cinegarimpo

outubro, 2010

MISTÉRIOS DE LISBOA
CLASSIFICAÇÃO: Portugal, Para Ver Bem Acompanhado - 30/10/2010

DIREÇÃO: Raúl Ruiz

ROTEIRO: Carlos Saboga, Camilo Castelo Branco (livro)

ELENCO: Léa Seydoux, Clotilde Hesme, José Afonso Pimentel, Maria João Bastos, Ricardo Pereira, Adriano Luz

Portugual, França, 2010 (266 min)

Mistérios de Lisboa e também da França, Itália, Brasil. A Europa do século 19 é retratada neste folhetim do escritor Camilo Castelo Branco, publicado em 1854 e adaptado pelo diretor Raúl Ruiz para o cinema. Na Europa, será também exibido na televisão como as minisséries que costumamos ver por aqui – um formato interessante para produções como esta, que tem quase 4 horas e meia de duração. É impecável, o figurino e reconstrução de época são lindos e a história inclui tudo aquilo que você puder imaginar: romance, traição, ganância, poder, compaixão, assassinato, mistério, vingança.

O fio condutor é a história de Pedro da Silva, um menino criado pelo padre Dinis em um colégio interno de Lisboa, contada em flashback. Não conhece mãe nem pai e é a curiosidade por saber suas raízes que puxa o fio do novelo, mais do que embaralhado, da história. A partir daí, os personagens se entrelaçam, as coincidências acontecem e a história vai passando pelos acontecimentos históricos da época, pelo enriquecimento dos piratas portugueses em alto mar, pela Queda da Bastilha na França, pelas peripécias de D. João VI, de Napoleão e  por aí vai. Um grande filme!

 

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SENTIMENTO DE CULPA – Please Give
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos - 27/10/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nicole Holofcener

ELENCO: Catherine Keener, Amanda Peet, Oliver Platt, Rebecca Hall, Sarah Steele, Ann Guilbert e Thomas Ian Nicholas

Estados Unidos, 2010 (90 min)

Quantas vezes nossas atitudes são pautadas pela culpa? Culpa por ter saúde, quando se vê alguém doente; culpa por ter uma casa e uma família, enquanto tantos estão abandonados nas ruas; culpa por ter condições financeiras ir e vir, viajar, comprar, enquanto outros não têm o que comer. Assim é Kate (Catherine Keener, também em Cyrus O Solista) : ela tem boas intenções, mas ao invés de aplicar essa percepção de forma positiva e ajudar quem não é tão privilegiado assim, sente pena e vive se atrapalhando. Com esse rico repertório na mão, a diretora Nicole Holofcener constrói uma história engraçada e sensível de relações humanas de quem sente muita culpa, muita amargura, muita pena e de quem diz não sentir nada por ninguém.

O grande trunfo de Sentimento de Culpa é a riqueza dos personagens. Tive a sensação de que foram escolhidos a dedo para que nos identificássemos com algum deles. As vizinhas Rebecca Hall (também em Vicky Cristina Barcelona) e Amanda Peet (também em 2012 e Syriana) são água e vinho e precisam fazer uma verdadeira ginástica para conviver e cuidar da avó que só resmunga; a adolescente Sarah Steele está no auge do culto ao consumo e à aparência e parece não sentir culpa por nada. Na tentativa de conciliar todos esses humores, terminei dando risada com as situações cotidianas do filme. Que o mundo está cheio de desigualdades, está mesmo. Mas deixar a culpa tomar conta de tudo é engessar ainda mais as relações e os sentimentos.

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Programe-se: Sentimento de Culpa está sendo exibido na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

CINEMARK CIDADE JARDIM sala 5 – 30/10/2010 – 21:00 (Sábado)
Mais informações www.mostra.org.

Este filme tem estreia marcada no circuito comercial dia 29 de outubro.

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BRÓDER
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Brasil - 26/10/2010

DIREÇÃO: Jeferson De

ROTEIRO: Jeferson De e Newton Cannito 

ELENCO: Caio Blat, Silvio Guindane, Jonathan Haangensen, Cássia Kiss, Ailton Graça, Cintia Rosa, Lidi Lisboa, Du Bronks, Eduardo Acaiab

Brasil, 2010 (93 min)

A primeira sessão de Bróder na Mostra de Cinema contou com a presença do diretor Jeferson De, produtores e atores. Na rodada de perguntas depois da exibição do filme, uma pessoa perguntou por que a classe alta era retratada de uma maneira tão caricata e artificial, a ponto de não causar identificação com o público. Humildemente, Jeferson considerou esse o ponto franco do seu filme. Disse que se aprofundou tanto nos personagens do Capão Redondo que talvez tenha deixado de lado os personagens da ala rica da cidade. Mas em seguida o ator Silvio Guindane (também no ótimo 5X Favela – Agora Por Nós Mesmos) pegou o microfone e chegou onde eu quero chegar.

Segundo ele, Jeferson não errou nos personagens de classe alta, mas sim fez um filme sobre favela do ponto de vista de quem conhece e conviveu nela, e não sob o olhar de fora – como tantos outros no Brasil. Para ele, Bróder (que também poderia ser ‘Mano’, afinal é assim que eles se chamam) fez a classe alta se sentir por fora, sem identidade com os personagens, estereotipada e sem essência, assim como a população da favela sempre se sentiu nos filmes anteriores. O primeiro longa de Jeferson De – melhor filme em Gramado e exibido até no Festival de Berlim – é uma produção de relações humanas. Segundo ele, sua vontade é fazer outros filmes assim, que sejam capaz de despir os estereótipos que uma classe tem da outra, que uma raça tem da outra. Ao serem apreendidos em uma blitz, o policial diz que os ‘elementos’ eram da ‘cor padrão’ – entenda-se negros. Da mesma forma que a atriz que representa a mulher rica, esposa do empresário de futebol, também sente que há preconceito por ser loira e branca. Ninguém escapa.

O protagonista Macu (o ótimo Caio Blat, também em Carandiru, As Melhores Coisas do Mundo, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) conta com seus dois amigos que já não vivem no Capão – um se mudou de bairro e é o bom moço; outro ficou rico jogando futebol na Espanha. Nessa relação de amizade entra a família, a escolha pela bandidagem e pelo dinheiro fácil ou pela honestidade suada do dia a dia (adorei Cássia Kiss no papel de mãe de Macu – muito boa, muito humana). Deu para sentir o quanto a equipe do filme se emocionou ao falar da preparação do elenco, roteiro e produção de Bróder. O filme fala da feijoada de aniversário e da família reunida; fala essencialmente das amizades e das escolhas que são feitas na vida a partir daí.

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Programe-se: Bróder está sendo exibido na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Confira o horário abaixo:

ESPAÇO UNIBANÇO 3 – 31/10/2010 – 19:50 (Domingo)

Mais informações no site www.mostra.org. Estreia no circuito comercial em 2011.

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CÓPIA FIEL – Copie Conforme
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França, Drama - 26/10/2010

Que valor tem uma cópia se ela nada mais é do que a reprodução de um original? Mas por que uma cópia não teria valor se ela fosse relacionada a um sentimento, um significado, uma época? Que valor é esse que se faz tão relativo, tão condicional? O que é original e o que é cópia? O que é real, o que é reflexo da realidade?

Essa breve e confusa reflexão me veio depois de assistir a Cópia Fiel, que deu à francesa Juliette Binoche o prêmio de melhor atriz em Cannes. Durante o filme não dá para pensar muito nessas questões, porque os diálogos são muito intensos. Aliás, minha dica: atenção ao que Juliette Binoche (também em O Paciente Inglês, Horas de Verão, Paris) e William Shimell conversam. Algo como ‘não é nada simples ser simples’ realmente faz parar para pensar. Os diálogos são ricos e vão crescendo à medida que a relação entre os dois vai se delineando. E essa é a grande questão: o que realmente faz parte da relação dos dois e o que pode ser vivido como realidade desde que aquela pessoa ou situação ganhe valor e importância? Assim como uma obra: pode não ter valor financeiro ou histórico, mas pode merecer ser pendurada na parede da sua casa, se para você ela tem algum significado, nem que seja só uma lembrança.

A reflexão poderia ir além, mas tiraria parte da beleza do filme. Digo parte, porque visualmente ele é lindo e isso nada poderia estragar. Durante a exibição (aliás, a sala da Mostra estava lotada, com gente sentada até no chão) fiquei absorvida pela força da relação entre a dona da loja de antiguidades e o escritor inglês que se conhecem no lançamento do livro dele, pela linda, pitoresca e histórica paisagem da Toscana, pela troca ágil e harmônica entre os idiomas inglês, francês e italiano e pela construção dos personagens e do enredo em si. O diretor Abbas Kiarostami é iraniano, a atriz francesa e o ator inglês. Filmam na Itália, não pertencem àquele lugar e se apropriam daquele ambiente e daquelas suposta situação sugerida pela senhora italiana. Assim como o próprio espectador se apropria do romance e o torna real – mesmo que ainda fique na dúvida. Bravo!

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Abbas Kiarostami ELENCO: Juliette Binoche, William Shimell, Adrian Moore | 2010 (106 min)

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MINHAS MÃES E MEU PAI – The Kids Are All Right
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Comédia - 26/10/2010

 

DIREÇÃO: Lisa Cholodenko

ROTEIRO: Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg

ELENCO: Julianne Moore, Annette Bening, Mia Wasikowska, Mark Ruffalo, Josh Hutcherson

Estados Unidos, 2010 (101 min)

Definitivamente os formatos familiares estão mudando. Aquele padrão tradicional já se mistura a novas constituições familiares, de dois pais ou duas mães e seus rebentos. Cada vez mais atuantes e presentes, essas famílias de pais homossexuais criam seus filhos e os ensinam a conviver, desde cedo, com o mundo que, até pouco tempo, os fazia viver em um gueto. Por filhos entenda-se filhos legítimos, já que a ciência está a serviço de todos quando a questão é atender casais que não podem gerá-los naturalmente. Os bancos de sêmen dão conta do recado e são, cada vez mais, responsáveis pelo novo formato familiar – estável ou problemático, como qualquer casal heterossexual.

Não há como negar que a diretora Lisa Cholodenko tenha colocado um pouco (ou muito) de sua experiência pessoal em Minhas Mães e Meu Pai. Afinal, ela é lésbica, casada há anos e tem um filho. E não podia ser diferente – o tom de humor e de naturalidade que ela consegue dar ao filme só seria possível vindo de alguém que viveu as situações na pele. E digo mais: me diverti muito e não senti, em nenhum momento, que o roteiro tenha sido escrito para chocar, para escancarar a escolha sexual de ninguém, nem para jogar na cara que ‘agora estamos todos fora do armário’. Não, foi escrito para entreter. E consegue.

Assim como as duas grandes atrizes do filme, Julianne Moore (também em Direito de Amar) e Annette Bening (também em Destinos Ligados) – que aliás estão ótimas no papel de comediantes – a diretora Lisa também recorre à doação anônima para realizar o sonho da maternidade. No filme, a grande graça é que os filhos representados por Mia Wasikowska (também em Alice no País das Maravilhas) e Josh Hutcherson (também em ABC do Amor) querem conhecer o doador e pai biológico (Mark Ruffalo) por simples curiosidade. Os acontecimentos vão mostrando quem é quem na relação, Nic e Jules lavam muita roupa suja e se reinventam. Não faço aqui nenhum juízo de valor – e não senti que o filme tenha esse intuito. O que realmente importa é que elas fazem você dar risada da vida.

 

 

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34ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO
CLASSIFICAÇÃO: Dicas Afins, Brasil - 22/10/2010

Começa hoje a 34ª  Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, cada vez mais sofisticada e diversificada – serão 467 filmes para escolher, de 22 de outubro a 04 de novembro. O que chamou minha atenção este ano é a grande quantidade de filmes que já tem estreia marcada para breve. Isso quer dizer que mais filmes podem cair no gosto do público e que haverá uma maior oferta de bons programas no cinema, para quem aprecia a sétima arte.

Algumas produções entrarão em cartaz ainda durante a Mostra e isso é muito bom. É verdade que os cinéfilos sempre se desdobram para encaixar os horários e fazem aquela ginástica para conseguir uma boa programação. Mas também é bem verdade que, sendo São Paulo a confusão que conhecemos, é um alento saber que não precisamos dormir frustrados por não conseguirmos ver o que pretendíamos. Logo mais o circuito comercial nos dará mais opções de horários para assistir à seleção eclética da Mostra.

Mas ainda temos a sensação de não saber por onde começar. Os filmes precisam ser selecionados e os horários, organizados. Segue abaixo minha sugestão, sendo que os três primeiros já foram publicados.

Em um Mundo Melhor – Dinamarca
Foras da Lei – Argélia, França
Cyrus – EUA
Minhas Mães e Meu Pai – EUA
Cópia Fiel – França
Bróder – Brasil
Não Me Abandone Jamais – EUA
O Estranho Caso de Angelica – Espanha, Brasil, França, Portugal
Mistérios de Lisboa – Portugal
VIPS – Brasil
Homens e Deuses – França
Um Lugar Qualquer – EUA

Alguns filmes estão na mira e terão estreia em breve. São eles:

Outubro: Atração Perigosa, Sentimento de Culpa, A Suprema Felicidade;
Novembro: Machete, Minhas Mães e Meu Pai, Lope, Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos;
Dezembro: O Garoto de Liverpool

Para verificar a programação, acesse o site www.mostra.org. Caso consiga se programar com antecedência, o melhor é comprar pelo www.ingresso.com e garantir seu lugar. No site são disponibilizados ingressos com quatro dias de antecedência, portanto acompanhe durante a semana de acordo com o seu interesse. Selecione o filme e o site dará a disponibilidade. Caso tenha dúvidas ou sugestões, deixe-as no Fale Comigo do blog.

Acompanhe o Cine Garimpo durante a semana. Haverá atualizações constantes da maratona do cinema. Bom garimpo para todos nós!

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O SOLTEIRÃO – Solitary Man
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Estados Unidos - 20/10/2010

 

DIREÇÃO: Brian Koppelman, David Levien

ROTEIRO: Brian Koppelman

ELENCO: Michael Douglas, Susan Sarandon, Danny DeVito, Mary-Louise Parker, Jenna Fischer, Imogen Poots, Jesse Eisenberg.

Estados Unidos, 2009 (min)

 

Não poderia ter melhor escolha do que Michael Douglas como o solteirão do título. Com tudo que já fez no cinema e com a imagem de Gordon Gekko bem fresca na cabeça por causa da sequência de Wall Street, já nas primeiras cenas sabemos que vamos lidar com um sujeito sem escrúpulos, sarcástico e mulherengo, capaz de qualquer coisa para ser o centro das atenções e se dar bem. Não dá para imaginá-lo no papel do bom moço. Embora o perfil seja detestável, o inegável talento de Michael Douglas consegue criar um vínculo com o espectador, prender a atenção e construir a caricatura do sujeito que não queremos encontrar pela frente na vida, mas que está por toda parte.

Eu diria que o solteirão Ben Kalmer é o estereótipo daquele homem ainda charmoso na faixa dos 50, bem sucedido nas finanças, na profissão e na vida pessoal, que de repente se depara com uma dificuldade, sente-se ameaçado e resolve aproveitar a vida – antes que seja tarde demais. Por ‘aproveitar a vida’ entende-se namorar mulheres com a metade da sua idade, gastar dinheiro desmesuradamente, fazer qualquer coisa para ser notado – mesmo que isso signifique negócios escusos e ilegais. Muito interessante a construção do personagem e a maneira segura, transparente e convicta com que Michael Douglas representa. Ben Kalmer não se arrepende de nada, não pede desculpas a ninguém, nem mesmo à ex-mulher, feita pela ótima Susan Sarandon (também em Thelma & Louise e Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme). Saí do cinema com a sensação de que sabia exatamente que tipo de sujeito era aquele.

O Solteirão foi escrito inspirado naqueles homens que se consideram os “reis de Nova York”. No tipo de gente que tem o poder da sedução e da palavra, que faz sucesso até que venha o declínio. Moral e ético, financeiro e emocional, não importa. Quem não tem escrúpulos e chega ao fundo do poço, simplesmente não sabe por onde começar diferente. Ou sabe?

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CYRUS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos - 19/10/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Jay Duplass e Mark Duplass

ELENCO: John C. Reilly, Jonah Hill, Marisa Tomei, Catherine Keener, Matt Walsh

Estados Unidos, 2010 (91 min)

Cyrus conta uma história muito simples: logo na primeira cena sabe-se que um casamento foi desfeito há anos, que essa mulher agora vai casar com outro e que o homem nunca se recuperou da separação. Ficou deprimido, não sai de casa, não toca a vida em frente. Quando consegue sair da toca, encontra um novo par e recomeçam as dificuldades inerentes aos romances. História simples, mas com um humor e uma sensibilidade…

Alguma coisa tem que ser diferente num filme como esse, que não tem novidade nenhuma em termos de enredo. Da maneira despretensiosa com que são feitas as filmagens, eu me senti praticamente dentro daquele cenário. Muitas vezes parece improviso, uma produção intimista, com as aproximações de câmera repentinas, quase que amadoras. Mas é proposital para que crie uma intimidade com você, para que você se sinta parte da situação e praticamente consiga dar palpites nos impasses que acontecem. Tudo para que as cenas pareçam o mais natural possível. Fizeram um bom trabalho.

Apesar das dificuldades de relacionamento, os personagens têm um astral muito bom. John (John C. Reilly) é engraçado, espirituoso e realmente parece o Shrek; Molly (Marisa Tomey) consegue construir seu personagem com uma fina sensibilidade e está muito natural no papel que faz de mãe superprotetora; e Cyrus (Jonah Hill), do título, é realmente o dissimulado pivô de toda a situação – e o faz muito bem. Lembrei-me um pouco do filme 500 Dias Com Ela, exibido na Mostra de 2009. Também uma história simples, contada de uma maneira despojada, autêntica e inteligente, capaz de divertir e sensibilizar.

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Programe-se: Cyrus será exibido na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que começa dia 22 de outubro. Confira os horários abaixo:

CINEMARK SHOPPING ELDORADO sala 7 – 22/10/2010 – 21:00 (Sexta)
CINEMARK CIDADE JARDIM sala 5 – 24/10/2010 – 21:00 (Domingo)
UNIBANCO ARTEPLEX 3 – 27/10/2010 – 16:30 (Quarta)
ESPAÇO UNIBANÇO POMPÉIA 1 – 29/10/2010 – 22:10 (Sexta)

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FORA DA LEI – Hors la Loi
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, França, Argélia - 19/10/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Rachid Bouchareb 

ELENCO: Sami Bouajila, Jamel Debbouze, Roschdy Zem, Chafia Boudraa, Bernard Blancan

Argélia, França, 2010 (138 min)

A presença do diretor franco-argelino Rachid Bouchareb em Cannes causou tumulto e protestos quando Fora da Lei foi exibido. Não é para menos: o filme abre a ferida nacionalista francesa, fala da guerra pela independência da Argélia e mostra uma França que tortura e forma milícias assassinas em prol do poderio colonial. Mas também filma o contraponto, os movimentos de resistência argelinos, os terroristas separatistas e a luta por seus ideais de forma muito violenta. Independente de que lado você esteja, todos no filme são ‘foras da lei’. Ninguém se salva. E é isso que o torna interessante, este olhar dúbio.

Fora da Lei conta a história da guerra argelina em solo francês, através da trajetória de uma família. Expulsa de suas terras pelas autoridades francesas em 1925, a família presencia o massacra de Sétig, em 1945, quando os argelinos fazem uma passeata pela independência após a vitória dos Aliados. Depois disso, os três irmãos tomam rumos diferentes: um vai combater na Indochina, lutando contra a independência das colônias francesas; outro é preso na França por ‘atividades subversivas’ e o terceiro passa a viver em uma favela nos arredores de Paris e vira ‘empresário’. Através da história de vida de cada um deles, o diretor Bouchareb, também de London River – Destinos Cruzados, conta como se fez a guerra na clandestinidade. De um lado, os grupos de luta armada liderados pela FLN (Frente de Libertação Nacional), que articulou inúmeros atos terroristas na França e toda a rede de informação; de outro, uma organização secreta da própria polícia francesa, respaldada pelo governo, na repressão violenta ao movimento nacionalista, que finalmente consegue a independência em 1962.

Fora da Lei retrata mais uma daquelas histórias sangrentas de dominação e poderio pela força de ambos os lados, de falta de diálogo e de luta cega pelos ideais. Tem uma produção muito cuidadosa, cheia de detalhes e envolvente, com a família mafiosa como o centro – inclusive com algumas referências claras ao clássico O Poderoso Chefão. Muito bom para entender o nosso mundo sem lei.

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Programe-se: Fora da Lei será exibido na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que começa dia 22 de outubro. Confira os horários abaixo:

UNIBANCO ARTEPLEX 3 – 22/10/2010 – 16:50 – Sessão: 16 (Sexta)
CINEMA SABESP – 23/10/2010 – 22:00 – Sessão: 145 (Sábado)
CINEMARK CIDADE JARDIM sala 5 – 25/10/2010 – 21:00 – Sessão: 380 (Segunda)
UNIBANCO ARTEPLEX 2 – 27/10/2010 – 15:20 – Sessão: 504 (Quarta)
CINEMARK SHOPPING ELDORADO sala 7 – 29/10/2010 – 21:00 – Sessão: 788 (Sexta)

Mais informações no site www.mostra.org.

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EU E MEU GUARDA-CHUVA
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Brasil - 16/10/2010

DIREÇÃO: Toni Vanzolini

ROTEIRO: Bernardo Guilherme, Marcelo Gonçalves, Adriana Falcão

ELENCO: Lucas Cotrim, Rafaela Victor, Victor Froiman, Camila Amado, Daniel Dantas, Paola Oliveira, Leandro Hassum, Arnaldo Antunes

Brasil, 2010 (min)

Confesso que quando assisti ao trailer de Eu e Meu Guarda-Chuva, não me animei. Achei que seria uma tentativa frustrada de fazer um filme infanto-juvenil brasileiro. Mas fiquei surpresa porque agrada as crianças (não as pequenas, que saíram do cinema assustadas logo quando a aventura começa) e, de certa forma, também os adultos. Os atores mirins são bem dirigidos, a produção é interessante e a história mantém todos entretidos.

O trio que arma toda a confusão é composto por Eugênio (Lucas Cotrim, também em Do Começo ao Fim), Frida e Cebola, todos com 11 anos. No último dia de férias eles resolvem invadir o colégio que tem fama de misterioso. Dizem as más línguas que o fantasma do barão Von Staffen mora por lá, aprisionando crianças que não são capazes de responder às suas perguntas. A aventura do trio começa em São Paulo (as cenas do colégio foram filmadas no lindo prédio do Colégio Sion) e vai parar na Europa. Toda essa mobilidade dá dinamismo ao filme e garante o envolvimento das crianças – ainda mais com a pitada de romance, numa idade em que meninos e meninas passam a olhar para o outro com novos interesses.

Achei curioso o comentário de surpresa das crianças, quando perceberam que o filme era brasileiro. De fato não estamos acostumados a ver um filme de aventura feito no Brasil, fora do padrão Xuxa. Por outro lado, acho um exagero a comparação que foi feita, quando chamaram o filme de ‘Harry Potter brasileiro’. Não é para tanto e não chega nem aos pés em termos de produção e roteiro. De qualquer maneira, Eu e Meu Guarda-Chuva sinaliza que há mercado para aventuras infanto-juvenis fantasiosas, que elas são bem-vindas e há atores competentes para representar esse universo infantil. Só é preciso saber tratá-los como gente grande.

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