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janeiro, 2011

INVERNO DA ALMA – Winter’s Bone
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos - 29/01/2011

DIREÇÃO: Debra Granik

ROTEIRO: Debra Granik, Anne Rosellini, Daniel Woodrell

ELENCO: Jennifer Lawrence, Isaiah Stone, Ashlee Thompson, Valerie Richards, John Hawkes

Estados Unidos, 2010 (100 min)

Inverno da Alma tem cara de filme de festival, de produção independente que não pretende agradar ninguém. É do tipo “goste quem gostar”. Faz um recorte de uma determinada camada da sociedade, que vive nos confins do território americano, sem lei ou justiça. Inverno da Alma é frio, cruel, monótono, mas impressiona sua intensidade. Para quem foi ao cinema assistir, deve também ter sentido que a diretora não faz nenhuma força, em nenhum momento, para aliviar a nossa sensação de desespero, como espectadores, diante de tanta desolação.

Desolada é também a terra de ninguém onde se passa a trama – isso contribui para essa sensação de um inverno que não passa – tanto no frio da estação, quando na vida da jovem protagonista, feita com muito talento por Jennifer Lawrence (também em X-Men, Primeira Classe). Ela passa o filme todo à procura do pai que desapareceu, cuidando dos irmãos pequenos e lidando com os xerifes e bandidos que ameaçam sua sobrevivência. Chega a ser tenebroso, mas que vale a pena pela atuação da garota nesse papel árduo e difícil, indicada para o Oscar de melhor atriz. É cansativo e repetitivo, precisa ter paciência – essa foi a parte difícil – as cenas parecem não fluir. Uma metáfora da vida da personagem e da dinâmica do interior dos Estados Unidos? Com certeza, e esse é o grande trunfo do filme. Mas não acho que a indicação ao Oscar de melhor filme seja coerente – inclusive está sendo visto com o azarrão da premiação. De qualquer maneira, da forma intensa como ela apresenta seu drama, confesso que fiquei ansiosa para saber o final do suspense. Mas não é para qualquer dia, muito menos para qualquer um.

Inverno da Alma foi o vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance de 2010. Também é indicado ao Oscar nas categorias melhor ator coadjuvante  (John Hawkes) e roteiro adaptado. Está disponível em DVD.

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OSCAR 2011 – INDICADOS
CLASSIFICAÇÃO: Estados Unidos - 28/01/2011

Esta semana os membros da Academia anunciaram os indicados oficiais para o Oscar 2011, marcado para 27 de fevereiro. A grande expectativa fica com O Discurso do Rei (12 indicações), seguido de Bravura Indômita (com 10), que estreiam dia 11 de fevereiro. Outras apostas são A Rede Social A Origem (ambos com 8 indicações).

Aqui no blog você também encontra outras apostas como Minhas Mães e Meu Pai, Toy Story 3, Buitiful, Em Um Mundo Melhor, Fora da Lei. Outros filmes aguardados e presentes na lista da Academia são: Cisne Negro, Inverno da Alma, 127 Horas, O Vencedor, todos com lançamento para breve. Em cartaz, o filme sobre o trabalho do artista plástico Vik Muniz na categoria ‘documentário’, Lixo Extraordinário, representa o Brasil no Oscar.  

Vamos aguardar para ver os bons filmes que ainda estarão disponíveis antes da premiação. Veja os pricipais filmes indicados e as respectivas categorias:

O DISCURSO DO REI– melhor filme, ator (Colin Firth, também em Direito de Amar), direção (Tom Hooper), fotografia, atriz coadjuvante ( Helena Bonham Carter), ator coadjuvante (Goeffrey Rush, também em Munique), figurino, trilha sonora, roteiro original, mixagem de som, edição e direção de arte.

BRAVURA INDÔMITA – melhor filme, atriz coadjuvante (Hailee Steinfeld), ator (Jeff Bridges, também em Coração Louco), fotografia, figurino, roteiro adaptado, edição de som, mixagem de som, fotografia, direção de arte.

A REDE SOCIAL – melhor filme, direção (David Fincher) , ator ( Jesse Eisenberg), fotografia, trilha sonora, roteiro adaptado, mixagem de som, edição.

A ORIGEM – melhor filme, roteiro original, fotografia, direção de arte, trilha sonora, efeitos visuais, edição de som, mixagem de som.

CISNE NEGRO – melhor filme, direção (Daren Aronofsky), atriz (Natalie Portman, venceu o Globo de Ouro, também em Nova York, Eu Te Amo), fotografia, edição.

O VENCEDOR – melhor filme, diretor (David Russell), atriz coadjuvante (Amy Adams, também em Julie & Julia, Dúvida e Melissa Leo), ator coadjuvante (Christian Bale), roteiro original.

MINHAS MÃES E MEU PAI– filme, atriz (Annette Bening, ganhou Globo de Ouro), ator (Mark Ruffalo),

BIUTIFUL – filme estrangeiro, ator (Javier Bardem, ganhou melhor ator em Cannes, também em Mar Adentro)

EM UM MUNDO MELHOR – filme estrangeiro (Dinamarca)

FORA DA LEI – filme estrangeiro (Argélia)

INCÊNDIOS – filme estrangeiro (Canadá)

127 HORAS – filme, ator (James Franco), trilha sonora, roteiro adaptado.

INVERNO DA ALMA (estreia hoje, dia 28 de janeiro) – filme, ator coadjuvante (John Hawkes), roteiro adaptado.

TOY STORY 3 – melhor filme, animação, canção original.

LIXO EXTRAORDINÁRIO – melhor documetário

TRABALHO INTERNO – melhor documentário

RESTREPO – melhor documentário

 

 

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ENROLADOS – Tangled
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Estados Unidos - 27/01/2011

DIREÇÃO: Nathan Greno, Byron Howard

ROTEIRO: Dan Fogelman

ELENCO: Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy, Ron Perlman

Estados Unidos, 2010 (92 min)

Aproveitem o fim das férias para conferir Enrolados no cinema. A experiência 3D é linda, cheia de efeitos delicados e muito bem trabalhados, e a história é uma mistura de aventura, comédia e romance. Para ver em família, claro, mas também para se divertir. Importante: Rapunzel divide o foco principal com o ladrão atrapalhado, seu par aventureiro, o que faz o filme ser interessante também para os meninos (dê uma espiada no trailer abaixo e vai ver que o protagonista é ele). Vale dizer que a princesa é sempre uma princesa, mas aqui ela é corajosa e arrojada – e isso compõe bem esse clima de parceria entre os dois.

Adoro quando as adaptações dos clássicos são feitas com humor – e não deboche, o que é o caso. Aqui, há várias coisas parecidas com a história da Rapunzel original, criada pelos Irmãos Grimm. Ela mora na torre, nunca saiu de lá, tem cabelos longos que não podem ser cortados e lágrimas que curam. Mas nessa nova criação da Disney, a Rapunzel foi roubada do reino por uma senhora obcecada pela juventude, tem cabelos mágicos e encontra um príncipe às avessas. Tudo é feito com muita graça e os personagens são adoráveis e alegres – o que dá uma leveza muito agradável ao filme e ao programa em família. Em tempo: vale por tudo, mas a cena das lanternas iluminadas é realmente linda, singela, mágica. Agora já falei!

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O PRIMEIRO QUE DISSE – Mine Vaganti
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Itália, Comédia - 26/01/2011

DIREÇÃO: Ferzan Ozpetek

ROTEIRO: Ivan Cotroneo, Ferzan Ozpetek

ELENCO: Riccardo Scamarcio, Nicole Grimaudo, Alessandro Preziosi, Ennio Fantastichini

Itália , 2010 (110 min)

O primeiro que resolveu dizer aquilo que ninguém queria ouvir criou uma celeuma nessa tradicional família italiana, que vive na pequena Lecce. Inteligente e principalmente divertido – dá para dar boas risadas – O Primeiro Que Disse é um daqueles filmes que trata dos estereótipos, sem agressão ou juízo de valor. Tratando do universo gay, cada vez mais explorado no cinema, ironiza a visão da sociedade de que o homem tem de ser másculo, da homossexualidade enquanto doença, da hipocrisia do pai que não aceita a escolha sexual do filho, mas acha normal ter amantes. Com humor e uma alegre trilha sonora.

O protagonista Tommaso é o ator Riccardo Scamarcio (também em Meu Irmão é Filho Único) e é em volta dele que a trama se produz. Paralela à sua história e à trajetória da família, que se desestrutura com a notícia de que tem um gay na família, estão os segredos da avó de Tommaso (Ilaria Occhini), a verdadeira matriarca, quem iniciou a fábrica de macarrão que hoje é o sustento de todos. Com suas recordações, revelações e discrição, ela não só opina, mas também direciona o destino de todos. Tem muita sabedoria nas suas palavras e muita presença na sua atuação. É divertido, vale a pena.

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TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS – Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives
CLASSIFICAÇÃO: Tailândia, Para Pensar - 26/01/2011

DIRETOR e ROTEIRO: Apichatpong Weerasethakul

ELENCO: Thanapat Saisaymar, Jenjira Pongpas, Sakda Kaewbuadee

Tailândia, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, 201 (113 min)

Para pensar – e muito. Este filme do tailandês Apichatpong Weerasethakul ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2010 e fiquei pensando com os meus botões onde foi que eu perdi o fio da meada. O filme não pretende ser blockbuster, e portanto é indicado para um nicho que aprecia o cinema contemplativo. É para quem gosta de produções sensoriais e para quem não se preocupa com o tempo das cenas, mas sim com o sentimento que elas trazem à tona.

De modo geral, posso afirmar – sem medo de errar – que eu sou uma dessas pessoas. Mas desta vez, confesso que as vidas passadas de tio Boonmee me cansaram, suas recordações custaram a me impressionar e acabei me frustrando por achar que a monotonia do filme foi um pouco além do meu limite. A história não deixa de ser interessante: tio Boonmee é um doente terminal e resolve passar seus últimos dias com a irmã na sua cabana na floresta. Os mortos que vê em forma de gorilas com olhos vermelhor vão além do esquisito e, diferente do que disseram alguns críticos, achei até de mau gosto.

Entretanto, há um aspecto do filme que vale ressaltar – se tivesse que premiá-lo em alguma categoria, seria essa. A direção de som é impressionante, reproduzindo o barulho da floresta com uma intensidade muito grande – ainda mais se o cinema tiver um bom sistema de áudio. Mas isso não bastou para que eu me encantasse. Uma pena. Parece que quando foi exibido e premiado em Cannes, houve muita gente que torceu o nariz. E que ficou com um sono…

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BIUTIFUL
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, México, Garimpo na Locadora, Drama - 21/01/2011

A filha pergunta ao pai como se escreve beautiful, para que a palavra complete seu desenho. Ele soletra b-i-u-t-i-f-u-l e assim ela registra e adjetiva aquele momento simples, cotidiano e bonito de um pai que cuida dos filhos, apesar de todos os pesares. E os pesares são muitos. Uxbal (Javier Bardem, também em Mar Adentro, Vicky Cristina Barcelona, Comer, Rezar, Amar) é esse pai amoroso, que tem de lidar com a ex-mulher bipolar, com as dificuldades do submundo de Barcelona, com as lembranças do pai que não conheceu. Mas só faz esse balanço quando sabe que vai morrer.

Esse emaranhado de escolhas e conjunturas da vida vem na forma do câncer que o aproxima da morte e na forma dos mortos que Uxbal é capaz de ver. Vem impresso na economia informal da cidade, na sua condição de sobrevivente urbano, no imigrante clandestino e no produto pirata, no trabalho forçado e escravo, na perda da legalidade, na consciência pesada por participar de tudo isso, na culpa por não conseguir ser diferente. O forte do filme não é só essa condição desumana de vida, mas a linha tênue entre a dignidade e o desumano das relações, entre a compaixão e a cruel realidade.

Diferente de Babel, o diretor Alejandro González Iñárritu constrói aqui um só personagem e uma narrativa linear. Mas em ambos ressalta a dualidade do ser humano que quer acertar, mas erra o caminho; que quer se reconciliar com o bem, mas escolhe as ferramentas erradas. Uxbal é assim. Um sujeito intenso, sensitivo, conturbado, desiludido. Por isso Biutiful tem uma atmosfera atormentada – e talvez por esse motivo não tenha levado o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro (que premiou o dinamarquês Em Um Mundo Melhor), embora Bardem tenha sido o melhor ator em Cannes.

O filme é forte e perturbador e por isso a escolha do título me pareceu tão importante e significativa. Há momentos bonitos na vida perturbada de Uxbal; há boas intenções nas escolhas mal feitas do personagem e há beleza na dureza do registro do diretor mexicano. É preciso ler nas entrelinhas e estará escrito assim mesmo: biutiful. 

 

DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu ROTEIRO: Alejandro González Iñárritu, Armando Bo, Nicolás Giacobone ELENCO: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Eduard Fernández, Cheikh Ndiaye, Diaryatou Daff, Cheng Tai Shen | 2010 (147 min)

 

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GLOBO DE OURO 2011 – Golden Globe Awards
CLASSIFICAÇÃO: Estados Unidos - 18/01/2011

Está aberta a temporada de premiações do cinema. A primeira do ano, o Globo de Ouro, foi no último domingo dia 16, em Los Angeles, Estados Unidos. Diferentemente do Oscar (programado para 27 de feveiro), que é escolhido por 5.800 membros votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, portanto vindos da própria indústria do cinema, o Globo de Ouro é um prêmio dado pela crítica por meio da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood. Além de ser o mais importante prêmio da crítica jornalística, inclui a categoria de produções para televisão, como as famosas séries americanas.

Mais intimista, o Globo de Ouro costuma ser uma prévia do Oscar. Algumas vezes tem a preocupação de premiar aqueles filmes, diretores, roteiristas, atores que enriquecem o mundo dos cinéfilos com beleza, emoção, experiênciãs e visões de mundo diferentes através de seu trabalho. Não que seja um prêmio que privilegie o cinema-arte, mas tem um olhar mais criterioso do ponto de vista jornalístico e acho que isso diversifica a premiação e o reconhecimento dos diversos talentos da indústria.

A Rede Social foi sim a grande vencedora com 4 Globos de Ouro – e é um filme interessante, não só pela produção e direção, mas também pelo que representa, pela documentação de uma mudança de comportamento da sociedade e, ao mesmo tempo, da comunicação excessiva gerando pessoas cada vez mais sozinhas. Mas outras importantes categorias foram parar nas mãos de gente muito talentosa, homenageando bons filmes. Particularmente, adorei as escolhas do dinamarquês Em Um Mundo Melhor (embora o mexicano Biutiful seja também maravilhoso) e de Minhas Mães e Meu Pai – que é engraçado, divertido e inteligente. Toy Story 3 é imbatível – sensível e emocionante, sobre criança e infância, também (ou principalmente) para adultos.

Alguns dos filmes premiados já estão em cartaz e outros têm estreia prometida para fevereiro. Segue a lista abaixo. Se o filme já estiver disponível no Cine Garimpo, basta clicar no nome para ir direto ao link.

A REDE SOCIAL – melhor filme, diretor, roteiro e trilha sonora (em cartaz)

O DISCURSO DO REI – melhor ator (Colin Firth, também em Direito de Amar) – estreia dia 04 de fevereiro

CISNE NEGRO – melhor atriz (Natalie Portman, também em Nova York, Eu Te Amo) – estreia dia 04 de fevereiro

MINHAS MÃES E MEU PAI – melhor filme comédia, melhor atriz comédia (Annette Bening)

O VENCEDOR – melhor atriz coadjuvante (Melissa Leo) – estreia dia 04 de fevereiro

EM UM MUNDO MELHOR – melhor filme de língua estrangeira

TOY STORY 3 – melhor animação

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DIETA MEDITERRÂNEA – Dieta Mediterránea
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Espanha, Comédia - 16/01/2011


DIREÇÃO: Joaquín Oristrell

ROTEIRO:Yolanda García Serrano, Joaquín Oristrell

ELENCO: Olivia Molina, Paco León e Alfonso Bassave

Espanha, 2009 (100 min)

Aos amantes da gastronomia, Dieta Mediterrânea é uma comédia espanhola de sabores, experiências e busca por novas combinações culinárias que fazem a alegria de quem gosta de experimentar novos restaurantes, de acompanhar a trajetória dos chefes de cozinha que fazem a fama mundo afora. A talentosa na cozinha é Sofia e quem narra a sua história é sua filha caçula. Espanhola de um vilarejo às margens do Mediterrâneo, Sofia se divide entre dois amores, mas não entre dois talentos: a gastronomia é sua grande paixão na vida, em que ela deposita todo o seu talento, criatividade e dedicação. Com uma condição: que sua fonte de inspiração, o amor, seja sempre bem farta e não padeça de monotonia.

Dieta Mediterrânea é divertida e leve. Faz referência ao famoso restaurante espanhol El Bulli, numa analogia à gastronomia-arte, ao talento de poucos que alimentam o hobby daqueles que investem em roteiros gastronômicos mundo afora. Faz isso com graça – apesar dos exageros e preferências amorosas de Sofia, que não veem ao caso. A história é divertida e para quem coloca a mão na massa então… nem se fale.

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O TURISTA – The Tourist
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos - 14/01/2011

DIREÇÃO: Florian Henckel von Donnersmarck

ELENCO: Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Rufus Sewell, Bruno Wolkowitch, Julien Baumgartner, Clément Sibony.

Estados Unidos, 2010 (10min)

A ideia principal de O Turista é entreter, divertir e criar um pequeno e gracioso suspense – gracioso fica por conta da dissimulada dupla de atores, Angelina Jolie e Johnny Depp, que se envolve em um romance e se atrapalha com cenas de perseguição improváveis e bastante óbvias pelos canais de Veneza. Mas do jeito que o filme de ação é montado e dirigido, não cria grandes dramas, nem grandes expectativas do lado de cá da telona. Se você gostar desse tipo de filme, deixe-se levar e aproveite. Assim como fez Frank (personagem de Depp, também em Alice no País das Maravilhas) quando conheceu a misteriosa Elise (na pela da bela Angelina Jolie, também em A Troca) no trem de Paris para Veneza. Vale dizer que o diretor Florian Henckel von Donnersmarck também é responsável pelo espetacular A Vida dos Outros – esse sim um filme de espionagem brilhante, que não tem nada em comum com o estilo de O Turista. Nada.

Não acho que O Turista seja um filme de suspense, nem policial. Tem mais é cara de comédia. Aliás, tive a impressão de que a camaleoa Angelina Jolie ora parece ser a trapaceira, ora a trapaceada (e é para criar a dúvida mesmo) e de que o turista Depp é só uma marionete na mão da bela e está um pouco sem graça e sem energia. Se o que você quer assistir hoje é um filme de ação bem leve e improvável, quiser dar uma espiada nos belos palacetes e canais de Veneza e conferir as lindas roupas de Angelina, O Turista se encaixa e cumpre seu papel. Descompromissado, não tem qualquer pretensão de ir além do entretenimento. Disso não tenho dúvida.

Estreia dia 21 de janeiro nos cinemas.

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MUNIQUE – Munich
CLASSIFICAÇÃO: Para Rever, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 10/01/2011

Steven Spielberg de novo. Quem, se não ele, poderia fazer este cinema com base em um episódio tão dramático da história do povo judeu? Assim como fez em A Lista de Schindler, o diretor dá a Munique uma dramaticidade incrível, sem perder a veracidade dos fatos e o seu fator documental importantíssimo. O filme é realmente imperdível e ótima dica inclusive para quem assistiu já há algum tempo. É bom rever. Os diálogos inteligentes, a direção e produção brilhantes dão ao filme um tom não de guerra física (embora seja um atentado atrás do outro), mas de guerra emocional, ideológica, profunda e infindável – se a intenção for vencer a qualquer custo. É um exercício de reflexão e um importante registro histórico de mais um episódio intolerante da guerra entre judeus e palestinos.

Na prática, o filme relata o ataque terrorista do grupo palestino Setembro Negro aos atletas da delegação israelense das Olimpíadas de Munique de 1972, transmitido ao vivo para o mundo todo, e a subsequente caça aos mandantes do crime em toda a Europa por agentes secretos do Mossad. Nas entrelinhas, discute a questão da violência que gera violência, do “olho por olho, dente por dente”, da importância da terra, do lar, das raízes para a formação e manutenção dos povos, da identidade nacional para a perpetuação da cultura; discute a questão da pátria enquanto família, mas o valor da família mesmo fora da pátria.

Tão marcante quanto a história do massacre e da perseguição aos criminosos árabes é o nível de devastação que se cria a partir da ordem da então primeira-ministra de Israel, Golda Mier, de matar os cabeças do Massacres de Munique, onde quer que estivessem. Agentes treinados para perder dua identidade e vingar o povo judeu, saem à procura deles e geram outro rastro de destruição. Nas Olimpíadas em que atletas judeus pisavam em solo alemão pela primeira vez depois de todo o horror do Holocausto, o que era para ser uma reafirmação de paz reforçou a ideia de que os problemas só mudam de palco e de atores. Pelo menos ainda não há sinais de quando tudo isso vai acabar.

 

DIREÇÃO: Steven Spielberg ROTEIRO: Tony Kushner, Eric Roth ELENCO: Eric Bana, Daniel Craig, Geoffrey Rush, Ciarán Hindus, Mathieu Kassovitz, Mathieu Amalric, Ayelet Zurer | 2005 (164 min)

 

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