
DIREÇÃO e ROTEIRO: Thomas McCarthy
ELENCO: Paul Giamatti, Amy Ryan, Jeffrey Tambor, Bobby Cannavale, Burt Lynskey, Alex Shaffer, Margo Martindale
Estados Unidos, 2011 (106 min)
Por favor, corrijam-me se estiver errada. Entendo que o título em inglês Win Win denota uma negociação onde ambas as partes saem ganhando. Não tem o significado negativo implícito na tradução Ganhar ou Ganhar. O título escolhido em português dá a impressão que é preciso vencer a qualquer custo, passando por cima de qualquer um. Não, seria muito mais um “ganha-ganha”, como se costuma dizer. E é exatamente o que acontece com Mike (Paul Giamatti, também em Tudo Pelo Poder, A Minha Versão do Amor, A Última Estação): com problemas financeiros, toma uma decisão em que ele também se beneficia, mas que acaba dando colocando sua vida de cabeça pra baixo.
Mike é um professor de luta livre nas horas vagas e advogado com sérios problemas financeiros. Um de seus clientes é um senhor de idade que precisa de um tutor. Sem contar para sua esposa Jackie (Amy Ryan), aceita ser responsável pelo cliente e por isso passa a receber um valor mensal que o ajuda a pagar as contas. Um dia aparece o neto desse senhor, cheio de problemas com a mãe e quer se instalar com o avô – que foi colocado em um abrigo para a terceira idade por Mike. Ele não tem outra opção senão acolher o garoto, que se mostra uma boa pessoa e um ótimo lutador de luta livre.
A história que se constrói a partir da chegada de Kyle (Alex Shaffer) é uma daquelas histórias de virada. Quantas vezes percebemos que precisamos mudar algo na vida, mas ficamos paralisados pelo medo? Algo precisa acontecer para que tenhamos coragem de mudar. Kyle é o agente da mudança, em que Mike percebe seus erros, suas limitações e a importância de tomar as decisões que realmente possam fazer diferença, que possam ser construtivas e mudar o futuro. Ganhar ou Ganhar tem um humor sutil e também tem um ponto interessante sobre o contexto familiar, do apoio, da compreensão e do empurrão importante que normalmente vem de quem está mais perto, neste caso, a esposa.
O diretor Thomas McCarthy também é responsável por O Visitante – aliás, uma ótima dica em DVD. Ambos os filmes têm esse viés humano, da postura rígida que ganha novos contornos quando um novo elemento de fora se aproxima. Carregado de significado… Quando essas surpresas da vida acontecem, é melhor fica de olhos bem abertos. A chance de acontecer um ganha-ganha, no sentido positivo, é muito grande.
ROTEIRO: Mohsen Makhmalbaf, Samira Makhmalbaf
ELENCO: Agheleh Rezaie, Abdolgani Yousefrazi, Razi Mohebi
Irã, Afeganistão, 2003 (105 min)
A jovem cineasta Samira Makhmalbaf só tem 31 anos e já faturou duas vezes o Prêmio Especial do Júri em Cannes. A primeira vez foi com apenas 20 anos, com o filme The Black Board (2000); a segunda com Às Cinco da Tarde, quando tinha 23. Aprendeu em casa, com o pai Mohsen Makhmalbaf, também cineasta, responsável pelo fantástico A Caminho de Kandahar, e com a irmã, diretora do filme Green Days. Família de artistas com olhar apuradíssimo. Ainda bem, porque é através deles que temos a oportunidade de conhecer um pouco dessa cultura complexa e milenar, da situação social e política do Irã e da condição da mulher nos países muçulmanos.
Por causa da perseguições aos cineastas no Irã (ver comentário sobre Isto Não É um Filme), a família Makhmalbaf vive fora do país, inclusive no vizinho Afeganistão. Isso fez com que esta década de profundas mudanças no país fosse tema importante analisado em seus filmes, sempre trazendo à tona o ponto de vista feminino, a sensibilidade da maternidade e a agonia da falta de perspectiva. Noqreh (Agheleh Rezaie) quer ser presidente do Afeganistão. Inspira-se em mulheres que lideraram o poder no mundo, principalmente a paquistanesa Benazir Bhutto e a indiana Indira Gandhi, e quer desesperadamente saber o que esses dirigentes dizem ao povo para serem eleitos. Mas é claro que no Afeganistão tudo é diferente. Mesmo porque seu pai, um senhor conservador e autoritário, não quer que ela volte a estudar. Agora que o país já não está sob o comando do Taleban, as mulheres voltaram aos bancos da escola, onde discutem a situação política do país, suas ambições profissionais e pessoais e tentam achar um caminho para a sociedade esfacelada pela guerra e sofrida pelas perdas e mutilações.
Mas não há de ser a sua vontade a que prevalece – o pai a obriga a cobrir-se, estudar os ensinamentos do Alcorão, a jurar obediência e vê blasfêmia em tudo. Num país em que falta moradia, comida, água, a questão maior é a sobrevivência. Comandada pelo pai, segue com a cunhada pelo deserto, buscando um gole de água e um teto, lutando para salvar a vida do sobrinho e para entender como é possível viver num país totalmente destruído, material e emocionalmente.
Às Cinco da Tarde tem um tom desolador. Um provação do começo ao fim, com um olhar feminino sensível e apurado para as humilhações, como o uso da burca que esconde o rosto, a identidade e individualidade, assim como para as vaidades femininas, como o sapato branco de salto em meio ao deserto. Mostra uma sociedade sem rumo, perdida em seus conceitos autoritários, egoístas e machistas, perdida na aridez e na precariedade que o deserto já traz por si só, e que o homem tratou de piorar ainda mais.
ROTEIRO: Alfred Uhry
ELENCO: Jessica Tandy, Morgan Freeman, Dan Aykroyd
Estados Unidos, 1989 (99 min)
Ao escrever sobre O Último Dançarino de Mao, em cartaz, me dei conta de que Bruce Beresford também dirigiu Conduzindo Miss Daisy. Vencedor do Oscar de melhor atriz para Jessica Tandi (também em Tomates Verdes Fritos), melhor filme e roteiro adaptado, é infinitamente melhor e mais profundo do que o filme sobre o bailarino chinês (não estou desmerecendo, mas são produções de patamares totalmente distintos, veja o comentário no link do filme).
Mas isso foi em 1989 e no auge dos meus 19 anos não fui capaz de sentir a profundidade dessa obra, nem da amizade entre o motorista negro e a patroa judia. Não como hoje. Além do fator óbvio da idade, o que está em jogo aqui é a vivência. Entender que uma amizade se constrói nas diferenças e respeito mútuo é algo possível se vivido. Sem querer que isso pareça um discurso moralista, daqueles que enaltecem a experiência de vida, é verdade que com 20 e tantos anos a mais Conduzindo Miss Daisy me tocou fundo, não como um triste relato da velhice que chega inclemente, arrebata quem vê pela frente e dá um fim em vidas muitas vezes mal vividas, mas como uma homenagem à tolerância, uma prova de que ela compensa, de que os diversos se complementam nas características, no temperamento, nas trocas de experiências. Lembra o belo filme francês Minhas Tardes com Margueritte, com Gérard Depardieu e Gisèle Casadesus (também recomendo).
Para quem não viu, Miss Daisy é uma senhora judia viúva totalmente ativa, independente e muito dona de si, que vive seus 70 anos sozinha em uma casa grande e confortável no estado da Georgia, da maneira que lhe convém. Vai onde quiser, na hora que quiser, sem que seja preciso pedir permissão a ninguém. Até que se mete em um acidente e seu filho Bollie (Dan Aykroyd) se convence de que a mãe precisa de um motorista. Sob protestos, Hoke (Morgan Freeman, também em Invictus, Winter, O Golfinho) é contratado para acompanhá-la e, aos poucos, vai conquistando a confiança de Miss Daisy, até realmente fazer parte da sua vida.
Conduzindo Miss Daisy é uma emoção do começo ao fim. Toca também no ponto do preconceito, numa Georgia ainda tomada pelo racismo. Uma judia e um negro, numa bonita e emocionante reverência à amizade. A parte da velhice… deixe pra lá. Também emociona, mas traz um alento, talvez seja o do envelhecer compartilhado. Mas ele não vem por acaso, nem de uma hora para outra. É preciso uma vida toda de dedicação à amizade. Nunca é tarde para começar…
ROTEIRO: Josh Appelbaum, André Nemec
ELENCO: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Paula Patton, Sabine Moreau, Brij Nath, Michael Nyqvist, Vladimir Mashkov, Samuli Edelmann
Estados Unidos, 2011 (133 min)
Do muito que já foi dito sobre o quarto filme da série Missão Impossível, só me resta reiterar que sim, ele vale o seu ingresso de cinema. Seja ação o seu gênero de filme ou não, você vai curtir a aventura desses agentes, que agora sem o respaldo da agência de agentes secretos americana, a IMF (Impossible Missions Force), seguem por sua conta e risco em uma missão que começa em Budapeste, passa por Moscou, Dubai e termina em Mumbai, na Índia. O itinerário dá dinâmica e diversidade, que são muito bem-vindos em filmes assim.
Recheado de muita ação e suspense, com humor sutil nas horas precisas e nas situações mais extremas, o diretor Brad Bird, especialista em animações no estúdio Pixar como Ratatouille e Os Incríveis, acerta no tom: embora agentes especiais, são de certa forma humanizados em suas fraquezas e perdas – cada um deles demonstra abertamente suas falhas pessoais e problemas mal resolvidos, o que parece formar um time que se completa e tem de fato algo em comum.
Ethan Hunt (Tom Cruise) é resgatado da prisão em Moscou para liderar uma arriscada tarefa dentro do controlado Kremlim. Mas há criminosos atrás dos mesmos arquivos secretos, que conseguem explodir o prédio do poder russo. Ethan é responsabilizado pelo atentado, perde o respaldo da IMF e a missão daqui por diante passa a ser um “protocolo fantasma” – ou seja, sem retaguarda logística, nem autorização para atuar. Mas nem por isso fica menos envolvido na perigosa trama de códigos de armas nucleares. Com um time composto pelo especialista em tecnologia Benji (Simon Pegg), o ex-agente Brandt (Jeremy Renner, também em Guerra ao Terror) e a decidida Jane (Paula Patton, também em Preciosa), embrenham-se em jogo estratégico de pura sobrevivência e já não têm como evitar as confusões, perseguições e tudo mais que você pode imaginar.
Tom Cruise diz a que veio com seu estilo inconfundível, mostra que está em forma e tem presença de novo nas telas. Ele é o produtor de todos os filmes da “franquia” (como estão dizendo por aí) e fez questão de não trabalhar com dublês na cena em que escala o prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa, em Dubai. É de tirar o fôlego. Obviamente os efeitos são incríveis – temos realmente a impressão de que ele está sem qualquer equipamento de segurança (os cabos de aço foram apagados digitalmente). É ele em pessoa do começo ao fim. Um filme de ação para ninguém botar defeito.
Cada um dos filmes da série tem um diretor diferente, escolhidos por Tom Cruise. Interessante essa ideia, já que muitas vezes fica difícil fazer a sequências sem cair em clichês ou mesmices. Assim, cada um imprime seu estilo e seu histórico como cineasta, tendo como espinha dorsal a trajetória dos agentes da IMF. Lembro-me bem do primeiro filme da série, mas não dos outros dois – o primeiro foi realmente mais marcante. Deveria ter feito isso antes, assistir aos outros, relembrar como tudo se passou, embora não seja imprescindível para entender o que acontece. No fim, literalmente, tudo se esclarece e fica realmente a sensação de que vale a pena prosseguir com a ideia. Será que o galã vai ter fôlego?
De 2 a 29 de dezembro, o Cinesesc (Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César – São Paulo – (11) 3087-0500) faz a tradicional retrospectiva completa dos filmes nacionais lançados entre novembro de 2010 e novembro de 2011. É uma oportunidade maravilhosa de rever ou assistir a filmes ainda inéditos em DVD, por somente R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia).
Segue a programação da segunda semana, de 23 a 29 de dezembro. O Cine Garimpo atualiza semanalmente a lista dos filmes que serão exibidos, com os respectivos links para o comentário que está no blog. Bom garimpo!
Sábado, 24 de dezembro e domingo, 25 de dezembro (Sem Programação)
Segunda-feira, 26 de dezembro
15h – Acácio
17h – Rádio Nacional
19h – A Fuga da Mulher Gorila
21h – Assim é se lhe parece (Sessão Gratuita)
Terça-feira, 27 de dezembro
15h – Avenida Brasília Formosa
17h – Solidão e Fé
19h – Aparecida, O Milagre
21h – Chantal Akerman, de cá
Quarta-feira, 28 de dezembro
15h – Efeito Reciclagem
17h – Amor por Acaso
19h – Marcha da vida
21h – A Falta que me faz
Quinta-feira, 29 de dezembro
15h – O Filme dos Espíritos
17h – As Cartas Psicografadas de Chico Xavier
19h – Rio Sonata
21h – 180º
DIREÇÃO e ROTEIRO: Cameron Crowe
ELENCO: Matt Damon, Scarlett Johansson, Thomas Haden Churc, Patrick Fugit, Elle Fanning, Angus Mac Fadyen, Colin Ford, Maggie Elizabeth Jones, John Michael Higgins
Estados Unidos, 2011 (124 min)
Nos cinemas: 23 de dezembro
Com filmes ora focados no público infantil, ora no adolescente, muitas vezes fica difícil conciliar a ida ao cinema com filhos de diferentes idades. Compramos um Zoológico faz esse meio de campo e acaba sendo um bom programa familiar – coisa boa em época de férias.
A escolha do título diz tudo: o filme conta a história verídica de uma família que compra um zoológico desativado, mas que ainda mantém seus animais e tratadores, na espera de alguém que injete dinheiro e assuma o local. Desestruturado por causa da morte da esposa, Benjamin Mee (Matt Damon, também em Gênio Indomável, Contágio, Bravura Indômita, Além da Vida, Invictus, Syriana – A Indústria do Petróleo) resolve mudar o estilo de vida com seus dois filhos – uma menina Rosie, com quem se dá muito bem, e o adolescente Dylan, que passa por uma crise típica da idade e ainda sofre com a perda da mãe. De maneira impulsiva, compra uma propriedade no campo, que incluiu o tal zoológico no pacote. Sem investimentos e decadente, é comandado por Kelly (Scarlett Johansson, também em Match Point, Encontros e Desencontros, Vicky Cristina Barcelona), que de quebra conta com a ajuda de sua sobrinha Lily (Elle Fanning, também em Super 8, Um Lugar Qualquer, Babel) e de outros profissionais. Claro que a proposta do filme é criar situações curiosas com os animais (acho que eles poderia aparecer mais), ressaltar os dramas familiares de cada um e contar uma história de superação. Nesse sentido funciona, ainda mais se pensarmos que isso aconteceu de verdade e que a família ainda hoje mora no chamado Rosemoor Animal Park, no sudoeste da Inglaterra (se quiser mais informações, entre no site www.dartmoorzoo.org).
O filme segue bem no estilo Winter – O Golfinho, lançado em outubro nos cinemas e ainda inédito em DVD. Quem assistiu à história também real do garoto que se dedica a salvar a vida de um golfinho que teve a cauda amputada, já pegou o espírito de Compramos um Zoológico. A aventura onde cada um tem os seus problemas e ajuda à sua maneira, não só a viabilizar o empreendimento financeiramente, mas a realizar um sonho. Tem momentos previsíveis, é verdade, mas acho que o diretor Cameron Crowe acerta na mão quando faz um filme gostoso e bacana para ver em família. Essa é a verdadeira categoria do filme.
ROTEIRO: Jean-Pierre Améris, Philippe Blasband
ELENCO: Isabelle Carré, Benoît Poelvoorde, Lorella Cravotta
França, 2010 (80 min)
Nos cinemas: 23 de dezembro
Na mesma linha de filmes franceses para se divertir como Potiche – Esposa Troféu, Uma Doce Mentira e Como Arrasar um Coração, Românticos Anônimos é leve, tem aquele toque de comédia ingênua, com personagens sem qualquer malícia. Em comum, eles têm a timidez e o medo de enfrentar as inseguranças, os desafios e o desconhecido. Ainda mais quando se trata de uma relação amorosa.
Assim como os alcóolatras, os compulsivos, os fumantes se encontram em grupos anônimos, os românticos em excesso também. Angélique (Isabelle Carré, també em Medos Privados em Lugares Públicos, O Refúgio) e Jean-René (Benoît Poelvoorde, também em Coco Antes de Chanel) cuidam de seus medos e angústias, cada um com sua terapia. Mas é o chocolate que vai uni-los: ele tem uma fábrica e ela tem o dom do preparo.
Românticos Anônimos é a tradução para Les Émotifs Anonymes, que seria, no meu entender, inclusive em relação ao contexto do filme, algo mais para “tímidos anônimos”. Sim, porque românticos é o que eles realmente não conseguem ser. Trocam os pés pelas mãos, se metem em situações que beiram o improvável (mas que cabem no contexto do filme) e exageram para conseguir lidar com o nervoso e com a insegurança. Mas tem graça, leveza e um toque gastronômico do chocolate que é divertido. E imagino que não tenha sido escolhido à toa, já que é sabido que a substância alivia a ansiedade, dá a sensação de prazer e que é realmente um elemento cheio de emoções.
DIREÇÃO e ROTEIRO: Isabelle Mergault
ELENCO: Michèle Laroque, Jacques Gamblin, Wladimir Yordanoff
Enfim Viúva começa bem: pelo título (gosto do tom divertido e irônico) e pela cena da praia, com a atriz Michèle Laroque cantando Y Si Tu N’existais Pas. Sugere uma comédia leve e realmente divertida – foi isso justamente o que me atraiu. O primeiro argumento é válido, é realmente leve e não compromete. Mas o segundo, fica um pouco a desejar – distrai, mas achei que fosse mais divertido.
A história é a seguinte: Anne-Marie é casada com um famoso cirurgião plástico, mas o casamento já passou do seu prazo de validade - é infeliz, acha o marido um chato e parece estar presa ao vidão que ele a proporciona. Outro núcleo da história é centrado em Leo (Jacques Gamblin, também em Os Nomes do Amor), que trabalha na restauração de barcos e tem uma viagem programada para a China a trabalho. Obviamente os núcleos se juntam, Anne-Marie e Leo são amantes e a viuvez do título se concretiza na hora certa.
Há situações atrapalhadas e até engraçadas, mas não sai muito do esperado. Gosto dos dois atores – têm jeito para comédia, para fazer rir e eles são o atrativo do filme. Mas a direção deixa a desejar, muito embora seja um filme gostoso de assistir.
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