cinegarimpo

maio, 2010

EM TEU NOME
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Brasil - 31/05/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Paulo Nascimento

ELENCO: Leonardo Machado, Fernanda Moro, Nelson Diniz, César Troncoso, Marcos Verza, Silvia Buarque, Marcos Paulo

Brasil, 2009 (102 min)

O tema é atrativo – afinal, conta a história real do guerrilheiro João Carlos Bona Garcia, o Boni, que se envolveu com a luta armada durante a ditadura brasileira, foi exilado no Chile, na Argélia e na França e voltou para o Brasil com a anistia. Assunto farto, cheio de oportunidades e olhares no cinema. Mas desta vez, a dramaturgia é fraca e não é capaz nem de salvar o tema. Em Teu Nome entra no grupo das pérolas – daquelas que são difíceis de recomendar. Ainda mais no cinema.

Acho que o filme peca desde o princípio. Os diálogos são fracos e a sensação que se tem é de amadorismo. Os protagonistas, vividos por Leonardo Machado e Fernanda Moro, não convencem. Simples assim. E não que com isso eu esteja desmerecendo a trajetória de Boni. De forma alguma. Só que a maneira como Paulo Nascimento pensou a história para o cinema, não funciona. Ainda mais quando se tem ótimos filmes sobre o assunto à disposição, como por exemplo Zuzu Angel e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. Assim fica difícil competir.

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FAMÍLIA RODANTE – Familia Rodante
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Argentina - 31/05/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Pablo Trapero

ELENCO: Liliana Capurro, Graciana Chironi, Ruth Dobel, Federico Esquerro, Bernardo Forteza, Laura Glave, Leila Gomez, Nicolás López, Sol Ocampo, Marianela Pedano, Carlos Resta, Raul Viñon

Argentina, Espanha, Inglaterra, Brasil, 2004 (98 min)

Faça essa experiência você mesmo: imagine toda a sua família dentro de um trailer e parta para uma viagem longa, em uma época de muito calor. A bordo, há quatro gerações, assim como muitos interesses conflitantes, vidas dissonantes e histórias mal resolvidas. Sem falar dos percalços próprios de qualquer viagem, que precisam ser resolvidos com calma e praticidade. Veja no que dá. Fácil?

Mesmo que você seja capaz de imaginar uma aventura dessas, lembre-se de que isso só é possível se houver alguém que faça essa proposta aos demais, sem abrir exceções. Em uma época em que as matriarcas estão em extinção e em que as famílias se reinventam e já não têm o formato das tradicionais, Família Rodante é um retrato interessantíssimo desse convívio, das dificuldades de estar com o outro, de conviver, de respeitar – muitas vezes esbarrando na dificuldade primeira, a de se dispor a conhecer o outro. Naturalmente me lembrei de Pequena Miss Sunshine – também road movie, estilo comédia dramática familiar.

A matriarca neste caso é Emilia. Uma sobrinha sua está de casamento marcado e ela convoca a família toda para ir até a longínqua província de Misiones, fronteira com o Brasil. A viagem de família, que começa a ser organizada no seu aniversário de 84 anos, é tratada com uma naturalidade incrível e parece, realmente, que somos testemunha do que está acontecendo. Tem horas em que os diálogos se confundem com o som ambiente; tem horas em que a aproximação da câmera faz com que percebamos os detalhes de uma situação intimista e peculiar de cada um dos integrantes da família.

Não tem romantismo, mas também não tem sátira das relações familiares. Tem realismo. Trapero (também diretor de Leonera) mostra a família como ela é. Na figura de Emilia, sentimos seu olhar de pesar pelos pesares, pelo tempo que passou e pelos descaminhos que a vida tomou. É o seu olhar contemplativo que mostra a vida como ela é. E com uma sensibilidade…

 

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QUEIME DEPOIS DE LER – Burn After Reading
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos - 29/05/2010

DIREÇÃO E ROTEIRO: Joel e Ethan Coen

ELENCO: George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Brad Pitt, Tilda Swinton, J.K. Simmons, Richard Jenkins, David Rasche, Olek Krupa

Estados Unidos, 2008 (96 min)

De novo os irmãos Coen – também são eles os responsáveis por Um Homem Sério, publicado há alguns dias. Desta vez, a sátira é realmente divertida e não tem nada da melancolia e seriedade do filme anterior. Tudo aquilo que você imagina sobre a vida e glamour dos espiões cai por terra e se torna uma brincadeira que não deve ser levada a sério, principalmente se ela esbarra na vaidade de uma mulher.

Cheio de bons atores, o que é preciso queimar depois de ler é um CD encontrado no vestiário de uma academia de ginástica, onde os personagens de Brad Pitt (também em Babel e Bastardos Inglórios) e Frances McDormand trabalham. Tentando tirar proveito da situação, descobrem que o CD é de um ex-agente da CIA (na pele de John Malkovich) e que pode conter informações sigilosas e valiosas. Esse agente é casado com a personagem de Tilda Swinton, que por sua vez se envolve com o galã, segurança do governo, vivido por George Clooney (também em Syriana, Amor sem Escalas).

As vidas se entrelaçam e o engraçado é que há situações de suspense misturadas (bem misturadas) com algumas cenas engraçadas, outras inesperadas. Mas o tom maior é de sátira do profissional astuto que deve ser o espião e das relações entre marido e mulher. Nada muito profundo, mas uma distração com um enredo curioso e irreverente. Com inteligência, o que faz a diferença. 

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MOTHER – Madeo
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Coreia do Sul - 28/05/2010

DIREÇÃO : Bong Joon-ho

ROTEIRO: Park Eun-kyo, Park Wun-kyo, Bong Joon-ho

ELENCO: Won Bin, Kim Hye-ja, Jin Ku

Coreia do Sul , 2009 (129 min)

Mother foi exibido na seleção Um Certo Olhar, de Cannes, em 2009. Sei que serei repetitiva, mas digo de novo que adoro essa classificação do festival francês. Esses filmes têm de fato algo diferente, um olhar particular, como Pecado da Carne e A Banda, já publicados aqui. Toda vez que me deparo com filmes que foram celebrados com esse “certo olhar”, fico feliz com a sensibilidade possível do cinema. 

O filme é uma grata surpresa. Visualmente, Mother é bonito, cheio de detalhes, cenários minuciosos da vida simples na Coreia do Sul – o mercadinho de grãos, as refeições, o figurino, os campos, a acupuntura, os enquadramentos, a luz. Já é um ponto positivo forte.

Agora, revelador é o roteiro. O filme é um suspense, em que um rapaz é preso inocentemente, acusado de ter assassinado uma garota. Parece que ele tem sua capacidade intelectual comprometida – pelo menos é assim que sua mãe o vê e por isso o superprotege (repare na cena em que ela leva o prato de sopa, para que o filho tome enquanto espera o ônibus). E é esse sentimento de responsabilidade materna que leva essa mãe do título a investigar o crime – ela acredita na sua inocência e vai até o limite da racionalidade para salvá-lo.

Encontrar o ponto exato da coxa para colocar a agulha de acupuntura faria o paciente esquecer as lembranças ruins – pelo menos é isso que ela revela. Dizem que o amor incondicional é justamente esse maternal – que nem o paternal se encaixaria nessa categoria. Será? Mas se a acupuntura ainda ajuda a esquecer, uma mãe é capaz de tudo mesmo. De esquecer até – e principalmente – dela mesma.

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FESTIVAL DE CANNES 2010
CLASSIFICAÇÃO: França, Dicas Afins - 27/05/2010

Foi libertado na terça-feira o cineasta iraniano Jafar Panahi, preso desde 1º de março pelas autoridades do seu país. Ele foi convidado a fazer parte do júri do festival, mas a acusação de que estaria produzindo um filme contrário ao regime o colocou na prisão. Isso só tem a ver com Cannes porque foi essa a bandeira levantada pela atriz Juliette Binoche (também em O Paciente Inglês, Horas de Verão, Paris), vencedora do prêmio de melhor atriz por sua participação em Certified Copy. Nesse seu trabalho com outro diretor iraniano, o Abbas Kiarostami, aproveitou o palco do elegante Grand Théâtre Lumière para se solidarizar com a causa. Se funcionou? Pelo menos ele foi solto dois dias depois – o que não evita outras atrocidades sem justificativa, em se tratando de regimes autocratas como o do Irã. Curioso isso em uma semana em que tanto se falou da intermediação do Brasil no acordo entre Irã e Turquia.

Parece que Cannes 2010 estaria mesmo revestido pela seara política. A Palma de Ouro foi dada ao filme do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul, Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives, que quase não conseguiu comparecer à Riviera Francesa por causa dos violentos conflitos entre oposicionistas e governo do seu país. Mas chegou lá – apesar de o filme, que fala reencarnação, ter sido de gosto controverso. Teremos que assistir para opinar, mas o que já se sabe é que o presidente do júri, o cineasta Tim Burton (também de Alice no País das Maravilhas), tem um gosto pelo bizarro. Pode fazer sentido por isso.

Coincidentemente, o vencedor do prêmio de Um Certo Olhar (categoria interessantíssima, que já consagrou ótimos filmes como Pecado da Carne e A Banda) brindou desta vez o filme coreano Ha Ha Ha, de Hong Sangsoo. Bem na semana em que jornais estampam a notícia da ruptura entre as duas Coreias – se é que ainda havia algo em comum entre elas, além da área desmilitarizada entre os dois territórios.

Podem ser só coincidências, mas o fato é que Cannes colocou na mídia alguns dos países incluídos no hall dos complicados. Mas os comentários gerais foram de que o festival francês já foi melhor. Vamos conferir quando os filmes chegarem por aqui, mas para quem já deu a Palma de Ouro para produções tão marcantes como A Fita Branca, Entre os Muros da Escola, A Criança, O Pianista, O Quarto do Filho, naturalmente acendemos o sinal de alerta em relação a um vencedor com tantas ressalvas.

A exceção fica por conta de Javier Bardem e Elio Germano, espanhol e italiano que levaram o prêmio de interpretação pelos filmes Biutiful e La Nostra Vita respectivamente. Representam países que andam sim nos noticiários, já que as cinzas do vulcão islandês têm deixado o clima econômico tenso com mais frequência do que o desejado. Mas é isso. Afinal, Cannes é Cannes e ninguém é de ferro para levar tudo muito a sério.

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UM HOMEM SÉRIO – A Serious Man
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos - 26/05/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Joel e Ethan Coen

ELENCO: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Aaron Wolff, Fred Melamed, Sari Lennick, Jessica McManus, Peter Breitmayer, Amy Landecker, David Kang, Adam Arkin

Estados Unidos, 2009 (104 min)

Um Homem Sério é basicamente – mas não simplesmente – a história de um homem que tenta ser sério, andar na linha e viver de acordo com a tradição judaica. Mas a vida lhe dá uma rasteira e ele sofre um revés tanto emocional, quanto familiar e profissionalmente. Digo que não é simplesmente um filme sobre isso porque ele não é nada óbvio e não dá respostas. Mostra a religião e seus líderes como fontes sem solução para os problemas da vida; desmistifica e ironiza a tradição como guardiã da paz e da tranquilidade de uma comunidade que vive cercada por ela mesma, aparentemente protegida de seus próprios pesares.

Assim dito, não espere um filme com conclusões, análises, fechamentos. Imagine o seguinte: um homem está passando por uma fase dificílima, em que tudo se embaralha e ele não sabe como começar a resolver os problemas. É um flash de um momento desses. O filme termina e os problemas continuam. Assim como é a vida – ela segue em frente e alguns problemas só são amenizados ou resolvidos com o passar tempo.

Os cineastas Cohen constroem, tradicionalmente, narrativas inteligentes – muitas vezes engraçadas – que saem do comum. Aqui não é diferente. O protagonista Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) é um professor de física, morador de uma pequena cidade dos Estados Unidos dos anos 1960, totalmente envolvido com a comunidade judaica da região. De repente sua vida desmorona: sua mulher está tendo um caso e quer o divórcio; seu filho só pensa em ouvir música e fumar maconha; sua filha anda preocupadíssima com suas questões estéticas e pouco olha para os lados; seu irmão está endividado, dorme no sofá da sua casa e está deprimido; um aluno seu tenta suborná-lo por ter sido reprovado na sua disciplina. Circo armado, Larry recorre à tradição judaica para se aconselhar. Procura três rabinos, mas nenhum tem a solução. Quando muito, apresentam uma palavra de conforto.

Ironia à tradição, ao culto, ao apego à religião? As escrituras teriam a resposta para todos os males daquele rebanho na figura de seus pastores? Pela visão dos Cohen, não. Mas acho que usaram o universo do judaísmo por terem conhecimento de causa. Poderia ser qualquer religião. É um simbolismo para tratar dos meandros, crises e alucinações inexplicáveis da vida com uma pitada amarga de humor negro. Afinal, tudo que se quis foi levar a vida a sério.

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O MENSAGEIRO – The Messenger
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos - 25/05/2010

DIREÇÃO: Oren Moverman

ROTEIRO: Alessandro Camon, Oren Moverman

ELENCO: Ben Foster, Woody Harrelson, Jena Malone, Samantha Morton, Eamonn Walker, Steve Buscemi

Estados Unidos, 2009 (112 min)

Para tudo existe um manual e um protocolo. Não é diferente quando se trata de comunicar a morte de soldados americanos mortos em combate – neste caso no Iraque e no Afeganistão. Ex-combatentes são escalados para dar a notícia aos familiares, sem poder mostrar afeto ou compaixão. É preciso ser frio, objetivo e prático e o exército precisa ser o primeiro a dar a notícia.

É essa a função do soldado Will Montgomery (Ben Foster). Após ser ferido em combate, é escolhido para comunicar pais, filhos, esposas que seus entes queridos morreram. Sob comando do capitão Stone (Woody Harrelson), eles cumprem esse papel, sofrendo com isso a pressão e o stress do desconsolo vivido pelas famílias.

Apesar de um pouco monótono, o filme é interessante, tem um tom documental e mostra, de novo, assim como Guerra ao Terror, como a guerra acompanha o soldado mesmo após a volta para casa. Como os fantasmas, traumas e medos intensos dominam o corpo e a mente de quem lutou; como falta tato ao lidar com o ser humano. A tentativa de reconstruir a vida após a guerra parece quase que hostil. É um reviver constante na dor do outro. Mas já é uma tentativa.

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SOUL KITCHEN
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Para se Divertir, Alemanha - 24/05/2010

DIREÇÃO: Fatih Akin

ROTEIRO: Adam Bousdoukos e Fatih Akin

ELENCO: Adam Bousdoukos, Moritz Bleibtreu, Birol Ünel, Anna Bederke, Pheline Roggan, Lukas Gregorowicz, Dorka Gryllus, Wotan Wilke Möhring, Udo Kier

 Alemanha, Turquia, 2009 (99 minutos)

Soul Kitchen se encaixa na classificação “Para se Divertir” do Cine Garimpo. Digo isso porque, diferente do filme Do Outro Lado, aqui o premiado diretor alemão de origem turca não nos coloca para pensar em primeiro lugar, nem mesmo tem a pretensão de nos emocionar. Fatih Akin continua tratando do mosaico de raças da Alemanha atual, mas a sua proposta primeira é divertir com situações tragicômicas – o que não é uma tarefa fácil.

O centro de tudo é a cozinha. Com alma – daí o título do filme e do restaurante ser Soul Kitchen. São vidas que se cruzam ao passar por ela, mas sem grandes dramas ou reflexões. O filme é uma comédia em que quase tudo é extremo e exagerado. Por isso, muitas vezes engraçado. Deixa ver se me explico: Zinos (Adam Bousdoukos) tem origem grega, mora em Hamburgo e compra um galpão abandonado para montar um restaurante. A comida é absolutamente sem gosto e sem charme e é preparada sem qualquer cuidado ou higiene. Mas é o que vende. Ao redor dele se formam os conflitos: um irmão que sai da prisão e precisa de emprego; a namorada que vai morar na China; uma atroz dor nas costas que faz com que contrate outro cozinheiro para o restaurante; um antigo amigo que lhe dá uma rasteira. Imagine um universo atrapalhado. É o Soul Kitchen.

Não espere grandes análises da situação multirracial européia. Pense em vários jovens convivendo com suas angústias, desejos, ambições, dúvidas, coloque-os em um caldeirão com muita música, sexo sem pudor, humor nada sutil, comida com afrodisíaco. Ousado, o diretor, por fugir ao seu estilo mais denso. Alguns críticos se decepcionaram por isso. Não tive essa impressão. O próprio Fatih Akin disse, em entrevista, não ter feito desta vez um filme de arte. Alega ter dirigido um filme pensando no público. Algum problema com a mudança de olhar? Não que eu saiba.

 

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LIVRO – O SÁRI VERMELHO
CLASSIFICAÇÃO: Índia, Dicas Afins - 22/05/2010

Já que o assunto Índia veio à tona com a revisita ao filme Gandhi, reli alguns trechos de O Sário Vermelho (Javier Moro, Editora Planeta, 544 páginas), que já estava na estante. Para quem se lembra das notícias do assassinato de Indira e Rajiv Gandhi e para quem acompanha o andar da carruagem indiana, interessantíssimo conhecer esse outro olhar da história.

O ponto de vista aqui é feminino. Sonia, antes de ser Gandhi, era Maino, italiana da gema. Conheceu Rajiv na Inglaterra, onde foi passar uma temporada estudando inglês. O livro conta a trajetória de Sonia a partir desse momento, em que, além de conhecer e se apaixonar por Rajiv, faz a opção de se tornar indiana. E indiana em uma família tradicional, com a carga de ser nora de Indira Gandhi (que era filha de Neru, mentor da independência da Índia ao lado de Gandhi), de fazer parte da política indiana, de mexer no vespeiro da tradição, cultura e religião hindu.

Romanceado, é claro, mas cheio de elementos interessantes sobre a alma feminina no universo masculino da política mundial, sobre a alma feminina na vida cotidiana da Índia, sobre a alma feminina que assume o comando do principal partido político da Índia. Tudo isso passa pela história e pela cultura desse país, sempre tão diferentes do que vivenciamos por aqui. Um leitura leve, mas enriquecedora. Boa pedida.

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GANDHI
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Biografia - 22/05/2010

“Se adotarmos o princípio do ‘olho por olho’, toda a nação ficará cega.”

Mahatma Gandhi

Não que o filme Gandhi precise de um incentivo para ser revisto. A trajetória de Mahatma Gandhi é tão importante para o contexto da Índia de ontem e de hoje, que deve fazer parte do repertório de todos – inclusive dos nossos filhos (o meu de 10 anos ficou 3 horas vidrado na narrativa). Mas o que me levou a revê-lo foi o fato de ter lido há pouco o romance O Sári Vermelho (de Javier Moro – ver em Dicas Afins), que conta a história da italiana Sonia Gandhi, nora de Indira Gandhi. É bom dizer que não há parentesco entre Mahatma Gandhi e Indira – é apenas uma coincidência. Mas todos eles fazem parte da história da Índia e é muito interessante cruzar os fatos e fazer associações com todo esse material.

Vamos ao filme: Gandhi morre já na primeira sequência. Depois disso, o diretor Richard Attenborough conta a história do homem que tinha convicção de que libertaria a Índia da colonização inglesa sem pegar em armas. Retrata como Gandhi fica indignado com o racismo e a injustiça ainda quando era um jovem advogado na África do Sul. Mostra sua forma de pensar, a importância do “agir” e do protesto com intuito de instigar a reflexão.
Ganhador de 8 Oscares em 1983, Gandhi é magistralmente interpretado por Ben Kingsley (também em Fatal e A Ilha do Medo). Além de toda a sua postura de não-violência (“não há caminho para a paz; a paz é o caminho”), é muito interessante lembrar as consequências da Índia independente. Assisti ao filme na semana em que terroristas paquistaneses foram responsáveis por tentativa de atentado nos Estados Unidos. Fica a pergunta sobre a eficácia da criação do Paquistão naquela época, a eficácia da separação de muçulmanos e hindus, a dificuldade de conciliação entre povos, raças e religiões sempre que há uma mudança no comando de uma nação.

Segundo Gandhi, uma religião que não cuida das questões práticas e não ajuda a resolvê-las, não é uma religião. Aqui, as crenças funcionaram como verdadeiros barris de pólvora. Pena que sempre tenha sido assim.

 

DIREÇÃO: Richard Attenborough ROTEIRO: John Briley, Alyque Padamsee, Candice Bergen ELENCO: Ben Kingsley, Rohini Hattangadi, Roshan Seth, Saeed Jaffrey, Candice Bergen, Edward Fox, John Gielgud | 1982 (191 min)

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