ROTEIRO: Marcelo Rubens Paiva
ELENCO: Marcelo Serrado, Fernanda de Freitas, Marjorie Estiano, Otávio Martins, Daniela Galli, Maria Manoella, Thelmo Fernandes, Daniela Suzuki, Marcos Cesana
Brasil, 2010 (90 min)
A carioca Malu atropela o distraído e mulherengo paulista Luiz e desse encontro às avessas é que surge a história entre os dois. Baseado no romance homônimo de Marcelo Rubens Paiva, Malu de Bicicleta me surpreendeu positivamente. Além de ser um filme leve e descontraído, o personagem de Marcelo Serrado transmite tão bem sua insegurança e ciúme que realmente ficamos na dúvida sobre a conduta da Malu (Fernanda de Freitas).
Aliás, gosto dos dois e da liga que eles têm no filme. A carioca e o paulista, perfeitamente retratados nos seus estereótipos, propõem uma história de amor bacana e um final que a gente pode decidir. Uma boa pedida para ver bem acompanhado.
ROTEIRO: Marcos Jorge, Lusa Silvestre, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito
ELENCO: João Miguel, Fabiula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani, Zeca Cenovicz
Brasil, 2007 (103 min)
Alguma coisa me incomoda em Estômago, mas não identifico bem o quê. Não gosto de alguns personagens, como o dono do restaurante italiano e a prostituta. Acho que são grosseiros – mais do que precisava - e me incomodei com o tom estereotipado. Mas isso não é regra, porque vários pontos me agradam, principalmente o enredo, seus meandros e o final surpreendente. Tem um humor negro sutil bacana – estilo É Proibido Fumar e Reflexões de um Liquidificador. E conta com o ótimo João Miguel, premiado no Festival do Rio como melhor ator, além de o filme ter sido eleito também o melhor do evento.
Gosto bem mais dos outros dois filmes que citei acima, mas Estômago tem lá o seu apelo. Raimundo Nonato (João Miguel) é um nordestino que chega em São Paulo sem lenço nem documento, arranja um emprego para fritar coxinhas em uma lanchonete, consegue ‘subir na vida’ e trabalhar em um chique restaurante italiano, e ainda namora a prostituta Íria (Fabiula Nascimento, também em Amor?, Não Se Pode Viver Sem Amor). Paralelamente, sabemos que a história não terminará bem, porque Nonato vai parar na cadeia onde também cozinha, aplicando o que aprendeu para melhorar a terrível comida do presídio. As duas histórias correm paralelas e só no final ficamos sabendo o que Nonato aprontou para ir para detrás das grades. E não é que eu gostei do desfecho?
ROTEIRO: Steven Naifeh, Gregory White Smith
ELENCO: Ed Haris, Marcia Gay Harden, Tom Bower, Jennifer Connelly
Estados Unidos, 2000 (122 min)
“
Pinto no chão. Os antigos já faziam isso. Uso pincel, mas ele não toca na tela. Não trabalho com acidentes. Não acredito em acidentes.” – Pollock
Semana passada (edição de 15 de junho) a revista Veja publicou uma reportagem sobre uma menina russa de 4 anos, que já expõe suas obras de arte em Nova York. Com a exposição exclusiva The Prodigy of Color na Agora Gallery, em Chelsea, Aelita Andre brinca com as cores e consegue resultados abstratos realmente harmônicos e bonitos. Se você tiver curiosidade de entrar no site da galeria, verá que todos os quadros já foram vendidos. Claro que é preciso gostar do gênero – e não é isso que eu pretendo trazer à tona aqui. O que me chamou a atenção é a semelhança com a técnica empregada pelo famoso artista plástico Jackson Pollock (1912-56), que nos anos 40 e 50 firmou seu nome no mundo das artes com suas telas de expressionismo abstrato. Com as cores e a intuição como instrumentos, Pollock e a pequena Aelita deixam uma marca registrada, cada um a seu modo.
O filme Pollock mostra a trajetória intensa desse sujeito desregrado, alcoólatra e vanguardista. Da intensidade da vida, colheu relacionamentos tempestuosos, amizades fiéis e instáveis, e a morte da produção e da vida de forma repentina – mas esperada de alguma maneira. Da intensidade da obra, colheu o sucesso, o reconhecimento, a fama, mas o declínio por não conseguir manter-se de pé. Literalmente. Manter-se de pé para Pollock era um desafio. Sabidamente alcoólatra, Pollock (representado por Ed Haris, também em Caminho da Liberdade) diz que sua obra expressa os desejos contemporâneos daquela era. “O que me interessa são os pintores que não procuram uma fonte de inspiração fora deles mesmos”, diz ele. “Ela vem de dentro.
Parece que a arte moderna não consegue expressar esta era do avião, da bomba atômica, do rádio com nenhum das antigas formas de expressão, com a Renascença ou outra cultua antiga.” Daí a criação de uma nova forma de fazer arte, sem formatos, parâmetros ou regras, através do que ficou conhecido como “action paiting” – um processo de criação com ação, interação e espontaneidade através da técnica do ”dripping”, o respingar da tinta sobre a tela, sem o uso de pincel ou cavalete. E mais, Pollock pisava na tela, deixando bem claro que o pintar fizia parte integrante da obra.
Quem quiser conhecer mais sobre esse processo de criação, Pollock é um filme interessante. As cores vivas e quentes do artista inspiram a urgência da reviravolta na arte daquele tempo. Goste ou não, parece que ele serviu de inspiração para prodígios mais contemporâneos.
DIREÇÃO: Joel Coen, Walter Salles, Olivier Assayas, Frédéric Auburtin, Gérard Depardieu, Gurinder Chadha, Sylvain Chomet, Ethan Coen, Isabel Coixet, Wes Craven, Alfonso Cuaron, Christopher Doyle, Richard LaGravanese, Vincenzo Natali, Alexander Payne, Bruno Podalydès, Daniela Thomas, Olivier Schmitz, Nobuhiro Suwa, Tom Tykwer, Gus Van Sant, Emmanuel Benvihy
ELENCO: Gaspard Ulliel, Steve Buscemi, Catalina Sandino Moreno, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Nick Nolte, Ludivine Sagnier, Maggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Natalie Portman, Elijah Wood e outros
França, Alemanha, Suíça, 2006 (120 min)
A Paris de Woody Allen no seu mais novo filme é a Paris perfeita. Em Meia-Noite em Paris, o diretor não só mostra a atualidade de uma maneira deliciosa e encantadora, como viaja no tempo, mostrando o que Paris tem de mais eterno: sua arte. Com essa imagem na cabeça, resolvi rever o oposto, a Paris multifacetada, disforme, imperfeita - mas não menos especial. Para quem tem com Paris uma relação além da turística, Paris, Eu Te Amo é uma pequena amostra da personalidade múltipla de uma cidade universal.
Este filme é parte do projeto Cities of Love, que conta com Nova York, Eu Te Amo e ainda filmará no Rio, Jerusalém e Xangai. A beleza e originalidade de Paris, Eu Te Amo está na proposta de direção. Cada diretor convidado teve 5 minutos para filmar uma faceta da cidade, de acordo com a sua perspectiva. Desta forma, os 20 arrondissements parisienses são retratados, sob um prisma bastante diverso, mas todos intensos. Deixa claro que Paris é, e sempre será, a Cidade Luz de Woody Allen, mas é muito mais do que isso. Numa colcha de retalhos, os diretores mostram a cidade dos homossexuais, dos solitários, dos que não se comunicam, dos imigrantes, dos muçulmanos, chineses, africanos e hispanos, do preconceito e do altruísmo, dos turistas, do humor, dos encontros e desencontros entre pais, filhos, maridos e mulheres, da tradição, da arte e da ironia de tudo isso dentro da rigidez de uma metrópole.
Fimes como Paris, Eu Te Amo são um exercício e um alento, principalmente para pessoas como eu que tendem a enxergar os pontos positivos e negativos em uma só cidade, momento ou situação. E assim fica muito difícil responder à pergunta que não quer calar: qual dos quadros eu mais gosto? Particularmente – e essa não é uma escolha tendenciosa pela nacionalidade do diretor, que fique bem claro - adoro e me emociono cada vez que assisto ao curta de Walter Salles, Longe do 16º. O diretor brasileiro consegue humanizar o desumano. Anna (Catalina Sandino Moreno, também em Maria Cheia de Graça) sai de sua casa bem cedo, na periferia de Paris, deixa seu bebê na creche e pega várias conduções para chegar ao chiquérrimo 16º arrondissement, para trabalhar como babá, de uma criança da idade da sua. É uma síntese de uma metrópole como qualquer outra, das difíceis relações de poder social. Assista e veja qual dos curtas mais emociona, ou mais encanta, ou mais faz rir, etc. Assim é Paris, uma cidade de múltiplas emoções. É por isso que vale a pena.
DIREÇÃO: Mariano Cohn, Gastón Duprat
ROTEIRO: Andrés Duprat
ELENCO: Rafael Spregelburg, Daniel Aráoz, Eugenia Alonso, Inés Budassi
Argentina, 2010 (101 min)
Há muitas questões comportamentais para se discutir em O Homem ao Lado. A que mais me impressiona – talvez por ser o lema e a ordem da nossa sociedade de hoje – é o poder distorcido da estética tanto material, quanto moral. A necessidade de se adequar à estética do seu tempo desumaniza as pessoas. Isso é assustador. E as ferramentas usadas nesta produção, assim como na narrativa, são cruéis e certeiras.
Há dois personagens antagônicos. De um lado, e fazendo papel de bom moço, adequado às convenções e expectativas, está Leonardo, um designer conceituado, poliglota e premiado. Ele mora em uma casa projetada pelo renomado urbanista e arquiteto suíço Le Corbusier (a única da América Latina). É, portanto, uma residência clean, funcional, uma arquitetura baseada nas necessidades humanas – o que se chamou de “máquina de habitar”. Seu vizinho, Victor, é um sujeito oposto: bruto, com palavreado grosseiro e intimidador, não se preocupa com a aparência, nem com a sua postura, muito menos com a estética dos objetos que usa. Até por isso, é bastante direto no que diz. Não se preocupa com a harmonia visual, com os bons modos e resolve quebrar uma parede para fazer uma janela em sua casa, não se importando com o fato de isso perturbar a família vizinha.
Dessa janela nasce uma relação que tem humor negro fino, mas principalmente traz à tona as fragilidades e máscaras do famoso designer, e revela as excentricidades do brutamonte ‘sem papa na língua’. Ao mesmo tempo que perfeita, a estética da vida, da casa, da estrutura de Leonardo mostra um imenso abismo e distanciamento humano. Enquanto Leonardo esconde suas opiniões e relações atrás das aparências, Victor diz não ser o psicopata que Leonardo pensa que ele é. As duas personalidades terminam se confundindo de uma maneira tal que no final eu fiquei me perguntando que tipo de gente era aquela… Depois que o desfecho do filme é revelado, percebi que a discussão pode ir muito além. Pode pairar pela questão da funcionalidade e do isolamento do modelo urbano, da valorização excessiva do visual, da estética e do padrão de beleza, como passar pela análise da aceitação social e profissional em detrimento da humanização das relações. O Homem ao Lado dá margem a muito debate interessante. Pense bem, está tudo aqui, bem perto de nós. Às vezes não precisa nem de vizinho para perceber.
DIREÇÃO E ROTEIRO: Woody Allen
ELENCO: Owen Wilson, Rachel McAdams, Kurt Fuller, Mimi Kennedy, Adrien Brody, Marion Cotillard, Carla Bruni, Kathy Bates
Estados Unidos, 2011 (100 min)
À meia-noite Gil entra em uma carruagem e volta aos anos 20, na Paris das artes efervescentes, na sua Idade de Ouro. Volta no tempo para encontrar Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Pablo Picasso, Cole Porter, Salvador Dalí, Luis Buñuel e outros tantos expoentes do mundo das artes. Depois, transita ainda pela Belle Époque. Mais que uma fuga da realidade, a metáfora de Woody Allen é uma busca. Busca por um estilo de vida, pelos interesses que lhe são mais preciosos, pela cultura. Esse é o personagem muito bem vivido por Owen Wilson (também em Marley e Eu, Uma Noite no Museu 2 e Como Você Sabe). De casamento marcado com a bela Inez (Rachel McAdams, também em Uma Manhã Gloriosa), vai a Paris com os pais dela e é ali que sua insatisfação com o presente e com a vida que escolheu vem à tona.
Viajar no tempo em que Gil gostaria de ter vivido nos mostra uma Paris gloriosa, dos tempos em que as artes nos cafés e nas casas dos escritores eram a alma europeia. As situações criadas a partir dessa mistura de personagens do passado e do presente (lembrando um pouco A Rosa Púrpura do Cairo, também de Woody Allen) são divertidas, inteligentes e muito agradáveis de acompanhar. Pelo tom do filme, que foi exibido na abertura do Festival de Cannes deste ano, já é possível notar que Woody Allen envelhece deixando de lado e no passado aquela sua mania de retratar a sua hipocondria, chatice e questionamentos existencialistas nos seus filmes – o último que faz isso é Tudo Pode Dar Certo, que tem tiradas interessantíssimas, mas um protagonista chato demais. Meia-Noite em Paris segue na mesma esteira de Vicky Cristina Barcelona e Match Point, ambos maravilhosos (inclusive no quisito filmar-fora-de-Nova York).
Vale dizer que logo na abertura um lindo jazz nos apresenta Paris, a Cidade Luz, à maneira de Woody Allen. Sem pressa. A tão esperada participação de Carla Bruni é rápida e pontual, mas bem simpática. Ela é a guia do Museu Rodin, dando uma mostra da riqueza artística da cidade e da sua influência e importância (assim como nos outros filmes) na direção e roteiro do diretor. Assim como Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, o personagem masculino também é um escritor frustrado, que não corresponde aos anseios das pessoas ao redor, que não consegue ser bem sucedido dentro das convenções da sociedade. Tomara que Woody Allen continue assim, bem humorado. Mas o fato é que ele sempre encontra uma maneira de falar do que acha que são suas limitações, assim como dos pseudointelectuais. Particularmente, acho que seu talento enquanto escritor e roteirista está cada vez mais afinado e jovem. Que venham outros na mesma toada. Um programa encantador.
Estreia sexta, dia 17 de junho nos cinemas.
DIREÇÃO e ROTEIRO: Christophe Honoré![]()
ELENCO: Louis Garrel, Romain Duris, Joana Preiss, Guy Marchand, Marie-France Pisier, Alice Butaud
França, 2006 (96 min)
É possível que uma história de amor faça realmente alguém pular de uma ponte? – Jonathan
Com essa pergunta, Jonathan (Louis Garrel) começa a contar o que aconteceu em um dia da sua vida e da vida do seu irmão mais velho, Paul (Romain Duris, também em Como Arrasar um Coração, De Tanto Bater meu Coração Parou e Paris). Paul acaba de se separar da mulher Ana (Joana Preiss), entra em depressão e volta a morar com o pai. Não vê a mãe há dois anos, não tem vontade de levantar da cama e aos poucos ficamos sabendo que se tratava de uma relação um tanto quanto estranha e intensa, mas que ele não consegue superar o rompimento.
Disse tudo isso logo de cara para deixar claro que o filme tem um ar melancólico sim (afinal, Paul está deprimidíssimo), mas que fala justamente do respeito por essa dor, pelo luto e pela vivência do momento difícil. Fala da dificuldade de vencer o sofrimento, que seria o mesmo que matar uma fase da vida, uma pessoa que ainda se ama. Ao mesmo tempo que Paul externa a dor, Jonathan mascara seu sofrimento levando uma vida amorosa superficial, sem compromissos – tive até dificuldade de saber o que movia o jovem Jonathan. Há entre os irmãos uma nostalgia referente à intimidade, ao tempo em que viveram juntos, ao tempo que não volta. Uma dificuldade de ver o futuro, mas há momentos de cumplicidade e de alegria juntos (no pular da ponte, na história do livro de criança).
Quando Jonathan pergunta ao espectador que amor faria alguém pular de uma ponte, é como se nos convidasse a tentar entender por que o sofrimento acontece e por que ele é tão dífícil de ser compreendido. Tudo isso faz Em Paris ser muito bonito e profundo, numa linguagem nada óbvia, muito sensível. Os diálogos são econômicos e capazes de retratar o perfil de anos de relações, tamanha a sensibilidade do diretor Christophe Honoré. E finalizo dizendo o seguinte: Em Paris vale a pena por todos os motivos acima (para quem gosta de filme francês), mas a cena mais bonita, mas poética, que me fez voltar várias vezes o filme para assistir novamente, é quando Paul e Ana cantam juntos Avant la Haine no telefone. Não resisti e coloquei o trecho abaixo. Vale a pena escutar.
ROTEIRO: Bryan Singer, Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman, Matthew Vaughn
ELENCO: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Hugh Jackman, Beth Goddard, Morgan Lily, Oliver Platt, Álex González, Jason Flemyng, Zoë Kravitz, January Jones, Nicholas Hoult, Caleb Landry Jones, Edi Gathegi, Corey Johnson, Lucas Till, Laurence Belcher, Bill Milner
Estados Unidos, 2010 (132 min)
O Cine Garimpo não me deixaria mentir se agora eu dissesse que adoro filmes de super-heróis. É só entrar no blog e ver que não há realmente muitos deles por aqui. Mas o que li sobre X-Men, Primeira Classe me chamou a atenção e resolvi checar. Fiquei surpresa, não só com o filme, mas com a minha reação. Mas atenção: este comentário não vale para quem é fã da série, para quem conhece de cor os personagens-mutantes, suas aventuras e poderes, assim como todo o histórico dos outros três filmes que vieram antes.
Este comentário é para pessoas como eu, que não dão preferência para este tipo de filme, mas que tem curiosidade em saber por que séries de ficção científica como esta fazem sucesso. Pelo que ouvi, este filme é até melhor que os anteriores - a história dos super-heróis mutantes foi criada em 1963 pela Marvel Comics, hoje parte da Walt Disney Company. Gostei de ter assistido, achei o roteiro muito bom e a história em si, bastante interessante. Para quem não sabe, em X-Men, Primeira Classe o diretor Matthew Vaughn conta como surgiram os mutantes e explica quem é quem na história. Volta aos primórdios, quando o professor Charles Xavier, o Professor X, o mais poderoso telepata do mundo, ainda é jovem e resolve reunir todos os mutantes espalhados por diversos lugares, para treiná-los e ajudá-los a controlar seus poderes. Isso em plena Guerra Fria, no exato momento da crise dos mísseis de Cuba, em 1962. É dessa experiência que surgem os mutantes Magneto (Michael Fassbender, também em Bastardos Inglórios), Mística (Jeniffer Lawrence, também em Inverno da Alma) e os outros: Destrutor, Fera , Banshee, Darwin e Angel. Todos eles a princípio lutam contra o arquirrival Sebastian Shaw (Kevin Bacon, também em Frost/Nixon), mas seus princípios de bem e mal acabam falando mais alto e os mutantes se separam criando duas legiões opostas.
Pensando naquilo que mais me agradou e levando em conta que este não é meu gênero predileto, eu diria que foi a qualidade da produção e o cuidado na construção dos personagens principais. Todos eles lidam com questões humanas de aceitação seja do passado, seja da aparência, seja dos próprios super-poderes que os fazem especiais e dificultam sua convivência em sociedade. Tratando dessa angústia “humana”, os mutantes escolhem, cada um de acordo com sua história e seus princípios, que caminho seguir. E isso é de fato muito bem preparado e pensado pela direção. Quem entrar para assistir X-Men, Primeira Classe e tiver em mente que vai ver um filme de ficção científica, de super-heróis, não se decepcionará. Fiquei até curiosa para conhecer os outros da série. Talvez seja uma viagem interessante, agora em ordem cronológica, já que este, Primeira Classe, é o princípio de tudo.
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