cinegarimpo

janeiro, 2010

CORALINE E O MUNDO SECRETO – Coraline
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Estados Unidos - 31/01/2010

coraline_5001 icone_DVDDIREÇÃO: Henry Selick

ROTEIRO: Henry Selick (com base no livro de Neil Gaiman)

ELENCO (vozes): Dakota Fanning, Teri Hatcher, Jennifer Saunders, Dawn French, Keith David, John Hodgman

Estados Unidos, 2009 (101 min)

Coraline é um desenho animado também, ou principalmente, para adultos. Perdi no cinema e com isso perdi também a chance de ver em 3D. Segundo o que li sobre a produção do filme, os efeitos eram de uma sutileza e elegância imperdíveis. Mas mesmo em DVD vale muito a pena.

Lembra Alice no País das Maravilhas (que, aliás, terá uma nova versão em breve nos cinemas).  Coraline é uma garota que também transita entre o mundo real e o imaginário – que não são só flores. No mundo real de Coraline, seus pais não têm tempo para ela, nem para os afazeres da casa que fazem parte da construção do que a gente chama de lar – aquele ambiente em que nos sentimos seguros e acolhidos. O mundo imaginário de Coraline é sedutor, saboroso, incrível – assim como as descobertas da adolescência. Mas nem por isso deixa de ser perigoso e amedrontador – assim como as descobertas da adolescência e da vida adulta.

O tema é sugestivo e muito, muito bem construído. Os desenhos, as sombras, os movimentos são impecáveis. Fiquei encantada com tudo isso, mas principalmente com a delicadeza da imagens e da forma de tratar um assunto tão recorrente e presente nas nossas vidas.

 

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MILK – A VOZ DA IGUALDADE – Milk
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 29/01/2010

DIREÇÃO:1 icone_DVD Gus Van Sant

ROTEIRO: Dustin Lance Black

ELENCO: Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna, James Franco, Alison Pill, Victor Garber, Denis O´Hare, Lucas Graabel

Estados Unidos, 2009 (128 min)

“Não podemos viver só de esperança, mas sem esperança não é possível viver.”

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Milk é realmente muito bom. Quem não viu, assista. Eu vi no cinema e revi agora. Vale a pena, a começar pela atuação de Sean Penn. Merecido o Oscar que ganhou pelo trabalho, mas merecido também o reconhecimento do equilíbrio do roteiro original. Acompanhei a história real do ativista Harvey Milk quase como se fosse um documentário, ainda mais porque tem aquele recurso que eu adoro, que são as imagens reais mescladas com as ficcionais.

O tema é extremamente atual e se encaixa em qualquer seara da vida que inclua preconceito, minorias, diferenças de direitos. Harvey Milk é homossexual e luta, na São Francisco dos anos 70, para que os gays tenham os mesmos direitos que qualquer outro cidadão. Com sua militância política vence nas urnas e torna-se o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos. A ambientação de época é muito bem construída, inclusive figurino, costumes, música, o que torna o filme ainda mais verossímil.

O ponto principal, a meu ver, vai muito além da homossexualidade em si, de aprová-la ou rejeitá-la. Esbarra na questão mais crônica da intolerância humana, no direito que as pessoas se dão de fazer julgamentos, na hipocrisia da nossa sociedade, na crença da superioridade de credos, raças ou orientação sexual. Fica claro – e esse é o mérito do personagem – que a luta de Harvey é pela igualdade de direitos, como diz o subtítulo do filme. E seria a mesma se ele pertencesse a qualquer outra minoria.

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STELLA
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França - 28/01/2010

stella1 icone_DVDDIREÇÃO E ROTEIRO: Sylvie Verheyde

ELENCO: Léora Barbara, Mélissa Rodriguez, Laëtitia Guerard, Benjamin Biolay, Karole Rocher, Guillaume Depardieu

França, 2008 (103 min)

Os tempos mudam, mas a chegada da adolescência continua sendo, e sempre será, uma questão delicada. Mudança no corpo, hormônios em funcionamento, alteração no humor, descoberta da sexualidade e muitas outras sensações que vivemos e vivenciamos agora com os filhos. Mas quando terminou Stella, fiquei pensando na grande dificuldade que é lidar com a descoberta de si mesmo, encontrar um lugar ao sol nos grupinhos da escola, sentir-se parte do todo. A velha questão “quem sou eu?”, que começa a surgir cada vez mais cedo, e a aceitação de uma personalidade diferente da maioria nunca é uma tarefa fácil – ainda mais nessa fase.

Stella deixa uma série de reflexões no ar, muitas feitas por ela mesma através da percepção da realidade em que vive. Ela própria narra a sua história, percebe-se diferente e faz esforço para se adaptar. Achei muito interessante a sua busca. É como se Stella soubesse, inconscientemente, que está à procura de algo que a interesse (surge aqui a literatura), para que a vida tenha um propósito e ela consiga entrar de fato no mundo próprio da idade. Isso porque leva uma vida diferente das outras meninas, mora no andar em cima do bar dos pais e, portanto, frequenta um ambiente adulto e totalmente inadequado.

Se acompanhada passo a passo a adolescência já não é uma tarefa fácil, imagine na situação de crianças como Stella, em que os pais não assumem a responsabilidade da educação e o vínculo do amor, deixando para o próprio filho a tomada de decisões. Com questões diferentes, Stella lembra filmes como O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias e Valentin, em que crianças tomam o pé da vida logo cedo e transmitem os medos e as vivências que vão influenciar suas vidas para sempre.

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HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR – Kirschblüten – Hanami
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Alemanha - 27/01/2010

DIREÇÃO E ROTEIRO: Doris Dörrie

ELENCO: Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Maximilian Brückner, Nadja Uhl, Birgit Minichmayr, Felix Eitner, Floriane Daniel, Celine Tanneberger, Robert Döhlert.

Alemanha, 2008 (126 min)

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Antes de começar a falar de algumas das várias sensações que este filme me provocou, quero dar um conselho: cuidado com as resenhas espalhadas pela internet e com o trailer do filme (coloquei abaixo, mas fiquem avisados!). Eles contam muito do que acontece e literalmente estragam o prazer das descobertas do roteiro. Acompanhar o filme passo a passo foi fundamental para me sentir dentro da história, para acompanhar a trajetória e a emoção dos personagens. Quando fui ao cinema, não sabia nada sobre o filme. Sabia que Hanami era muito bonito. A emoção foi muito maior, posso garantir.

Acho importante dizer isso porque o filme trata basicamente de sentimentos. Quanto mais sentimos na pele a emoção e a surpresa que o próprio personagem sente, mas conseguimos encontrar parentescos com a nossa própria história. Assim foi. Saí da sessão com várias questões a serem comentadas e digeridas. Rendeu muita coversa. Na relação cúmplice e rotineira do casal alemão Trudi (Hannelore Elsner) e Rudi (Elmar Wepper), há margem para pensar na relação com os filhos que se vão, na maneira com lidam com os pais mais velhos, no egoísmo, nas difuculdades que enfrenta o idoso que se sente repudiado pelas próprias crias. Mas fala também da cumplicidade do casal, da sensação privilegiada de querer compartilhar tudo com o outro, de o outro ser de fato “outro”, com sonhos e vontades próprias, imprescindível para o casal existir enquanto casal.

Contrariando as outras resenhas que li, não vou falar do enredo. Quero que você veja por sua conta. Mas Hanami me lembrou O Visitante, em que o protagonista reencontra o brilho da vida no contato com o estrangeiro, com o diferente. Aqui, o Japão das cerejeiras em flor e do Monte Fuji cumpre esse papel.

Hanami é a festa de abertura da primavera no Japão, quando as cerejeiras florescem de maneira esplendorosa e todos fazem piquenique aos seus pés para dar adeus ao rigoroso inverno. Esse é o sonho de Trudi, estar presente no Hanami. E por falar em sonho, Hanami trata também da busca pelo que é mais íntimo e que completa cada um de nós. Como casal, tanto melhor se o sonho for compartilhado.

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O MENINO DO PIJAMA LISTRADO – The Boy in the Striped Pijamas
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Inglaterra, Estados Unidos, Drama - 26/01/2010
DIREÇÃO E ROTEIRO: Mark Herman1 icone_DVD

ELENCO: Asa Butterfield, Jack Scanlon, Zac Mattoon O´Brien, Domonkos Németh, Henry Kingsmill, Vera Farmiga, David Thewlis

Inglaterra, Estados Unidos, 2008o menino de pijama listrado

O Menino do Pijama Listrado tem como tema o holocausto, só que desta vez os protagonistas são crianças. Embora o assunto sempre impressione, marca ainda mais quando tem criança envolvida. Mexe com o medo da perda, com o temor que temos de que os filhos sofram e isso toca fundo. Os instintos materno e paterno de proteção são insuperáveis e e não tem como não se impressionar com o desfecho.

Mas quero deixar claro que achei o filme, baseado no livro homônimo de John Boyne, inverossímil. Faz já alguns meses que assisti e agora que parei para escrever me dei conta de como isso me incomodou. Alguns atores não me convencem, principalmente David Thewlis, que faz o pai do menino Bruno (Asa Butterfield). Parecem atuações artificiais e uma filmagem muito comercial. O fato de ser falado em inglês não chamaria atenção, já que muitos filmes sobre o tema o são, mas neste caso é uma somatória.

A história é a seguinte: Bruno é filho de um oficial nazista, nomeado como responsável por um campo de concentração localizado em uma região remota. A família é transferida para a área vizinha ao campo, mas não sabe na realidade o que se passa por lá. Começa a questionar a fumaça preta, o odor estranho, os moradores daquela suposta “fazenda” vestidos de “pijama listrado”. Sem ter com quem brincar, Bruno vai explorar a área e conhece o menino judeu Schmuel, também de 8 anos, preso no campo.

Essencialmente, o filme fala da ingenuidade infantil, da amizade entre os dois meninos, do medo dessa relação que estava fadada à “inimizade”. Mas sobretudo da construção da mente perversa, da lavagem cerebral feita com a juventude que se aliou a Hitler – e que pode ser usada para qualquer fim preconceituoso e autoritário, sempre que o homem deseje dominar o outro.

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A QUESTÃO HUMANA – La Question Humaine
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França - 08/01/2010

DIREÇÃO: Nicolas Klotz1 icone_DVD

ROTEIRO: Elisabeth Perceval, François Emmanuel

ELENCO: Mathieu Amalric, Michel Lonsdale, Lou Castel, Edith Scob, Jean-Pierre Kalfon, Valérie Dréville, Laetitia Spigarelli

França, 2007 (142 min)a questão humana

A Questão Humana é um filme denso e reflexivo. Dá para perceber logo nos primeiros minutos. Se você resistir à montagem noir, sombria e sistemática, insista e siga em frente. Vale a pena, faz pensar. De uma maneira nada convencional e bastante inteligente, o diretor Nicolas Klotz fala do homem, que deixou de ser humano e ético nas grandes corporações para ser máquina e processo, assim como a era em que vivemos.

Não foi nada fácil resumir a ideia do filme, acredite. Revi algumas cenas para não perder a essência do texto e das imagens. Mas confesso – e aproveito para dar a dica – que foi a entrevista com Nicolas Klotz e Elizabeth Perceval, diretor e roteirista respectivamente, que me ajudou a ter um entendimento mais profundo do filme. A análise deles é muito interessante e ajuda a retomar os diálogos e a ler nas entrelinhas. Está nos “extras” do DVD e é altamente recomendável.

O eixo da história é Simon, vivido por Mathieu Amalric (também em O Escafandro e a Borboleta), um psicólogo que trabalha na área de recursos humanos de uma empresa franco-alemã. Por exigências do mercado, ele demite metade dos funcionários, aqueles que não se encaixam no padrão da empresa. Emprega linguagem e critérios técnicos para fazer essa seleção, o que é natural em uma corporação que mais parece produzir colaboradores uniformes, como se fosse uma linha de produção (repare na cena inicial, dos executivos no banheiro). Em contrapartida, fora da empresa o clima é de euforia, emoção solta, linguagem musical expressiva, diversa e tão heterogênea como o fado, a rave, o clássico e o flamenco. Me parece uma analogia ao próprio ser humano, duo, contraditório, misto de razão e emoção.

Mas a partir do momento em que Simon investiga a sanidade mental do diretor da organização, perde o controle da situação. O que era ordem, razão e técnica transforma-se em caos, angústia e questionamento, sentimentos próprios de um ser agora humanizado, que perde a capacidade de controlar as próprias emoções ao lidar com a questão humana do outro, ao relacionar-se; que percebe que a linguagem do mundo empresarial já não é própria dos humanos, mas sim dos técnicos; que os métodos de cortar os recursos humanos da empresa se assemelham àquele usado pelos nazistas para excluir pessoas; que a escolha das palavras tem o poder de corromper e transformar um significado, sem obrigatoriamente mentir, servindo como arma de manobra de massa.  

Em um determinado momento, um dos executivos diz que a “indústria é implacável” e pergunta a Simon como ele conciliaria o fator humano com as necessidades econômicas da empresa. Achei interessante. A história, como a conhecemos, também é implacável, também é regida por necessidades econômicas, assim como os regimes autoritários e os processos de massificação do ser humano. Tudo pela produção em série e por resultado. Não são essas, afinal, as palavras de ordem da nossa era?

 

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LULA – O FILHO DO BRASIL
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Brasil - 07/01/2010

lula-o-filho-do-brasil-DIREÇÃO: Fabio Barreto

ROTEIRO: Fabio Barreto, Denise Paraná, Daniel Tendler, Fernando Bonassi

ELENCO: Rui Ricardo Diaz, Guilherme Tortólio, Felipe Falanga, Glória Pires, Lucélia Santos, Cléo Pires, Juliana Baroni, Milhem Cortaz

Brasil, 2009 (128 min)

A vantagem de escrever sobre Lula – O Filho do Brasil é que não preciso ficar com medo de contar o que não deveria e, assim, tirar a surpresa do filme. Todo mundo sabe onde ele chegou, mas ainda não sabemos até aonde ele vai. O perigo aqui é outro. É não separar o homem do presidente. Sim, porque de fato a sua trajetória é ímpar. Não tem como não dar valor à sua persistência e tudo mais. Outra coisa é a vida política e nesse quisito cada um tem a sua opinião.

Saí do cinema e a primeira coisa que me veio à cabeça foi o filme 2 Filhos de Francisco, que conta a história de Zezé di Camargo e Luciano. As semelhanças são muitas, a começar pelo fato de serem crianças nordestinas sem qualquer estudo ou perspectiva de futuro, quem dirá de sucesso na vida. Jovens que migram para a grande cidade, comem o pão que o diabo amassou, conseguem se sobressair e ganhar fama. Mas a diferença é que o filme dos irmãos sertanejos realmente emociona. Lula deixa a desejar no quisito “lágrimas”.

Conta sua trajetória na infância, o sindicalismo no ABC paulista, o respeito dos companheiros, a prisão na ditadura, os casamentos, a luta pela causa dos trabalhadores – aliás, o trailer abaixo mostra grande parte desses acontecimentos, tirando até algumas surpresas. O que incomodou é que o ator Rui Ricardo Diaz só começa a falar como o Lula que a gente conhece quando consegue arrebatar milhares de metalúrgicos nas assembléias. Aí o tom e o português são do Lula. Até então, senti falta do sotaque e até achei que as concordâncias estavam abundantes. Preciosismo? Pode até ser, mas achei que isso escapou.

Mas o que não escapa é a correlação de que falei acima. Embora eu tente, não consigo separar uma coisa da outra. O Lula “homem” e o Lula “presidente” andam juntos e por isso sinto o filme como uma produção eleitoreira. Mesmo porque tenta convencer pela comoção gerada pela miséria e pelos conselhos de Dona Lindu (Glória Pires, também em Se Eu Fosse Você e Se Eu Fosse Você 2, É Proibido Fumar). E ao Lula são só elogios, nada que o desabone.

Como todo filme baseado em história real, gosto das cenas verdadeiras intercaladas com o cinema – dá mais veracidade e aqui não é diferente. Mas acho que terminar com a posse do Lula não precisava. Ficou um espaço de tempo enorme entre a prisão no Dops e a posse em 2003. Poderia ter terminado com a sua libertação – assim daria pano para a continuação. Que iria até quando mesmo?

 

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DESEJO E PERIGO – Lust, Caution (Se, Jie)
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, China - 06/01/2010

DIREÇÃO: Ang Lee

ROTEIRO: Hui-Ling Wang, James Scha1 icone_DVDmus

ELENCO: Tony Leung Chiu Wai, Wei Tang, Joan Chen, Lee-Hom Wang, Chung Hua Tou

LOCAL, ANO: China, Estados Unidos, 2007 (157 min)

Leão de Ouro em Veneza em 2007

desejo e perigo

Desejo e Perigo é um filme belíssimo. Para começo de conversa, quero dizer que a qualidade plástica e a fotografia, aliadas à construção de uma época, são impecáveis e já valem o programa. A Xangai dos anos 40 é mostrada com todos os detalhes, não só a cenografia, mas também os costumes, a política, a tradição.
 
Outro ponto muito interessante é o clima de perigo iminente, de tensão, de traição e suspense – belo trabalho do diretor Ang Lee, também de O Segredo de Brokeback Montain e O Tigre e o Dragão. É como se a angústia da emboscada estivesse presente o tempo todo – assim como deve ter sido naquela época e em tantas outras. Nem as cenas de sexo escapam do clima de alerta – achei, inclusive, que por isso foram feitas de maneira tão realista, iluminadas, sem qualquer censura, sombra ou maquiagem no cenário. Dramaticidade intensa, como se os atores estivesse no limite entre entregar-se e detonar-se, como se do ato dependesse a vida.
 
Vale lembrar que o enredo também é muito bom. Descobri nas pesquisas que o diretor adaptou essa história de um livro escrito por Eileen Chang, uma das escritoras chinesas mais conhecidas do oriente. E inclusive que a história seria autobiográfica. Ambientada na China sob domínio japonês na Segunda Guerra, o filme conta como um grupo de jovens universitários se envolve com o movimento de resistência e planeja assassinar um figurão chinês que colabora com o governo do Japão. Se contar mais, estraga. Mas não estraga pedir que reparem nas cenas detalhadamente construídas, nas mulheres jogando majong, na Xangai tumultuada, na privação da população, na crueldade da intolerância do regime, na desconfiança de tudo e de todos. Só senti que ela sai de cena para dar lugar aos humanos, enquanto seres que se importam uns com os outros, no instante em que Wang (Wei Tang) canta para Mr. Yee (Tony Leung Chiu Wai) no restaurante japonês. E para isso bastou um olhar. Não é qualquer um que consegue essa proeza. 
 
 
 
 
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