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outubro, 2009

FOI APENAS UM SONHO – Revolutionary Road
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos - 30/10/2009

DIREÇÃO: Sam Mendes1 icone_DVD

ELENCO: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Michael Shannon, Kathy Bates

LOCAL,ANO: EUA, Inglaterra, 2008

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              “Suponhamos que a gente tivesse uma vida interessante aqui. Você continuaria desperdiçando seu tempo com um emprego insignificante?”

Uma pessoa me disse que se sentiu na pele de April, a personagem de Kate Winslet (também em O Leitor), ao ver o filme. Que passou por uma fase da vida em que a rotina a estava matando, em que não via sentido nem estímulo em continuar daquela forma, que precisava sonhar com algo mais interessante. Mudou de país e parece ter encontrado seu rumo. Mas nem sempre é assim. Ao assistir a Foi Apenas um Sonho entendi que April se sentia “dentro da média” e por isso achava não passar de uma típica dona de casa americana pobre de espírito, rasa, sozinha, medíocre. Paris lhe parecia a única opção – mas estava buscando a solução longe demais.

Leonardo di Caprio e Kate Winslet, o casal de Titanic, formam o protótipo da família americana nos anos 1950, com uma boa casa no subúrbio, em Revolutionary Road, filhos, vizinhos, estabilidade, um trabalho insignificante, rotina e mais rotina. Ela quer ser atriz, fugir das amarras e regras sociais da época; ele ganha bem, mas faz um trabalho chato, dentro do conformismo habitual. Um casamento que começa apaixonado, é depois capaz de levá-los à loucura – literalmente.

Não é um filme manso. Não mesmo. É forte e me deixou até perturbada com a intensidade da atuação. Mostra a faceta do casal que acha sua vida desinteressante, que se desespera com a falta de perspectiva. Como se somente a mudança física pudesse ser a tábua de salvação das questões internas. Vale dizer que ironicamente quem tem a cabeça mais ajustada e pensamento mais claro é John, o vizinho tido como mentalmente desequilibrado. É dele que vem a lucidez que falta ao casal – e que toca fundo, gerando algumas das cenas mais intensas e marcantes do filme.

Baseado no livro homônimo de Richard Yates, Revolutionary Road é dirigido por Sam Mendes, marido de Kate Winslet e diretor também de Beleza Americana. Ele questiona a chamada “zona de conforto”, a “escolha do caminho mais fácil”, o conformismo que atinge o casal, que já se sentiu especial e merecedor de uma vida no mínimo interessante. Tudo depende do que significa ‘uma vida interessante’ para você.

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O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS
CLASSIFICAÇÃO: Para Rever, Para Entender o Nosso Mundo, Brasil - 29/10/2009

1 icone_DVDDIRETOR: Cao Hamburguer

ELENCO: Michel Joelsas, Paulo Autran, Simone Spoladore, Caio Blat, Germano Haiut e Daniela Piepszyk

LOCAL, ANO: Brasil, 2006
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 “Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração…”

Genial rever este filme. Premiadíssimo, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é um retrato do Brasil de 1970, visto sob a ótica de um garoto de 10 anos – um retrato muito comovente.

Mauro ama futebol de botão e sonha com a Copa do Mundo que está chegando. Acontece que seus pais se envolvem com a resistência armada e têm que sair de cena por tempo indeterminado, porque a ditadura é quem manda no país daquele tempo. Sem alternativa, deixam o garoto às pressas com o avô paterno, morador do bairro paulistano do Bom Retiro.

A partir daí, ele tem que se adequar à nova realidade. Mostra, com muita sensibilidade, a comunidade judaica e seus costumes, em harmonia com os italianos e outras nacionalidades que também moram por lá; mostra a relação das crianças, com sua capacidade de fazer amizades sem grandes questionamentos; mostra a repressão assolando os jovens universitários, contra o regime; mostra a solidariedade de quem quer simplesmente ajudar e finalmente o olhar ingênuo e observador de Mauro, que deposita suas ansiedades e expectativas nos jogos do Brasil na Copa. Ele passa o filme torcendo pelo Brasil e pela volta de seus pais das férias.

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BASTARDOS INGLÓRIOS – Inglorious Basterds
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos - 28/10/2009

DIRETOR: Quentin Tarantino1 icone_DVD

ELENCO: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Mike Myers, Diane Kruger, Daniel Brühl, Michael Fassbender

LOCAL, ANO: Estados Unidos, 2009

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Bastardos Inglórios é arrasador por vários motivos. Na minha opinião, o mais importante deles, que resume todos os outros, é o seguinte: Tarantino fez o que o mundo todo queria fazer, que era dar o troco, com inteligência e ironia.

Usando o cinema como pano de fundo da trama eletrizante, o filme se passa na França ocupada pelos nazistas. São muitas as cenas que merecem menção, mas eu chamaria a atenção para três blocos de personagens, cada um deles com um representante. Primeiro estão os judeus na pele de Shosanna Dreyfus (Laurent, támbém em Não Se Preocupe, Estou Bem) – que tem a família dizimada, consegue fugir e vive com identidade falsa como dona de sala de cinema em Paris. Depois vêm os justiceiros, conhecidos como Bastardos, representados por Aldo Raine (Pitt) e sua ‘equipe’, com a missão de angariar aliados, como a atriz alemã infiltrada, e eliminar implacavelmente os nazis. Juntando as duas pontas estão os nazistas, representados pelo espetacular Hans Landa (Waltz) – já na primeira cena seu sorriso arrogante é capaz de nos tirar do sério.

Tarantino usa o cinema para falar do cinema, já que é na sala de Shosanna que se dá a maior das vinganças contra Hitler e os alemães. Sem poupar sangue, traição, violência, acho que o filme lança mão principalmente da inteligência para construir a trama. Fala da sede de vingança do ser humano, da capacidade incontestável de manipulação do ser humano através da força, da intimidação e até das palavras e da incontrolável ironia que há dentro de nós. Se eu tivesse que destacar algo no filme, diria que é o seu tom irônico. Daqueles inteligentes, que são capazes de fazer qualquer um perder as estribeiras. Imperdível!

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500 DIAS COM ELA – (500) Days of Summer
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 27/10/2009

 

” – Não quero assumir nada sério.

– E se você se apaixonar?

– Como assim? Você acredita nisso?

– Estamos falando de amor, não de Papai Noel…!?!!!”

Numa tradução livre de um dos muitos bons diálogos de 500 Days of Summer, nome original desta deliciosa, inteligente e divertida comédia romântica, percebe-se que uma das partes do que seria um casal não acredita no amor. A outra, sonha em encontrar sua alma gêmea. Logo no começo do filme, já é dito que não se trata de uma história de amor, mas de uma história sobre o amor.

Tom e Summer se conhecem no trabalho (ele, criador de cartões comemorativos; ela, assistente do chefe dele). Começam uma relação diferente, ele querendo compromisso, ela deixando claro que só quer se divertir e ser feliz – a antítese da típica história de amor. Ele romântico, ela imediatista; ele se entrega, ela curte. Além dos bons atores – o casal é ótimo e tem química – o bacana do enredo é a forma de contar a  história. Nada linear, vai e volta no tempo, tendo sempre a contagem dos dias como referência. Outro ponto é a tradução, com imagens na tela, do íntimo do personagem, como a dança de Tom nas ruas após sua primeira noite com Summer.

Despretencioso e leve (adoro isso!), 500 Dias com Ela fala dos ciclos da vida – num paralelo inteligente e sensível com as estações do ano, bem marcada pelo nome da bela Summer. Fala do amor enquanto certeza – o resto é outra coisa. A gente sabe quando ama. O  que chamamos de “acaso”, “coincidência” só acontece se o olhar está preparado para isso, se há espaço interno para perceber a presença do inusitado, para o despertar de um sentimento novo. Estar na hora certa, no lugar certo não acontece todo dia.

VEJA EM DICAS AFINS – Atenção às músicas – pontuadas pelos próprios atores. Tem The Smiths, Carla Bruni, Regina Spektor, Simon & Garfunkel e outros. Vale a pena conferir a trilha do filme.

DIRETOR: Marc Webb  ELENCO: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel | 2009

 

 

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TRILHA SONORA – 500 DIAS COM ELA – 500 Days of Summer
CLASSIFICAÇÃO: Dicas Afins - 27/10/2009

A trilha do filme 500 Dias com Ela é linda, inspiradora. Confira abaixo o vídeo de Us, com Regina Spektor e Quelqu’un M’a Dit, com Carla Bruni.

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1. A Story of Boy Meets Girl – Mychael Danna and Rob Simonsen
2. Us – Regina Spektor
3. There Is A Light That Never Goes Out – The Smiths
4. Bad Kids – Black Lips
5. Please, Please, Please Let Me Get What I Want – The Smiths
6. There Goes The Fear – Doves
7. You Make My Dreams – Hall & Oates
8. Sweet Disposition – The Temper Trap
9. Quelqu’un M’a Dit – Carla Bruni
10. Mushaboom – Feist
11. Hero – Regina Spektor
12. Bookends – Simon & Garfunkel
13. Vagabond – Wolfmother
14. She’s Got You High – Mumm-Ra
15. Here Comes Your Man – Meaghan Smith
16. Please, Please, Please Let Me Get What I Want – She & Him

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ABRAÇOS PARTIDOS – Los Abrazos Rotos
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Espanha - 24/10/2009

DIRETOR: Pedro Almodóvar

ELENCO: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rúben Ochandiano

LOCAL, ANO: Espanha, 2009

 

“Um filme precisa ser concluído ainda que às cegas.”

abraços partidosQuem assistiu a pelo menos um dos três grandes filmes de Almodóvar, Tudo Sobre Minha Mãe, Fale com Ela e Volver, vai entender bem o meu principal argumento para não perder este filme – digo principal, porque há vários. O que mais me fascina no estilo Almodóvar de filmar é a amarração impressionante que ele faz no roteiro. Consegue retratar com viva emoção vidas que se entrelaçam de uma maneira sempre muito peculiar, colorida (vermelha), intensa e sempre feminina. Abraços Partidos é assim. E mesmo que esse modelo se repita, me envolvo com os personagens, com as hístórias de vida, me emociono com essa maneira de retratar vivências. Cria identidade com o espectador e a gente entra na sala do cinema tendo a certeza de viver fortes emoções.

Desta vez a história gira em torno do cineasta Mateo Blanco. Embora cego, continua escrevendo roteiros ancorado por sua fiel escudeira Judit García e pelo filho dela, Diego. Um problema pontual faz com que venha à tona uma figura do passado, Ernesto Martel, rico empresário, agora morto. Lena (Penélope Cruz) aparece nesse passado, em 1994, quando era esposa de Ernesto e sonhava, apesar do ciúme do marido, em ser atriz de cinema. No cinema de Mateo. Armada a trama, a história se desenrola com o cinema como pano de fundo. Um belo tributo de Almodóvar à sua forma de arte, sem dúvida.

Para completar, tem o argumento da bonita trilha sonora que acompanha a trama, do suspense eletrizante, do colorido arrebatador, do romance intenso, da fotografia genial, da comédia irreverente. Argumentos suficientes para você não perder nenhum dos abraços, antes que eles se partam.

 

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33a. MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO
CLASSIFICAÇÃO: Dicas Afins - 23/10/2009

Começa hoje a 33a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que vai até dia 05 de novembro. São 14 dias de filmes, precisamente 424 de diversas partes do mundo, espalhados por 17 salas de cinema, em horários variados. Com objetivo de tirar algumas dúvidas que me parecem pertinentes, elaborei as informações abaixo que poderão auxiliá-lo na hora de escolher o que assistir:

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– Os filmes dos diretores mais badalados e as apostas do festival (alguns listados abaixo) entrarão em cartaz logo mais, já em novembro e dezembro; talvez você prefira esperar para ter opções de horários e salas compatíveis com a sua rotina e assim não precisar se desdobrar por São Paulo nessas duas semanas;

– Aconselho fazer uma pesquisa dos filmes no site www.mostra.org. Clique em filmes e veja que sessão e sala são viáveis para você;

– Compre antes. Eu testei, já comprei alguns e deu tudo certo. Entre no campo serviços e ingressos, ou direto no site www.ingresso.com.br. O site só disponibiliza os ingressos com 4 dias de antecedência. Escolha o filme, sessão e sala e deixe o site localizar se há ingressos disponíveis. Aí é só comprar. Infelizmente, nesses dias especiais não é possível marcar lugar – por isso tem que chegar cedo.

– Para quem me pediu dicas, garimpei alguns filmes divulgados na mídia para incluir no Cine Garimpo. Logicante há outros tantos ótimos, bons ou nem tanto. Garimpe e mande também a sua sugestão! Aí vão as minhas:

* Abraços Partidos – Pedro Almodóvar, Espanha

* A Fita Branca – Michael Haneke,  Alemanha

* Aconteceu em Woodstock – Ang Lee, EUA

* À Procura de Eric – Ken Loach, Inglaterra

* Cinzas e Sangue – Fanny Ardant, França

* Ervas Daninhas – Resnais, França

* Julie & Julia – Nora Ephron, EUA

* Lebanon – Samuel Maoz, Israel

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MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS – Coeurs
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França, Drama - 23/10/2009

DIRETOR: Alain Resnais

ELENCO: Sabine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi, Laura Morante, Isabelle Carré

LOCAL, ANO: França, 2007

medos privados em lugares públicos

 

Adoro filme francês. Principalmente quando o cenário é Paris. Diz a capa do DVD que sim, que se passa em Paris. Mas só se vê réstia da cidade nos primeiros segundos, quando a névoa encobre a Torre Eiffel. Depois, só interiores. Reparei nisso logo de cara – e é um detalhe que impressiona. Os cenários são lugares públicos, ambientes de trabalho, apartamentos; mas medos são particulares, privados, fechados nesses ambientes de morada, de convívio e nos corações. Deve ser por isso que o título original é justamente Coeurs (Corações).

Trata-se da história de seis personagens que têm suas vidas entrelaçadas por contingências diversas. Mais ou menos como a Quadrilha, de Drummond: “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém” – com a diferença que aqui o amor parece meio capenga. Nicole procura o corretor de imóveis chamado Thierry, pois quer se mudar de apartamento com o noivo, Dan; Thierry trabalha com Charlotte, moça religiosa que guarda alguns segredos e que, nas horas vagas, ajuda a cuidar de um senhor senil, pai de Lionel; este é barman em um hotel de decoração psicodélica e impessoal, onde o ex-militar Dan, noivo de Nicole, vai beber, afogar as mágoas, aconselhar-se, enquanto não decide procurar emprego; Dan termina por conhecer Gaelle, a irmã de Thierry, que se acha uma chata e é adepta aos encontros às escuras. Diferente do poema de Drummond, aqui parece que ninguém ama ninguém, mesmo porque, já de partida, não conseguem amar a si próprios.

Falando assim, parece pesado. Mas é só intenso, baseado nas emoções dos personagens. Tudo é contado em cenas curtas, abordado com maestria pelo diretor, com toques de realismo fantástico – a neve não para de cair em Paris (logo em Paris, onde quase não neva) e às vezes até entra nos ambientes internos. Mas, o impossível não choca porque o foco está nas pessoas e a neve é como a cortina que sobe e desce a cada ato. É como se os ambientes internos fossem um retrato do interior de cada um dos personagens. Ninguém ousa sair na Paris das luzes e iluminar aquilo que não se conhece – melhor ficar onde não se tem surpresas, prisioneiros de si próprios. Quando Lionel diz que “passamos pela vida sozinhos”, tive mesmo essa impressão. Pelo menos no filme. É tanto gente confusa que sozinhos parecem se entender melhor. Ou não?

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ÚLTIMA PARADA 174
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Brasil - 22/10/2009

1 icone_DVDDIRETOR: Bruno Barreto

ROTEIRO: Bráulio Mantovani (também de Cidade de Deus e Linha de Passe)

ELENCO: Anna Cotrim, Gabriela Luiz, Marcello Melo Jr., Michel Gomes, Rafael Logan, Ramon Francisco, Yasmine Luyindula

LOCAL, ANO: Brasil, 2008

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Não deixe de assistir. É violento, triste e real. É o Rio de Janeiro enquanto microcosmo brasileiro. É importante saber que o sequestro trágico do ônibus 174 no Rio é só o desfecho deste filme – sequestro esse que foi transmitido ao vivo pela televisão, terminou com a morte trágica de uma professora em 2000 e virou o documentário Ônibus 174 de José Padilha (diretor de Tropa de Elite), em 2002. O que este filme mostra são as causas dessa delinqüência, que vão além da pobreza e têm sua raiz na desagregação familiar, na desesperança, no medo, na deseducação.

Com base nesse documentário, Barreto monta a ficção na tentativa de construir o personagem e assim explicar o desfecho. A história de Sandro é igual à trajetória de muitas crianças brasileiras: o menino testemunha o assassinato da mãe na favela carioca, troca a escola pelo centro do Rio, pela cola e pela malandragem. Sobrevive à chacina da Candelária em 1993 porque se finge de morto, é traído pelo amigo-malandro, pela namorada-prostituta e termina na frente das câmeras matando uma professora. É preso e morto no camburão.

A história paralela é a de uma mãe, que procura o filho desesperadamente e adota Sandro como se fosse seu – embora fique claro que ela tinha suas dúvidas. Mas queria ser mãe e acreditar. Termina enterrando o filho.

Vale dizer que a maioria dos atores era da comunidade teatral da favela, portanto atores amadores. Isso dá veracidade à cena. Bons atores. Mas há também a criação de caricaturas (como a do pastor evangélico), que poderiamos passar sem. Mas não chega a atrapalhar. O filme é eletrizante e faz parar para pensar (veja o trailer abaixo). Ter uma família não seria o passaporte para a dignidade, mas ajuda muito, não dá para negar.

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PARIS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, França - 22/10/2009

DIRETOR: Cédric Klapisch

ELENCO: Juliette Binoche, Romain Duris e Fabrice Luchini

LOCAL, ANO : França, 2009

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Acho curioso relacionar Paris com vidas dispersas, que se cruzam como se por acaso. Há vários filmes com esse pano de fundo. Isso acontece em Paris, assim como em Medos Privados em Lugares Públicos, Um Lugar na Plateia e Paris, Eu Te Amo. O que me vem na cabeça é um motivo básico: Paris simplesmente acontece, pulsa, assim como a vida de cada um dos personagens.

Pierre, um dançarino profissional, é a espinha dorsal da história. Depois da descoberta de um problema cardíaco grave, que só poderá ser resolvido com um transplante, as outras histórias e seus personagens parisienses surgem e ganham espaço no enredo. Tem historiador que se apaixona pela aluna bonita; tem imigrantes africanos que aguardam a chegada de parentes ilegais; tem dona de boulangerie malcriada; tem família de comerciantes da feira livre;  tem assistente social desiludida, que é Juliette Binoche.

Ou seja, uma miscelânea de personagens, com a cara de Paris: tem cenas de café, de universidade, de festas petit comité, de feira de bairro, de boulangerie e de pan au chocolat!! Nada mais parisiense do que isso. Com um toque humano, das relações se desfazendo e se estreitando. Bela escolha.

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