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setembro, 2010

LONDON RIVER – DESTINOS CRUZADOS – London River
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama - 30/09/2010

Cada vez mais se tem notícia de uma Europa multicultural, multiétnica, multifacetada. Cada vez mais se tem notícia das dificuldades de lidar com esse caldeirão de culturas e religiões, interesses e conflitos, invasões e expulsões. Cada vez mais a intolerância étnica e religiosa aparece como causa e consequência de conflitos, ataques terroristas ou simples desavenças cotidianas.

London River – Destinos Cruzados trata de todas essas diferenças, mas fala sobretudo das semelhanças entre os povos e da possibilidade de tolerância e entendimento diante das dificuldades. Toca na ferida do mundo globalizado também nos atentados terroristas, justo nesta semana em que vimos ameaças de bombas concomitantes em Paris, Berlim e Londres.

No filme, o cenário londrino é o fatídico 7 de julho de 2005, quando o explodem bombas em trens do metrô e em um ônibus, matando dezenas de pessoas na hora do rush. Uma senhora inglesa, que mora em uma ilha no Canal da Mancha, e um senhor africano, que imigrou para a França, buscam seus filhos, desaparecidos desde o dia do atentado. A fé e tradição da inglesa protestante se chocam com o islã, com o silêncio e submissão do imigrante negro. São várias os contrastes de cor, postura, discurso, idioma; do imperialista e do colonizado; da boa intenção e do preconceito.  Sra. Sommers e Ousmane têm mais semelhanças do que imaginam e isso dá ao filme um bonito e generoso traço humano.

London River rendeu ao ator Sotigui Kouyaté o Urso de Prata de Melhor Ator em Berlim no ano passado e tem uma mensagem intrigante na cena final. Fica a dúvida até quando é possível nutrir esperanças de relações mais humanas; o que fazer quando a descrença é maior tudo, a ponto de desistirmos da luta pela preservação dos ideais.

DIREÇÃO: Rachid Bouchareb ROTEIRO: Rachid Bouchareb, Zoé Galeron e Olivier Lorelle ELENCO: Brenda Blethyn, Sotigui Kouyaté, Francis Magee, Sami Bouajila, Roschdy Zem, Marc Baylis | 2009 (97 min)

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COMER, REZAR, AMAR – Eat, Pray, Love
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Divertir, Estados Unidos - 29/09/2010

DIREÇÃO: Ryan Murphy

ROTEIRO: Ryan Murphy e Elizabeth Gilbert (livro)

ELENCO: Julia Roberts, Javier Bardem, Richard Jenkins, Viola Davis, James Franco

Estados Unidos, 2010 (133 min)

Comer, Rezar, Amar já tem, logo de cara, duas vantagens: a primeira é o fato de ser uma adaptação do best seller homônimo da escritora Elizabeth Gilbert, há 127 semanas na lista dos mais vendidos no Brasil. Embora adaptar uma obra seja sempre uma missão difícil, eu diria que o filme é a cara do livro. A segunda, e mais importante, é que conta com Julia Roberts como protagonista. É um chamariz por si só. A atriz se encaixa bem no papel e transmite a sensação de estarmos assistindo a uma comédia de costumes, que tem romance, pinceladas de humor e mensagens de auto-ajuda que facilmente criam empatia com o espectador. Nada muito profundo. São clichês, é verdade, mas quem se importa se a ideia é realmente se divertir?

A autora, Elizabeth Gilbert, é uma escritora descontente com o casamento, que resolve jogar tudo para o alto, tirar um ano sabático e escrever um livro contanto sua experiência nesse período. Do livro, nasce este filme. Quando abandona marido, casa, sociedade e estabilidade, segue em busca do autoconhecimento, dividindo sua temporada em três etapas: Itália, onde descobre o prazer da comida; Índia, onde aprende a meditar e espiritualizar-se; e Indonésia, onde volta a se apaixonar. Fora a caricatura do italiano galanteador e da mama controladora, o que mais chama a atenção para nós, brasileiros, é o ator espanhol Javier Bardem (ótimo em Mar Adentro e Vicky Cristina Barcelona) falando o mais puro ‘portunhol’ no papel de Felipe, um brasileiro que Liz conhece em Bali. O filme podia tranquilamente passar sem isso, ainda mais em se tratando de Bardem, sempre tão carismático e conquistador.

Mas assim como o livro, o filme tende a conquistar mais as mulheres. É um contexto romântico, afinal de contas. Além disso, muitas se deparam com questionamentos parecidos com os de Liz, identificam-se com a busca por essa vivência fora do ambiente habitual, com os entraves e decisões inerentes ao fato de ser mulher, com as dualidades por que passa a mulher moderna que quer liberdade de ir e vir, mas que sonha também com um bom e duradouro romance. Se ele acontecer nas praias de Bali, tanto melhor.

Estreia dia 1º de outubro nos cinemas.

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DO COMEÇO AO FIM
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Brasil - 29/09/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Aluizio Abranches

ELENCO: Fábio Assunção, Júlia Lemmertz, Gabriel Kaufmann, Jean Pierre Noher, Mausi Martínez, Louse Cardoso, Lucas Cotrim, Rafael Cardoso, João Gabriel Vasconcellos

Brasil, 2009 (90 min)

Do Começo ao Fim ficou pouco tempo nos cinemas. Uma pessoa foi assisir e me contou que várias espectadores começaram a se levantar a uma certa altura do filme – imagino que na segunda metade. Um pouco como aconteceu com O Segredo de Brokeback Mountain, quando a temática do homossexualismo incomodou muita gente por tratar do assunto de uma maneira aberta e sem rodeios.

A primeira metade do filme são só insinuações, mas acho que vai relativamente bem. A produção é bonita, a luz favorece e Thomás e Francisco são apenas crianças. Irmãos por parte de mãe, são criados juntos e desde cedo já cuidam um do outro com um olhar diferenciado, cuidadoso, sugerindo que há algo a mais do que o amor fraternal. A própria postura dos pais indica isso também. Na segunda parte, eles crescem e se tornam independentes para assumir suas vidas. Nesse ponto é que o filme escancara a relação entre entre os dois irmãos.

Falta naturalidade na maneira de lidar com a questão – a atuação soa forçada e a relação imposta ao espectador. Talvez por isso cause estranheza e incomode. Não é nem de longe a mesma impressão que se tem ao assistir Milk – A Voz da Igualdade ou Direito de Amar – filmes que têm também protagonistas homossexuais. É essa a referência que tenho para o tratamento natural do tema. Em Do Começo ao Fim, não há outra questão ao redor. O homossexualismo é a grande temática e parece vir daí a dificuldade de lidar com a questão de uma maneira mais equilibrada. Talvez se houvesse alguma outra história paralela o filme tivesse mais naturalidade.

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NANNY MCPHEE – A BABÁ ENCANTADA – Nanny McPhee
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Inglaterra - 28/09/2010

DIREÇÃO: Kirk Jones

ROTEIRO: Emma Thompson, baseado nos livros de Christianna Brand

ELENCO: Emma Thompson, Colin Firth, Kelly Macdonald , Celia Imrie , Derek Jacobi

Inglaterra, 2005 (97 min)

Quem conhece a história dos clássicos Mary Poppins e A Noviça Rebelde, já conhece também o enredo de Nanny McPhee. A mãe de sete crianças morre prematuramente e deixa seu marido (Colin Firth, também em Direito de Amar) tomando conta dos filhos. Ele, por sua vez, vive correndo atrás de uma babá que consiga controlá-los. Tarefa árdua, já que as crianças só aprontam.

Neste filme, Nanny McPhee é Emma Thompson (também em Educação, Em Nome do Pai, Tinha que Ser Você), uma babá com cara, verrugas e nariz de bruxa. Ela diz que uma boa babá é aquela que “fica quando as crianças precisam, mas não a querem, e que vai embora quando as crianças querem que ela fique, mas já não precisam dela”. Assim é. Aos poucos, com suas mágicas e lições, a babá vai colocando ordem na casa tanto física quanto emocionalmente, de uma maneira divertida.

O filme é previsível, mas agrada. Tem aquelas travessuras infantis, mas deixa também algumas mensagens interessantes para as crianças, como pedir desculpas e dormir na hora certa. Para ver em família, sem dúvida. Inclusive, uma boa pedida antes de ver com eles Nanny McPhee e as Lições Mágicas, em cartaz nos cinemas.

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DIREITO DE AMAR – A Single Man
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos - 23/09/2010

DIREÇÃO: Tom Ford

ROTEIRO: Tom Ford, Christopher Isherwood, David Scearce

ELENCO: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode, Jon Kortajarena, Paulette Lamori, Ryan Simpkins, Ginnifer Goodwin

Estados Unidos, 2009 (101 min)

Antes de qualquer coisa, vamos ao ponto principal do filme: a moda, a elegância e o foco no detalhe. Portanto, se a ideia for assistir a Direito de Amar, não se prenda à melancolia do personagem de Colin Firth (que, aliás, está impecável). Ela é parte do todo, é verdade. Mas o todo não se faria desta maneira sem o cuidado estético, sem o olhar criterioso e extremamente chique do renomado estilista Tom Ford. Vale dizer que esta é a sua estreia como diretor de cinema.

Responsável, entre tantas outras coisas, pela revitalização da marca Gucci, o famoso estilista dá ao detalhe a mesma importância que dá para o conjunto; dá o mesmo valor ao sonho e à realidade. Ao aproximar a câmera dos olhares dos personagens, sentimos de perto aquilo que por que eles estão passando. Em poucas palavras, Colin Firth é um professor universitário que não se conforma com a morte do companheiro, com quem viveu por 16 anos. Isso em 1962, quando a barreira da preferência sexual ainda era algo praticamente intransponível na sociedade (acho, inclusive, que o tema da homossexualidade é tratado com delicadeza, sem a intenção de chocar). Tudo que ele tem é a amiga (Julianne Moore) que o ampara, mas que também vive olhando para o passado e queixando-se do presente.

Mas não deixe que esse seja um empecilho. Talvez o indicado seja não assistir a Direito de Amar em um dia de cansaço ou desânimo. O diretor tem uma preocupação intensa com a forma, com a luz, com as aproximações, com a composição sensível do conjunto. Mas também com o conteúdo. Deixa claro que a angústia do passado não deixa o professor viver o presente ou vislumbrar o futuro. Deixa claro que sempre há uma escolha de como viver o momento presente. Até que ela escape pelos dedos, sem nos darmos conta.

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WALL STREET – O DINHEIRO NUNCA DORME – Wall Street – Money Never Sleeps
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 22/09/2010

DIREÇÃO: Oliver Stone

ROTEIRO: Allan Loeb, Stephen Schiff

ELENCO: Michael Douglas, Shia Labeouf, Frank Langella, Carey Mulligan, Josh Brolin, Susan Sarandon, Eli Wallach

Estados Unidos, 2010 (127 min)

 

“Não se trata só do dinheiro. Estamos falando é do jogo pelo dinheiro.” Gordon Gekko, personagem de Michael Douglas

O personagem de Michael Douglas, Gordon Gekko, deu festas, esbanjou dinheiro, especulou, fraudou títulos financeiros, extorquiu e foi preso. Isso aconteceu no filme Wall Street – Poder e Cobiça, de 1987. Agora em Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme, Gekko é solto depois de cumprir pena e está pronto para voltar à luta.

Paralelamente a isso, corre a vida de Jake Moore (Shia Labeouf, também em Nova York, Eu Te Amo), que é jovem, inteligente e ganancioso – o perfil ideal de quem trabalha em um banco de investimentos de Wall Street. Ele é contratado para fazer apostas certeiras em mercados altamente rentáveis e não tem tempo a perder. Apadrinhado pelo dono do banco Louis Zabel (Frank Langella), faz fortuna e namora a blogueira graciosa e politicamente correta Winnie (Carey Mulligan, também em Educação), coincidentemente filha de Gekko.

Está armada a trama financeira do velho Gekko como o jovem Jake, temperada pela emoção graças à presença de Winnie, que já não se relaciona com o pai. O que se segue são encontros e desencontros pelas vielas do dinheiro e do poder. Especulações e altos lucros, boatos e derrocadas andam juntos nesse jogo financeiro que rege o mundo como o conhecemos hoje. Os personagens foram inspirados em figuras reais do mercado e as relações humanas são decididas nas salas de reunião dos poderosos de acordo só com o jogo de interesse. O mais interessante de tudo isso – além do ritmo acelerado, elegante e frenético da fotografia de Nova York e da ótima atuação do elenco – é que o grande momento do filme é justamente a crise financeira mundial de 2008, ainda bastante fresca na memória de todos nós. Dá tranquilamente para transportar a tensão, a quebradeira, a intervenção do banco central americano, o efeito dominó mostrado no filme para a realidade que vivemos há exatos dois anos. Quem não se lembra das bolhas estourando, uma após a outra, do desespero dos mercados no mundo todo, da sensação de estarmos dentro de um castelo de areia?

Aliás, Oliver Stone retrata essa sensação na bonita imagem da bolha de sabão. Usa essa figura para mostrar a fragilidade das informações, a facilidade da construção de uma realidade manipulada e a sua vulnerabilidade. Assim também são as relações humanas do filme: frágeis como bolhas de sabão, não são lá muito duradouras.

Estreia sexta-feira no cinema , dia 24 de setembro.

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KARATÊ KID – The Karate Kid
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Estados Unidos - 21/09/2010

DIREÇÃO: Harald Zwart

ROTEIRO: Christopher Murphey

ELENCO: Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Han Wenwen, Rongguang Yu, Zhensu Wu, Zhiheng Wang, Zhenwei Wang

Estados Unidos, 2010 (140 min)

Exceto pelo fato de o protagonista Dre Parker não lutar karatê, mas sim kung fu, a releitura do sucesso de 1984 é um bom programa para ver em família. Como em geral não conseguimos diferenciar cada uma das artes marciais, esse pequeno detalhe não chama a atenção – embora seja falado várias vezes no filme pelo aprendiz e seu mestre, Sr. Han. O novo Karatê Kid presta homenagem ao original em vários momentos, mas como qualquer adaptação, gera comparações e saudosismo. Mas achei divertido, foi aprovado pelo público infanto-juvenil e tem, afinal de contas, aquela mensagem importante de ‘sempre dar o melhor de si’.

Desta vez o garoto é representado por Jaden Smith e seu mestre por Jackie Chan. Desta vez o menino cruza o oceano com a mãe e vai parar na China, onde enfrenta as dificuldades que qualquer adolescente enfrentaria num país diferente na adaptação escolar, no idioma, nas amizades e inimizades. Ainda mais na China.

Embora seja a China turística e maquiada, o filme mostra alguns costumes, a Muralha da China, a Cidade Proibida, a rigidez da educação, a dificuldade da língua, a tradição das lutas marciais. Universal é o bulying da não-aceitação, a amizade, a língua internacional dos celulares, dos sinais e da amizade. É um programa gostoso com as crianças. Agora, se o saudosismo foi muito, por que não rever o Karatê Kid dos anos 80 e fazer um paralelo com os dois olhares? Concordo que Pat Morita é melhor como mestre e que ele realmente pega a mosca com os palitinhos. Mas fica a dica para um bom começo de conversa, para uma saudável comparação das duas visões e para uma releitura, agora em família.

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EM BUSCA DA VIDA – Sanxia Haoren
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Drama, China - 19/09/2010

A Hidrelétrica de Três Gargantas é a maior do mundo, no rio Yang-Tsé, o maior da China. A obra durou 12 anos e tem a função de prevenir enchentes,  fornecer energia e facilitar o transporte fluvial de pessoas e mercadorias. Portanto, está intimamente ligada com o desenvolvimento social e econômico chinês. É tão emblemático quanto majestoso – um divisor de águas entre a China agrícola e rural e a industrial e global.

Em Busa da Vida mostra essa faceta interessante do que resta dos vilarejos alagados com a formação da represa, o que resta das famílias, o que resta das profissões. Quem antes vivia nas aldeias às margens do rio Yang-Tsé, plantava e vivia a cultura chinesa da área rural; com a instalação da usina, cria-se um exército de demolidores – trabalhadores contratados para demolir o que vai sumir debaixo das águas quando o nível do rio subir.

Parece ficção para construir a realidade dessa região. Mas a desconstrução dos vilarejos para a construção de uma obra dessa magnitude mostra a descontrução de muitas famílias e de muitas vidas. Um dos protagonistas do filme vai atrás da filha, que já não mora na aldeia alagada há anos; a outra, vai à procura do marido, que saiu e nunca mais voltou. E uma procura pela identidade das pessoas nessa nova sociedade que nasce sem pedir passagem. Salve-se quem puder.

 

DIREÇÃO: Zhangke Jia ROTEIRO: Zhangke Jia, Guan Na, Jiamin Sun ELENCO: Han Sanming, Zhao Tao, Li Zhubin, Wang Wei Hong |  2006 (107 min)

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HAHAHA (Indie Festival)
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Coreia do Sul - 17/09/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hong Sangsoo

ELENCO: Sangkyung Kim, Sori Moon, Junsang Yu

Coréia do Sul, 2010 (116 min)

Hahaha, do diretor sul-coreano Hong Sangsoo, venceu em Cannes na categoria Um Certo Olhar em 2010 – aquela que também selecionou Mother e premiou Pecado da Carne e A Banda. Como cada um desses filmes, Hahaha é uma visão bastante particular, e parece até caseira, das relações amorosas e das tradições de um país. Tudo parece confuso e anárquico – essa é inclusive uma característica recorrente no diretor – o que compõe, propositalmente, o tom de comédia.

Incluído na programação do Indie Festival 2010, a história é bastante simples, assim como a produção. Dois amigos se encontram na mesa de um bar e descobrem que estiveram no mesmo balneário, na mesma época. E que suas histórias se cruzam, que conheceram as mesmas pessoas, mas não se encontraram nenhuma vez. O presente, é o brinde preto e branco; o passado, são as histórias coloridas daquilo que aconteceu com cada um deles naqueles dias.

O formato é bem diferente; o idioma, mais ainda, que é rígido e não tem a musicalidade de que estamos habituados. Causa estranheza e não é para menos. Mas, da maneira coreana, fala das relações humanas, seus encontros e desencontros, amores e decepções. Ao contrário do japonês Cura, o formato de Hahaha chama mais atenção do que o seu conteúdo. Mas mesmo assim tem humor e um pouco do patético das difíceis relações humanas.

Confira a programação no site www.indiefestival.com.br.

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CURA – Kyua (Indie Festival)
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Japão - 17/09/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Kiyoshi Kurosawa

ELENCO: Koji Yakusho, Tsuyoshi Ujiki, Anna Nakagawa, Masato Hagiwara

Japão, 1997 (115 min)

Cura abriu o Indie Festival 2010. Em uma breve explanação de abertura, a curadoria revelou que a garimpagem da obra de Kiyoshi Kurosawa trouxe gratas surpresas, entre elas o fato de seu olhar mostrar um Japão bastante diferente daquele pragmático, organizado e previsível de que temos notícia. De fato, Cura é o oposto disso. É uma amostra de uma sociedade confusa, sem memória ou identidade, procurando espaço para seus desejos e anseios na rigidez tradicional do sistema. É um enfoque interessante, sem dúvida.

De maneira prática, este filme de Kurosawa é um suspense incrível, que transcende a lógica e a normalidade do acontecimento das coisas. Não que um assassinato tenha lógica, mas presume-se que a pessoa assassinada seja morta pelo assassino. Aqui não – ela é morta por alguém absolutamente idôneo, comandado por forças que a lógica não explica. O detetive feito por Koji Yakusho (também em Babel) investiga os crimes. Através do rapaz que sofre de amnésia, são levantados os mais íntimos e secretos desejos humanos – ‘devidamente’ distorcidos, se é que é possível dizer isso – para que venham à tona os anseios mais secretos, indesejáveis e inaceitáveis do ser humano.

Cada um sente à sua maneira, é verdade. Fato é que o filme é acompanhado com muita atenção e muita tensão, pelo crescente do suspense e do controle da mente humana. Tudo isso veio depois, pensando friamente sobre o filme. Mas no calor dos acontecimentos, o que se tem é uma trama muito bem montada, um surrealismo que prende a atenção e faz pensar no limite da mente humana, no controle que imprimimos em nossa própria vida. Ou no descontrole – seria mais apropriado.

Confira a programação no site: www.indiefestival.com.br.

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