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março, 2011

UMA MANHÃ GLORIOSA – Morning Glory
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Divertir, Estados Unidos - 30/03/2011

DIREÇÃO: Roger Michell

ROTEIRO: Aline Brosh McKenna

ELENCO: Rachel McAdams, Harrison Ford, Diane Keaton, Patrick Wilson

Estados Unidos, 2010 (102 min)

Quem não se lembra de O Diabo Veste Prada, com Anne Hathaway (também em Alice no País das Maravilhas, O Casamento de Rachel) e Meryl Streep (também em Dúvida, Simplesmente Complicado, Manhattan, Julie & Julia, Entre Dois Amores)? Da garota atrapalhada que tem que lidar com a mais temida editora de moda de Nova York? Em Uma Manhã Gloriosa, a garota atrapalhada é Becky Fuller (Rachel McAdams), produtora de um programa de televisão de quinta categoria, sem audiência ou prestígio, que tem que agarrar uma oportunidade de emprego, dar a volta por cima, provar que é capaz de lidar com o mais temível sujeito da televisão, Mike Pomeroy (Harrison Ford) e com a temperamental âncora Colleen Peck (Diane Keaton). A roteirista é a mesma, daí a semelhança, inclusive no cenário nova-iorquino.

Comparar os dois filmes serve para quem já assistiu ao primeiro – assim já dá para ter ideia do clima engraçado, despretensioso e absolutamente focado no entretenimento de Uma Manhã Gloriosa. Para quem não assistiu, fica a dica: se quiser se divertir, relaxar, ter uma pincelada dos sempre ótimos Diane Keaton e Harrison Ford fazendo comédia, ver os desdobramentos das estratégias da bela Rachel McAdams e ainda por cima ter de pano de fundo o romance com o galã Patrick Wilson, não perca este filme. É divertido e gostoso de assistir. Ainda não pegou o espírito? Você se lembra de A Proposta? Sexo Sem Compromisso? Pronto, este é o caminho.

Estreia sexta-feira, dia 1º de abril.

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PONYO – UMA AMIZADE QUE VEIO DO MAR – Gake no ue no Ponyo
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Japão - 29/03/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hayao Miyazaki

Japão , 2008 (101 min)

Coincidentemente, foi a recente tragédia natural no Japão que me fez lembrar de Ponyo – Uma Aventura que Veio do Mar. Inclusive porque não assisti no cinema e fiquei com o filme pendente, esperando que ele caísse nas minhas mãos. Sabia que se tratava da amizade de um garoto de 5 anos com um peixinho-dourado, mas não sabia que o mar estaria retratado com tanta veemência e importância no filme, inclusive no que diz respeito aos tsunamis. Coincidentemente, o filme mostra que as ondas gigantes fazem parte do imaginário japonês (bastante real, diga-se de passagem) e que está presente nas lendas e histórias que são passadas de geração em geração. Apesar do meu atraso, acho que cheguei para ver Ponyo em boa hora.

Essencialmente a história fala da amizade, da possibilidade de entendimento entre pessoas tão diferentes, desde que haja pré-disposição e real vontade. Ponyo se torna uma menina livre das amarras do pai e abre mão de seus poderes mágicos em troca de uma amizade verdadeira. De forma bastante singela, com desenhos realmente lindos feitos pelo próprio diretor e sua equipe do estúdio de animação japonês Ghibli, Ponyo tem um apelo ecológico, quando fala da sujeira deixada pelo homem no fundo do mar, misterioso, quando fala da força existententes nos mares, mais poderosa do que os humanos podem imaginar, mas principalmente humano. É claro que o visual é bem diferente da animação americana, a que estamos mais acostumados. Mas achei que fosse ver um filme com ritmo mais lento. Ledo engano. Ponyo tem aventura, emoção e muita força. Acho inclusive que, se não der para ver em família, os adultos também vão gostar.

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VIPs
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 25/03/2011

DIREÇÃO: Toniko Melo

ROTEIRO: Bráulio Mantovani e Thiago Dottori

ELENCO: Wagner Moura, Gisele Fróes, Juliano Cazarré, Jorge D’Elia, Amaury Junior, Arieta Corrêa, Norival Rizzo, Roger Gorbeth, João Francisco Tottene

Brasil, 2010 (96 min)

Tem gente que realmente tem história pra contar – ainda que não sejam invejáveis. Marcelo Nascimento da Rocha é um deles e sua história rendeu este filme. Baseado no livro VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso, de Mariana Caltabiano, VIPs é um bom filme, principalmente quando o ponto de partida é o absurdo da história em si e a histeria generalizada da nossa sociedade diante das celebridades – sejam elas de fato célebres ou não. Sem falar, é claro, que Wagner Moura (também em Tropa de Elite 2, Carandiru) já é um chamariz e tanto. E não é para menos: ele é carismático, talentoso e camaleão. Faz bem qualquer papel. Vale dizer também que o roteirista é o competente Bráulio Mantovani, de ótimos filmes como Tropa de Elite 2, Última Parada 174 e Linha de Passe. Portanto, o enredo é amarrado, a história é boa e o filme, bem feito. E na medida para agradar ao grande público – o que não é um demérito, só uma constatação.

Antes de mentiroso e farsante, Marcelo era um sujeito sem rumo. Se a situação era mal resolvida com a mãe, que idolatrava os famosos, ou se ele se projetava no pai, que era piloto, não importa. Nada justifica a má índole do rapaz. Fato é que na fissura por pilotar aviões, uma mentira leva a outra e Marcelo vai criando personagens, incorporando novas identidades, até chegar ao ápice em Recife, quando se infiltrou no camarote de gente bacana, afirmando ser nada menos do que o herdeiro da companhia aérea Gol (isso tudo foi publicado na mídia em 2001). Ele enganou todo mundo, é verdade. Mas acho que o pior de tudo não é isso. O cúmulo do absurdo e da cegueira é terem acreditado. Como é possível? Um papelão para o Amaury Jr. (que o entrevistou na época e faz o papel dele mesmo no filme), para a polícia (que o prendeu como traficante), para as pessoas que aceitaram um argumento sem questionar. Aliás, a minha grande crítica a esse meio das celebridades é essa: a incapacidade de questionar, o comodismo da vantagem de mão beijada, o prazer da foto na revista de fofoca.

Desabafos à parte, acho que VIPs vai agradar – eu achei bem interessante. É dinâmico, mostra o Marcelo se transformando em Denis, Carrera, Constantino e Juliano – e ainda ficaram vários personagens de fora. Hoje ele cumpre pena na prisão, mas nem por isso deixa de ser um mentiroso profissional – mesmo preso, já passou por líder do PCC. Cara convincente. E com Wagner Moura no comando, a gente quase que acredita. Não acho (como dizem alguns críticos) que seja uma apologia ao crime, nem torci para que Marcelo-Juliano-Denis se desse bem. Acompanhei a trama com dois olhares: um da aventura, ousadia, criatividade e cara-de-pau do sujeito; outro do perigo da mentira, que leva o mentiroso a acreditar nela e ficar na dúvida sobre a sua própria identidade. Um prato cheio para quem quer discutir os meandros da personalidade humana e suas atitudes. Mas se você não tiver a fim de discutir nada, vale pela curiosidade e diversão.

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FAMA – Fame
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Rever, Estados Unidos - 24/03/2011

DIREÇÃO: Alan Parker

ROTEIRO: Christopher Gore

ELENCO: Eddie Barth, Irene Cara, Lee Curreri,

Estados Unidos, 1980 (min)

Lembro que tinha por volta de 12 anos quando Fame chegou ao Brasil e que meus pais não me deixaram assistir (vou usar o título original, pois não me acostumo com a tradução). Parecia inapropriado, já que mostrava jovens do ensino médio da New York Academy of Performing Arts buscando desenvolver sua habilidade na dança, nas artes musicais, cênicas, literárias e vivenciando questões típicas da idade. Os personagens formavam um microcosmo de Nova York, um panorama da mistura de raças com negros, latinos, judeus, brancos, pobres ou ricos. Mas todos com o objetivo comum: desenvolver-se, tornar-se um artista e ser famoso. Talvez os pais achassem, nos anos 80, que o filme fosse sugestivo, que pudesse dar algumas ideias não adequadas para a idade. Bobagem! Quando pensamos a que um adolescente de 12 anos tem acesso hoje, Fame é simplesmente um belo e inofensivo musical, com pano de fundo da juventude nova-iorquina na sua diversidade, nas dificuldades típicas da idade, nas frustrações, angústias, descobertas. Mas sem qualquer malícia extra.

Rever Fame não só foi uma ótima lembrança, mas um prazer imenso. A trilha é linda e a canção-tema, Fame, é inesquecível – inclusive, ambas foram premiadas com o Oscar. Canções como Out Here On My Own, Red Light, Dogs in the Yard, Is It ok If I Call You Mine, I Sing The Body Electric, The Way We Were remetem à minha adolescência. Portanto, é uma deliciosa viagem aos anos 80, inclusive no quisito vestuário e cabelos (são incríveis)! Pensando em alguns dos filmes que retratam as high schools de hoje, Fame é realmente um marco. Vale a pena espiar o trailer abaixo.

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FELIZ QUE MINHA MÃE ESTEJA VIVA – Je suis heureux que ma mère soit vivante
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França - 23/03/2011

DIREÇÃO: Claude Miller, Nathan Miller

ROTEIRO: Alain Le Henry (roteiro), Emmanuel Carrère (artigo)

ELENCO: Vincent Rottiers, Sophie Cattani, Christine Citti, Yves Verhoeven, Maxime Renard, Olivier Guéritée, Ludo Harley, Gabin Lefebvre, Quentin Gonzalez, Chantal Banlier, Thomas Momplot

França, 2009 (90 min)

Feliz que Minha Mãe Esteja Viva vai bem até quase o final – eu dispensaria, sem medo de errar, o desfecho do filme. Faria um corte alguns minutos antes. Mas este filme só existe por causa justamente do final – a história original foi encontrada num artigo e transformada em filme pelos diretores, que são pai e filho. Curioso, porque o tema em questão é justamente a família, as frustrações não resolvidas, a revolta e a falta de harmonia. Mas não de forma genérica, e sim num caso de adoção.

Em poucas palavras, uma mãe jovem coloca os dois filhos para adoção; quando o mais velho cresce, resolve ir atrás da mãe verdadeira. Com os pais adotivos, esse rapaz é rude e agressivo, não quer formar vínculos; com a mãe verdadeira, desenvolve um relação de posse, apropriação, na tentativa de resgatar os 15 anos em que se sentiu desprezado, mas não se preocupa em cuidar da construção emocional e equilibrada desse relacionamento. A evolução de tudo isso é interessante, inclusive do ponto de vista da família que os adotou. Mas o desequilibrado e instável Thomas não encontra seu lugar ao sol. Se bem que, na última cena, um leve sorriso indica que talvez tenha chegado onde pretendia. Ou seria puro sarcasmo? Não sei, de qualquer maneira, reitero que cortaria a redenção final. Terminaria o filme na cena fatídica. Quem for ao cinema, verá.

Estreia sexta-feira, dia 25 de março.

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CABEÇA A PRÊMIO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 22/03/2011

DIREÇÃO: Marco Ricca

ROTEIRO: Marco Ricca, Felipe Braga

ELENCO: Fúlvio Stefanini, Otávio Muller, Ana Braga, Alice Braga, Daniel Hendler, Cássio Gabus Mendes, Eduardo Moscovis

Brasil, 2010 (104 min)

Pena que um filme brasileiro como este não tenha bilheteria. A estreia do ator Marco Ricca na direção é boa, a história tem suspense e mostra uma interessante realidade brasileira, a que temos pouco acesso. Conta a história de contrabandistas e traficantes disfarçados de pecuaristas no centro-oeste do país. São eles que mandam matar, prender e soltar, de acordo com o vai-e-vem do avião de uma fronteira à outra, com o lucro, com o orgulho, com a vontade.

Além da bonita fotografia da região mato-grossense, Cabeça a Prêmio humaniza esse aspecto do ganho financeiro, da corrupção e ilegalidade. Mas humaniza enfatizando o lado ruim das pessoas, seja da mocinha (Alice Braga), seja dos pistoleiros (Eduardo Moscovis e Cássio Gabus Mendes) ou do bandido propriamente dito. Quem já estava do lado ‘negro’, fica ainda pior; quem ainda permeava a ingenuidade e o bom-viver, parece ficar preso na teia, sem qualquer chance de saída. No fim das contas, fiquei entretida querendo saber o final  e acho que, em grande parte, foi por causa dessa construção destrutiva dos personagens, bem representados na sua chegada ao fundo do poço. E dizendo isso não estou contanto o que vai acontecer, nem tirando o tão prezado ‘fator surpresa’. Isso você percebe logo nas primeiras cenas. Algumas escolhas são caminhos sem volta.

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OS EUA X JOHN LENNON – The U.S. vs. John Lennon
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 20/03/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: David Leaf e John Scheinfeld

ELENCO: Walter Cronkite, Mario Cuomo, Angela Davis, J. Edgar Hoover, Ron Kovic, John Lennon, G. Gordon Liddy, George McGovern, Richard Nixon, Yoko Ono, Geraldo Rivera, Gore Vidal

Estados Unidos, 2006 (99 min)

Passou na Mostra de Cinema de São Paulo e infelizmente ainda não foi lançado em DVD por aqui. Assim que sair, aviso. Este documentário sobre a resistência aberta que John Lennon fez à política de guerra norte-americana é contado através de depoimentos atuais de peças-chave da época, assim como pela voz de Lennon.

Entre as figuras importantes, estão agentes do FBI, ex-colaboradores do governo Nixon, ativistas, escritores, jornalistas, ex-combatentes de guerra, Yoko Ono. Gente influente que esteve ou nos bastidores da Casa Branca arquitetando para deportar Lennon, ou na defesa do ex-Beatle pela paz mundial, pelo fim do racismo e pelo fim da guerra do Vietnã no fim dos anos 60 e começo dos 70. Essa montagem é muito interessante e bem feita. As imagens de Lennon e Yoko dos protestos para chamar a atenção do mundo para a sua causa, a indignação dos jornalistas diante do talento “desperdiçado” em prol da idealista paz e a capacidade de angariar simpatizantes é impressionante. Até mesmo os agentes do FBI, que grampearam seus telefones e seguiam seus passos como se fosse um criminoso, dizem que tudo não passou de um exagero. Mas de fato havia um temor de que o emblema “John Lennon” fosse uma ameaça ao status quo e ao que a Casa Branca desejava na época. Na dúvida, era melhor agir.

Fato é que ele realmente reunia uma multidão, era contra toda a campanha americana de guerra e conseguia ganhar as manchetes e a atenção das pessoas, principalmente quando o refrão era “all we are saying, is give peace a chance“. Respaldado por sua esposa Yoko Ono, Lennon levanta a questão importante da responsabilidade do artista que tem voz, palco e público, contra a apatia. Responsabilidade não só de entreter, mas de lutar e representar quem não tem como chegar no palanque. Mas é preciso ter coragem. Fiquei pensando na situação de quem, aqui no Brasil, colocou a boca no trombone durante a ditadura. Não foram poucos e as consequências, brutais. Lennon também foi corajoso, e nem americano era. Gostei do seu argumento: a causa era mundial e ele tinha que dizer a que tinha vindo.

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SEXO SEM COMPROMISSO – No Strings Attached
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos - 17/03/2011

DIREÇÃO: Ivan Reitman

ROTEIRO: Elizabeth Meriwether, Michael Samonek

ELENCO: Natalie Portman, Ashton Kutcher, Kevin Kline

Estados Unidos, 2011 (108 min)

Em Sexo Sem Compromisso, não há nem vestígios da perturbada e confusa Natalie Portman que vemos em Cisne Negro. Nem de longe. Aqui ela é Emma, uma médica independente e divertida, que julga ser auto-suficiente, imune ao envolvimento emocional e à relação afetiva com quem quer que seja. Até mesmo quando conhece o charmoso Adam (Ashton Kutcher), seu negócio continua sendo sexo sem compromisso. Literalmente.

Mas nós já sabemos que as coisas não funcionam bem assim. O filme bate nessa tecla praticamente o tempo todo, com situações previsíveis, mas confesso que muitas são engraçadas. Em um tom de comédia romântica, daquelas que denunciam o final já no primeiro olhar, é para ver bem acompanhado. Você se lembra de A Proposta? Algo parecido. Se não tiver grandes expectativas e seu objetivo for realmente se divertir, é uma boa pedida.

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NÃO ME ABANDONE JAMAIS – Never Let Me Go
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Inglaterra - 16/03/2011

DIREÇÃO: Mark Romanek

ROTEIRO:Kazuo Ishiguro e Alex Garland

ELENCO: Carey Mulligan, Andrew Garfield, Keira Knightley, Izzy Meikle-Small, Charlie Rowe, Ella Purnell, Charlotte Ramplimg, Sally Hawkins

Inglaterra, 2010 (103 min)

Não Me Abandone Jamais não é uma história de amor. O título e o cartaz (ao lado) sugerem o triângulo amoroso entre Kathy (Carey Mulligan, também em Educação, Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme ), Tommy (Andrew Garfield, também em A Rede Social) e Ruth (Keira Knightley, também em Desejo e Reparação, A Duquesa). De alguma maneira ele existe, mas para mim ficou muito claro que o filme fala justamente da ausência de amor e humanidade, das pessoas enquanto instrumentos, máquinas. Traz à tona a questão a importância fundamental da criação voltada para o próximo, para a vivência dos sentimentos. É de pequeno que se aprende a “ser gente”. Quem não tem essa escola de vida, passar por ela como mero corpo sem alma.

Kathy, Tommy e Ruth tiveram escola. Mas foi uma escola especial em Hailsham, isolada, só para crianças órfãs, criadas com rigidez, precisão e objetivos muito bem determinados. Foram ensinados a não sentir, a não se relacionar, a não ter contato com o mundo. Não foram ensinadas a viver e ter alma, mas sim a sobreviver, a cuidar do corpo e do científico. Na primeira cena, Kathy já diz que é uma doadora e cuidadora, mas  só se descobre a dimensão disso com o passar do filme. Quando assisti, não tinha ideia da abordagem – mesmo porque acreditava ser um romance. Pegou-me de surpresa e por isso não vou entrar em detalhes para que você tire suas conclusões. Fato é que não se trata de um filme leve, que entra numa dimensão existencialista, tratando da importância da referência familiar (e das sua consequente ausência), do exemplo (não se aprende o que não se vê colocado em prática), do contato (a demonstração do carinho, do amor). Somos máquinas a serviço de algo, peças do jogo ou seres humanos que se importam, vivem, sentem e escolhem?

Não Me Abandone Jamais, baseado no romance homônimo do escritor japonês Kazuo Ishiguro, é questionamento do começo ao fim, através do relato da vida de Kathy. O argumento pode até soar irreal e incompatível com o período em que o filme se passa, mas isso é secundário e irrelevante diante da beleza e profundidade do tema.

Estreia sexta, dia 18 de março.

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JUSTIN BIEBER: NEVER SAY NEVER
CLASSIFICAÇÃO: Estados Unidos - 15/03/2011

DIREÇÃO: John Chu

ELENCO: Justin Bieber, Ludacris, Miley Cyrus, Usher, Jaden Smith, L.A. Reid, Boys II Men

Parece que Justin Bieber é a bola da vez – afinal, que geração não teve seu ídolo adolescente? No caso de Never Say Never, produzido pela equipe da sua gravadora, posso afirmar que o filme é absolutamente marketeiro – o que justifica a idolatria em cima do garoto de 17 anos. Mas além da histeria das meninas e da pinta de bom moço, o filme exibe vídeos caseiros de Justin cantando e tocando bateria com apenas 8 anos. Portanto, goste ou não dele – o que não vem ao caso – tudo indica que de fato ele tinha talento para a música e principalmente para o show biz desde cedo. O garoto é carismático, faz charme com sua marca registrada, o cabelo, e sabe dançar conforme a música – com o perdão do trocadilho.

Interessante lembrar que ele é o protótipo do artista da geração da internet e das redes sociais. Lançou-se com um vídeo caseiro no You Tube (quando ainda estava no Canadá), foi descoberto por um empresário americano e começou a se apresentar em vários lugares nos Estados Unidos. O auge foi justamente no Madison Square Gardem, em Nova York, lotado. É essa trajetória que o filme mostra, culminando nesse espetáculo em que faz duetos com Jaden Smith (de Karatê Kid 2, com quem canta a canção título Never Say Never), Miley Cyrus (estranhíssima, por sinal) e o Usher. Bem, gosto e enredo à parte, parece que o filme atinge seu objetivo: sedimentar, entre os adolescentes (e acho que também pré-adolescentes) a imagem de bom moço. Quando vai durar a carreira é uma outra questão. Mas para quem gosta das músicas e do estilo “Justin”, vai gostar do filme – na fileira atrás de mim tinha gente soluçando de tanta emoção… Se for inteligente e estiver de fato bem assessorado, pode faturar ainda mais alto e, de quebra, se manter no coração das meninas por um bom tempo.

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