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agosto, 2010

UM DOCE OLHAR – Bal
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Para Pensar - 30/08/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Semih Kaplanoglu

ELENCO: Erdal Besikçioglu, Tülin Özen, Alev Uçarer, Bora Alta

Turquia, Alemanha , 2010 (103 min)

Bal significa “mel” em turco. Isso porque a história gira em torno de uma família cujo pai é apicultor. Vivem nas montanhas da Turquia e tão movimentada quanto a floresta que circunda a casa e a escola, é a vida familiar do casal e do filho. Digo isso logo de cara porque o foco de Um Doce Olhar é a observação e o olhar dos personagens.

É o pequeno Yussuf (Bora Alta) que dá o ritmo do filme e o tom de observação, que cabe também a nós, espectadores. Yussuf vai à escola, volta para casa, acompanha o pai na busca pelas abelhas e por seu mel. Seu olhar é doce sim, mas muitas vezes incompreendido e solitário. Típico ambiente longínquo de montanha, que segue o ritmo do barulho da chuva e do vento. Um filme sobre as relações humanas, sobre as dificuldades de lidar com o outro, sobre a admiração, a dor da ausência, as descobertas do mundo, mas também sobre a percepção do ambiente ao redor.

Por isso Um doce olhar é tão lento, mas é bonito e sauve. As cenas parecem acontecer em tempo real.  É preciso ter paciência e gostar dessa apreciação ao ritmo da natureza. Os diálogos são raros e muitas vezes sussurrados, portanto essencialmente contemplativo e enxuto. Essencialmente “para pensar”.

Vencedor do Urso de Ouro em Berlim em 2010, o filme é o terceiro da trilogia Yumurta (Ovo), de 2007, e Sut, (Leite), de 2008, em que o personagem já ganha outra dimensão como adulto e adolescente, respectivamente.

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DE TANTO BATER, MEU CORAÇÃO PAROU – De battre mon coeur s’est arrêté
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França - 27/08/2010

DIREÇÃO: Jacques Audiard 

ROTEIRO: Jacques Audiard e Tonino Belacquista

ELENCO: Romain Duris, Neils Arestrup, Jonathan Zaccai, Gilles Cohen, Linh Dan Pham, Aure Atika (também em Mademoiselle Chambon), Emmanuelle Devos, Anton Yakovlev, Mélanie Laurent, Agnès Aubé

França, 2005 (108 min)

Jacques Audiard é também diretor do premiado O Profeta. Foi por isso que cheguei nesse filme intenso e contraditório. Filme forte, para uma hora em que esteja preparado para lidar com a violência de mãos dadas com a ganância, com a desestrutura familiar e a traição, com a solidão e a falta de ética, mas também com a música, que entra traçando um forte contraste entre tudo mais que exige ausência de sensibilidade.

O protagonista Tom (Romain Duris) é um sujeito que segue a carreira trambiqueira do pai (Neils Arestrup, também em O Profeta) no ramo dos imóveis, se cerca de amigos traiçoeiros, mas tem, sem dúvida, uma sensível percepção das coisas. Vê-se pelo seu sorriso tímido e pelas mãos. É como se a vida o tivesse cercado de uma série de armadilhas e ele não tivesse tido força – nem vontade ou incentivo – para dizer não e seguir seu coração. E o coração está na música, na herança da mãe pianista, na fase em que a viu tocar e em que desenvolveu o mesmo talento. É um personagem encurralado, que passa a sensação do coração que bate acelerado, que está metido em encrenca. Jacques Audiard segue essa mesma cadência rápida, entrecortada, nebulosa, escura.

A música é o ápice da história. Não dá para imaginar como ela entra nessa confusão que é a vida de Tom, mas encontra seu espaço tanto no filme, quanto na vivência desse seu lado sensível. Tom tem que escolher que caminho vai seguir, que visão de mundo vai guiar sua vida. Apesar de ser tudo muito intenso e extremo, parece uma metáfora de situações mais banais, de dualidades permanentes que não se misturam. De novo a música – tempera com suavidade e aguça outros sentidos.

 

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5 X FAVELA – AGORA POR NÓS MESMOS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, Brasil - 25/08/2010

DIREÇÃO: Manaíra Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral,

Luciano Vidigal, Cadu Barcellos e Luciana Bezerra.

PRODUTORES: Carlos Diegues e Renata Almeida Magalhães

Brasil, 2010 (96 min)

Cinco jovens cineastas de classe média filmaram a favela em 1961, projeto também chamado 5 X Favela. Entre eles estava Cacá Diegues. Agora, Diegues volta como idealizador do projeto, capacita jovens moradores das favelas do Rio de Janeiro, coloca-os em contato com profissionais do gabarito de Fernando Meirelles, Walter e João Moreira Salles, Daniel Filho e produz, junto Renata Almeida Magalhães, 5 X Favela – Agora por nós mesmos. Foram 84 jovens selecionados, de 603 que se inscreveram, para participar da produção e roteirização dos cinco episódios. O ponto de vista, agora, é de quem mora lá, de quem vivencia a realidade da favela. Que fique bem claro que o filme não é sinônimo de violência. Afinal, a favela é uma pequena grande cidade que tem vida própria e, portanto, muita história da vida cotidiana para contar. E essa é a grande riqueza do filme.

Os cinco episódios falam de questões de natureza humana, de convívio entre as pessoas. Passa pela história do garoto que sonha em dar um frango de aniversário para o pai, por que há tempos não se como carne em casa, até o episódio do moço da companhia elétrica que precisa consertar a luz de uma parte do morro na noite de Natal e acaba se integrando com a comunidade; fala da amizade entre adolescentes que moram em partes rivais da favela, conta a passagem da violinista que envolve sua música e sua família num amor bandido; fala do sonho em estudar, da dificuldade de concluir a faculdade e da tentação do dinheiro fácil.

5X Favela – Agora por nós mesmos tem sensibilidade, graça e realidade. Grande vencedor do Festival de Paulínia, exibido em Gramado e também em Cannes para o circuito internacional, tem um pouco da alma da criança, da esperança e possibilidade do jovem, do amor adolescente, do espírito fraterno, da ingenuidade infantil, da maldade inerente ao ser humano, mas não inerente à favela. É essa a relação que o filme quer mostrar.

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ANTES QUE O MUNDO ACABE
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 21/08/2010

DIREÇÃO: Ana Luiza Azevedo

ROTEIRO: Paulo Halm, Ana Luiza Azevedo, Jorge Furtado, Giba Assis Brasil

ELENCO: Pedro Tergolina, Eduardo Cardoso, Bianca Menti, Caroline Guedes, Janaína Kremer, Eduardo Moreira, Murilo Grossi

Brasil, 2009 (97 min)

“- Queria saber quanto tempo é um tempo?

– Um tempo é um tempo.

– Vou contar até cem.

– Então conta até mil.”

Diálogos entre namorados, dando um tempo…

Saí do cinema e atrás de mim havia três adolescentes. Uma delas comentou que este filme não se compara à As Melhores Coisas do Mundo. O adulto que as acompanhava disse que concordava, que os filmes eram bem diferentes, mas que um agregava valor ao outro.

Gostei do comentário e concordo que o filme de Laís Bodanzky é bem melhor. Acho também que um agrega valor e experiência ao outro, considerando as abordagens da fase adolescente, das dúvidas, descobertas, namoros, amizades, acertos e erros. Acho que são diferentes quanto à forma, mas não conteúdo. Ambos lidam com o questionamento e contestação da figura dos pais (seja a inclinação sexual, no primeiro, seja a ausência paterna, neste), mas sempre têm a família como alicerce; lidam com a figura do melhor amigo e, ao mesmo tempo, com a dificuldade de aceitação no grupo; com o sentimento de “estar apaixonado” ou “estar confuso”, com as sensações  contraditórias e com os acessos de fúria.

É mais uma leitura do mundo adolescente, de forma sensível e humana, só que desta vez mais simplória. Até pela atmosfera interiorada e campestre, pela dualidade “garotos bobos do interior” e “vontade de ir para Nova York  ou pelo menos morar em Porto Alegre”; até pela narração criativa da irmã caçula, e pelo mundo exterior mostrado pelas fotos enviadas da Tailândia. Tem essa atmosfera simples sem ser banal nem clichê. É um panorama real dos muitos pontos de tensão por que passa o adolescente (vale conferir outro filme brasileiro que também trata do tema, À Deriva). É realista, tem graça, bons atores e um desejo claro de retratar uma fase, e não de dar lição de moral.

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MEU MALVADO FAVORITO – Despicable Me
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Estados Unidos - 21/08/2010

DIREÇÃO: Pierre Coffin, Chris Renaud

ROTEIRO: Ken Daurio, Cinco Paul

ELENCO: Steve Carell, Jason Segel, Russell Brand, Kristen Wiig, Julie Andrews, Will Arnett, Danny McBride, Jemaine Clement, Miranda Cosgrove, Jack McBrayer, Mindy Kaling, Ken Jeong

Estados Unidos, 2010 (95 min)

Há animações realmente brilhantes. Meu Malvado Favorito entra em outra categoria. Talvez seja uma leitura adulta – mesmo porque as crianças adoram o filme – mas comparando com Toy Story 3 e Up – Altas Aventuras (só para citar os mais recentes), saí do filme com a sensação de que foi tudo bem, tudo dentro dos conformes. Nada que tivesse me impressionado.

O vilão Gru é realmente malvado, com cara, casa, hábitos e hobbys “do mal”. Mas tem que lidar com a dura realidade da concorrência: malvados mais jovens, mais criativos e mais eficientes do que ele, além de ter que encarar a crise financeira, pedir dinheiro no banco e apelar para a ajuda de três garotas para executar seu plano de roubar a Lua. 

A história segue, há tiradas engraçadas, vem à tona seu trauma de infância de ser rejeitado pela mãe e o vilão descobre outra faceta e habilidades que não sabia possuir. Sem grandes novidades, mas gostoso de assistir.

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A JANELA DA FRENTE – La Finestra di Fronte
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Emocionar, Itália - 21/08/2010

DIREÇÃO: Ferzan Ozpetek

ROTEIRO: Ferzan Ozpetek e Gianni Romoli

ELENCO: Giovanna Mezzogiorno, Massimo Girotti, Raoul Bova, Filippo Nigro, Serra Yilmaz

Itália, 2003 (106 min)

“Não se contente em sobreviver.”

Com essa frase um senhor misterioso começa a mudar a vida de um casal que entrou no estágio de acomodação e irritação do casamento. Mas essa união tem dois filhos, problemas financeiros e principalmente nenhuma realização pessoal que tivesse o poder de mudar a dinâmica da vida a dois.

Quando aparece esse senhor, acho interessante o fato de ele ter perdido a memória. Pouco importa quem ele é, fato é que me pareceu um sinal, um alerta, que poderia ser personificado de outras maneiras. Quando ele entra nessa vida que já não tem a harmonia de antes, a bela Giovanna (Giovanna Mezzogiorno, também em Vincere) já começa a se interessar pelo homem da janela da frente (Raoul Bova), pelo menos com curiosidade e a sensação de que a grama do vizinho seria mais verde. Sua vida fazendo o que não gosta vai tirando o brilho de uma relação que acontece quase que por obrigação.

Gosto da sutileza deste filme, da sutileza com que os diálogos são colocados para pontuar a necessidade mudança, de mudança consistente, de busca pela vida e não pela sobrevida. É como se tudo viesse da voz da experiência, de uma voz sem rosto, sem memória, mas com a certeza do que diz. Da voz que diz ser bonito um amor crescer e ter o poder de transformar paixão em amor. Como um sinal. Percebê-lo é a parte mais difícil.  

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COCO CHANEL & IGOR STRAVINSKY
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França - 18/08/2010

DIREÇÃO: Jan Kounen

ROTEIRO: Chris Greenhalgh (livro), Carlo De Boutiny, Jan Kounen

ELENCO: Anna Mouglalis, Mads Mikkelsen, Yelena Morozova, Radivoje Bukvic, Anatole Taubman

França, 2009 (120 min)

Parece que virou moda falar de Coco Chanel. Depois de Coco antes de Chanel, que o nome já denuncia tratar-se da vida da estilista antes de ela ficar famosa, Coco Chanel & Igor Stravinsky mostra Gabrielle já rica e conhecida, tendo como pano de fundo o romance com o compositor, maestro e pianista russo, Stravinsky, que fugira do seu país com a família após a revolução de 1917.

Independente de ser moda falar de Chanel, o filme, selecionado para o encerramento do Festival de Cannes, esbanja figurinos inovadores para a época e logicamente eternos, considerando a sua atualidade e elegância ainda nos dias de hoje. Inclusive quem faz o papel da estilista é a bela modelo e atriz francesa Anna Mouglalis, uma espécie de embaixadora da casa Chanel. Boa escolha, afinal o que ela mais transparece no filme é elegância, confiança e postura de mulher que sabe aonde quer chegar. É inclusive nessa época que ela cria, com a exigência digna de alguém que vive quebrando paradigmas, o perfume Chanel nº5 – ainda o mais vendido no mundo.

Não diria o mesmo da sua vida afetiva. O romance com Stravinsky (Mads Mikkelsen, também em Depois do Casamento) é instável e perturbador, reforçado pelo estilo rígido e pouco afável de Mads Mikkelsen – o que gera alguns momentos lentos e monótonos no filme. Quem cativa é realmente Chanel e todo seu senso de estética impecável (no vestuário, na decoração da casa, no andar, no falar), sua frieza e objetividade no campo sentimental e sua profunda solidão. No fim das contas, ambos estão em uma fase altamente produtiva de suas profissões: ela revoluciona a moda, ele a música clássica. Mas a sintonia no amor, com a bela música russa de fundo, não parece ser tão glamurosa assim.

Estreia nos cinema dia 20 de agosto

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DESTINOS LIGADOS – Mother and Child
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos, Drama - 11/08/2010

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Rorigo Garcia

ELENCO: Naomi Watts, Annette Bening, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, S. Epatha Merkerson, Cherry Jones, Shareeka Epps.

Estados Unidos, 2010 (125 min)

Há alguns temas que exigem um cuidado extra para não cair no dramalhão. Adoção é um deles. Por isso a importância de algo diferente não só na direção, como também no roteiro. Talvez tenha sido essa referência das histórias interligadas a origem do título em português. Não gosto, acho clichê, mas transmite exatamente o que o filme é na prática: são três histórias diferentes, cujas protagonistas têm seus destinos ligados pela adoção. Prefiro o original Mother and Child, que transmite o que o filme é na sua essência: uma lição sobre a força da maternidade e, portanto, sobre o laço familiar, em contrapartida à solidão que a sua falta pode causar.

São três fios condutores que, de alguma maneira, terão alguma relação no decorrer da história – embora isso demore um pouco para ser delineado, o que prende a atenção e torna o filme interessante. São eles: uma adolescente tem um filho aos 14 anos, coloca-o para adoção e vive uma vida amarga, arrependida, de uma relação com a maternidade frustrada e vazia. Vida vazia também vive a jovem e competente advogada, que prefere não estabelecer vínculos afetivos, talvez por nunca tê-los vivido. Há ainda uma terceira mulher, casada, que deseja ser mãe, mas não pode ter filhos. Opta pela adoção, que mexe com a estrutura familiar de uma maneira irreparável.

Com sensibilidade, o diretor tece uma rede de relações humanas, lideradas por mulheres que têm, nas relações originadas pela maternidade, o seu norte. As relações truncadas dentro de cada uma delas conduzem a um desfecho bonito sobre um tema tão delicado.

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IRMÃOS – Son Frère
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França - 11/08/2010

DIREÇÃO: Patrice Chéreau

ROTEIRO: Patrice Chéreau, Anne-Louise Trividic e Philippe Besson

ELENCO: Bruno Todeschini, Eric Caravaca, Nathalie Boutefeu

França, 2003 (95 min)

Por mais que sejam criados juntos e de forma semelhante, as escolhas da vida tratam de separar irmãos e famílias, quase que sutilmente. O passar do tempo é que sinaliza que as vidas já não têm nada em comum e caminham paralelamente, sem qualquer ponto de intersecção. Em Irmãos, a vida separa, e o fantasma da morte une novamente, num movimento doloroso de recordações, revisões, equívocos e mágoas. Sentimentos guardados por anos, a espera sabe lá de que.

Só o anúncio de uma doença que destrói suas plaquetas faz com que Thomas (Bruno Todeschini) procure seu irmão mais moço, de quem estava afastado há tempos, tanto física quanto emocionalmente. O que se segue é uma relação bastante realista – e por isso às vezes muito dura – em que o contato entre os dois traz à tona questões passadas, desentendimentos, diferenças. Mas traz também o sentimento fraterno do cuidado, da atenção, do vínculo familiar que acaba se sobrepondo a todas essas dificuldades.

Irmãos é forte, às vezes um pouco sombrio, com cenas filmadas de uma forma muito real da doença, do trato com médicos e enfermeiros, da relação de inconformidade com os pais. Não é um filme para qualquer hora. É intenso e do lado de cá dá para sentir o peso de lidar com o outro que pouco se conhece, formando com ele um trio com a morte. Ela que termina por mudar a vida de todos ao redor.

 

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A FELICIDADE NÃO SE COMPRA – It’s a Wonderful Life
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Rever, Estados Unidos, Drama - 08/08/2010

Para quem gosta de filme antigo e em branco e preto, passo adiante a recomendação que recebi. A Felicidade Não Se Compra fala de um tema atual, de uma forma singela e aparentemente antiga. Digo aparentemente porque é lógico que Frank Capra não tinha recursos tecnológicos para incrementar o filme. E digo mais: não faz falta alguma. A riqueza da produção está justamente nessa simplicidade e na maneira de mostrar que a felicidade realmente não pode ser comprada e que é preciso saber enxergá-la.

Numa noite de Natal, George Bailey (James Stewart) se desespera. Sua mulher Mary (Donna Reed) e seus filhos pedem ajuda aos céus como último recurso. É assim que o filme começa: todos rezando por George e os anjos, José e Deus confabulando o que fazer para ajudá-lo. Pode parecer infantil, mas não é. George é um sujeito idealista e batalhador, que precisa de um chacoalhão para perceber que a grama do vizinho não é mais verde (embora pareça) e que sua grande riqueza está bem ao seu alcance e vale muito mais do que o dinheiro. Para sabermos o que lhe causa desespero, Capra volta no passado. É o anjo que vai tratar de colocar ordem na casa.

O filme é um clássico emocionante. Frank Capra mostra otimismo diante da dificuldade americana da época. Mas acho que a grande magia do filme está em transportar A Felicidade Não Se Compra para qualquer lugar, em qualquer tempo e fazer o espectador imaginar o que o anjo propõe: o que seria da vida das pessoas ao seu redor se você não existisse?

DIREÇÃO: Frank Capra ROTEIRO: Frances Goodric, Albert Hackett ELENCO: James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell, Henry Travers | 1946 (130 min)

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Em cartaz no CLÁSSICOS CINEMARK (veja a programação no link do festival).

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