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julho, 2010

TUDO SOBRE MINHA MÃE – Todo Sobre Mi Madre
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Espanha, Drama - 30/07/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Pedro Almodóvar

ELENCO: Cecilia Roth, Marisa Paredes , Candela Peña , Antonia San Juan , Rosa María Sardá, Penelópe Cruz

Espanha, 1999 (101 min)

Tudo Sobre Minha Mãe completa, juntamente com Volver e Fale com Ela, a trilogia de Almodóvar – o que são seus três grandes e emblemáticos filmes.

Este é o primeiro dos três, rodado em 1999. Ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e Almodóvar levou para casa o prêmio de melhor diretor em Cannes, além de tantos outros. Tem tudo o que caracteriza Almodóvar (mulheres, cor, dramas, polêmica e relações familiares intensas), com a vantagem de este ter sido o primeiro dos três. Portanto, aqui não dá para dizer que seu estilo se repete. Pelo contrário: foi com Tudo Sobre Minha Mãe que o diretor espanhol finca definitivamente seu modo de ver o mundo no panorama do cinema internacional.

Tudo Sobre Minha Mãe faz referência ao clássico Um Bonde Chamado Desejo. É no teatro que Manuela (Cecilia Roth, também em Ninho Vazio) encena essa história e todo o filme se desenrola com essa homenagem ao fundo. Ao perder o filho, que morre atropelado, Manuela tem que rever suas relações e seus propósitos e encontra, em cada uma das mulheres que cruza seu caminho (Huma, Nina, Agrado, Rosa e Rosa) uma identidade, uma razão para seguir em frente. Na realidade, esse aspecto é o que mais me encanta em Almodóvar: falar de assuntos árduos como o preconceito, a AIDS, a morte prematura, a difícil relação entre mãe e filha, a maternidade e o amor frustrado com cor, humor e sensibilidade (temas fortemente presentes também no mais recente Abraços Partidos).

Vale ver e rever. As questões tratadas são próprias de gente comum, sem vencidos ou vendecores, simplesmente dramas humanos. Ou melhor, essencialmente femininos.

 

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POLÍCIA, ADJETIVO – Politist, Adjectif
CLASSIFICAÇÃO: Romênia, Para Pensar - 29/07/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO : Corneliu Porumboiu

ELENCO: Dragos Bucur, Vlad Ivanov, George Remes, Ion Stoica, Serban Georgevici, Costi Dita, Irina Saulescu, Cosmin Selesi

Romênia, 2009 (115 min)

O que é consciência? O que é moral? O que significa a palavra polícia? Essa é a grande questão do diretor Corneliu Porumboiu (também de A Leste de Bucareste) através da seguinte história: um policial não quer dar o flagrante em um grupo de jovens que fuma haxixe. Ele alega que a lei romena será alterada em breve e ficará como a da Europa (que não prende ninguém por ser usuário da droga). Não quer ficar com a consciência pesada no futuro por ter prendido alguém injustamente, embora a lei vigente no país diga o contrário e mande prender.

Enquanto esse é o questionamento íntimo do policial, ancorado no que ele entende por “moral”, seu chefe quer provar, pelo dicionário, que seu subordinado não sabe o que diz. A polêmica entra no sentido das palavras, servindo de argumento para o exercício da profissão e para a tomada de decisão. Interessante esse aspecto da linguagem, que aqui tem o mesmo “poder de polícia” e dá significado às ações do protagonista. Entra até na seara doméstica, já que a esposa do policial é professora de romeno e o idioma é tema das conversas cotidianas, como numa interpretação de letra de música. Aqui o idioma é fortemente marcado como algo importante da identidade e cultura nacionais e o toque de humor aparece justamente quando a língua mãe é o pano de fundo das discussões.

Tive a sensação de que Polícia, Adjetivo é praticamente filmado em tempo real. A vigilância do policial é exaustiva também para nós, espectadores, porque é nele que a câmera se fixa durante longos minutos sem novidades; suas refeições são filmadas do começo ao fim; suas passagens pelo escritório são detalhadas, sem que nada especial aconteça. Claro que tudo isso é proposital, numa metáfora à monotonia do cargo, do tédio de quem depende das atitudes do outro para dar o passo seguinte. Ganhou o prêmio de melhor filme do júri na categoria Un Certain Regard, em Cannes este ano. É um olhar realmente diferenciado, do predador que observa a sua presa, com toda paciência que é preciso para o bote.  

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O PEQUENO NICOLAU – Le Petit Nicolas
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Divertir, França - 28/07/2010

DIREÇÃO: Laurent Tirard

ROTEIRO: Alain Chabat, Laurent Tirard e Grégoire Vigneron – baseado na HQ de René Goscinny (texto) e Jean-Jacques Sempé (ilustração)

ELENCO:  Máxime Godart, Valérie Lemercier, Kad Merad, Sandrine Kiberlain, François-Xavier Demaison, Michel Duchaussov, Daniel Prévost, Vincent Claude, Charles Vaillant, Victor Carles, Benjamin Averty, Germain Petit Damico

França, 2009 (91 min)

 

O filme O Pequeno Nicolau foi lançado no Brasil legendado e dublado. É de fato um filme para adultos e crianças. Na sessão em que eu estava, havia crianças que davam gargalhadas diante das caras, bocas e peripécias de Nicolau e seus amigos de nomes esquisitos. É engraçado e gracioso ao mesmo tempo. Engraçado porque nos faz rir do universo infantil desses garotos, visto sob o prisma das crianças; gracioso porque nos mostra essa realidade com a graça, inocência e pureza próprias daqueles que ainda não têm a malícia, a maldade e o preconceito do adulto.

A história se passa no final dos anos 50 na França, quando a rigidez e o formalismo da escola se refletiam na relação entre professores e alunos, na maneira formal de se vestir, nas punições e castigos. É nesse ambiente que Nicolau e seus amigos vivem a infância e as descobertas, aprontando e driblando a vigilância como qualquer outra criança. O interessante é que de fato sentimos o mundo do personagem através do ponto de vista das crianças. A espinha dorsal do filme são as preocupações, medos e alegrias de Nicolau e é através delas que conhecemos sua família, que ficamos sabendo dasfrustrações de sua mãe como dona de casa e dos problemas do pai no trabalho. O adulto é só parte do panorama infantil e isso garante tanto a leveza do filme, quanto as risadas descompromissadas.

O Pequeno Nicolau é baseado numa história em quadrinhos francesa lançada em 1959, retomada em livros em 2004 e vivida no cinema em 2009. Não faz parte do nosso repertório cultural, mas em se tratando de infância as fronteiras não são um empecilho e a história pode muito bem ser transportada para a realidade brasileira dos nossos colégios naquela mesma década. É divertido, o elenco é ótimo (a professora é a atriz Sandrine Kiberlain, também em Mademoiselle Chambon) e fica como dica para ver em família no cinema, nesses últimos dias de férias.

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NOVA YORK, EU TE AMO – New York, I Love You
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos - 28/07/2010

DIREÇÃO: Allen Hughes, Brett Ratner, Fatih Akin, Jiang Wen, Joshua Marston, Mira Nair, Natalie Portman, Randall Balsmeyer, Shekhar Kapur, Shunji Iwai, Yvan Attal

ELENCO: Bradley Cooper, Justin Bartha, Andy Garcia, Hayden Christensen, Rachel Bilson, Natalie Portman, Irrfan Khan, James Caan, Orlando Bloom, Christina Ricci, Maggie Q, Ethan Hawke, Anton Yelchin

Estados Unidos, 2009 (110 min)

 

De novo Nova York. Há tempos que espero a chegada deste filme nas locadoras. O interessante aqui, além do filme em si, é que existe um conceito por trás dele. Há algumas cidades que são um roteiro de cinema por si só, que já têm uma identidade, que contam uma história naturalmente. A ideia do produtor francês Emmanuel Benbihy é reunir vários curtas, de diferentes diretores, sobre uma só cidade. Editados, esses curtas metragens têm a função de mostrá-la sob perspectivas e olhares diferentes e formar um verdadeiro mosaico no projeto que chamou de Cities of Love.Diferente de Paris, Eu Te Amo, que tem uma marcação bem formal no início de cada um dos curtas – o que ajuda a localizar o diretor e sua criatura – a versão nova-iorquina é como Nova York. Tudo se mistura, não se sabe quem é o diretor de cada história, alguns personagens se repetem e outros quase que invadem o enredo do outro (como a aspirante a cineasta, que capta as imagens de todas as histórias) – uma miscelânea de pessoas, situações, amores e conversas. A cara de Nova York.

Algumas das histórias destoam do restante, é verdade. Mas não comprometem o todo porque a maioria é harmoniosa e trata de temas que pertencem a cada um dos habitantes da cidade. Aliás, como disse um personagem, o bom de Nova York é que cada um vem de um lugar diferente. Os temas são universais como o amor já eterno entre um casal já na terceira idade, o primeiro amor, o amor ainda batalhado dia a dia, o amor fraternal; as diferentes religiões e raças e suas peculiaridades; a cultura na forma de literatura, pintura, cinema, música, dança; o estrangeiro na forma do tão emblemático yellow cab.

Há outras cidades na lista do projeto. Terão sua alma revelada Xangai, Jerusalém e Rio de Janeiro. Segundo o produtor Emmanuel Benbihy, a escolha das cidades tem uma razão muito simples de ser: Paris é a cidade do amor; Nova York, das comédias românticas; Rio, do amor sensual; Xangai, do amor exótico; e Jerusalém, do amor espiritual. Não deixa de ser uma boa justificativa. Um retrato moderno e inteligente do amor ao redor do globo.

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SINTONIA DE AMOR – Sleepless in Seattle
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para Rever, Estados Unidos - 28/07/2010

DIREÇÃO: Nora Ephron  

ROTEIRO: Nora Ephron, Jeff Arch e David S. Ward

ELENCO: Tom Hanks, Meg Ryan, Bill Pullman, Ross Malinger, Rosie O’Donnell, Gaby Hoffmann, Victor Garber

Estados Unidos, 1993 (105 min)

Quanto subi no Empire State Building, em Nova York, lembrei-me do encontro de Annie (Meg Ryan) e Sam (Tom Hanks) em Sintonia de Amor. Ainda mais porque foi combinado pelo pequeno Jonah (Ross Malinger), filho de Hanks, que queria de qualquer jeito encontrar uma namorada para o pai que acabara de ficar viúvo.

Para a criança que conhece Nova York e já fez o passeio até o topo do Empire State, vale ver o filme. Para quem já assistiu há muitos anos, é bacana rever essa comédia romântica com Meg Ryan e Tom Hanks bem jovens e já muito bons no métier. O filme é anterior à consagração do ator em Filadélfia e Forrest Gump. Sintonia de Amor distrai, faz rir e também serve de repertório para quem já esteve lá com os filhos.

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HERENCIA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Argentina - 27/07/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO : Paula Hernández

ELENCO: Rita Cortese, Adrián Witzke, Martín Adjemián, Julieta Díaz, Héctor Anglada

Argentina, 2001 (90 min)

Uma senhora italiana, naturalizada argentina, conhece um rapaz alemão em Buenos Aires. Ambos são estrangeiros em busca de um amor perdido na capital. Ela chega na época da Segunda Guerra; ele chega seis décadas depois. O restaurante de Olinda é onde tudo acontece, onde suas heranças culturais vêm à tona. É com base nelas que começa a amizade entre os dois.

É verdade que há ótimos filmes argentinos – veja no Cine Garimpo, na busca por países. Herencia fica na categoria de uma comédia romântica, em que há algumas tentativas de fazer graça, outras de criar situações de drama. Não causa nem uma coisa, nem outra. Apenas diverte, sem causar grandes emoções. Talvez seja porque humor não combina com a figura do alemão (Adrian Witzke), ou porque Olinda (Rita Cortese) é uma personagem previsível do tipo “senhora amargurada pela vida passada, sem perspectiva para o futuro”.

Herencia é um filme simples, com a pretensão de emocionar principalmente pela história da italo-argentina Olinda, que quer voltar a ver sua terra natal. Se emociona? Não chega nisso porque é previsível. Mas agrada pelo tema, pelos estrangeiros que se encontram e se acolhem, pela sempre possível mudança de atitude perante o mundo e as pessoas.

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O LIVRO DE ELI – The Book of Eli
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos - 22/07/2010

DIREÇÃO: Allen e Albert Hughes

ROTEIRO: Gary Whitta

ELENCO: Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Evan Jones, Joe Pingue, Frances de la Tour, Michael Gambon

Estados Unidos, 2010 (118 min)

 

“Dizem que a guerra abriu um buraco no céu. Vieram os raios do sol e queimaram tudo e todos. Deu sorte quem se escondeu em lugares assim, em cavernas. Um ano depois, comecei a sair e vagar por aí. Eu não sabia o que fazer, nem como sobreviveria. Um dia, ouvi uma voz. Difícil explicar, mas parecia que vinha de dentro de mim. Ela me guiou para um lugar onde achei o livro. A voz me mandou levar o livro para oeste, disse que eu encontraria o caminho, que eu estava protegido contra qualquer um. Sei que nunca teria conseguido sem ajuda.”

Eli, personagem de Denzel Washington

 

Se você tivesse que imaginar como ficaria o mundo depois de uma guerra devastadora, o que sobraria? Nesta versão dos irmãos Allen e Albert Hughes, o que sobra é um ambiente árido, hostil, monocromático, sem lembrança, terra de ninguém, terra sem religião. Sobram pessoas lutando pela sobrevivência, poder e supremacia, em um lugar agora sem lei ou dono. Sobram pessoas lutando por algo valioso que as faça conquistar o mundo e começar tudo de novo. Para o personagem estilo xerife de Gary Oldman, só um livro é capaz de fazer isso. Coloca seus capangas na busca incessante por um exemplar, na certeza de que seu conteúdo dará conta de tudo.

Quem tem o livro é Eli, que na pele de Denzel Washington vaga em direção ao oceano, protegendo o exemplar sagrado da mesma maneira que se sente protegido por ele. É na segunda parte do filme que se sabe mais sobre o livro, que já foi capaz de angariar seguidores durante séculos e é fonte de ensinamentos que mudaram a história do mundo.

Impossível O Livro de Eli não ser um filme duro, tanto no trato com o espectador, através do cenário sombrio e da violência física e verbal entre os personagens, como no trato com a história do mundo em si. Por isso, por mais árido que pareça, persista – o final compensa, explica, alimenta as tantas perguntas que surgem no decorrer do filme. Cruel pensar também no fim do mundo espiritual e nas tantas guerras travadas por causa da dualidade crença e poder. Será que a guerra mencionada por Eli foi uma guerra santa que finalmente consegue destruir o mundo física e espiritualmente? Dizer mais que isso tira o fator surpresa e revela o desfecho. Portanto, quem viver, verá.

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MADEMOISELLE CHAMBON
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França - 17/07/2010

DIREÇÃO: Stéphane Brizé

ROTEIRO: Stéphane Brizé, Eric Holder (livro)

ELENCO: Vincent Lindon, Sandrine Kiberlain, Aure Atika, Jean-Marc Thibault, Arthur Le Houérou

França, 2009 (101 min)

Mademoiselle Chambon é tão delicado quanto a protagonista que cede seu nome ao filme; é tão simples quanto a pequena cidade francesa que serve de cenário para a história; é tão intimista quanto o dilema que vivem Véronique Chambon (Sandrine Kiberlain) e Jean (Vincent Lindon, também em Bem-Vindo e Tudo por Ela); e tão discreto como o silêncio entre eles.

A delicadeza do filme fica por conta da música suave, tocada também por Véronique no violino, e do sentimento ingênuo que nasce entre eles, sem que haja provocação para isso. Não há insinuação de nenhuma das partes: mademoiselle Chambon não tem intenção de atrapalhar o casamento estável de Jean, nem ele de trair sua linda mulher, Anne-Marie (Aure Atika). A sutileza do filme vem do contato até amistoso que Jean e Véronique têm, a princípio porque ela é professora do filho dele. Aos poucos invade outras esferas da vida, envolve o gosto pela música, pelo contato simples do dia a dia, sem que isso necessariamente signifique relação física, nem tantos diálogos; envolve mais momentos de intenso silêncio e troca profunda de olhares.

Difícil transmitir tanto sentimento com um enredo tão simples. Fiquei tocada pela intensidade dos atores. Entrei no suspense do desfecho, sem saber para que lado torcer. Deixei que eles escolhessem – espero que tenha sido a melhor opção.

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SIMPLESMENTE COMPLICADO – It’s complicated
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Estados Unidos - 13/07/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nancy Meyers

ELENCO: Meryl Streep, Steve Martin, Alec Baldwin, John Krasinski, Lake Bell, Hunter Parrish, Zoe Kazan, Caitlin Fitzgerald

Estados Unidos, 2009 (120 min)

Já falei de alguns filmes que são caricatos, exagerados e, até por isso, engraçados. A Proposta é um deles – perfeito, inclusive, para assistir no avião, num exercício tranquilo de não pensar em nada. Simplesmente Complicado entra nesse grupo, mas fala da maturidade como trunfo para retomar o amor na meia-idade e do segundo casamento entre ex-maridos e mulheres bem mais jovens. Tudo isso no mais puro estilo das comédias hollywoodiano, onde tudo é confuso (as relações) e perfeito (a horta, a casa, o jardim, o restaurante de Santa Barbara, etc).

Mas esse cenário faz parte do jogo em que Jane (Meryl Streep, também em Julie & Julia, Dúvida, Entre Dois Amores) e Jack (Alec Baldwin) se envolvem. Ou melhor, voltam a se envolver. Foram casados por mais de 20 anos, tiveram três filhos e estão há 10 separados. Encontram-se na formatura do filho e a vida vira de cabeça para baixo. Espere situações engraçadas, às vezes até um pouco ridículas, mas que se encaixam nesse gênero de filme para se divertir e nada mais.

Para mim, o fato de o filme contar com a figura de Steve Martin já reveste Simplesmente Complicado com uma áurea estilo O Pai da Noiva e Doze é Demais. Ou seja, seu personagem Adam faz as caras e bocas típicas do ator, dá aquele toque exagerado e hilário (para quem gosta dele) que só Steve Martin é capaz, além de contribuir para o tom descompromissado do filme. Descompromissado também no quisito profundidade, sensibilidade, mensagem. O triângulo amoroso da meia-idade acontece para deflagar uma crise familiar e divertir o espectador. E cumpre o papel. Se tiver esta opção entre o menu de filmes do avião, é uma boa pedida para passar o tempo.

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BAGDAD CAFÉ – Bagdad Cafe
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Rever, Alemanha - 08/07/2010

DIRETOR: Percy  Adlon

ROTEIRO: Percy  Adlon, Eleonore Adlon, Christopher Doherty

ELENCO: Marianne Sagebrecht, CCH Pounder, Christine Kaufmann, Monica Calhoun, Darron Flagg, George Aguilar,

Alemanha, 1987 (min)

“A desert road from Vegas to nowhere
Some place better than where you’ve been
A coffee machine that needs some fixing
In a little cafe just around the bend
I am calling you…”

(trecho da canção I’m calling you)

Quem não se lembra dos versos da canção tema de Bagdad Café? Este filme emblemático dos anos 80 vale ser revisto pela sua sensibilidade tanto na relação entre as pessoas, quanto na produção. A história da turista alemã que cansa de ser hostilizada pelo marido, o abandona em pleno deserto e vai caminhando até encontrar abrigo num café-motel bem caído e mal cuidado, no meio de lugar nenhum, é muito singela. E emociona exatamente por isso.

A delicadeza da alemã Jasmin causa estranheza em um lugar onde as relações são rudes e truncadas, onde a família se relaciona com aspereza e onde não se vê futuro nem alegria. Sua chegada muda o café fisicamente, assim como a maneira de servir os clientes e principalmente a forma de as pessoas encararem a vida. As duas mulheres Brenda, a dona do café, e Jasmin encontram uma maneira diferente de viver, de conciliar temperamentos distintos e de agir de forma complementar para o benefício de todos. Uma simbologia sensível do difícil que é relacionar-se, mas também do possível que é mudar de atitude. Essa magia muda a vida de todos ao redor, ao som da bela, calma e nostálgica canção I’m calling you (veja vídeo abaixo). Quem assitiu há mais de 20 anos, vale rever. Quem não viu, fica a dica.

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