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A BANDA – Bikur Ha-Tizmoret
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Israel - 26/02/2010

a bandaDIREÇÃO E ROTEIRO: Eran Kolirin1 icone_DVD

ELENCO: Ronit Elkabitz, Sasson Gabai, Ronit Elkabetz, Saleh Bakri, Khalifa Natour

Israel, França, Estados Unidos, 2007 (87 min)

Incrível como uma história tão simples, contada de uma maneira singela e sem grandes artifícios, pode ser tão rica em significado. Ainda mais em se tratando de uma relação complexa como a que existe entre Israel e Egito. Região de conflito, filme de conflito. Mas aqui não se trata de guerra ou política, e sim do ser humano propriamente dito, seja na sua capacidade de agregar e aprender com o diferente, seja na sua intolerância.

O enredo é simples assim: uma banda militar egípcia é convidada para tocar em um centro cultural de uma cidade israelense. Como é esquecida no aeroporto (aliás, a cena inicial é ótima) e nenhum dos músicos fala hebraico, acabam pegando o ônibus errado e vão parar em um povoado onde não há nada. Nem centro, nem cultura, nem outro ônibus para voltar. É simples também no ritmo, calmo, com tomadas lentas, retratando a observação que um povo faz do outro, o estranhamento. Por isso, não espere ação – não aqui.

O que se segue são encontros e desencontros humanos. Gente que vê nas diferenças de cultura uma oportunidade de aprender, conviver e ser solidário, descobrindo assim que o ser humano passa pelas mesmas mazelas e alegrias independente de religião, idioma, país, idade ou sexo. Gente que trata o diferente com a irresponsabilidade da arrogância, da intolerância e da geração de conflito gratuito.

Este filme foi indicado para mais de 41 prêmios no mundo todo. O curioso é que Israel o indicou para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2008. Mas a Academia não aceitou o pedido, já que o filme é falado 50% em inglês… Uma pena, porque a alma do filme é estrangeira e o inglês é absolutamente uma simbologia da capacidade de comunicação universal, desde que haja predisposição para o entendimento. Mas quero destacar que, dos diversos prêmios angariados por A Banda, o que mais me chamou a atenção foi a categoria Um Certo Olhar, em Cannes. O nome da categoria diz tudo o que eu senti com o filme: um olhar diferente e calmo de um assunto que causa tantas desavenças; um certo olhar humano, cúmplice e, por que não, cuidadoso.

ACONTECEU EM WOODSTOCK – Taking Woodstock
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 25/02/2010

1 icone_DVDDIREÇÃO: Ang Lee

ROTEIRO: James Schamus, Elliot Tiber (livro), Tom Monte (livro)

ELENCO: Demetri Martin, Henry Goodman, Imelda Staunton, Emile Hirsch (também em Na Natureza Selvagem), Eugene Levy, Jonathan Groff, Mamie Gummer, Jeffrey Dean Morgan

Estados Unidos, 2009 (120 min)

Woodstock não é um evento isolado. Pelo contrário. Tudo o que aconteceu em Woodstock naqueles três dias chuvosos de agosto de 69 – e não foi pouca coisa – foram eventos diretamente relacionados com a conjuntura mundial da época. Os protestos contra as mortes no Vietnã, as cicatrizes do movimento estudantil de 68 na Europa, a luta das feministas pela liberação sexual e emancipação encontraram no festival o palco perfeito para virem à tona e fazerem história.aconteceuemwoodstock

Exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2009, o filme já começa situando o festival no tempo, o que dá uma real dimensão daquilo que acontecia ao redor. Woodstock era a confirmação de que o mundo da moral e dos bons costumes estava realmente fadado a se modificar. Definitivamente e sem preconceitos. Não é à toa que são tantos os filmes que abordam o que acontecia em vários lugares do mundo no fim dos anos 60, começo de 70. Há vários no Cine Garimpo: A Culpa é do Fidel, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Milk – A Voz da Igualdade, Salvador. São registros dos jovens lutando contra o status quo, seja ele o preconceito, a ditadura, o capitalismo.

Interessante também é a maneira descontraída de contar do diretor Ang Lee (também de Desejo e Perigo). Baseado no livro de memórias de Elliot Tiber sobre o festival – já que foi ele o responsável por levar Woodstock para White Lake, estado de Nova York – o filme responde a várias questões-chave que sacudiram a sociedade na época e mudaram vários aspectos do mundo atual. Fora a plasticidade do filme: agradabilíssima, colorida (como os jovens de então) e quase documental.

Woodstock - CartazO interessante é que o ator Demetri Martin (humorista, mais conhecido por seu trabalho em stand-up comedy) permeia o filme todo na pele de Elliot mostrando várias facetas: seu desgaste e relação com a família tradicional, suas experiências com a cultura dos hippies, com as diversas drogas, com as escolhas sexuais, com o dinheiro, com a vida que acontece ao redor. É como se ele estivesse também vendo a situação de fora, como espectador, como eu. Como se estivesse fazendo escolhas. Sem falar na transformação que a fazenda palco do festival sofre após a chegada e permanência, por três intermináveis dias, de 500 mil adeptos da contracultura.

Aconteceu em Woodstock mostra uma massa de jovens enfrentando a falta de infra-estrutura, de comida, de higiene pelo simples prazer de se reunir, fazer amor e não a guerra, fazer as mais variadas viagens psicodélicas e ouvir música. Fico imaginando como seria se os jovens de hoje fossem capazes de tamanha mobilização… Seria bom – há muito por fazer. O que vem depois de Wookstock, nós estamos vivendo. Para quem não sentiu na pele aqueles anos, o filme retrata muito do que representou o mito. Se eu fosse você, não deixaria de fazer essa “viagem”.

* Acima: cartaz oficial do festival

 

DOT.COM
CLASSIFICAÇÃO: Portugal, Para se Divertir - 24/02/2010

DIREÇÃO: Luís Galvão Teles1 icone_DVD

ROTEIRO: Gonçalo Galvão Teles e Suzanne Nagle

ELENCO: João Tempera, María Adánez, Marco Delgado, Isabel Abreu, Margarida Carpinteiro, Lia Gama

Quando vi Dot.com nas prateleiras da locadora, o que me chamou a atenção foi o fato de ser um filme português. Confesso que ter a co-produção da Videofilmes, de Walter Salles, já é um filtro importante e fiquei curiosa para assistir. Afinal, este é o primeiro filme de Portugal no Cine Garimpo.

DotComPosterTambém achei curioso o tema do filme. O pequeno vilarejo de Águas Altas mantém contato com o resto do país através do seu site. De repente aparece uma multinacional espanhola exigindo que a aldeia feche o site, já que Águas Altas é o nome de um de seus produtos. Juridicamente, a empresa é dona da marca e ameaça cobrar uma multa altíssima da aldeia se ele continuar no ar. Na dúvida de que partido tomar, os habitantes da aldeia se dividem e tentam entrar em consenso.

Dot.com tem uma fotografia bonita e um retrato simpático da vida do vilarejo. Mas o interessante é o tema em si. Estive no ano passado em Portugal e nas conversas com gente local percebi o quanto eles realmente se sentem uma província espanhola. Cheguei até a ouvir o termo “filial espanhola na Europa”. Imagino que isso não seja uma postura generalizada, mas é curioso como esse ressentimento histórico é tratado no filme. Defender o site e não entregá-lo de mão beijada para a Espanha passa a ser uma questão de honra. Não acho que o filme tenha um tom irônico propriamente dito, mas confesso que “ironia” foi a primeira coisa que me veio à mente.

A FITA BRANCA – Das Weisse Band
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Alemanha - 23/02/2010

DIREÇÃO E ROTEIRO: Michael Haneke

ELENCO: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaussner

Alemanha, França, Áustria, Itália, 2009 (145 min)

Palma de Ouro em Cannes, 2009

 

a-fita-branca

“Gostaria que as pessoas vissem A Fita Branca como um filme sobre a perversão dos ideais. Uma educação muito rígida leva à deformação e ao fanatismo. Temos aí a origem não só do nazismo, mas do terrorismo, que tanto aflige o mundo moderno.” – Michael Haneke, em entrevista ao O Estado de São Paulo 

Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2010

Nesse curto trecho da entrevista que deu ao jornal O Estado de São Paulo, o diretor Michael Haneke resumiu A Fita Branca de uma maneira bastante objetiva e categórica. E ele tem razão. Até o fato de ter sido produzido em preto e branco reforça a ideia sinistra do desvio de caráter, da dissimulação, da crueldade nua e crua de alguns. E deixa no ar a questão da importância do exemplo. Seja para o bem, ou para o mal.

Estamos nas vésperas da Primeira Guerra, num vilarejo alemão regido pela fé protestante, pelo autoritarismo e pela submissão. A fita branca do título se refere à fita que o pastor amarra no braço de seus filhos para que se conscientizem da sua desobediência, sintam-se envergonhados e peçam perdão após severas punições físicas. Atrelado ao argumento do branco enquanto símbolo da inocência e da purificação, o ato do pastor remete à estrela de Davi que os judeus viriam a exibir anos depois na Segunda Guerra, como símbolo da vergonha. Pura hipocrisia. Não há como não pensar nisso.

Esse é só o começo das relações entre a formação de uma geração dura, corrompida pelo castigo, pela rigidez e pela mentira e a ascensão do nazismo. Não há como aceitar o diferente, se não há quem ensine a aceitá-lo. No microcosmo da aldeia em que o pastor, o médico e o barão, portanto líderes espiritual, econômico e político, usam da punição com seus filhos, esposas e empregados para se perpetuar no poder, percebe-se o que é possível fazer com a mente humana. É só mudar passar da aldeia para uma nação. Lembrei do filme, também alemão, A Onda. Fala da mesma coisa.

Somente o professor, o líder intelectual, questiona o status quo da aldeia, os ataques sofridos por alguns habitantes, a política do não-vi-nada-não-sei-de-nada. É o praticamente o único que demonstra afeto. Não é por acaso. O conhecimento traz a dúvida, a investigação, a contestação. Sempre foi o agente transformador. Aqui, é quem duvida da inocência das diversas crianças arianas, dissimuladas e mentirosas; é quem desconfia dos ataques gratuitos por ódio, impaciência ou simples prazer.  É ele que tem coragem de enfrentar o poder instituído – embora ganhe em inteligência, sabe que perde em força e influência.

Ainda bem que, na vida real, podemos contar com outros tantos “questionadores” para mudar as coisas. Pena que muitas vezes tenhamos que pagar um preço muito alto pela ignorância, intolerância e arrogância de alguns.

 Não percam, faz jus à indicação ao Oscar. Vale a pena ver também o trailer abaixo.

Nota: Assisti ao filme na sala Cinema da Vila, na Fradique Coutinho, 361. Para quem não fala alemão, parte da legenda se perde no fundo sem cor, essencialmente branco. Vale se informar antes para saber se a cópia foi trocada.

 

 

 

SYRIANA – A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO – Syriana
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 23/02/2010

DIREÇÃO: Stephen Gaghan1 icone_DVD

ROTEIRO: Stephen Gaghan, baseado no livro de Robert Baer

ELENCO: George Clooney, Matt Damon, Christopher Plummer, Jeffrey Wright, Chris Cooper, Amanda Peet, Mazhar Munir, Amr Waked, William Hurt,

Estados Unidos, 2005 (126 min)

syriana

Syriana é eletrizante, inteligente e confuso – o que me deixou um pouco ressabiada, porque acho que foi proposital. Fazer um filme sobre os bastidores da indústria do petróleo no Oriente Médio e suas ramificações geopolíticas e econômicas em vários continentes não tem nada de simples. O assunto é complexo mesmo e me parece que o diretor Stephen Gaghan não deu ponto sem nó. O filme terminou e fiquei com a sensação de que ninguém é inteiramente inocente, nem culpado – e que essa minha dúvida é quase que um personagem do filme. Os envolvidos pertencem à rede do negócio do petróleo, se confundem nos interesses e papéis. E salve-se quem puder!

Além do suspense do filme, achei muito interessante o roteiro (adaptado do livro do ex-agente da CIA, Robert Baers, vivido por George Clooney, também em Amor sem Escalas). Segue aquela fórmula de contar várias histórias paralelas, que depois se cruzam e dependem umas das outras para continuar. Os eixos são Clooney, que vive um ex-agente desconfiado do objetivo de suas missões no Oriente Médio e Matt Damon, que é Bryan, um analista especialista em energia, que recebe investimentos de um fictício príncipe árabe e passa a viver essa realidade de perto. Paralelamente está a história de um importante emir, cujo filho sucessor é um empecilho para os interesses americanos na região; da família de imigrantes paquistaneses que opta pelo fanatismo religioso e pelo terrorismo; e dos executivos envolvidos na fusão de duas empresas petrolíferas interessadas no território árabe.

Este é o quadro. Confuso? Também acho. Mas vale a pena ver, é muito interessante como filme de ação e como dinâmica de intrigas e interesses econômicos e geopolíticos. Não sei você, mas eu que lido com o mundo das letras, tão distante na prática e na teoria do mundo poderoso e sombrio do petróleo, da luta política por poder e dinheiro, dos terroristas internacionais, das ideologias e religiões que não se bicam, fico pensando que realmente estamos todos nas mãos de um bando de malucos assassinos. E pior, que são capazes de tudo, por cifras que não conseguimos nem mensurar.

A CULPA É DO FIDEL – La Faute à Fidel!
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, França - 20/02/2010

a culpa é do fidelDIREÇÃO: Julie Gavras1 icone_DVD

ROTEIRO: Julie Gavras, Arnaud Cathrine

ELENCO: Julie Depardieu, Stefano Accorsi, Nina Kervel, Benjamin Feuillet, Martine Chevallier

França, 2006 (99 min)

 

“- Você entende o que é solidariedade? Você entende que viemos aqui pelo seu futuro? Na Espanha eles matam pessoas por causa de suas ideias. Na América Latina, os pobres vivem como animais.

- Mas não somos obrigados a fazer isso!! Eu queria fazer como a vovó!”
 
(diálogo de Anna como pai, após manifestação em Paris contra a pena de morte na Espanha)

 

Não tenho dúvida de que a culpa é realmente do Fidel. A menina Anna de la Mesa (Nina Kervel) me cativou com sua atuação e argumentação brilhantes. Fidel e os “barbudos” que se cuidem!

A grande magia do filme está no entendimento que Anna, de 9 anos, tem do contexto político da época em que vive. Algo parecido com o brilho do filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, que se passa na mesma época e é contado a partir da perspectiva de uma criança. Estamos falando de 1970. Anna mora com os pais (vividos por Stefano Accorsi e Julie Depardieu, filha de Gérard Depardieu) na Paris burguesa, tradicional e católica. Após a morte do tio pela ditadura de Franco, na Espanha, seus pais passam a questionar sua postura diante da sociedade, seus valores e estilo de vida capitalistas.

Anna presencia tudo isso e o filme faz uma interessante varredura sobre a situação sociopolítica mundial da época. Ela participa das manifestações, presencia as mudanças da época e entende aquilo que é possível absorver aos 9 anos. Sua vivência vai desde a posse e morte de Allende, no Chile, maio de 68 em Paris, Guerra do Vietnã, os barbudos de Cuba, a ditadura de Franco, o aborto, a liberação sexual. Os diálogos são engraçados e a os orgumentos de Anna, inteligentíssimos. 

Naquele mundo em ebulição, o curisoso é observar a construção de uma identidade. Sem forçar, os pais explicam aquilo que Anna pergunta. Não vão além da possibilidade do seu entendimento e adotam uma postura educacional aberta e franca. Dão espaço para o desacordo, para as concessões, sem imposição de uma forma de pensar. A partir daí ela contesta muito – com propriedade, diga-se de passagem – vai contra a opção comunista dos pais e suas implicações e cria um espírito crítico muito saudável e construtivo. Genial!

UMA PROVA DE AMOR – My Sister’s Keeper
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos - 19/02/2010

 

uma prova de amorDIREÇÃO: Nick Cassavetes1 icone_DVD

ROTEIRO: Nick Cassavetes, Jeremy Leven, Jodi Picoult (livro)

ELENCO: Sofia Vassilieva, Abigail Breslin, Cameron Diaz, Jason Patric, Evan Ellingson, Alec Baldwin, Joan Cusack, Heather Wahlquist

Estados Unidos, 2009 (109 min)

É verdade que Uma Prova de Amor é triste. Claro que sim. Toda família acometida pelo câncer sofre com o antes, o durante e o depois da doença. Neste caso, que envolve crianças, é particularmente tocante para quem tem filhos da mesma idade ou já vivenciou histórias parecidas. Não tem como não ser dramático, mas acho que não é esse o ponto principal do filme. Assim como também não acho que seja a doença em si, nem mesmo a luta de Kate (Sofia Vassilieva) – que aliás, tem um astral muito bom apesar dos pesares.

O que me tocou foi a postura das mulheres ao seu redor: sua irmã Anna (Abigail Breslin, também em Pequena Miss Sunshine) e sua mãe Sara (Cameron Diaz). A começar pela irmã, a narradora da história, ela já começa contando que foi concebida in vitro para ser compatível com a irmã e poder ser sua doadora. De cara já é um discurso maduro e calejado para uma menina de 11 anos. Tem surpresa no fim do filme e não quero estragar. Mas já digo que adorei a atuação de Anna. Uma atriz e tanto.

Cameron Diaz, além de linda, também mostra a que veio. Quem é mãe, sabe que seria capaz de dar a vida por um filho. Toda esperança é uma fonte inesgotável de uma vida que escapa pelas mãos. E é assim que essa mãe se sente, não tem olhos mais para nada - nem para si mesma – e vai ao limite para ver a filha curada. É o amor maternal que gera cegueira e que é muito, mas muito mais forte do que a cruel realidade.

É dessas duas almas femininas que vem parte da “prova de amor” do título. Enquanto o olhar masculino do irmão e do pai (Jason Patric) são mais objetivos e ajudam a dar um rumo à vida familar, as mulheres se doam completamente. Talvez por ter acompanhado há alguns anos uma história semelhante, senti demais essa entrega materna, cega e amorosa, por um filho. Parece que é isso mesmo – uma mãe realmente trocaria de lugar com um filho. Se fosse possível.

 

O QUARTO DO FILHO – La Stanza del Figlio
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Itália - 18/02/2010

 

o quarto do filho

DIREÇÃO E ROTEIRO: Nanni Moretti1 icone_DVD

ELENCO: Nanni Moretti , Laura Morante , Jasmine Trinca , Giuseppe Sanfelice , Silvio Orlando

Itália, 2001 (98 min)

Palma de Ouro em Cannes 2001

Nanni Moretti emociona muito em O Quarto do Filho. Segue uma linha parecida com Caos Calmo, em que é preciso reestruturar as relações familiares após uma tragédia.

Já tinha assistido ao filme há algum tempo. Adorei rever. Além de toda a emoção da história em si e da ótima atuação do elenco – com destaque para Laura Morante, também em Medos Privados em Lugares Públicos - fiquei reparando nas sessões de análise do terapeuta Giovanni (Nanni Moretti). Ao mesmo tempo que tem de lidar com seus pacientes, cada um com seu discurso e com suas questões, tem que administrar sua própria dor e remorso.

O filme é realmente muito intenso. Emocionante e verdadeiro, com toda a simplicidade dos filmes de Moretti. Diante da dor, daquela dor que não passa jamais, o tempo parece ser o melhor instrumento para organizar as ideias e as emoções, para então seguir em frente.

 

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