Disse e A Janela da Frente, o diretor Frezan Ozpetek acerta de novo com Saturno em Oposição. Talvez saiba tratar do tema das diferenças, pela sua própria origem turca em terras italianas. Talvez seja pela capacidade de tratar do lugar comum, um grupo de amigos e seus conflitos, como pessoas normais, com virtudes e fraquesas como todos nós. Aliás, acho que é essa maneira sincera de contar o drama humano de cada um dos personagens que falou mais alto. Cada um vive o seu problema, seja ele o casamento, a droga, a solidão, a falta de objetivo, mas todos sentem em conjunto a perda de um deles e aqui entra a amizade na vivência da tristeza.

Num grupo de amigos bastante heterogêneo, a doença de um deles dá ao diretor a oportunidade de retratar cenas singelas e muito profundas. A vigília que é feita no hospital chega a emocionar. O não abandono, apesar da não concordância com a atitude, com a postura, é prova de amor. Juntando gays, casais hetero (um deles Pierfrancesco Favino, também em Que Mais Posso Querer), uma moça drograda e desiludida (que tem no seu mapa astral saturno em oposição – por isso o título) saí do cinema com a certeza de que a vida continua para cada um deles, com suporte, sem julgamento. A essa altura do campeonato, além de uma bela história de gente comum, vejo como um grande tributo à amizade, apesar dos pesares da vida, que não são poucos.

 

Comentários » 2 comentários TAGS:  
ASSALTO AO BANCO CENTRAL
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 21/07/2011

DIRETOR: Marcos Paulo

ROTEIRO: Renê Belmonte

ELENCO: Milhem Cortaz, Eriberto Leão, Hermila Guedes, Lima Duarte, Giulia Gam, Cassio Gabus Mendes, Antonio Abujamra, Milton Gonçalves, Gero Camilo, Vinícius de Oliveira, Heitor Martinez

Brasil, 2011 (104 min)

Quem não se lembra do absurdo assalto a uma agência do Banco Central no Ceará, em 2005? Impossível esquecer a imagem do túnel de 84 metros, escavado sob o cofre do banco, e os R$ 164 milhões roubados. E impossível não se indignar com a façanha e com o despreparo do sistema de segurança.

Baseado nessa boa história, o diretor Marcos Paulo constrói uma obra de ficção e conta tudo com muito humor – principalmente em relação à investigação policial, comandada pelo sempre ótimo Lima Duarte e pela parceira tecnológica, Giulia Gam. Claro que muitas das situações engraçadas só fazem rir porque nos remetem à bagunça que são as investigações criminais, à impunidade recorrente no Brasil, à corrupção policial e outras coisas mais. Rir pra não chorar, pode ser. Mas o filme tem a intenção de divertir e de contar uma boa história, e não de ser moralista. Portanto, recheado de ironia, Assalto ao Banco Central foi pensado nesse formato para atrair o grande público.

E acho que consegue, porque a história é realmente muito boa – de tão improvável. Embora tenha cenas de violência, não acho que esse ponto estrague ou rotule o filme. O foco aqui é na logística do assalto, na ousadia do bando e na fragilidade da ética nas relações e da segurança nacional. O resto, é ironia do destino.

Sem Comentários » TAGS:  
BRUNA SURFISTINHA
CLASSIFICAÇÃO: Brasil - 18/07/2011

DIRETOR: Marcus Baldini

ROTEIRO: José de Carvalho, Homero Olivetto, Antônia Pellegrino

ELENCO: Deborah Secco, Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, Guta Ruiz, Fabiula Nascimento, Cristina Lago

Brasil, 2011 (109 min)

Cada um faz do seu blog o que bem entende. Aliás, blog é para isso mesmo, para dar opinão. A própria palavra já diz, já que é derivada de weblog, que nada mais é do que um diário na web. A ferramenta está disponível para todos e o papel, ou melhor, a internet, tudo aceita. A diferença está em selecionar a informação no meio de um universo em que se encontra de tudo – mas isso não vem ao caso. Fato é que Bruna montou um diário na internet de sua rotina como garota de programa. Ficou famosa Brasil afora, ganhou dinheiro e fama, caiu na roda dos ‘bacanas’, mergulhou nas drogas e chegou no fundo do poço. Depois resolveu se organizar novamente: estabeleceu uma meta, atingiu o objetivo e mudou de vida.

O que vale pontuar aqui é que, embora o filme seja recheado de cenas fortes, afinal o sexo é o produto vendido pela protagonista, não é um filme vulgar. Mas é censurado para menor de 16 anos e não é para menos. Mas a lente do diretor Marcus Baldini  produz um filme para atingir o grande público e para ter um formato cinematográfico agradável. Não é por acaso que ele vem do meio publicitário. Por isso não acho que o filme seja um convite à prostituição, nem uma apelação. É um relato. Também não acho que vitimiza as prostitutas, já que Raquel vira Bruna porque quer, tem livre-arbítrio o tempo todo e faz dele o uso que bem entende. De certa forma, essas constatações tiraram o meu temor de que o filme sugerisse a prostituição como carreira promissora e dinheiro fácil.

Bruna Surfistinha é baseado no livro O Doce Veneno do Escorpião, escrito pela garota de programa Bruna. Nascida Raquel, resolve sair de casa, viver longe dos pais adotivos, para não depender de mais ninguém e fugir dos hostis ambientes escolar e caseiro. Busca a independência primeiro num inferninho com outras prostitutas, depois no seu próprio negócio ancorado pelo blog. Na minha opinião, grande parte do sucesso de público do filme está na escolha do elenco. Deborah Secco está realmente muito bem, mas gosto mesmo de Drica Moraes no papel de cafetina. A atuação do elenco dá ao filme a seriedade que o tema precisa.

 

Sem Comentários »

CATEGORIAS

INSCREVA-SE PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Você também pode assinar listas específicas: