cinegarimpo

abril, 2010

TUDO POR ELA – Pour Elle
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, França - 30/04/2010

DIREÇÃO: Fred Cavayé

ROTEIRO: Fred Cavayé e Guillaume Lemans

ELENCO: Vincent Lindon, Diane Kruger, Lancelot Roch

França, 2008 (96 min)

Quem acha que filme francês não combina com ação, tiro, sangue e morte, engana-se. O suspense me manteve atenta até o final. É bem verdade que a fuga da prisão não é algo verossímil ou provável. Mas não acho que isso desabone o filme. Dá para dar esse desconto – do jeito que o filme se apresenta, é um suspense envolvente principalmente por todo o drama familiar.

A fuga é a grande questão de Tudo por Ela, e não o crime em si. Lisa (Diane Kruger, também em Bastardos Inglórios) é condenada a 20 anos de reclusão por um assassinato. Inconformado, seu marido Julien (Vincent Lindon, também em Bem-Vindo) arma um plano mirabolante e praticamente impossível para salvá-la. É um movimento para fazer justiça com as próprias mãos, já que os recursos legais se esgotam e não tem como tirá-la da cadeia.

O mais instigante é acompanhar a trama de Julien, suas loucuras e estratégias. Pode-se dizer também que o filme trata da ineficiência da justiça e dos erros cometidos nos tribunais. Sinceramente, não acho que isso seja o enfoque do roteiro. O que mais pega é a incerteza do final, a trilha sonora que acompanha os momentos mais tensos, o desfecho. Mesmo que pareça impossível, é um francês para quem gosta de ação.

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SEMPRE AO SEU LADO – A Dog’s Story
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Emocionar, Estados Unidos - 24/04/2010

DIREÇÃO: Lasse Hallström

ROTEIRO: Stephen P. Lindsey

ELENCO: Richard Gere, Joan Allen, Cary-Hiroyuki Tagawa, Sarah Roemer, Jason Alexander, Erick Avari

Estados Unidos, 2009 (93 min)

Sempre ao seu lado é a versão ocidental de uma história real que aconteceu no Japão no começo do século 20. Da raça akita, o cachorro ficou famoso por acompanhar seu dono todos os dias à estação de trem. Virou notícia de jornal e ganhou a notoriedade. Aqui, temos uma leitura bem americana. O professor não é ninguém menos que Richard Gere, a cidade fica no subúrbio de Nova York, a família é linda e o cachorro é o que realmente se poderia chamar de “o melhor amigo do homem”. Neste caso, sem medo de errar.

O filme emociona e é uma boa amostra de lealdade para as crianças. Essas histórias que retratam o afeto que temos pelos animais de estimação, em especial os cachorros, acabam sempre nos remetendo a uma experiência pessoal. Com o apelo emocional americano, faz lembrar Marley e Eu. Às avessas.   

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ERVAS DANINHAS – Les Herbes Folles
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França - 21/04/2010

DIREÇÃO: Alain Resnais

ROTEIRO: Christian Gailly e Alex Reval

ELENCO: André Dussollier, Sabine Azéma, Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Anne Consigny, Michel Vuillemoz, Edouard Baer, Sara Forestier, Nicolas Duvauchelle

França, 2009 (104 min)

O que fazer quando um filme é superbem cotado e o desinteresse cresce à medida que o tempo passa no cinema? Tentei ser elegante na minha colocação, já que Alain Resnais é um diretor francês renomadíssimo e muito singular. Fato é que, atraída pela sua notoriedade (é dele também Medos Privados em Lugares Públicos, que é um filme com um ritmo e visão também bem diferentes do habitual, mas que me agradou muito) fui assistir a Ervas Daninhas. Terminou o filme e continuei sem saber a que veio.

Considerado pelos críticos um filme importante de 2009, acho que agrada o nicho do nicho. Você dirá se for ver. Tudo gira em torno da carteira perdida pela atriz Sabine Azéma, que é encontrada ao acaso por André Dussollier. A história se desenrola a partir desse fato e nada de muito interessante acontece ou deixa de acontecer. Talvez sejam vidas como ervas daninhas: aleatóreas, sem rumo, sem objetivo. O acaso atuando, trazendo novas perspectivas… Tentei, mas desta vez não consegui ir muito longe.

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VOLVER
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Espanha, Drama - 20/04/2010

 

DIREÇÃO E ROTEIRO: Pedro Almodóvar

ELENCO: Penélope Cruz, Chus Lampreave, Carmen Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo, Leandro Rivera

Espanha, 2006 (121 min)

Segundo o próprio Almodóvar, o título Volver (‘voltar’) tem vários significados. Para ele, volver é uma volta ao lugar de sua infância e à lembrança forte de sua mãe; é a homenagem ao tango Volver, de Carlos Gardel. Mas de todos os seus argumentos, o que mais me toca é o fato de “volver” estar relacionado com o retorno do diretor ao universo feminino depois de permear o masculino em Má Educação.

E que volta triunfal! Adoro este filme e acho inclusive que Almodóvar se apropria de uma maneira muito particular e poética do universo das mulheres. Mesmo que uns achem que ele repita a fórmula dos seus filmes, não concordo. Achei interessante a justificativa do diretor sobre o assunto, na época do lançamento do filme. Ele disse que se suas produções são parecidas, é sinal de que trazem aquilo que lhe é mais íntimo, mas caro, e por isso mais autêntico. Que ele não poderia deixar de ser ele mesmo ao escrever e dirigir, que os filmes devem seguir uma linha mestra. Um filme tem que ter a cara do seu diretor – é isso que o diferencia dos outros e que cria intimidade com o espectador.

São as mulheres que dominam a cena. Entre cores vibrantes, tragédias, mortes, mentiras e fortes emoções, as moças de Volver se reinventam como podem para lidar com as dificuldades, enterram seus homens e seguem adiante. Raimunda (Penélope Cruz, também em Vicky Cristina Barcelona, Nine, Abraços Partidos, Fatal) é fantástica e está rodeada pelas mulheres da sua vida: a mãe Irene (Carmem Maura, também em Valentin), a irmã Sole (Lola Dueñas, também em Mar Adentro) e a filha Paula (Yohana Cobo) dão o tom misterioso, inusitado e particular do filme. Fica difícil descrever a ambientação no pequeno vilarejo fantasma, a música de fundo, as viúvas limpando os túmulos dos entes queridos, o falatório da mulherada do interior da Espanha. Todos esses elementos juntos, colocados minciosamente nos seus devidos lugares, é que constroem a narrativa. Fico devendo mais Almodóvar. O próximo será Tudo Sobre Minha Mãe. Tem mais mulher na jogada.

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ANTICRISTO – Antichrist
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Dinamarca - 15/04/2010

DIREÇÃO E ROTEIRO: Lars Von Trier

ELENCO: Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg

Dinamarca, Alemanha, França, 2009 (109 min)

“O sofrimento causa dor, e a dor aumenta ainda mais com o passar do tempo. (…) Do que você tem medo?”

Há algum tempo, um email me alertava que assistir a Anticristo não seria uma tarefa fácil. Faço minhas essas palavras. Não só não é fácil, como causa desconforto, repulsa e medo. Outra dificuldade foi enquadrá-lo em uma das categorias do Cine Garimpo. Não diria que é um filme de terror – como é divulgado na mídia. Para mim, filme de terror é aquele que pretende assustar, causar sobressaltos com seres inimagináveis. Desse terror, Anticristo não tem nada. Por isso impressiona tanto, por tratar de seres humanos, com questões humanas para resolver, por tratar de mentes conturbadas e descontroladas a ponto de cometer crimes bárbaros contra si próprio, mutilações, loucuras, em que o sexo e mente se fundem em uma fuga só. Sob esse ponto de visa, achei que “Para Pensar” seria a única classificação coerente. Fiquei realmente com o filme na cabeça.

No tocante ao “difícil” do filme, eu diria que ele todo é muito, mas muito intenso. Com exceção da primeira parte, chamada de “prólogo”. Filmada em preto e branco, introduz o tema do drama: uma criança que morre enquanto os pais fazem amor. Sem diálogos, com uma trilha de fundo religioso, em câmera lenta, a cena expõe toda a questão – mas já dá sinais de que o teor da que vem a seguir não será nada muito comum.

O depois, quando o marido terapeuta tenta tratar a mulher que sofre com a perda do filho, é dividido em “luto”, “dor”, “desespero”, “os três mendigos” e “epílogo”. Entra no crescente da loucura da mente humana que não consegue lidar com a culpa, com a perda, com a depressão, com o medo. Atinge níveis inimagináveis, que o diretor dinamarquês, Lars Von Trier, conta ser uma catarse do processo depressivo no qual se encontrava quando escreveu e dirigiu o filme. Deve ter sido mesmo, porque o filme exala dor, exala infelicidade, exala uma loucura sem limites. Daquelas que me fez, várias vezes, fechar os olhos, sentir repulsa, achar exagero. É o retrato do que somos todos nós por dentro, dúbios, culpados e incapazes de curar as feridas?

Considerado um dos melhores fillmes de 2009, Anticristo, para mim, passou um pouco do limite. Fiquei pensando no assunto, já que realmente gosto dessas produções alternativas, de diretores que saem do comum, que colocam nas telas figuras, formas, cenas do seu imaginário sem medo de parecer irreal. Mas, sinceramente, fiquei incomodada, acho que poderia ter passado a mesma ideia sem alguma cenas de mutilação, por exemplo. Se era para chocar, chocou mesmo. Quem for assistir, esteja preparado. A violência física e emocional é tremenda e não tem como não se incomodar. Uns poderão dizer que faz parte da natureza humana. É o argumento da personagem: que a natureza é o diabo. Essa visão do diretor fica realmente muito clara.

 

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A FAMÍLIA SAVAGE – Savages
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos - 13/04/2010

DIREÇÃO E ROTEIRO: Tamara Jenkins

ELENCO: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco, Peter Friedman

Estados Unidos, 2007 (113 min)

O elenco de A Família Savage é muito bom e o enredo, muito simples: os irmãos Wendy (Laura Linney) e Jon Savage (Philip Seymour Hoffman, também em Dúvida) já não moram na mesma cidade há anos, não compartilham o dia a dia, não se interessam pela vida do outro. Parece que o único elo entre eles é o pai, que mora longe dos dois e começa a apresentar sinais de insanidade mental. Elo frágil, porque não têm com o pai um laço forte ou afetuoso, além de ser ele mesmo um sujeito de difícil trato.

E difícil se torna a volta ao convívio entre irmãos, a retomada da intimidade a tanto tempo perdida, o resgate da admiração pelo outro e da autoestima quando o pai precisa deles por perto para tomar decisões.

O filme toca por causa de sua proximidade com o real. Quantas vezes a vida não dá conta de distanciar irmãos e deixá-los tão longe que nem sequer conseguem identificar traços comuns. Wendy e Jon aprendem as leis do convívio, da boa vizinhança e da doação. E é como se resgatassem, com isso, parte deles próprios perdida na praticidade e no comodismo da vida.

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PECADOS ÍNTIMOS – Little Children
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos - 12/04/2010

DIRETOR: Todd Field

ROTEIRO: Todd Field e Tom Perrotta

ELENCO: Kate Winslet, Jennifer Connelly, Patrick Wilson, Jackie Earle Haley, Gregg Edelman, Noah Emmerich, Phyllis Somerville, Mary B. McCann, Jane Adams

Estados Unidos, 2006 (130 min)

A realidade pacata dos subúrbios ricos, a vida previsível, monótona e, de certa maneira, estável é uma fonte inesgotável de análise do comportamento humano. Em Pecados Íntimos, a impressão que dá é que estamos sendo expostos à traição, culpa, infelicidade e perversão o tempo todo, aplicadas às várias situações da vida cotidiana. Vestimos a carapuça?

Assim como em Foi Apenas um Sonho, Sarah (Kate Winslet, também em O Leitor, Titanic) é casada, mora em uma linda casa no subúrbio, é mãe e visivelmente infeliz. Leva uma vida monótona, cercada de mulheres fofoqueiras preocupadas com a vida alheia, distante do marido, sem maiores objetivos. Ao lado dela está Brad (Patrick Wilson), casado com a bela Kathy (Jennifer Connelly), que cuida do filho enquanto a mulher trabalha e parece também não almejar grandes saltos. Logo de cara a gente prevê o inevitável.

O intrigante do filme não é o que acontece entre os dois, nem como se dá esse relacionamento – embora, é claro, tenham momentos interessantes de aproximação e de preenchimento desse vazio. O que dá o tom é a hipocrisia e o questionamento do comportamento humano através de duas histórias paralelas nesse microcosmo da cidadezinha perfeita. Um maluco pedófilo tem a ficha suja na polícia e perturba a vida idealizada das mães e das crianças; um policial afastado por má conduta preenche seu tempo perturbando esse primeiro pervertido, como se pudesse assim livrar-se da sua própria culpa.

Toda essa situação cria um suspense interessante e emocional. Incomoda sentir a dependência de cada um dos personagens com a loucura ou falta de sensatez do outro, sem que isso os leve a parar para pensar em si mesmos. O narrador conta a história vista de fora e nos induz a pensar nos “pecados íntimos” como algo além da infidelidade do casal, algo que transcenda a traição matrimonial e entre na seara da traição a si próprio, da busca desenfreada pela razão de viver no outro. O final não finaliza nada, deixa dúvida no ar propositalmente, mas me trouxe a sensação de que o louco assumido era o mais sensato dos personagens. Pelo menos ele foi coerente. O filme se baseia no livro homônimo, em inglês Little Children (traduzido como Criancinhas). Achei isso curioso – de um lado essa tradução ironiza a postura infantilizada e mimada dos adultos superprotegidos e indecisos; de outro, a tradução do filme remete ao adulto infiel. Mas Todd Field e Tom Perrotta, diretor e roteirista respectivamente, são sábios ao deixar essa questão em aberto. Cabe a você decidir.

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COMO TREINAR O SEU DRAGÃO – How to Train your Dragon
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Estados Unidos - 11/04/2010

DIREÇÃO: Dean DeBlois, Chris Sanders

ROTEIRO: Dean DeBlois

ELENCO: Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, Craig Ferguson

Estados Unidos, 2010 (98 min)

 

O que mais me chama atenção nas animações é a perfeição das imagens e a riqueza de detalhes. Como Treinar o seu Dragão, da DreamWorks (também de Madagascar, Shrek, Kung Fu Panda), tem um visual lindo, voos deliciosos no lombo do dragão, expressões humanas nos personagens, dragões coloridos e variados, explosões de fogo, cenários praticamente de verdade. Uma imaginação verdadeiramente de asas. Sem falar da construção do universo viking, sempre muito interessante – assista ao trailer abaixo que vale a pena. 

Acho que o filme agrada gregos, troianos, vikings, não-vikings, meninos, meninas e adultos. O herói é um garoto sem pinta de herói: é franzinho, covarde e nada popular. Mas tem que provar ao pai e a todos os habitantes do povoado que é capaz de matar um dragão para ser como eles: um viking de verdade. No entanto, a história toma outro rumo, um dragão dócil cruza o seu caminho e ele prova que tudo pode ser diferente. Um programa delicioso para ver em família.

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CORAÇÃO LOUCO – Crazy Heart
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos - 11/04/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Scott Cooper

ELENCO: Jeff Bridges, Maggie Gyllenhaal, James Keane, Robert Duvall, Colin Farrell

Estados Unidos, 2009 (min)

Jeff Bridges carrega o filme nas costas. Coração Louco é agradável, a paisagem é muito bonita e a história, de superação – um homem deprimido, sozinho e solitário, apela pelas últimas chances da carreira, deixa o orgulho de lado e encontra uma oportunidade de dar a volta por cima. Ponto para o filme. Mas reforço que, se não fosse por Bridges, a história seria mais uma dentre tantas que sobre sujeitos famosos que terminam a vida decadentes.

Quem gosta de country music vai curtir o embalo do filme. Bad Blake, personagem de Bridges, além de cantor é compositor. Faz a letra que dá valor à descoberta de um amor tardio e atribui a ele sua “volta por cima”. Achei interessante – embora saia um pouco da áurea romântica do filme e caia na lição de moral – o aspecto da escolha. Blake tem dois caminhos: ou continua se embebedando e cavando a própria cova ou procura ajuda. E nesse ponto o filme deixa claro que alcoólatras, assim como qualquer outro dependente, não dá conta de se libertar do vício sozinho. A aceitação da doença e a busca por ajuda especializada é fundamental para quem quer tentar relacionar-se de uma forma tranquila com os outros e consigo mesmo. Embora seja tratado de maneira sutil e sem alarde no filme, é esse o detalhe que possibilita a virada na carreira e na vida de Blake. E poderia ser assim para muitos outros, embora não seja, de fato, uma escolha fácil. Mesmo assim, ainda é uma escolha.

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APENAS O FIM
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil - 08/04/2010

DIREÇÃO E ROTEIRO: Matheus Souza

ELENCO: Érika Mader, Gregório Duviver, Nathalia Dill, Álamo Facó, Julia Gorman, Marcelo Adnet, Anna Sophia Folch

Brasil , 2008 (80 min)

 

” – Eu fico imaginando como vai ser o nosso futuro…

– Não entendo essa mania que as pessoas têm de querer saber o que vai acontecer, sabe. Não sei, para mim viver é mais como jogar Detetive. Você sabe que alguém vai morrer no final. Mas se vai ser como uma faca no hall ou com um castiçal na sala de estar… acho que o legal é você ir descobrindo aos poucos, jogada a jogada.. sei lá, explorando todo o tabuleiro.”

Um dos diálogos cheios de referências a personagens, videogame, filmes, músicas,  jogos, como o Detetive, entre Antônio e a namorada.

Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival do Rio 2009 e na 32a Mostra de Cinema de São Paulo.

 

Eu diria que Apenas o Fim é inteligentemente simples. Veja só: Matheus Souza, o diretor e roteirista, é novato, universitário, estudante de cinema. Com orçamento restrito, fez o filme com ajuda de amigos e escolheu uma só locação para baratear. Simples assim. Mas com inteligência e humor, porque os diálogos entre os protagonistas Antônio (Gregório Duviver, também em À Deriva) e sua namorada (Érilka Mader) são tudo no filme. Convenhamos: o texto tem que ser muito bom para sustentar o enredo em um só local (a PUC do Rio), entre basicamente dois personagens, sobre basicamente um tema. E é bom mesmo (confira o trailer abaixo, vale a pena).

O tema é o seguinte: Érika Mader quer terminar o namoro com Antônio. Ambos são estudantes de cinema, assim como o diretor (seria autobiográfico?). Ela diz que vai embora, não sabe para onde, nem por que razão, nem quando volta, nem se volta. Sabe só que vai embora em uma hora – e é esse o tempo que terão juntos para conversar, lembrar o tempo que passaram juntos (em preto e branco) e imaginar o futuro.

Trivial, mas as conversas são “tipo” muito boas – o “tipo” está por conta do linguajar deles, do retrato de uma geração que ama e se entrega intensamente, que sofre, que busca se encontrar mas se sente perdida e não sabe para onde correr. Como a personagem de Érika Mader diz, “nós nos perdemos no dia em que nos encontramos”. E é nessa procura deles mesmos que os diálogos transcorrem, que o humor aparece, que o cinema mostra a sua própria produção e seus protagonistas da vida real. Coisa de gente que tem um olhar diferente, para contar de outra maneira aquilo que provavelmente cada um de nós já viveu.  

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